Teoria da Resposta do Leitor e a Hermenêutica Pentecostal: Uma Análise Comparativa

Teoria da Resposta do Leitor e a Hermenêutica Pentecostal: Uma Análise Comparativa

Otoniel Barbosa[2]

Resumo

Resumo: Este artigo busca explorar a convergência entre a teoria da resposta do leitor e a hermenêutica pentecostal. Ao investigar esta relação, propomos uma fundamentação teórica para ambas, destacando a contribuição de diversos hermeneutas. Por meio de um exemplo prático, analisamos como essas teorias abordam um mesmo texto. O objetivo final é elucidar de que maneira a hermenêutica pentecostal pode se beneficiar da integração com a teoria da resposta do leitor.

Palavras-chave: Resposta do Leitor. Hermenêutica Pentecostal. Hermenêutica.

Abstract: This article seeks to explore the convergence between reader response theory and Pentecostal hermeneutics. By investigating this relationship, we propose a theoretical foundation for both, highlighting the contribution of several hermeneutists. Through a practical example, we analyze how these theories approach the same text. The ultimate goal is to elucidate how Pentecostal hermeneutics can benefit from integration with reader response theory.

Keywords: Reader Response. Pentecostal hermeneutics. Hermeneutics.

Resumo: Este artigo busca explorar a convergência entre a teoria da resposta do leitor e a hermenêutica pentecostal. Ao investigar esta relação, propomos uma fundamentação teórica para ambas, destacando a contribuição de diversos hermeneutas. Por meio de um exemplo prático, analisamos como essas teorias abordam um mesmo texto. O objetivo final é elucidar de que maneira a hermenêutica pentecostal pode se beneficiar da integração com a teoria da resposta do leitor.

Palavras-chave: Resposta do Leitor. Hermenêutica Pentecostal. Hermenêutica.

Abstract: This article seeks to explore the convergence between reader response theory and Pentecostal hermeneutics. By investigating this relationship, we propose a theoretical foundation for both, highlighting the contribution of several hermeneutists. Through a practical example, we analyze how these theories approach the same text. The ultimate goal is to elucidate how Pentecostal hermeneutics can benefit from integration with reader response theory.

Keywords: Reader Response. Pentecostal hermeneutics. Hermeneutics.

Artigo

1. Introdução e Contextualização

No Brasil vemos que grande parte das pessoas optam pelo método hermenêutico conhecido como Histórico-Gramatical, porém, quando começamos a observar as raízes de uma hermenêutica pentecostal devemos olhar além deste método. Gutierres e Terra afirmam que além do método histórico-gramatical, os métodos históricos-críticos entraram na história da hermenêutica pentecostal quando a Assembleia de Deus dos Estados Unidos se filiaram à Associação Nacional de Evangelicais, essa associação, segundo os autores, tinham traços neo-ortodoxos e barthianos, principalmente pelo uso construtivo e piedoso das ferramentas modernas de exegese, um tipo de Criticismo moderado.[3]

A hermenêutica Pentecostal que surge principalmente a partir de Charles Parham, neste surgimento, nessa primeira fase podemos listar 5 característica da hermenêutica dos primeiros pentecostais, conforme Siqueira e Terra mostram: [4]

A escritura era tratada como Palavra de Deus inspirada e confiável.

Não se reconhecia a distância histórica entre o leitor e o texto.

A leitura literal era privilegiada, e a Bíblia entendida a luz da aplicação do leitor

O evangelho completo (Jesus Salva, santifica, cura, batiza com Espírito e voltará em breve) modelava a leitura

Não havia uma discussão quanto a epistemologia ou metodologia da hermenêutica pentecostal.

Com o passar do tempo a hermenêutica pentecostal entrou na academia, com isso os autores ou teólogos pentecostais passaram a fundamentar a utilizar dos princípios da exegese moderna para fazer sua leitura do texto. Terra e Mesquiati afirmam sobre o desenvolvimento da forma Pentecostal de se interpretar:

O método de leitura bíblica percorreu caminhos indutivos e dedutivos. Sendo um tipo de método próximo ao texto fora de contexto, observava-se exaustivamente a presença de certas expressões e de uma verdade baseada na leitura dos textos. A harmonização era imprescindível para tornar os dados em afirmação doutrinária e produzir uma compreensão bíblica do tópico ou tema da investigação. Percebe-se posteriormente o deslocamento do método de leitura bíblica com propriedades do pentecostalismo para o método “histórico-crítico”. Porém, mesmo utilizando os métodos da modernidade, os pentecostalismos continuaram a produzir conclusões tradicionais e conservadoras.[5]

Siqueira e Terra demonstram que dentro da hermenêutica pentecostal há algumas variações, eles mostram que Craig Kenner, W. Menzies, Roger Stronstad e outros possuem hipóteses diferentes quanto a hermenêutica pentecostal, porém ao ler as descrições das hermenêuticas desses autores através de Siqueira e Gutierres, vemos que eles entendem alguns pontos em comum: 1. A experiência com o Espírito está presente na exegese. 2. O contexto literário, histórico e gramatical deve estar presente na exegese, ou seja, o exegeta pentecostal deve fazer uso das análises tanto histórico-gramatical, como também das histórico-crítica. 3. O exegeta deve verificar, validar, a sua experiência através do texto, ou seja, o exegeta pentecostal analisa o texto com a experiência no Espírito sendo pressuposta, porém ele retorna ao texto após a exegese, e deixa com que o texto tenha supremacia sobre a experiência. [6]

Temos então um contexto para a hermenêutica pentecostal, iremos fundamentar essa hermenêutica no tópico 2. Porém, alguns podem se perguntar: “é necessário desenvolver uma hermenêutica pentecostal?” Purdy afirma que o reconhecimento da teoria hermenêutica contemporânea de que a metanarrativa comunitária influencia significativamente o processo de exegese e a compreensão do significado. E sendo os pentecostais um grupo distinto com uma metanarrativa particular, uma estratégia hermenêutica distinta é legítima e necessária. É importante entender como a tradição narrativa funciona como uma pré-compreensão e influencia a interpretação, já que a narrativa da comunidade atua como uma lente interpretativa. O potencial para excessos interpretativos resultantes da influência da comunidade deve ser filtrado. [7]

É importante para nós também observarmos um pouco sobre a teoria da resposta do leitor antes de seguirmos em frente. Após o impacto da Crítica literária. A crítica literária com seu foco no texto, produziu uma espécie de independência do texto. Ou seja, para crítica literária e a nova crítica o texto era autônomo. Porém, notou-se que quem determinava se um texto é literário ou não é o leitor. Conforme Thiselton Portanto, no final da década de 1960 e certamente durante as décadas de 1970 e 1980, surgiu um movimento que, de fato, tendia a substituir a Nova Crítica. Esse movimento promoveu a visão de que o principal determinante para a produção de significado era o leitor ou leitores. O significado era menos um produto do autor ou do texto como tal, ou mesmo da relação entre o texto e seu autor, do que um produto da relação entre o texto e seus leitores. A forma como os leitores responderam ao texto veio a ser considerada como a principal fonte e determinante do significado. Essa abordagem veio a ser conhecida como teoria da resposta do leitor. Novamente, como na Nova Crítica, essa teoria surgiu na crítica literária antes de entrar na disciplina dos estudos bíblicos.[8]

A teoria da resposta do Leitor tem níveis variáveis, deste aqueles como Stanley Fischer que afirma que a resposta do leitor não é para o significado; é o significado. Até aos menos radicais como Wolfang Iser que desenvolveu essa abordagem com mais detalhes. Os leitores, argumentou Iser, sempre trazem algo próprio para o texto. Na verdade, eles “preenchem lacunas” que o texto pode ter deixado aberto, ou onde não é explícito. Os livros de Iser The Implied Reader e The Act of Reading são fontes clássicas para a teoria “moderada” da resposta do leitor.[9]

Portanto, desenvolvida dentro das abordagens literárias, a teoria da resposta do leitor implica que dentro da interpretação o leitor entra em diálogo com o texto, uma interação com o texto e nessa interação o leitor respondendo/reagindo ao texto se encontra o significado.

Após contextualizarmos o surgimento e introduzir o tema central de ambas as abordagens hermenêuticas devemos agora justificar a nossa análise comparativa e apresentar como a faremos. A justificativa da nossa pesquisa está no ponto em comum em ambas as abordagens: o leitor tem um papel importante na tarefa exegética. Ou seja, se ambas abordagens reconhecem que o leitor não é neutro, mas em vez disso chega ao texto com sua experiência e seus pressupostos e ao ler o texto o significado surge desta fusão de horizontes, podemos comparar a hermenêutica pentecostal com a teoria da resposta ao leitor. Queremos com essa pesquisa colaborar tanto com os hermeneutas pentecostais como também com aqueles que pesquisam a Bíblia como literatura, afinal, ambos reconhecem que o texto sagrado interage com o leitor. É um trabalho que tem sua importância para nosso contexto brasileiro tendo em vista que a maioria dos leitores da bíblia são pentecostais e tem tido um aumento significativo nas publicações de obras pentecostais. Assim como tem aumentado o interesse em entender o que significa ler a Bíblia como literatura.

Seguiremos o seguinte caminho, faremos uma fundamentação teórica de ambas abordagens, em seguida faremos uma exposição das similaridades e diferenças. Com isso conseguiremos entender como a teoria da resposta ao leitor contribui para uma hermenêutica pentecostal.

2. Fundamentos Teóricos da Hermenêutica pentecostal

Quando pensamos em Hermenêutica Pentecostal, devemos ter em mente que é uma forma de ler o texto através da experiencia com o Espírito. Gordon Fee, o primeiro teórico que fala sobre uma exegese espiritual ou exegese através do espírito que queremos mencionar, faz um questionamento importante: O que temos de fazer na condição de exegetas, como intérpretes da Palavra, para que tanto a tarefa histórica como a Espiritual sejam executadas, e então possamos combiná-las em nossa vida e deixarmos de enxergá-las como duas disciplinas separadas? Fee apresenta 4 atitudes para o exegeta, (1) o exegeta deve entender que Deus falou e quer falar através do texto, ou seja, abordar o texto é ter a experiência de ouvir Deus falando hoje, (2) o exegeta deve ter um compromisso em fazer uma exegese tão boa quanto puder, (3) o exegeta deve ler/interpretar dentro de uma comunidade de fé e isso leva ao (4) voltar ao início, e entender que Deus falou. Com isso, Fee conclui que é isto que ele pensa sobre exegese e espiritualidade: elas não estão separadas nem são disciplinas distintas; elas constituem uma única disciplina que requer que sejamos bons historiadores, ou seja, bons estudantes da Palavra, e bons adoradores.[10][11]

Terra e Mesquiati no livro “Interpretando a bíblia através do Espírito” no primeiro capítulo demonstram aquilo que pretendemos com outros fins abordar neste artigo, que a interpretação pentecostal dialoga com hermenêuticas pós-modernas onde o leitor ganha um novo papel na interpretação. Todavia, para nossa fundamentação teórica da hermenêutica pentecostal vale destacar aquilo que os autores definem como a verdade pentecostal distinguindo da leitura fundamentalista da bíblia:

A verdade pentecostal é baseada na relação sobrenatural, em nível individual e comunitário com o Espírito Santo; e a substância de plausibilidade da fé é demonstrada pelas expressões carismáticas. Logo, a experiência do encontro com Deus é a ênfase central dos pentecostalismos, e não a doutrina ou o ensino. Essa experiência pode ser chamada de experiência da comunidade pneumática. Mesmo que herde da tradição protestante a centralidade da Bíblia, os pentecostais se aproximam da Bíblia com “óculos pneumáticos”.

A distinção entre a típica leitura fundamentalista da Bíblia e a pentecostal pode ajudar a compreender seus detalhes particulares. Enquanto a primeira enfatiza o didático, a segunda valoriza o elemento carismático; a primeira encontra suas garantias na inerrância da Escritura, a segunda tem as suas nos dons do Espírito; a primeira centra-se na orientação teológica, a segunda estabelece-se na experiência; a primeira enfatiza os elementos racionais, a segunda estabelece como eixo os não racionais.[12]

Terra e Mesquiati mostram como o fazer hermenêutico pentecostal, ainda que defendendo uma inerrância e supremacia das escrituras, tem um foco diferente de outras abordagens não pentecostais. Em outras palavras o pentecostal não nega as escrituras, em detrimento da experiência; Tampouco nega a racionalidade em detrimento do sobrenatural. O que os autores nos ajudam a ver é que a hermenêutica pentecostal toma como ponto de partida a experiência sobrenatural com o Espírito, para então analisar racionalmente as escrituras. Um outro ponto fundamental apresentado por Terra e Mesquiati é a importância da tríade Espírito, Escritura e Comunidade, para os autores só é possível compreender a hermenêutica pentecostal compreendendo esta tríade. Conforme eles afirmam sobre isso:

Os pentecostais se caracterizam pelas afirmações impetuosas da ação presente do Espírito, à luz da interpretação pneumática das Escrituras, na vida da comunidade. Só é possível compreender a hermenêutica pentecostal sem tirá-la dessa tríade. Por isso, os pressupostos das perspectivas racionalistas, ou próprias do paradigma do sujeito, não dão conta da maneira pentecostal de interpretar. Pelo contrário, o lugar do leitor e suas experiências são fundamentais para essa leitura carismática/pneumática.[13]

Jacqueline Grey também demonstra o papel da comunidade para a interpretação quando difere os pentecostais dos fundamentalista afirmando que os fundamentalistas promulgaram a inerrância das Escrituras, que só poderia ser recuperada através da exegese histórico-gramatical. Para os pentecostais, o Espírito Santo era ativo tanto na produção quanto na leitura dos textos, inspirando profeticamente a comunidade contemporânea em sua interpretação. Este processo não exigiu a assistência de exegetas profissionais ou acadêmicos—a comunidade tinha que simplesmente lê-lo e acreditar. Grey lista 4 elementos fundamentais para a hermenêutica pentecostal:[14]

Escritura Embora a experiência pentecostal possa ocorrer fora da leitura do texto bíblico (como através da profecia e outros encontros espirituais), essa experiência ainda é avaliada e corrigida pelas Escrituras[15]

Espírito: para os pentecostais, a experiência do Espírito não desconsidera o papel do raciocínio intelectual no processo de leitura, mas sugere que o Espírito pode iluminar passagens das Escrituras de novas maneiras. Portanto, Martin afirma que o papel do Espírito no processo interpretativo vai muito além da teologia reformada da “iluminação”. Em vez disso, o Espírito é ativo para guiar a comunidade em novos significados do texto originalmente inspirado pelo mesmo Espírito. O Espírito descansa no momento interpretativo como um ato criativo.[16]

Experiência: Ao adotar a linguagem do texto bíblico para verbalizar sua experiência espiritual, os leitores pentecostais convidam a possibilidade da transformação do intérprete. Isso ocorre porque a experiência pneumática não é apenas o início do processo de leitura da comunidade pentecostal, mas também o resultado final. O objetivo de muitos leitores pentecostais é encontrar o “autor” divino e ser transformado como resultado desse encontro. Este espaço cria novas possibilidades para a comunidade contemporânea à medida que procura ser alterada pelo texto e aplicá-lo aos seus contextos particulares.[17]

Comunidade: como exatamente a comunidade pentecostal funciona na construção dialógica do significado? Qual é o papel da comunidade na proteção contra os perigos do subjetivismo? Certamente, o papel da comunidade é discernir a atividade do Espírito em experiências e leituras do texto. Como Thomas destaca, é a comunidade reunida que está envolvida na tomada de decisões interpretativas. É a comunidade reunida que ouve os testemunhos de membros dentro da atividade do corpo de Cristo do Espírito e avalia esses relatórios. O papel da comunidade é particular e não universal. Nesse sentido, o grupo imediato que discerne a direção do Espírito de Deus tanto na experiência quanto na leitura é a comunidade local, embora informada e conectada com a comunidade regional e global mais ampla.[18]

Archer também nos ajuda a fundamentar uma hermenêutica pentecostal afirmando que:

A estratégia hermenêutica será uma abordagem narrativa que abrange uma negociação tridática de significado entre o texto bíblico, o Espírito Santo e a comunidade pentecostal. O significado então é alcançado através de um processo dialético baseado em uma relação dialógica interdependente entre a Escritura, Espírito e a comunidade. No capítulo anterior, este escritor argumentou que uma estratégia hermenêutica pentecostal deveria preocupar-se tanto com a descoberta de significado como com a criação de significado. Isto é necessário porque toda comunicação escrita é indeterminada ou, melhor, subdeterminada. A comunicação escrita é subdeterminada no sentido de que é necessário um leitor para completar o evento comunicativo, produzindo assim significado.[19]

Após analisarmos como alguns teólogos pentecostais definem ou descrevem a hermenêutica pentecostal podemos utilizar de uma imagem que ilustra o modo como o leitor pentecostal interpreta o texto.

A imagem ilustra a conclusão que chegamos após analisarmos os teóricos da hermenêutica pentecostal. O intérprete lê o texto a partir de sua experiência com o Espírito, a leitura/interpretação é mediada pelo Espírito ou seja o Espírito não apenas ilumina o texto, mas nos conduz a ouvir o que Deus fala no texto, o texto como Palavra de Deus fala conosco hoje, e nesse círculo hermenêutico dentro dos limites que o próprio povo de Deus, a comunidade pneumática, estabelece na história o significado do texto é encontrado.

Acrescento duas citações de Craig Keener que lançam um pouco mais de luz e fundamento para nossa hermenêutica pentecostal:

Os primeiros pentecostais, como muitos leitores em épocas de renovação espiritual, se enxergavam como parte da narrativa bíblica permanente. Eles buscavam nas narrativas bíblicas não somente a informação sobre o passado, por mais interessante que possa ter sido, mas as verdades sobre como Deus continua atuando com agentes humanos. Eles liam de modo devocional, buscando experimentar Deus no texto. Ler as nossas experiências à luz da Bíblia e levá-las em consideração ao ler a Bíblia não constituem uma prática limitada aos primeiros pentecostais. Contanto que a nossa leitura flua da mensagem autêntica fornecida nas Escrituras, a leitura experiencial é inevitável, desejável e bíblica.[20]

Em outro lugar na mesma obra Craig Keener afirma:

Assim como o contexto cultural outrora compartilhado por autores bíblicos e seus primeiros leitores e ouvintes ajuda os leitores a preencher as lacunas no texto, assim também a experiência espiritual de que compartilhamos pode nos ajudar a nos identificar com experiências no texto; por exemplo, entender como é (ao menos em alguns casos) experimentar a orientação, as visões ou a profecia do Espírito. Às vezes, uma inquietação interior me guarda contra abordar uma passagem como era minha intenção, obrigando-me a lidar em oração e de modo exegético com o texto até que tanto o meu intelecto quanto o meu espírito estejam satisfeitos. Viver pela fé na atividade presente de Deus influencia a nossa recepção das Escrituras. A leitura da perspectiva do Pentecostes inclui: conhecer o coração de Deus, ler de modo missional, ler a partir da experiência plena do Espírito, ler com os humildes, ler de modo escatológico e ler incluindo-nos como parte do mundo teológico que as Escrituras narram.[21]

2.1. Fundamentos Teóricos da reader-response

Antes de fundamentarmos a teoria da reader-response vale ressaltar que a teoria que estamos propondo certa relação com a hermenêutica pentecostal, não é a forma mais radical de Stanley Fish que beira a desconstrução, estamos considerando a reader-response em sua forma mais moderada. Como Klein, Hubbard e Bloomberg afirmam a característica mais distintiva da estética da recepção “conservadora” é que o texto traz limitações importantes para os intérpretes. O teólogo brasileiro João Leonel nos ajuda a começar a entender o que é o surgimento do papel do leitor nas abordagens literárias: [22][23]

A partir do Formalismo Russo do início do século XX, do Novo Criticismo norte-americano dos anos 1920-50 e do Estruturalismo francês da década de 1960. Esses movimentos, cada um à sua forma, questionavam o papel central do autor na determinação do sentido de uma obra. Em seu lugar foram colocados o “texto”, principalmente nas tendências acima mencionadas e, mais recentemente, o “leitor”, mediante a História da Leitura, uma vez que, de modo prático, é este que determina o sentido de uma obra. Isso obviamente não significa que o sentido pretendido pelo autor deve ser abandonado, e que toda e qualquer leitura deve ser aceita. A leitura deve ser concebida como momento final proposto pelo texto literário. Mais do que isso, ela será determinada por leituras prévias, por memórias trazidas pelo leitor, e por contextos sociais, culturais, religiosos, etc. que motivam diferenças de leitores e de leituras.[24]

Os teóricos ou escritores, teólogos que pesquisam sobre o papel do leitor procuram responder a três perguntas conforme Douglas Magnum e Douglas Estes :(1) diferentes respostas do leitor criam os mesmos significados (ou diferentes) do texto? (2) O número de significados válidos é limitado apenas pelo número de leitores válidos? (3) Uma interpretação é mais válida do que outra? Observando as perguntas fica evidente que quando se pensa em um texto sagrado essas perguntas vão levantar um número muito maior de debate, quando comparado a obras literárias não religiosas. Thiselton apresenta a teoria da resposta do leitor de forma breve e que podemos explorar:[25]

A teoria da resposta do leitor enfatiza o papel ativo do leitor na interpretação de textos. No seu mais simples, depende do axioma que um leitor, ou comunidade de leitores, “completa” o significado de um texto. Baseia-se no pressuposto de que, mesmo que possa falar legitimamente da intenção de um autor, essa intenção não é cumprida até que um leitor (ou leitores) se aproprie do texto. O texto, como o “remetente” de uma mensagem ou outro conteúdo, permanece um potencial até que o leitor o atualize. O texto permanece uma abstração até que seja interpretado e compreendido por seu leitor. A teoria também enfatiza que o leitor não é um espectador passivo, mas contribui ativamente com algo para o significado. Ele ou ela é mais do que um observador passivo.[26]

Dois pontos podemos destacar da citação: Em primeiro lugar, o leitor sendo ativo e não neutro. A ideia de que o intérprete não consegue ter uma interpretação livre de pressupostos vem de Heidegger, conforme Porter e Robison afirmam que para a fenomenologia de Heidegger ser um ser no mundo é mais como ator do que como conhecedores neutros e objetivos. Somos participantes não apenas observadores do mundo através de uma percepção abstrata e distanciada das coisas. Heidegger repetidamente critica o ideal de um observador neutro ou desinteressado como distorção criada pelas descrições filosóficas e epistemológicas da existência humana. Gordon Fee também afirma sobre a resposta do leitor, para ele a teoria argumenta que mais atenção deve ser dada ao texto como tal e em como ele é “ouvido” pelo leitor. De toda parte, somos constantemente lembrados de que 1) ninguém consegue entrar na cabeça do outro e conhecer sua mente — na verdade, às vezes até mesmo questionamos se os próprios autores estavam conscientes do que pretendiam ou se escreveram movidos por interesses não explicitados, mas que também afetam o que eles dizem; e 2) o exegeta não só não acessa o texto como um quadro em branco, como também é movido por seus interesses, isso sem mencionar toda a bagagem cultural e os preconceitos.[27][28]

Em segundo lugar, o leitor com seus pressupostos ao ler o texto também constrói significado ao ler um texto. Em outras palavras, Porter e Robison afirmaram que o significado do texto só é completado quando o leitor interage com o texto. Mas esse criar (completar) significado não é algo feito aleatoriamente ou de forma que tira o texto de seu sentido original. O intérprete constrói e completa o texto nas lacunas que o texto deixa conforme Thiselton afirma que quando, por exemplo, olhamos para uma mesa, muitas vezes podemos observar duas ou três de suas pernas, mas devemos estar corretos ao assumir que ela tem uma quarta, mesmo que não possamos vê-la. Estamos justificados em “preencher” o que não é dado, e isso “completa” nossa percepção da tabela, ou na literatura, do texto. Da mesma forma, argumentou Iser, nós “completamos” o texto. Conforme Umberto Eco que distinguiu decisivamente entre textos “abertos” e “fechados”.[29]

Textos “Fechados” são aqueles em que a resposta do leitor é predeterminada antecipadamente em termos de receber os “pensamentos” ou mensagem do autor de uma única maneira “corretamente”. Na vida cotidiana, um farmacêutico não “interpreta” a receita médica de um médico como quiser, mas fornece ao paciente o que a prescrição exige. As instruções de um kit ou manual do carro são um texto “fechado”. “A água chegou a três pés” é precisa e inequívoca. Mas “A água atingiu o nível de perigo” pode permitir uma pequena discussão na definição de “perigo”. Que grau de risco está envolvido? O texto está quase fechado, mas também parcialmente “aberto”. [30]

Portanto, ao olharmos para o texto sagrado não encontramos um texto fechado, tendo vista a variedade de interpretações possíveis, ao mesmo tempo que não estamos lidando com um texto totalmente aberto, tendo em vista que o texto está limitado pelo seu contexto histórico-social e literário. Ou seja, o texto bíblico permite ao leitor a criação de significado, mas não qualquer significado. Com essas definições teóricas podemos criar um gráfico para explicar a forma com que ocorre a resposta do leitor:

Com este gráfico podemos compreender que a resposta do leitor parte do pressuposto que a intenção autoral é inacessível, tendo em vista que os autores dos textos bíblicos não estão mais disponíveis. A partir disso o leitor encontra no texto lacunas e a partir de suas experiências e pressupostos preenche essas lacunas o que gera um significado novo a partir do texto.

3. Similaridades e diferenças nas Abordagens Interpretativas

Archer afirma que de modo resumido uma estratégia hermenêutica pentecostal abraçaria a teoria fenomenológica de Iser de tal forma que fosse mantida uma ligação dialética interdependente e interativa entre o leitor e o texto. Ou seja, a similaridade da Hermenêutica pentecostal e a resposta do leitor está no fato de que o leitor tem um papel importante na interpretação. Se olharmos mais atentamente vemos também que ambas as teorias mostram que não há uma imposição do leitor ao texto de modo livre, isso seria descontrucionismo, mas em vez disso há um diálogo onde o leitor ouve o texto a partir de seu lugar hermenêutico. Para ilustrar como há uma semelhança da hermenêutica pentecostal com a teoria da resposta do leitor, veja o comentário bíblico pentecostal, comentando sobre a estrutura narrativa de Marcos a partir da confissão de Pedro: a estrutura da narrativa de Marcos exprime esta compreensão dupla, chamando o leitor primeiro para compartilhar a declaração de fé na confissão de Pedro, depois para aprofundar e transformar essa declaração com uma reflexão teológica sobre a vinda da crucificação. Neste mesmo comentário quando vai comentar sobre as mudanças no discurso de Jesus, quando Jesus começa a falar as predições sobre sua morte, os comentadores afirmam:[31][32]

Estas mudanças não são meramente relatos de tentativas fracassadas de ensinar. Quando o leitor depara a confusão dos discípulos, ele tem de fazer um tipo de julgamento e tomar posição, mas a estrutura retórica da narrativa limita rigidamente os tipos de posições que o leitor é livre para tomar. O leitor que concorda com os discípulos ou toma parte em seus mal-entendidos, coloca-se sob julgamento do ponto de vista implícito na história. Assim, pode-se dizer que Marcos maneja a resposta do leitor aos discípulos, e os métodos pelos quais esse manejo se dá são claramente visíveis. [33]

Veja que um comentário pentecostal, portanto com uma hermenêutica pentecostal traz um convite ao leitor responder ao que o texto fala e validar sua resposta de acordo com o texto. Parece evidente, neste caso, que o comentarista pentecostal entende que o texto tem o poder de se relacionar com o leitor. Não importa apenas qual foi a percepção dos discípulos diante de Jesus, não é apenas recontar isso, mas o que importa para a hermenêutica pentecostal e para a resposta do leitor é: como nós respondemos a Jesus, ou seja, qual nossa atitude diante do que Deus fala no texto. O que o texto tem significado e falado conosco? Para Terra e Mesquiati:

Nesse procedimento hermenêutico podemos inserir o conceito de experiência religiosa do êxtase. Contudo, para a leitura pentecostal, a experiência é iluminada pelas Escrituras, que, por sua vez, fazem dela instrumento para o processo de compreensão. Por isso, não há aqui distorção do texto, mas construção de sentido, como defendem as teorias pós-modernas de interpretação já esboçadas. O movimento pentecostal pode, em termos históricos, ser inserido na modernidade. Contudo, sua perspectiva sobrenatural é uma oposição direta ao modernismo e à visão de mundo naturalista. [34]

Olhando os gráficos que foram colocados para resumir as abordagens hermenêuticas podemos compreender o que Terra e Mesquiati afirmam e ainda adicionar uma outra diferença. Primeiramente, devemos observar que para a teoria da resposta do leitor o texto e o leitor por si só se interagem e esse diálogo é fundamentado a partir daquilo que se chama de falácia intencional, ou seja, como não temos acesso a intenção do autor e só temos o texto podemos interagir com o texto, sendo nós mesmo leitores ativos, preenchendo as lacunas deixadas pelo autor. Já na hermenêutica pentecostal esse diálogo entre, conforme Terra e Mesquiati, o Espírito sobrenatural é mediador. O Espírito comunica verdades do Texto ao leitor, o Espírito guia a interpretação do leitor.

A segunda diferença é que na teoria da resposta do leitor, ainda que na versão moderada como apresentamos, possui seus limites de significado apenas no texto. Ou seja, o texto limita a variedade de significado. Já na hermenêutica pentecostal além do texto vemos que a comunidade do Espírito ajuda o interprete, quando na comunidade se encontra os limites de significado.

4. Exemplos comparativos

Veja o que Bas van Iersel afirma sobre o chamado abrupto dos discípulos em Marcos 1.16-20:

Um leitor impressionado com a maneira radical como os pescadores deixam tudo para seguir Jesus faz bem em comparar sua conduta com as medidas drásticas tomadas por Eliseu. Ele não apenas deixa seu emprego, mas até recorre ao que hoje é chamado de destruição do capital: ele mata sua equipe de bois, assa a carne demonstrativamente sobre um fogo feito dos bois e a alimenta para os onze trabalhadores que, cada um com sua equipe de bois, ainda estão trabalhando no campo (1 Rs 19,21). Uma maneira mais radical de queimar os barcos é dificilmente concebível.

Olhando para trás, o leitor continua intrigado com a questão de por que as narrativas de chamadas gêmeas estão neste ponto da história e não, por exemplo, após a primeira aparição de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, relacionada em 1.23-28 (caso em que o primeiro verbo de v. 21 teria que estar no singular). As pessoas ganhas por Jesus teriam pelo menos alguma razão para se deixarem persuadir por ele. Um leitor treinado como teólogo verá facilmente a ordem dada de Marcos como teologicamente inspirada e a interpretará como dizendo que, se as coisas acontecerem como deveriam acontecer, uma palavra de Jesus é suficiente para induzir as pessoas a responder de uma só vez. No entanto, o lugar notável das duas chamadas também pode ser abordado de uma maneira mais simples. O chamado instantâneo dos quatro pescadores é claramente uma reminiscência do chamado de Eliseu, que é dito de uma maneira igualmente abrupta. Outra razão para reconhecer a posição real como adequada poderia ser que os quatro são os únicos discípulos que, como indivíduos ou membros de um subgrupo, mais tarde desempenharão papéis de fala no livro. É por isso que o narrador pode ter pensado que era necessário apresentar os quatro apoiadores mais importantes de Jesus imediatamente após a introdução do próprio Jesus em 1.9-15 e antes da primeira menção de seus oponentes em 1.22. Outra razão pode ser que, em consequência de seu chamado ser dito aqui, pode-se dizer que esses quatro homens testemunharam tudo o que Jesus fez e disse desde o início.[35]

É notório como o comentarista apresenta o texto trazendo a sua teoria da resposta do leitor. Veja, ele destaca algumas lacunas no texto. Ele levanta duas questões: (1) por que há um chamado abrupto? (2) por que neste momento da história? A partir desses questionamentos, ele dialoga com o texto e levanta possíveis respostas para as perguntas, o que gera um significado para o texto, mas com uma abordagem de uma teoria da resposta do leitor moderada, vemos que as possíveis respostas às lacunas do texto não forçam o significado do texto.

Agora veja o que o Comentário Bíblico pentecostal afirma sobre a mesma passagem:

Marcos não diz ao leitor se os quatro pescadores tiveram encontro prévio com Jesus. O que nos é informado é que eles respondem “logo” à chamada (v. 18; cf. v. 20). Nada já narrado os preparou para este momento. Assim, quando eles respondem tão prontamente, fazem-no na força da própria chamada. Deste modo, o enfoque muda ligeiramente da resposta imediata e inquestionável dos pescadores à personalidade autorizada que pode evocar tal resposta. Ao mesmo tempo em que os discípulos têm muito a aprender sobre Jesus, os leitores de Marcos já sabem o suficiente para entender este poder enorme sobre as pessoas. […] Assim, esta é uma história sobre quatro pescadores, mas também é uma história de exemplo, uma chamada ao leitor. Se os leitores de Marcos não reconhecem a chamada como uma chamada geral e a resposta dos pescadores como um exemplo, se eles devem sentir empatia pelos personagens da história e reivindicar como sua a promessa a que eles receberam, então eles também têm de abandonar tudo e responder a uma figura misteriosa que simplesmente aparece e faz exigências inflexíveis e incômodas.[36]

Antes de ressaltarmos alguma semelhança veja que o comentarista pentecostal, também transpassa sua hermenêutica pentecostal no comentário. Destacamos os seguintes pontos: (1) o leitor parte de sua experiência de fé para a leitura, note que o autor fala: “os leitores de Marcos já sabem o suficiente para entender este poder enorme sobre as pessoas”. Ou seja, para o comentarista o chamado dos discípulos a luz da experiência de fé do leitor produz nele um sentimento diferente daqueles que ouviram o chamado, e portanto, o texto não é somente a história do chamado dos discípulos, antes é um texto que nos leva a reflexão a partir daquilo que já sabemos. (2) O leitor deve tomar o texto como sendo também a sua história, a promessa de Jesus aos discípulos é a promessa de Jesus aos leitores.

Com os exemplos demonstrados acima podemos ressaltar a semelhança das abordagens hermenêuticas, que é a ênfase no leitor como participante da criação de significado. Assim como podemos ressaltar a diferença onde por um lado temos a teoria da resposta do leitor que tem a participação do leitor nas lacunas do texto, e por outro lado temos a hermenêutica pentecostal onde o leitor deve ser conduzido pelo Espírito a uma interpretação do texto inspirado, esse texto por sua vez através do Espírito leva o leitor a uma reflexão sobre a sua experiência. Ou seja, ainda que o leitor lê o texto a luz da experiência de fé ele deve responder ao texto sobre aquilo que deve ser transformado, melhorado, na sua experiência.

Considerações finais

Após a análise comparativa que fizemos concluímos que a diferença maior entre as abordagens está no âmbito do reconhecimento do lugar hermenêutico do intérprete. Ou seja, a teoria da resposta do leitor reconhece que o leitor contribui para a construção de significado, porém a hermenêutica pentecostal vai além e afirma que esse intérprete/leitor vai ao texto com um pressuposto sobrenatural: a experiência com Espírito, que além de ser um pressuposto a interpretação é uma guia a interpretação.

Podemos também a partir da similaridade do papel do leitor afirmar que toda hermenêutica pentecostal é um tipo de teoria da resposta do leitor. Mas o contrário não é verdadeiro. Ou seja, toda hermenêutica pentecostal leva em conta um leitor com pressupostos que vai ao texto dialoga com o texto e isso gera significado, isso coloca a hermenêutica pentecostal dentro do campo da teoria da resposta do leitor. Porém, a teoria da resposta do leitor pode ser feita com outros pressupostos sobre o lugar hermenêutico do intérprete, um batista ou presbiteriano podem fazer uso desta abordagem literária.

Destacamos ainda que a partir do que pesquisamos a hermenêutica pentecostal pode utilizar das ferramentas da teoria da resposta do leitor para ajudar em sua exegese. Por exemplo, os pentecostais devem encontrar as lacunas do texto e responder ao texto assim como a teoria da resposta do leitor, porém fazer isso á luz do Espírito e dentro da comunidade.

1. Introdução e Contextualização

No Brasil vemos que grande parte das pessoas optam pelo método hermenêutico conhecido como Histórico-Gramatical, porém, quando começamos a observar as raízes de uma hermenêutica pentecostal devemos olhar além deste método. Gutierres e Terra afirmam que além do método histórico-gramatical, os métodos históricos-críticos entraram na história da hermenêutica pentecostal quando a Assembleia de Deus dos Estados Unidos se filiaram à Associação Nacional de Evangelicais, essa associação, segundo os autores, tinham traços neo-ortodoxos e barthianos, principalmente pelo uso construtivo e piedoso das ferramentas modernas de exegese, um tipo de Criticismo moderado.[3]

A hermenêutica Pentecostal que surge principalmente a partir de Charles Parham, neste surgimento, nessa primeira fase podemos listar 5 característica da hermenêutica dos primeiros pentecostais, conforme Siqueira e Terra mostram: [4]

A escritura era tratada como Palavra de Deus inspirada e confiável.

Não se reconhecia a distância histórica entre o leitor e o texto.

A leitura literal era privilegiada, e a Bíblia entendida a luz da aplicação do leitor

O evangelho completo (Jesus Salva, santifica, cura, batiza com Espírito e voltará em breve) modelava a leitura

Não havia uma discussão quanto a epistemologia ou metodologia da hermenêutica pentecostal.

Com o passar do tempo a hermenêutica pentecostal entrou na academia, com isso os autores ou teólogos pentecostais passaram a fundamentar a utilizar dos princípios da exegese moderna para fazer sua leitura do texto. Terra e Mesquiati afirmam sobre o desenvolvimento da forma Pentecostal de se interpretar:

O método de leitura bíblica percorreu caminhos indutivos e dedutivos. Sendo um tipo de método próximo ao texto fora de contexto, observava-se exaustivamente a presença de certas expressões e de uma verdade baseada na leitura dos textos. A harmonização era imprescindível para tornar os dados em afirmação doutrinária e produzir uma compreensão bíblica do tópico ou tema da investigação. Percebe-se posteriormente o deslocamento do método de leitura bíblica com propriedades do pentecostalismo para o método “histórico-crítico”. Porém, mesmo utilizando os métodos da modernidade, os pentecostalismos continuaram a produzir conclusões tradicionais e conservadoras.[5]

Siqueira e Terra demonstram que dentro da hermenêutica pentecostal há algumas variações, eles mostram que Craig Kenner, W. Menzies, Roger Stronstad e outros possuem hipóteses diferentes quanto a hermenêutica pentecostal, porém ao ler as descrições das hermenêuticas desses autores através de Siqueira e Gutierres, vemos que eles entendem alguns pontos em comum: 1. A experiência com o Espírito está presente na exegese. 2. O contexto literário, histórico e gramatical deve estar presente na exegese, ou seja, o exegeta pentecostal deve fazer uso das análises tanto histórico-gramatical, como também das histórico-crítica. 3. O exegeta deve verificar, validar, a sua experiência através do texto, ou seja, o exegeta pentecostal analisa o texto com a experiência no Espírito sendo pressuposta, porém ele retorna ao texto após a exegese, e deixa com que o texto tenha supremacia sobre a experiência. [6]

Temos então um contexto para a hermenêutica pentecostal, iremos fundamentar essa hermenêutica no tópico 2. Porém, alguns podem se perguntar: “é necessário desenvolver uma hermenêutica pentecostal?” Purdy afirma que o reconhecimento da teoria hermenêutica contemporânea de que a metanarrativa comunitária influencia significativamente o processo de exegese e a compreensão do significado. E sendo os pentecostais um grupo distinto com uma metanarrativa particular, uma estratégia hermenêutica distinta é legítima e necessária. É importante entender como a tradição narrativa funciona como uma pré-compreensão e influencia a interpretação, já que a narrativa da comunidade atua como uma lente interpretativa. O potencial para excessos interpretativos resultantes da influência da comunidade deve ser filtrado. [7]

É importante para nós também observarmos um pouco sobre a teoria da resposta do leitor antes de seguirmos em frente. Após o impacto da Crítica literária. A crítica literária com seu foco no texto, produziu uma espécie de independência do texto. Ou seja, para crítica literária e a nova crítica o texto era autônomo. Porém, notou-se que quem determinava se um texto é literário ou não é o leitor. Conforme Thiselton Portanto, no final da década de 1960 e certamente durante as décadas de 1970 e 1980, surgiu um movimento que, de fato, tendia a substituir a Nova Crítica. Esse movimento promoveu a visão de que o principal determinante para a produção de significado era o leitor ou leitores. O significado era menos um produto do autor ou do texto como tal, ou mesmo da relação entre o texto e seu autor, do que um produto da relação entre o texto e seus leitores. A forma como os leitores responderam ao texto veio a ser considerada como a principal fonte e determinante do significado. Essa abordagem veio a ser conhecida como teoria da resposta do leitor. Novamente, como na Nova Crítica, essa teoria surgiu na crítica literária antes de entrar na disciplina dos estudos bíblicos.[8]

A teoria da resposta do Leitor tem níveis variáveis, deste aqueles como Stanley Fischer que afirma que a resposta do leitor não é para o significado; é o significado. Até aos menos radicais como Wolfang Iser que desenvolveu essa abordagem com mais detalhes. Os leitores, argumentou Iser, sempre trazem algo próprio para o texto. Na verdade, eles “preenchem lacunas” que o texto pode ter deixado aberto, ou onde não é explícito. Os livros de Iser The Implied Reader e The Act of Reading são fontes clássicas para a teoria “moderada” da resposta do leitor.[9]

Portanto, desenvolvida dentro das abordagens literárias, a teoria da resposta do leitor implica que dentro da interpretação o leitor entra em diálogo com o texto, uma interação com o texto e nessa interação o leitor respondendo/reagindo ao texto se encontra o significado.

Após contextualizarmos o surgimento e introduzir o tema central de ambas as abordagens hermenêuticas devemos agora justificar a nossa análise comparativa e apresentar como a faremos. A justificativa da nossa pesquisa está no ponto em comum em ambas as abordagens: o leitor tem um papel importante na tarefa exegética. Ou seja, se ambas abordagens reconhecem que o leitor não é neutro, mas em vez disso chega ao texto com sua experiência e seus pressupostos e ao ler o texto o significado surge desta fusão de horizontes, podemos comparar a hermenêutica pentecostal com a teoria da resposta ao leitor. Queremos com essa pesquisa colaborar tanto com os hermeneutas pentecostais como também com aqueles que pesquisam a Bíblia como literatura, afinal, ambos reconhecem que o texto sagrado interage com o leitor. É um trabalho que tem sua importância para nosso contexto brasileiro tendo em vista que a maioria dos leitores da bíblia são pentecostais e tem tido um aumento significativo nas publicações de obras pentecostais. Assim como tem aumentado o interesse em entender o que significa ler a Bíblia como literatura.

Seguiremos o seguinte caminho, faremos uma fundamentação teórica de ambas abordagens, em seguida faremos uma exposição das similaridades e diferenças. Com isso conseguiremos entender como a teoria da resposta ao leitor contribui para uma hermenêutica pentecostal.

2. Fundamentos Teóricos da Hermenêutica pentecostal

Quando pensamos em Hermenêutica Pentecostal, devemos ter em mente que é uma forma de ler o texto através da experiencia com o Espírito. Gordon Fee, o primeiro teórico que fala sobre uma exegese espiritual ou exegese através do espírito que queremos mencionar, faz um questionamento importante: O que temos de fazer na condição de exegetas, como intérpretes da Palavra, para que tanto a tarefa histórica como a Espiritual sejam executadas, e então possamos combiná-las em nossa vida e deixarmos de enxergá-las como duas disciplinas separadas? Fee apresenta 4 atitudes para o exegeta, (1) o exegeta deve entender que Deus falou e quer falar através do texto, ou seja, abordar o texto é ter a experiência de ouvir Deus falando hoje, (2) o exegeta deve ter um compromisso em fazer uma exegese tão boa quanto puder, (3) o exegeta deve ler/interpretar dentro de uma comunidade de fé e isso leva ao (4) voltar ao início, e entender que Deus falou. Com isso, Fee conclui que é isto que ele pensa sobre exegese e espiritualidade: elas não estão separadas nem são disciplinas distintas; elas constituem uma única disciplina que requer que sejamos bons historiadores, ou seja, bons estudantes da Palavra, e bons adoradores.[10][11]

Terra e Mesquiati no livro “Interpretando a bíblia através do Espírito” no primeiro capítulo demonstram aquilo que pretendemos com outros fins abordar neste artigo, que a interpretação pentecostal dialoga com hermenêuticas pós-modernas onde o leitor ganha um novo papel na interpretação. Todavia, para nossa fundamentação teórica da hermenêutica pentecostal vale destacar aquilo que os autores definem como a verdade pentecostal distinguindo da leitura fundamentalista da bíblia:

A verdade pentecostal é baseada na relação sobrenatural, em nível individual e comunitário com o Espírito Santo; e a substância de plausibilidade da fé é demonstrada pelas expressões carismáticas. Logo, a experiência do encontro com Deus é a ênfase central dos pentecostalismos, e não a doutrina ou o ensino. Essa experiência pode ser chamada de experiência da comunidade pneumática. Mesmo que herde da tradição protestante a centralidade da Bíblia, os pentecostais se aproximam da Bíblia com “óculos pneumáticos”.

A distinção entre a típica leitura fundamentalista da Bíblia e a pentecostal pode ajudar a compreender seus detalhes particulares. Enquanto a primeira enfatiza o didático, a segunda valoriza o elemento carismático; a primeira encontra suas garantias na inerrância da Escritura, a segunda tem as suas nos dons do Espírito; a primeira centra-se na orientação teológica, a segunda estabelece-se na experiência; a primeira enfatiza os elementos racionais, a segunda estabelece como eixo os não racionais.[12]

Terra e Mesquiati mostram como o fazer hermenêutico pentecostal, ainda que defendendo uma inerrância e supremacia das escrituras, tem um foco diferente de outras abordagens não pentecostais. Em outras palavras o pentecostal não nega as escrituras, em detrimento da experiência; Tampouco nega a racionalidade em detrimento do sobrenatural. O que os autores nos ajudam a ver é que a hermenêutica pentecostal toma como ponto de partida a experiência sobrenatural com o Espírito, para então analisar racionalmente as escrituras. Um outro ponto fundamental apresentado por Terra e Mesquiati é a importância da tríade Espírito, Escritura e Comunidade, para os autores só é possível compreender a hermenêutica pentecostal compreendendo esta tríade. Conforme eles afirmam sobre isso:

Os pentecostais se caracterizam pelas afirmações impetuosas da ação presente do Espírito, à luz da interpretação pneumática das Escrituras, na vida da comunidade. Só é possível compreender a hermenêutica pentecostal sem tirá-la dessa tríade. Por isso, os pressupostos das perspectivas racionalistas, ou próprias do paradigma do sujeito, não dão conta da maneira pentecostal de interpretar. Pelo contrário, o lugar do leitor e suas experiências são fundamentais para essa leitura carismática/pneumática.[13]

Jacqueline Grey também demonstra o papel da comunidade para a interpretação quando difere os pentecostais dos fundamentalista afirmando que os fundamentalistas promulgaram a inerrância das Escrituras, que só poderia ser recuperada através da exegese histórico-gramatical. Para os pentecostais, o Espírito Santo era ativo tanto na produção quanto na leitura dos textos, inspirando profeticamente a comunidade contemporânea em sua interpretação. Este processo não exigiu a assistência de exegetas profissionais ou acadêmicos—a comunidade tinha que simplesmente lê-lo e acreditar. Grey lista 4 elementos fundamentais para a hermenêutica pentecostal:[14]

Escritura Embora a experiência pentecostal possa ocorrer fora da leitura do texto bíblico (como através da profecia e outros encontros espirituais), essa experiência ainda é avaliada e corrigida pelas Escrituras[15]

Espírito: para os pentecostais, a experiência do Espírito não desconsidera o papel do raciocínio intelectual no processo de leitura, mas sugere que o Espírito pode iluminar passagens das Escrituras de novas maneiras. Portanto, Martin afirma que o papel do Espírito no processo interpretativo vai muito além da teologia reformada da “iluminação”. Em vez disso, o Espírito é ativo para guiar a comunidade em novos significados do texto originalmente inspirado pelo mesmo Espírito. O Espírito descansa no momento interpretativo como um ato criativo.[16]

Experiência: Ao adotar a linguagem do texto bíblico para verbalizar sua experiência espiritual, os leitores pentecostais convidam a possibilidade da transformação do intérprete. Isso ocorre porque a experiência pneumática não é apenas o início do processo de leitura da comunidade pentecostal, mas também o resultado final. O objetivo de muitos leitores pentecostais é encontrar o “autor” divino e ser transformado como resultado desse encontro. Este espaço cria novas possibilidades para a comunidade contemporânea à medida que procura ser alterada pelo texto e aplicá-lo aos seus contextos particulares.[17]

Comunidade: como exatamente a comunidade pentecostal funciona na construção dialógica do significado? Qual é o papel da comunidade na proteção contra os perigos do subjetivismo? Certamente, o papel da comunidade é discernir a atividade do Espírito em experiências e leituras do texto. Como Thomas destaca, é a comunidade reunida que está envolvida na tomada de decisões interpretativas. É a comunidade reunida que ouve os testemunhos de membros dentro da atividade do corpo de Cristo do Espírito e avalia esses relatórios. O papel da comunidade é particular e não universal. Nesse sentido, o grupo imediato que discerne a direção do Espírito de Deus tanto na experiência quanto na leitura é a comunidade local, embora informada e conectada com a comunidade regional e global mais ampla.[18]

Archer também nos ajuda a fundamentar uma hermenêutica pentecostal afirmando que:

A estratégia hermenêutica será uma abordagem narrativa que abrange uma negociação tridática de significado entre o texto bíblico, o Espírito Santo e a comunidade pentecostal. O significado então é alcançado através de um processo dialético baseado em uma relação dialógica interdependente entre a Escritura, Espírito e a comunidade. No capítulo anterior, este escritor argumentou que uma estratégia hermenêutica pentecostal deveria preocupar-se tanto com a descoberta de significado como com a criação de significado. Isto é necessário porque toda comunicação escrita é indeterminada ou, melhor, subdeterminada. A comunicação escrita é subdeterminada no sentido de que é necessário um leitor para completar o evento comunicativo, produzindo assim significado.[19]

Após analisarmos como alguns teólogos pentecostais definem ou descrevem a hermenêutica pentecostal podemos utilizar de uma imagem que ilustra o modo como o leitor pentecostal interpreta o texto.

A imagem ilustra a conclusão que chegamos após analisarmos os teóricos da hermenêutica pentecostal. O intérprete lê o texto a partir de sua experiência com o Espírito, a leitura/interpretação é mediada pelo Espírito ou seja o Espírito não apenas ilumina o texto, mas nos conduz a ouvir o que Deus fala no texto, o texto como Palavra de Deus fala conosco hoje, e nesse círculo hermenêutico dentro dos limites que o próprio povo de Deus, a comunidade pneumática, estabelece na história o significado do texto é encontrado.

Acrescento duas citações de Craig Keener que lançam um pouco mais de luz e fundamento para nossa hermenêutica pentecostal:

Os primeiros pentecostais, como muitos leitores em épocas de renovação espiritual, se enxergavam como parte da narrativa bíblica permanente. Eles buscavam nas narrativas bíblicas não somente a informação sobre o passado, por mais interessante que possa ter sido, mas as verdades sobre como Deus continua atuando com agentes humanos. Eles liam de modo devocional, buscando experimentar Deus no texto. Ler as nossas experiências à luz da Bíblia e levá-las em consideração ao ler a Bíblia não constituem uma prática limitada aos primeiros pentecostais. Contanto que a nossa leitura flua da mensagem autêntica fornecida nas Escrituras, a leitura experiencial é inevitável, desejável e bíblica.[20]

Em outro lugar na mesma obra Craig Keener afirma:

Assim como o contexto cultural outrora compartilhado por autores bíblicos e seus primeiros leitores e ouvintes ajuda os leitores a preencher as lacunas no texto, assim também a experiência espiritual de que compartilhamos pode nos ajudar a nos identificar com experiências no texto; por exemplo, entender como é (ao menos em alguns casos) experimentar a orientação, as visões ou a profecia do Espírito. Às vezes, uma inquietação interior me guarda contra abordar uma passagem como era minha intenção, obrigando-me a lidar em oração e de modo exegético com o texto até que tanto o meu intelecto quanto o meu espírito estejam satisfeitos. Viver pela fé na atividade presente de Deus influencia a nossa recepção das Escrituras. A leitura da perspectiva do Pentecostes inclui: conhecer o coração de Deus, ler de modo missional, ler a partir da experiência plena do Espírito, ler com os humildes, ler de modo escatológico e ler incluindo-nos como parte do mundo teológico que as Escrituras narram.[21]

2.1. Fundamentos Teóricos da reader-response

Antes de fundamentarmos a teoria da reader-response vale ressaltar que a teoria que estamos propondo certa relação com a hermenêutica pentecostal, não é a forma mais radical de Stanley Fish que beira a desconstrução, estamos considerando a reader-response em sua forma mais moderada. Como Klein, Hubbard e Bloomberg afirmam a característica mais distintiva da estética da recepção “conservadora” é que o texto traz limitações importantes para os intérpretes. O teólogo brasileiro João Leonel nos ajuda a começar a entender o que é o surgimento do papel do leitor nas abordagens literárias: [22][23]

A partir do Formalismo Russo do início do século XX, do Novo Criticismo norte-americano dos anos 1920-50 e do Estruturalismo francês da década de 1960. Esses movimentos, cada um à sua forma, questionavam o papel central do autor na determinação do sentido de uma obra. Em seu lugar foram colocados o “texto”, principalmente nas tendências acima mencionadas e, mais recentemente, o “leitor”, mediante a História da Leitura, uma vez que, de modo prático, é este que determina o sentido de uma obra. Isso obviamente não significa que o sentido pretendido pelo autor deve ser abandonado, e que toda e qualquer leitura deve ser aceita. A leitura deve ser concebida como momento final proposto pelo texto literário. Mais do que isso, ela será determinada por leituras prévias, por memórias trazidas pelo leitor, e por contextos sociais, culturais, religiosos, etc. que motivam diferenças de leitores e de leituras.[24]

Os teóricos ou escritores, teólogos que pesquisam sobre o papel do leitor procuram responder a três perguntas conforme Douglas Magnum e Douglas Estes :(1) diferentes respostas do leitor criam os mesmos significados (ou diferentes) do texto? (2) O número de significados válidos é limitado apenas pelo número de leitores válidos? (3) Uma interpretação é mais válida do que outra? Observando as perguntas fica evidente que quando se pensa em um texto sagrado essas perguntas vão levantar um número muito maior de debate, quando comparado a obras literárias não religiosas. Thiselton apresenta a teoria da resposta do leitor de forma breve e que podemos explorar:[25]

A teoria da resposta do leitor enfatiza o papel ativo do leitor na interpretação de textos. No seu mais simples, depende do axioma que um leitor, ou comunidade de leitores, “completa” o significado de um texto. Baseia-se no pressuposto de que, mesmo que possa falar legitimamente da intenção de um autor, essa intenção não é cumprida até que um leitor (ou leitores) se aproprie do texto. O texto, como o “remetente” de uma mensagem ou outro conteúdo, permanece um potencial até que o leitor o atualize. O texto permanece uma abstração até que seja interpretado e compreendido por seu leitor. A teoria também enfatiza que o leitor não é um espectador passivo, mas contribui ativamente com algo para o significado. Ele ou ela é mais do que um observador passivo.[26]

Dois pontos podemos destacar da citação: Em primeiro lugar, o leitor sendo ativo e não neutro. A ideia de que o intérprete não consegue ter uma interpretação livre de pressupostos vem de Heidegger, conforme Porter e Robison afirmam que para a fenomenologia de Heidegger ser um ser no mundo é mais como ator do que como conhecedores neutros e objetivos. Somos participantes não apenas observadores do mundo através de uma percepção abstrata e distanciada das coisas. Heidegger repetidamente critica o ideal de um observador neutro ou desinteressado como distorção criada pelas descrições filosóficas e epistemológicas da existência humana. Gordon Fee também afirma sobre a resposta do leitor, para ele a teoria argumenta que mais atenção deve ser dada ao texto como tal e em como ele é “ouvido” pelo leitor. De toda parte, somos constantemente lembrados de que 1) ninguém consegue entrar na cabeça do outro e conhecer sua mente — na verdade, às vezes até mesmo questionamos se os próprios autores estavam conscientes do que pretendiam ou se escreveram movidos por interesses não explicitados, mas que também afetam o que eles dizem; e 2) o exegeta não só não acessa o texto como um quadro em branco, como também é movido por seus interesses, isso sem mencionar toda a bagagem cultural e os preconceitos.[27][28]

Em segundo lugar, o leitor com seus pressupostos ao ler o texto também constrói significado ao ler um texto. Em outras palavras, Porter e Robison afirmaram que o significado do texto só é completado quando o leitor interage com o texto. Mas esse criar (completar) significado não é algo feito aleatoriamente ou de forma que tira o texto de seu sentido original. O intérprete constrói e completa o texto nas lacunas que o texto deixa conforme Thiselton afirma que quando, por exemplo, olhamos para uma mesa, muitas vezes podemos observar duas ou três de suas pernas, mas devemos estar corretos ao assumir que ela tem uma quarta, mesmo que não possamos vê-la. Estamos justificados em “preencher” o que não é dado, e isso “completa” nossa percepção da tabela, ou na literatura, do texto. Da mesma forma, argumentou Iser, nós “completamos” o texto. Conforme Umberto Eco que distinguiu decisivamente entre textos “abertos” e “fechados”.[29]

Textos “Fechados” são aqueles em que a resposta do leitor é predeterminada antecipadamente em termos de receber os “pensamentos” ou mensagem do autor de uma única maneira “corretamente”. Na vida cotidiana, um farmacêutico não “interpreta” a receita médica de um médico como quiser, mas fornece ao paciente o que a prescrição exige. As instruções de um kit ou manual do carro são um texto “fechado”. “A água chegou a três pés” é precisa e inequívoca. Mas “A água atingiu o nível de perigo” pode permitir uma pequena discussão na definição de “perigo”. Que grau de risco está envolvido? O texto está quase fechado, mas também parcialmente “aberto”. [30]

Portanto, ao olharmos para o texto sagrado não encontramos um texto fechado, tendo vista a variedade de interpretações possíveis, ao mesmo tempo que não estamos lidando com um texto totalmente aberto, tendo em vista que o texto está limitado pelo seu contexto histórico-social e literário. Ou seja, o texto bíblico permite ao leitor a criação de significado, mas não qualquer significado. Com essas definições teóricas podemos criar um gráfico para explicar a forma com que ocorre a resposta do leitor:

Com este gráfico podemos compreender que a resposta do leitor parte do pressuposto que a intenção autoral é inacessível, tendo em vista que os autores dos textos bíblicos não estão mais disponíveis. A partir disso o leitor encontra no texto lacunas e a partir de suas experiências e pressupostos preenche essas lacunas o que gera um significado novo a partir do texto.

3. Similaridades e diferenças nas Abordagens Interpretativas

Archer afirma que de modo resumido uma estratégia hermenêutica pentecostal abraçaria a teoria fenomenológica de Iser de tal forma que fosse mantida uma ligação dialética interdependente e interativa entre o leitor e o texto. Ou seja, a similaridade da Hermenêutica pentecostal e a resposta do leitor está no fato de que o leitor tem um papel importante na interpretação. Se olharmos mais atentamente vemos também que ambas as teorias mostram que não há uma imposição do leitor ao texto de modo livre, isso seria descontrucionismo, mas em vez disso há um diálogo onde o leitor ouve o texto a partir de seu lugar hermenêutico. Para ilustrar como há uma semelhança da hermenêutica pentecostal com a teoria da resposta do leitor, veja o comentário bíblico pentecostal, comentando sobre a estrutura narrativa de Marcos a partir da confissão de Pedro: a estrutura da narrativa de Marcos exprime esta compreensão dupla, chamando o leitor primeiro para compartilhar a declaração de fé na confissão de Pedro, depois para aprofundar e transformar essa declaração com uma reflexão teológica sobre a vinda da crucificação. Neste mesmo comentário quando vai comentar sobre as mudanças no discurso de Jesus, quando Jesus começa a falar as predições sobre sua morte, os comentadores afirmam:[31][32]

Estas mudanças não são meramente relatos de tentativas fracassadas de ensinar. Quando o leitor depara a confusão dos discípulos, ele tem de fazer um tipo de julgamento e tomar posição, mas a estrutura retórica da narrativa limita rigidamente os tipos de posições que o leitor é livre para tomar. O leitor que concorda com os discípulos ou toma parte em seus mal-entendidos, coloca-se sob julgamento do ponto de vista implícito na história. Assim, pode-se dizer que Marcos maneja a resposta do leitor aos discípulos, e os métodos pelos quais esse manejo se dá são claramente visíveis. [33]

Veja que um comentário pentecostal, portanto com uma hermenêutica pentecostal traz um convite ao leitor responder ao que o texto fala e validar sua resposta de acordo com o texto. Parece evidente, neste caso, que o comentarista pentecostal entende que o texto tem o poder de se relacionar com o leitor. Não importa apenas qual foi a percepção dos discípulos diante de Jesus, não é apenas recontar isso, mas o que importa para a hermenêutica pentecostal e para a resposta do leitor é: como nós respondemos a Jesus, ou seja, qual nossa atitude diante do que Deus fala no texto. O que o texto tem significado e falado conosco? Para Terra e Mesquiati:

Nesse procedimento hermenêutico podemos inserir o conceito de experiência religiosa do êxtase. Contudo, para a leitura pentecostal, a experiência é iluminada pelas Escrituras, que, por sua vez, fazem dela instrumento para o processo de compreensão. Por isso, não há aqui distorção do texto, mas construção de sentido, como defendem as teorias pós-modernas de interpretação já esboçadas. O movimento pentecostal pode, em termos históricos, ser inserido na modernidade. Contudo, sua perspectiva sobrenatural é uma oposição direta ao modernismo e à visão de mundo naturalista. [34]

Olhando os gráficos que foram colocados para resumir as abordagens hermenêuticas podemos compreender o que Terra e Mesquiati afirmam e ainda adicionar uma outra diferença. Primeiramente, devemos observar que para a teoria da resposta do leitor o texto e o leitor por si só se interagem e esse diálogo é fundamentado a partir daquilo que se chama de falácia intencional, ou seja, como não temos acesso a intenção do autor e só temos o texto podemos interagir com o texto, sendo nós mesmo leitores ativos, preenchendo as lacunas deixadas pelo autor. Já na hermenêutica pentecostal esse diálogo entre, conforme Terra e Mesquiati, o Espírito sobrenatural é mediador. O Espírito comunica verdades do Texto ao leitor, o Espírito guia a interpretação do leitor.

A segunda diferença é que na teoria da resposta do leitor, ainda que na versão moderada como apresentamos, possui seus limites de significado apenas no texto. Ou seja, o texto limita a variedade de significado. Já na hermenêutica pentecostal além do texto vemos que a comunidade do Espírito ajuda o interprete, quando na comunidade se encontra os limites de significado.

4. Exemplos comparativos

Veja o que Bas van Iersel afirma sobre o chamado abrupto dos discípulos em Marcos 1.16-20:

Um leitor impressionado com a maneira radical como os pescadores deixam tudo para seguir Jesus faz bem em comparar sua conduta com as medidas drásticas tomadas por Eliseu. Ele não apenas deixa seu emprego, mas até recorre ao que hoje é chamado de destruição do capital: ele mata sua equipe de bois, assa a carne demonstrativamente sobre um fogo feito dos bois e a alimenta para os onze trabalhadores que, cada um com sua equipe de bois, ainda estão trabalhando no campo (1 Rs 19,21). Uma maneira mais radical de queimar os barcos é dificilmente concebível.

Olhando para trás, o leitor continua intrigado com a questão de por que as narrativas de chamadas gêmeas estão neste ponto da história e não, por exemplo, após a primeira aparição de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, relacionada em 1.23-28 (caso em que o primeiro verbo de v. 21 teria que estar no singular). As pessoas ganhas por Jesus teriam pelo menos alguma razão para se deixarem persuadir por ele. Um leitor treinado como teólogo verá facilmente a ordem dada de Marcos como teologicamente inspirada e a interpretará como dizendo que, se as coisas acontecerem como deveriam acontecer, uma palavra de Jesus é suficiente para induzir as pessoas a responder de uma só vez. No entanto, o lugar notável das duas chamadas também pode ser abordado de uma maneira mais simples. O chamado instantâneo dos quatro pescadores é claramente uma reminiscência do chamado de Eliseu, que é dito de uma maneira igualmente abrupta. Outra razão para reconhecer a posição real como adequada poderia ser que os quatro são os únicos discípulos que, como indivíduos ou membros de um subgrupo, mais tarde desempenharão papéis de fala no livro. É por isso que o narrador pode ter pensado que era necessário apresentar os quatro apoiadores mais importantes de Jesus imediatamente após a introdução do próprio Jesus em 1.9-15 e antes da primeira menção de seus oponentes em 1.22. Outra razão pode ser que, em consequência de seu chamado ser dito aqui, pode-se dizer que esses quatro homens testemunharam tudo o que Jesus fez e disse desde o início.[35]

É notório como o comentarista apresenta o texto trazendo a sua teoria da resposta do leitor. Veja, ele destaca algumas lacunas no texto. Ele levanta duas questões: (1) por que há um chamado abrupto? (2) por que neste momento da história? A partir desses questionamentos, ele dialoga com o texto e levanta possíveis respostas para as perguntas, o que gera um significado para o texto, mas com uma abordagem de uma teoria da resposta do leitor moderada, vemos que as possíveis respostas às lacunas do texto não forçam o significado do texto.

Agora veja o que o Comentário Bíblico pentecostal afirma sobre a mesma passagem:

Marcos não diz ao leitor se os quatro pescadores tiveram encontro prévio com Jesus. O que nos é informado é que eles respondem “logo” à chamada (v. 18; cf. v. 20). Nada já narrado os preparou para este momento. Assim, quando eles respondem tão prontamente, fazem-no na força da própria chamada. Deste modo, o enfoque muda ligeiramente da resposta imediata e inquestionável dos pescadores à personalidade autorizada que pode evocar tal resposta. Ao mesmo tempo em que os discípulos têm muito a aprender sobre Jesus, os leitores de Marcos já sabem o suficiente para entender este poder enorme sobre as pessoas. […] Assim, esta é uma história sobre quatro pescadores, mas também é uma história de exemplo, uma chamada ao leitor. Se os leitores de Marcos não reconhecem a chamada como uma chamada geral e a resposta dos pescadores como um exemplo, se eles devem sentir empatia pelos personagens da história e reivindicar como sua a promessa a que eles receberam, então eles também têm de abandonar tudo e responder a uma figura misteriosa que simplesmente aparece e faz exigências inflexíveis e incômodas.[36]

Antes de ressaltarmos alguma semelhança veja que o comentarista pentecostal, também transpassa sua hermenêutica pentecostal no comentário. Destacamos os seguintes pontos: (1) o leitor parte de sua experiência de fé para a leitura, note que o autor fala: “os leitores de Marcos já sabem o suficiente para entender este poder enorme sobre as pessoas”. Ou seja, para o comentarista o chamado dos discípulos a luz da experiência de fé do leitor produz nele um sentimento diferente daqueles que ouviram o chamado, e portanto, o texto não é somente a história do chamado dos discípulos, antes é um texto que nos leva a reflexão a partir daquilo que já sabemos. (2) O leitor deve tomar o texto como sendo também a sua história, a promessa de Jesus aos discípulos é a promessa de Jesus aos leitores.

Com os exemplos demonstrados acima podemos ressaltar a semelhança das abordagens hermenêuticas, que é a ênfase no leitor como participante da criação de significado. Assim como podemos ressaltar a diferença onde por um lado temos a teoria da resposta do leitor que tem a participação do leitor nas lacunas do texto, e por outro lado temos a hermenêutica pentecostal onde o leitor deve ser conduzido pelo Espírito a uma interpretação do texto inspirado, esse texto por sua vez através do Espírito leva o leitor a uma reflexão sobre a sua experiência. Ou seja, ainda que o leitor lê o texto a luz da experiência de fé ele deve responder ao texto sobre aquilo que deve ser transformado, melhorado, na sua experiência.

Considerações finais

Após a análise comparativa que fizemos concluímos que a diferença maior entre as abordagens está no âmbito do reconhecimento do lugar hermenêutico do intérprete. Ou seja, a teoria da resposta do leitor reconhece que o leitor contribui para a construção de significado, porém a hermenêutica pentecostal vai além e afirma que esse intérprete/leitor vai ao texto com um pressuposto sobrenatural: a experiência com Espírito, que além de ser um pressuposto a interpretação é uma guia a interpretação.

Podemos também a partir da similaridade do papel do leitor afirmar que toda hermenêutica pentecostal é um tipo de teoria da resposta do leitor. Mas o contrário não é verdadeiro. Ou seja, toda hermenêutica pentecostal leva em conta um leitor com pressupostos que vai ao texto dialoga com o texto e isso gera significado, isso coloca a hermenêutica pentecostal dentro do campo da teoria da resposta do leitor. Porém, a teoria da resposta do leitor pode ser feita com outros pressupostos sobre o lugar hermenêutico do intérprete, um batista ou presbiteriano podem fazer uso desta abordagem literária.

Destacamos ainda que a partir do que pesquisamos a hermenêutica pentecostal pode utilizar das ferramentas da teoria da resposta do leitor para ajudar em sua exegese. Por exemplo, os pentecostais devem encontrar as lacunas do texto e responder ao texto assim como a teoria da resposta do leitor, porém fazer isso á luz do Espírito e dentro da comunidade.

Notas

[1] Quando utilizarmos o termo Reader-response estamos referindo a teoria da resposta do Leitor.

[2] Mestrando em Estudos Bíblicos do NT no STJE. Pós-graduado em teologia do NT pela Unifil. Bacharel em Teologia pela UNIGRAN. Pastor na Igreja de Cristo Pentecostal Internacional em Florianópolis-SC. E-mail: bf.otoniel@icloud.com

[3] Siqueira, Gutierres; Terra, Kenner. Autoridade bíblica e experiência no espírito: a contribuição da hermenêutica pentecostal-carismática. Rio de Janeiro: Thomás Nelson Brasil, 2020, p.69.

[4] Ibid. p. 74.

[5] Terra, K. and Mesquiati, D. Interpretando a bíblia a partir do Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em: https://www.perlego.com/book/4237160/interpretando-a-bblia-a-partir-do-esprito-experincia-e-hermenutica-pentecostal-pdf (acesso em: 29/02/2024).

[6] Ibid. p. 82-93

[7] Purdy, Harlyn G. A Distinct Twenty-First Century Pentecostal Hermeneutic. Eugene: Wipf and Stock Publishers, 2015. Disponível em: https://www.perlego.com/book/880212/a-distinct-twentyfirst-century-pentecostal-hermeneutic-pdf (Acessado: 28/02/2024), não paginado.

[8] Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf (Acesso em: 4/02/2024) não paginado.

[9] Ibid.

[10] Fee, G. Escutando o Espírito no texto. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em em: https://www.perlego.com/book/4192617/escutando-o-esprito-no-texto-pdf (acesso: 29/02/2024).

[11] Ibid.

[12] Terra, K. and Mesquiati, D. Interpretando a bíblia a partir do Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em: https://www.perlego.com/book/4237160/interpretando-a-bblia-a-partir-do-esprito-experincia-e-hermenutica-pentecostal-pdf (acesso em: 29/02/2024).

[13] Ibid.

[14] Jacqueline Grey em Vondey, W. The Routledge Handbook of Pentecostal Theology. New York: Routledge, 2020, Disponível em: https://www.perlego.com/book/1596052/the-routledge-handbook-of-pentecostal-theology-pdf (Acesso em: 13/02/2024).

[15] Ibid.

[16] Ibid.

[17] Ibid.

[18] Ibid.

[19] Archer, Kenneth J. A pentecostal Hermeneutic: Spirit, Scripture and Community. Cleveland: CPT, 2009, p.213.

[20] Keener, C. A hermenêutica do Espírito: lendo as escrituras à luz do Pentecostes. São Paulo: Vida Nova, 2018, p.86.

[21] Ibid. p. 113

[22] Que conforme a nota de rodapé 22 é semelhante a teoria da resposta do leitor, inclusive ao utilizar as teorias literárias de Wolfgang Iser.

[23] Klein, William, Hubbard, Robert e Blomberg, Craig. Introdução a Hermenêutica bíblica. Rio de Janeiro, 2017, p.159.

[24] Leonel, J. (2012). Estética da recepção como exemplo de contribuição da teoria literária para a teologia exegética. TEOLITERARIA - Revista De Literaturas E Teologias, 2(4), 100–122. Para Leonel a teoria da resposta do leitor é versão de língua inglesa muito próxima ou mesmo idêntica à estética da recepção, e mais conhecida pelos exegetas.

[25] Magnum, D. e Estes D. Literary Approaches to the Bible. Bellingham: Lexham Press,2016. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2055096/literary-approaches-to-the-bible-pdf (Acesso em: 29/02/2024), não paginado.

[26] Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf (Acesso em: 4/02/2024) não paginado.

[27] Porter, Stanley e Robinson, Jason. Hermenêutica: uma introdução à teoria da interpretação. Eusébio: Peregrino, 2019, p.88

[28] Fee, G. Escutando o Espírito no texto. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em em: https://www.perlego.com/book/4192617/escutando-o-esprito-no-texto-pdf (acesso: 29/02/2024).

[29] Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf (Acesso em: 4/02/2024).

[30] Ibid.

[31] Archer, Kenneth J. A pentecostal Hermeneutic: Spirit, Scripture and Community. Cleveland: CPT, 2009, p. 213.

[32] Arrington, F., Stronstad, R. Comentário Bíblico Pentecostal: novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.240

[33] Ibid.

[34] Terra, K. and Mesquiati, D. Interpretando a bíblia a partir do Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em: https://www.perlego.com/book/4237160/interpretando-a-bblia-a-partir-do-esprito-experincia-e-hermenutica-pentecostal-pdf (acesso em: 29/02/2024).

[35] Bas M. F. Van Iersel. Mark: a reader-response commentary. Sheffield: Sheffield Acadêmico Press, 1998, p. 133.

[36] Arrington, F., Stronstad, R. Comentário Bíblico Pentecostal: novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.240

[1] Quando utilizarmos o termo Reader-response estamos referindo a teoria da resposta do Leitor.

[2] Mestrando em Estudos Bíblicos do NT no STJE. Pós-graduado em teologia do NT pela Unifil. Bacharel em Teologia pela UNIGRAN. Pastor na Igreja de Cristo Pentecostal Internacional em Florianópolis-SC. E-mail: bf.otoniel@icloud.com

[3] Siqueira, Gutierres; Terra, Kenner. Autoridade bíblica e experiência no espírito: a contribuição da hermenêutica pentecostal-carismática. Rio de Janeiro: Thomás Nelson Brasil, 2020, p.69.

[4] Ibid. p. 74.

[5] Terra, K. and Mesquiati, D. Interpretando a bíblia a partir do Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em: https://www.perlego.com/book/4237160/interpretando-a-bblia-a-partir-do-esprito-experincia-e-hermenutica-pentecostal-pdf (acesso em: 29/02/2024).

[6] Ibid. p. 82-93

[7] Purdy, Harlyn G. A Distinct Twenty-First Century Pentecostal Hermeneutic. Eugene: Wipf and Stock Publishers, 2015. Disponível em: https://www.perlego.com/book/880212/a-distinct-twentyfirst-century-pentecostal-hermeneutic-pdf (Acessado: 28/02/2024), não paginado.

[8] Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf (Acesso em: 4/02/2024) não paginado.

[9] Ibid.

[10] Fee, G. Escutando o Espírito no texto. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em em: https://www.perlego.com/book/4192617/escutando-o-esprito-no-texto-pdf (acesso: 29/02/2024).

[11] Ibid.

[12] Terra, K. and Mesquiati, D. Interpretando a bíblia a partir do Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em: https://www.perlego.com/book/4237160/interpretando-a-bblia-a-partir-do-esprito-experincia-e-hermenutica-pentecostal-pdf (acesso em: 29/02/2024).

[13] Ibid.

[14] Jacqueline Grey em Vondey, W. The Routledge Handbook of Pentecostal Theology. New York: Routledge, 2020, Disponível em: https://www.perlego.com/book/1596052/the-routledge-handbook-of-pentecostal-theology-pdf (Acesso em: 13/02/2024).

[15] Ibid.

[16] Ibid.

[17] Ibid.

[18] Ibid.

[19] Archer, Kenneth J. A pentecostal Hermeneutic: Spirit, Scripture and Community. Cleveland: CPT, 2009, p.213.

[20] Keener, C. A hermenêutica do Espírito: lendo as escrituras à luz do Pentecostes. São Paulo: Vida Nova, 2018, p.86.

[21] Ibid. p. 113

[22] Que conforme a nota de rodapé 22 é semelhante a teoria da resposta do leitor, inclusive ao utilizar as teorias literárias de Wolfgang Iser.

[23] Klein, William, Hubbard, Robert e Blomberg, Craig. Introdução a Hermenêutica bíblica. Rio de Janeiro, 2017, p.159.

[24] Leonel, J. (2012). Estética da recepção como exemplo de contribuição da teoria literária para a teologia exegética. TEOLITERARIA - Revista De Literaturas E Teologias, 2(4), 100–122. Para Leonel a teoria da resposta do leitor é versão de língua inglesa muito próxima ou mesmo idêntica à estética da recepção, e mais conhecida pelos exegetas.

[25] Magnum, D. e Estes D. Literary Approaches to the Bible. Bellingham: Lexham Press,2016. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2055096/literary-approaches-to-the-bible-pdf (Acesso em: 29/02/2024), não paginado.

[26] Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf (Acesso em: 4/02/2024) não paginado.

[27] Porter, Stanley e Robinson, Jason. Hermenêutica: uma introdução à teoria da interpretação. Eusébio: Peregrino, 2019, p.88

[28] Fee, G. Escutando o Espírito no texto. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em em: https://www.perlego.com/book/4192617/escutando-o-esprito-no-texto-pdf (acesso: 29/02/2024).

[29] Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf (Acesso em: 4/02/2024).

[30] Ibid.

[31] Archer, Kenneth J. A pentecostal Hermeneutic: Spirit, Scripture and Community. Cleveland: CPT, 2009, p. 213.

[32] Arrington, F., Stronstad, R. Comentário Bíblico Pentecostal: novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.240

[33] Ibid.

[34] Terra, K. and Mesquiati, D. Interpretando a bíblia a partir do Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023. Disponível em: https://www.perlego.com/book/4237160/interpretando-a-bblia-a-partir-do-esprito-experincia-e-hermenutica-pentecostal-pdf (acesso em: 29/02/2024).

[35] Bas M. F. Van Iersel. Mark: a reader-response commentary. Sheffield: Sheffield Acadêmico Press, 1998, p. 133.

[36] Arrington, F., Stronstad, R. Comentário Bíblico Pentecostal: novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.240

Referências

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