A relação entre a Fé e a Razão: a teologia natural de Tomás de Aquino
A relação entre a Fé e a Razão: a teologia natural de Tomás de Aquino
Francisco Luan da Silva[1]
Resumo
Resumo: Este artigo tem como objetivo resgatar a discussão iniciada antes mesmo de Tomás de Aquino, mas que teve seu ápice a partir de seus pensamentos sobre Teologia Natural, que se refere a possibilidade de um conhecimento racional de Deus. Tomás, sob forte influência da filosofia de Aristóteles, vai afirmar que pela razão pode-se chegar à certeza da existência de Deus. Suas obras são marcadas pelo tratamento de assuntos teológicos com uma abordagem filosófica, ou seja, o filósofo conciliou a fé e a razão que pareciam contrárias. Para chegar ao seu objetivo, Tomás de Aquino apresenta cinco caminhos para comprovar de forma racional a existência de um ser Divino.
Palavras chave: Tomás de Aquino; Suma Teológica; Cinco Vias; Teologia Natural.
Abstract: This article aims to rescue the discussion that began even before Thomas Aquinas, but which reached its peak with his thoughts on Natural Theology, which refers to the possibility of a rational knowledge of God. Thomas, under the strong influence of Aristotle's philosophy, states that through reason one can arrive at the certainty of the existence of God. His works are marked by the treatment of theological subjects with a philosophical approach, that is, the philosopher reconciled faith and reason that seemed contrary. To reach his objective, Thomas Aquinas presents five ways to rationally prove the existence of a Divine being.
Key words: Thomas Aquinas; Summa Theologiae; Five Ways; Natural Theology.
Resumo: Este artigo tem como objetivo resgatar a discussão iniciada antes mesmo de Tomás de Aquino, mas que teve seu ápice a partir de seus pensamentos sobre Teologia Natural, que se refere a possibilidade de um conhecimento racional de Deus. Tomás, sob forte influência da filosofia de Aristóteles, vai afirmar que pela razão pode-se chegar à certeza da existência de Deus. Suas obras são marcadas pelo tratamento de assuntos teológicos com uma abordagem filosófica, ou seja, o filósofo conciliou a fé e a razão que pareciam contrárias. Para chegar ao seu objetivo, Tomás de Aquino apresenta cinco caminhos para comprovar de forma racional a existência de um ser Divino.
Palavras chave: Tomás de Aquino; Suma Teológica; Cinco Vias; Teologia Natural.
Abstract: This article aims to rescue the discussion that began even before Thomas Aquinas, but which reached its peak with his thoughts on Natural Theology, which refers to the possibility of a rational knowledge of God. Thomas, under the strong influence of Aristotle's philosophy, states that through reason one can arrive at the certainty of the existence of God. His works are marked by the treatment of theological subjects with a philosophical approach, that is, the philosopher reconciled faith and reason that seemed contrary. To reach his objective, Thomas Aquinas presents five ways to rationally prove the existence of a Divine being.
Key words: Thomas Aquinas; Summa Theologiae; Five Ways; Natural Theology.
Artigo
1. Introdução
A busca pelo processo de compreender Deus tem sido uma tarefa árdua para o entendimento humano. É evidente que há séculos há uma tentativa de suprir a necessidade do intelecto humano ao se questionar sobre a possibilidade do conhecimento de Deus de forma racional. Os inúmeros questionamentos acerca de um ser superior, uma força primária, capaz de dar a vida a todas as coisas que nos cerca, sempre esteve presente nos maiores centros de saberes e em todos os períodos da história. [2]
Ainda hoje é comum questionamentos que colocam em pauta a existência ou não existência de Deus, sendo assim, surgem também as seguintes perguntas: será mesmo possível provar racionalmente, de forma autônoma em relação à revelação ou ao dado da fé, que Deus é, que Deus existe? Como citou Andresson (2007), “Para aqueles que acreditam numa resposta afirmativa a esse questionamento a resposta somente pode estar circunscrita dentro da via traçada por uma teologia natural”, mas o que seria teologia natural? Precisamos concordar que pouco temos abordado esse assunto em nossos seminários, gerando uma falta inestimável de material acadêmico teológico a respeito de uma teologia que visa descrever a pessoa de Deus para as mentes mais racionais. [3]
Esse artigo propõe compreender os caminhos apresentados por Tomás de Aquino (1225-1274), para comprovar de forma racional a existência de Deus e a construção do entendimento da Teologia Natural. Embora o início da discussão de uma relação entre a razão para servir a fé, não tenha se dado em Tomás de Aquino, o ápice dessa problemática se deu com o pensamento de Agostinho a partir do ditado “crer para compreender e compreender para crer” (Marques, 2018), no entanto, Tomás de Aquino é o filósofo mais conhecido como aquele que fez o exercício de conciliar a fé e a razão, por meio da Teologia Natural.[4][5]
2. Tomás de Aquino e século XIII
Tomás de Aquino, nasceu no castelo de Aquino, em Roccasecca (Reino de Nápoles), no ano de 1224/5. Aproximadamente aos 20 anos de idade, Tomás integra-se à ordem mendicante dos frades dominicanos de Nápoles, e isso contra a vontade da família que tinha outros planos para o jovem. Estudou em Paris, que no século XIII, compreendido pela história como o período da idade média, era então chamada “A Nova Atenas”, “A Cidade dos Filósofos”, um grande centro de produção intelectual, principalmente na área da Filosofia (Oliveira, 2007, p. 118). Estudando em Paris, Tomás de Aquino recebeu forte influência de grandes filósofos, como Aristóteles, assim cita Frezzato (2021):[6][7][8]
As obras, principalmente as de Aristóteles, cuja difusão havia sido feita anteriormente por Avicena e Averróis, estavam presentes nos mosteiros e foram reproduzidas e utilizadas por pensadores cristãos posteriormente, principalmente por Tomás de Aquino.[9]
É importante mencionar que havia uma resistência por parte da igreja e até uma proibição expressa a respeito da leitura de determinadas obras do Estagirita, porém como afirma Frezzato (2021): “era avassaladora a influência de nomes como Avicena e Averróis mesmo entre o clero.”, o que tornava bastante difícil conter as propagações de ideias partindo desses homens. Diante da tamanha multiplicação de suas obras, houve a necessidade por parte da igreja, confiar a homens fiéis à fé cristã e com sólida formação teológica a missão de traduzir corretamente as obras do Estagirita, extraindo delas a verdadeira doutrina de Aristóteles. Sendo assim, é nesse cenário que Tomás foi, sem dúvida, de suma importância.[10]
Cabe também citar que até o século XII, a tradição preponderante na teologia católica era a agostiniana e a filosofia seguia também os passos do seu mestre maior, o que fez o Aquinate ganhar forte opositores, que não entenderam a sua árdua missão, missão dada pela igreja e pela força dos acontecimentos da época. Mas o que talvez não tenha ficado claro, é que aparentemente o objetivo de Tomás de Aquino, era mostrar que o pensamento de Aristóteles não era contrário à fé Cristã, mas um auxílio para a fé cristã, na sua busca de compreender Deus dentro dos meios racionais.[11]
Tomás foi um brilhante escritor no que tange à profundidade de suas obras e na quantidade delas, nos quais se tornam significativos até os dias de hoje. Em uma época em que era difícil e muito custoso escrever, soube empregar seu tempo de observância dos deveres religiosos e de livre pensador. No levantar-se de suas questões sobre Deus, especialmente tratadas na Suma contra os Gentios (1259-1264) e na Suma Teológica (1266-1272), Tomás aparentemente não tem a pretensão de elaborar proposições que levam as pessoas a conhecer quem é Deus. Para esse fim, as Sagradas Escrituras servem mais que os escritos Aquinatis. Tomás busca, então, um caminho racional que comprove a existência divina como causa, princípio de tudo e fim de todas as coisas criadas. Este é o principal prolegômeno da Teodiceia do Aquinate (Cavalcante, Oliveira, 2012, p. 3). Algo as ser destacado, que difere de outras fundamentações filosóficas é que a Teodiceia tomista se caracteriza por ser uma senda equilibrada, coesa e harmônica: um verdadeiro aprofundamento da empiria aristotélica e da metafísica cristã (Coutinho, 2008, p 125).[12][13]
Tomás de Aquino ao desempenhar as funções de frade pregador e professor universitário, demonstra sua preocupação com os bens intelectuais, possíveis de serem percebidos pela contemplação, no entanto, de forma racional. Uma racionalidade que Lima Vaz (1986) descreve como uma aventura desenvolvida pelo filósofo em seu interior:
[...] Tomás viveu, sim, uma extraordinária aventura: mas foi uma aventura toda interior. Na sua significação mais profunda, aventura de santidade, motivação última sem a qual dificilmente se compreenderiam suas audácias intelectuais. Para o historiador das ideias, aventura da inteligência que marca decisivamente a evolução da cultura ocidental [...]. A ‘crise’ do século XIII era, para o pensamento cristão, uma crise de crescimento. Os esquemas herdados da ‘razão’ agostiniana e neoplatônica se mostravam inadequados para captar e assimilar as dimensões novas trazidas ao seio do mundo cristão pela ‘razão’ aristotélica, sobretudo a sua noção de ‘natureza’, centro autônomo de operações específicas. Foi a serviço de uma exigência na ordem do espírito, do corpo da cristandade ocidental – exigência de reestruturação das suas bases intelectuais – que santo Tomás colocou a ‘contemplação’ que absorveu sua vida fora dessa perspectiva do contemplata aliis tradere, é impossível compreender sua obra como uma obra típica – a mais genial, sem dúvida – de ‘filosofia cristã’ tal como a Idade Média a concebeu: a busca da ‘inteligência’ no seio do universo da fé, de uma fé vivida institucionalmente no corpo da cristandade que era o corpo mesmo da Igreja (LIMA VAZ, 1986, p. 29).[14]
3. A contribuição de Tomás de Aquino para a Teologia Natural
É importante lembrarmos que o período da Idade Média, foi marcado, entre outras coisas, por um grande apelo apologético, sendo assim, para Tomás de Aquino, é importante demonstrar a existência de Deus para a constituição de uma fé sólida e uma Teologia na qual pudesse descrever Deus por meios racionais, o que foi denominado de Teologia Natural. Na Suma Teológica o filósofo utiliza-se da ciência aristotélica para discutir a existência divina e o que ela é, tendo-a como primeira causa de tudo o que existe no mundo. (Novais, 2021, p. 110) Tomás parte da premissa de que, tudo o que se move é movido por um outro, ou seja, vemos que as coisas sensíveis sofrem algum tipo de alteração, nada está em um estado estático, e isso ocorre devido ao movimento. Para Tomás, o mesmo não poderia originar nas próprias coisas, mas sim advir de algo externo a elas, no caso, Deus.[15][16][17]
É importante mencionar que para Tomás de Aquino, nem todos possuem um conceito adequado de Deus, e é desta forma que ele introduz Deus no discurso filosófico, pois, para ele, não só é possível se provar a existência de Deus filosoficamente, mas também é necessário que tal prova seja levada a cabo uma vez que a existência de Deus não é evidente para nós. A existência de Deus passa a ser, portanto, também uma questão filosófica. [18]
Tomás no seu processo de construção do conhecimento, parece ser essencialmente aristotélico, quando se trata da estruturação do conhecimento de Deus. O conhecimento tem origem nos sentidos. Não conhecemos nada que não tenha passado pelos nossos sentidos. Sendo assim, segundo a visão de Tomás, o ser humano nasce sem nenhum conhecimento, mas com plena capacidade de conhecer, ou seja, com um potencial para construir seu intelecto. Tomás, falando do intelecto, diz no livro III da alma que “ele é como uma tábula em que nada está escrito”. Sendo assim, para Tomás fica descartada toda espécie de conhecimento inato a respeito das coisas. Como deixa claro em sua Suma: [19]
[...] Ora, vemos que às vezes o homem está apenas em potência para conhecer, tanto pelos sentidos como pelo intelecto, e que dessa potência passa ao ato, para sentir pela ação das qualidades sensíveis sobre o sentido, ou para conhecer pelo ensino e pela descoberta. Deve-se, pois, dizer que a alma está em potência para conhecer tanto com relação às semelhanças que são princípios da sensação, quanto às semelhanças que são princípios do conhecimento. Por isso, Aristóteles afirmou que o intelecto pelo qual a alma conhece não tem espécies naturalmente inatas, mas na origem está em potência para todas as espécies.[20]
Observa-se que Tomás concorda plenamente com Aristóteles. Tomás de Aquino deseja que o homem e a mulher entendam que são criaturas capazes de chegar a um conhecimento válido e aproximativo da existência de Deus a partir da empiria, ou seja, por meio de conjunto de dados ou acontecimentos conhecidos através da experiência, por intermédio das faculdades sensitivas, e não por meio de qualquer necessidade lógica ou racional, e de sua capacidade racional. Como mencionou Frezzato, se tratando da primeira parte da Suma Teológica e da segunda parte da Suma Contra os Gentios, “O que prevalece nas duas obras é a consideração de que os sentidos dão condições para a elaboração das proposições que provam a existência de Deus.” Tomás sempre parte do pressuposto de que os sentidos não nos enganam, mas nos colocam em contato com o real[21][22]
Tomás de Aquino também contribui com a ideia que o conhecimento humano não para no sensitivo, pois somos dotados de uma faculdade intelectiva capaz de abstrair as espécies não só da matéria, mas das singularidades materiais, conseguindo assim chegar à quididade, ao universal do objeto. Tomás distingue duas funções do nosso intelecto, e, concebe dois nomes: intelecto agente, que abstrai da imaginação as qualidades inteligíveis do objeto, e intelecto possível, que reúne essas qualidades inteligíveis gerando assim o conceito ou a espécie expressa inteligível. Para o Aquinate, não conhecemos — primeiramente — o conceito, mas no conceito conhecemos a realidade, o objeto.[23][24]
Chegando até o presente momento daquilo que foi exposto, podemos nos dirigir para o conhecimento natural que podemos ter de Deus. Tomás em sua Suma Contra os Gentios, cita: “Há, com efeito, duas ordens de verdades que afirmamos de Deus.”, sendo assim, segundo Tomás, é preciso distinguir quando se fala de Deus, duas ordens distintas de verdades. Existem, pois, aquelas verdades sobre Deus que a nossa razão natural pode admitir, ou seja, são verdades que podem ou foram expressas ao longo dos anos que demonstram de certa forma verdades sobre Deus a partir do pensar e compreender humano. De outra ordem são aquelas verdades que ultrapassam as capacidades naturais da nossa razão e nesse caso, o princípio é o inverso do anterior, é a verdade divina que extrapola o intelecto humano, sendo por nós conhecida por meio de revelação, logo, essas verdades não são recebidas por meio de demonstrações claras, mas devem ser crida. Segundo Sávio Laet: “Cabe ao teólogo, propriamente, estudar a revelação de Deus”[25][26][27][28][29]
Tomás em seus escritos afirma que o conhecimento natural de Deus é o ápice do conhecimento humano, embora possamos ter um conhecimento ainda assim imperfeito sobre aquele que extrapola a compreensão humana, Tomás afirma que é melhor conhecer imperfeitamente o perfeito do que conhecer perfeitamente o que é imperfeito. E isso se torna a busca pelo processo de compreensão de Deus de forma natural. É importante mencionar que para o Aquinate, as duas ordens de conhecimento (natural e de fé) não se contradizem, muito pelo contrário, Deus o criador de toda a natureza humana, dotou a mesma de princípios da razão que é a base do conhecimento natural, permitindo assim um conhecimento natural do próprio criador. Em toda a obra de Tomás de Aquino, fica evidente seu grande esforço para provar que a verdade natural concorda com a fé e a religião cristã. Tomás por vezes se tornou incompreendido pela sua tentativa de demonstração da existência de Deus por meios naturais, pois segundo alguns, o que é objeto de fé não pode ser demonstrado, mas o Tomás rejeita tal concepção no que concerne à existência de Deus, podemos citá-lo: [30][31][32][33]
Deve-se dizer que a existência de Deus e outras referentes a Deus, acessíveis à razão natural, como diz o Apóstolo, não são artigos de fé, mas preâmbulos dos artigos. [...] No entanto, nada impede que aquilo que, por si, é demonstrável e compreensível, seja recebido como objeto de fé por aquele que não consegue apreender a demonstração.[34]
A existência de Deus como um problema em Aquino é respondida com a elaboração de uma “[...] Teologia Natural como o início da maneira com a qual o intelecto humano inicia a sua busca pela obtenção do conhecimento da causa primeira das coisas”. O conhecimento humano sobre o divino, é iniciado pelos sentidos sensíveis, no qual é possível observar por meio dos fenômenos naturais, sendo assim, possibilitando uma revelação que transcende os limites da compreensão humana e assim alcança o conhecimento de Deus. As cinco vias propostas por Tomás de Aquino são as possibilidades para essa compreensão.[35]
3. As Cinco Vias para se provar a existência de Deus proposta por Tomás de Aquino
Sendo que a maior prova da existência de Deus é o mundo com todo o seu efeito, a busca do ser humano em compreender esses fenômenos sensíveis pode fazê-lo acessar racionalmente a existência de Deus. A consistência da prova está em que, sem uma causa transcendente, o mundo não pode existir; mas como o mundo existe, tem de existir a causa transcendente sem a qual ele não poderia existir. É através da curiosidade do intelecto humano em desvendar os fenômenos sensíveis que podemos ter alguma forma de acesso racional a Deus. Portanto, com esse intuito, Tomás de Aquino, expressa na Suma Teológica, em sua primeira parte, questão dois, terceiro artigo, as cinco vias pelas quais, de forma racional, se provaria a existência divina. Segue um breve resumo das cinco vias propostas por Tomás de Aquino. [36][37]
Tabela 1: As cinco vias da existência de Deus[38]
[Baixe o artigo para ver a imagem]
Fonte: autor (2024); baseado Ferreira (2007, p.12)[39]
Acima, relatamos um breve resumo de todos esses questionamentos levantados por Tomás de Aquino na tentativa de elucidar a forma com o intelecto humano tem acesso ao processo de compreensão sobre Deus de forma racional. No entanto, é importante destacar que Tomás de Aquino parte de alguns pressupostos e sob esses o filósofo desenvolveu seus argumentos:
(a) o pressuposto de que existe contato entre Deus e o homem, no qual Aquele se revela a este através da fé, comunicando-lhe a verdade; (b) o pressuposto de que o homem, na qualidade de criatura feita à imagem de seu Criador (Deus), é um ser racional, o que significa estar em condições tanto de buscar quanto de compreender a verdade; (c) o pressuposto de que a verdade, tanto sob o prisma da fé quanto sob o prisma da razão, é algo único, porém acessado por caminhos diferentes; (d) o pressuposto de que a verdade é o resultado do ajuste da mente consigo mesma ou da mente com algo que lhe é externo [...]. (Batista, 2010, p. 92).[40]
Tomás de Aquino, a partir da elaboração das tais vias de acesso à compreensão natural e racional de Deus se obtém como uma figura importante e de destaque na história da filosofia cristã, ao propor estudar conhecer Deus ou as criaturas em referência a Deus. Quando observamos a natureza argumentativa de sua obra, vemos o empenho de Aquino em se inspirar nas teses aristotélicas, como também, que essas sejam compatíveis com a fé cristã.[41]
Reforçado essa essa ideia, Michon (2011), aponta:
[...] a existência de Deus é aí demonstrada a partir dos fenômenos naturais, mas Deus é alcançado também como criador, fonte e princípio da existência, de todas as coisas, e o estudo de seus atributos leva a atribuir a ele o conhecimento detalhado e o cuidado com a sua criação. A alma humana é essencialmente intelecto, uma forma do corpo que pode subsistir separada, e Aquino argumenta a favor da individualidade continuada dessa existência separada (Michon, 2011, p. 165).[42]
Considerações finais
Este trabalho teve como principal objetivo compreender como Tomás de Aquino apresenta caminhos para comprovar de forma racional a existência de Deus, embora, como alguns pensam, a ideia de Tomás não foi tentar demonstrar a existência de Deus, afinal, muitos filósofos e teólogos já haviam tentado a mesma façanha e muitos ainda a haveriam de tentar. Está certo que Tomás não prova o que Deus é, nem era essa a sua intenção, mas prova que Deus existe. As cinco vias são um projeto de Tomás de Aquino, não a fim de justificar crenças, mas de demonstrar ao intelecto humano uma forma mais acessível de compreender a verdade da existência do ser de Deus.
No desenvolvimento do nosso trabalho, podemos observar que Tomás de Aquino nos forneceu uma série de elementos que nos coloca diante da Teologia Natural, sendo ela o início da maneira com a qual o conhecimento do ser humano inicia sua busca pela obtenção do conhecimento da causa primeira das coisas e isso só é possível, quando lembramos que o nosso conhecimento de Deus se dá por meio dos sentidos, nos fenômenos que podemos observar na natureza. Não podemos esquecer que o caminho aqui percorrido, a fé pressupõe o conhecimento natural assim como a graça pressupõe a natureza. [43]
Portanto, a razão dessas demonstrações não tem como objetivo doutrinar o ser humano a ser uma pessoa religiosa, mas levar a acreditar que existe a possibilidade de se obter um conhecimento sobre Deus através da capacidade racional do ser humano.
1. Introdução
A busca pelo processo de compreender Deus tem sido uma tarefa árdua para o entendimento humano. É evidente que há séculos há uma tentativa de suprir a necessidade do intelecto humano ao se questionar sobre a possibilidade do conhecimento de Deus de forma racional. Os inúmeros questionamentos acerca de um ser superior, uma força primária, capaz de dar a vida a todas as coisas que nos cerca, sempre esteve presente nos maiores centros de saberes e em todos os períodos da história. [2]
Ainda hoje é comum questionamentos que colocam em pauta a existência ou não existência de Deus, sendo assim, surgem também as seguintes perguntas: será mesmo possível provar racionalmente, de forma autônoma em relação à revelação ou ao dado da fé, que Deus é, que Deus existe? Como citou Andresson (2007), “Para aqueles que acreditam numa resposta afirmativa a esse questionamento a resposta somente pode estar circunscrita dentro da via traçada por uma teologia natural”, mas o que seria teologia natural? Precisamos concordar que pouco temos abordado esse assunto em nossos seminários, gerando uma falta inestimável de material acadêmico teológico a respeito de uma teologia que visa descrever a pessoa de Deus para as mentes mais racionais. [3]
Esse artigo propõe compreender os caminhos apresentados por Tomás de Aquino (1225-1274), para comprovar de forma racional a existência de Deus e a construção do entendimento da Teologia Natural. Embora o início da discussão de uma relação entre a razão para servir a fé, não tenha se dado em Tomás de Aquino, o ápice dessa problemática se deu com o pensamento de Agostinho a partir do ditado “crer para compreender e compreender para crer” (Marques, 2018), no entanto, Tomás de Aquino é o filósofo mais conhecido como aquele que fez o exercício de conciliar a fé e a razão, por meio da Teologia Natural.[4][5]
2. Tomás de Aquino e século XIII
Tomás de Aquino, nasceu no castelo de Aquino, em Roccasecca (Reino de Nápoles), no ano de 1224/5. Aproximadamente aos 20 anos de idade, Tomás integra-se à ordem mendicante dos frades dominicanos de Nápoles, e isso contra a vontade da família que tinha outros planos para o jovem. Estudou em Paris, que no século XIII, compreendido pela história como o período da idade média, era então chamada “A Nova Atenas”, “A Cidade dos Filósofos”, um grande centro de produção intelectual, principalmente na área da Filosofia (Oliveira, 2007, p. 118). Estudando em Paris, Tomás de Aquino recebeu forte influência de grandes filósofos, como Aristóteles, assim cita Frezzato (2021):[6][7][8]
As obras, principalmente as de Aristóteles, cuja difusão havia sido feita anteriormente por Avicena e Averróis, estavam presentes nos mosteiros e foram reproduzidas e utilizadas por pensadores cristãos posteriormente, principalmente por Tomás de Aquino.[9]
É importante mencionar que havia uma resistência por parte da igreja e até uma proibição expressa a respeito da leitura de determinadas obras do Estagirita, porém como afirma Frezzato (2021): “era avassaladora a influência de nomes como Avicena e Averróis mesmo entre o clero.”, o que tornava bastante difícil conter as propagações de ideias partindo desses homens. Diante da tamanha multiplicação de suas obras, houve a necessidade por parte da igreja, confiar a homens fiéis à fé cristã e com sólida formação teológica a missão de traduzir corretamente as obras do Estagirita, extraindo delas a verdadeira doutrina de Aristóteles. Sendo assim, é nesse cenário que Tomás foi, sem dúvida, de suma importância.[10]
Cabe também citar que até o século XII, a tradição preponderante na teologia católica era a agostiniana e a filosofia seguia também os passos do seu mestre maior, o que fez o Aquinate ganhar forte opositores, que não entenderam a sua árdua missão, missão dada pela igreja e pela força dos acontecimentos da época. Mas o que talvez não tenha ficado claro, é que aparentemente o objetivo de Tomás de Aquino, era mostrar que o pensamento de Aristóteles não era contrário à fé Cristã, mas um auxílio para a fé cristã, na sua busca de compreender Deus dentro dos meios racionais.[11]
Tomás foi um brilhante escritor no que tange à profundidade de suas obras e na quantidade delas, nos quais se tornam significativos até os dias de hoje. Em uma época em que era difícil e muito custoso escrever, soube empregar seu tempo de observância dos deveres religiosos e de livre pensador. No levantar-se de suas questões sobre Deus, especialmente tratadas na Suma contra os Gentios (1259-1264) e na Suma Teológica (1266-1272), Tomás aparentemente não tem a pretensão de elaborar proposições que levam as pessoas a conhecer quem é Deus. Para esse fim, as Sagradas Escrituras servem mais que os escritos Aquinatis. Tomás busca, então, um caminho racional que comprove a existência divina como causa, princípio de tudo e fim de todas as coisas criadas. Este é o principal prolegômeno da Teodiceia do Aquinate (Cavalcante, Oliveira, 2012, p. 3). Algo as ser destacado, que difere de outras fundamentações filosóficas é que a Teodiceia tomista se caracteriza por ser uma senda equilibrada, coesa e harmônica: um verdadeiro aprofundamento da empiria aristotélica e da metafísica cristã (Coutinho, 2008, p 125).[12][13]
Tomás de Aquino ao desempenhar as funções de frade pregador e professor universitário, demonstra sua preocupação com os bens intelectuais, possíveis de serem percebidos pela contemplação, no entanto, de forma racional. Uma racionalidade que Lima Vaz (1986) descreve como uma aventura desenvolvida pelo filósofo em seu interior:
[...] Tomás viveu, sim, uma extraordinária aventura: mas foi uma aventura toda interior. Na sua significação mais profunda, aventura de santidade, motivação última sem a qual dificilmente se compreenderiam suas audácias intelectuais. Para o historiador das ideias, aventura da inteligência que marca decisivamente a evolução da cultura ocidental [...]. A ‘crise’ do século XIII era, para o pensamento cristão, uma crise de crescimento. Os esquemas herdados da ‘razão’ agostiniana e neoplatônica se mostravam inadequados para captar e assimilar as dimensões novas trazidas ao seio do mundo cristão pela ‘razão’ aristotélica, sobretudo a sua noção de ‘natureza’, centro autônomo de operações específicas. Foi a serviço de uma exigência na ordem do espírito, do corpo da cristandade ocidental – exigência de reestruturação das suas bases intelectuais – que santo Tomás colocou a ‘contemplação’ que absorveu sua vida fora dessa perspectiva do contemplata aliis tradere, é impossível compreender sua obra como uma obra típica – a mais genial, sem dúvida – de ‘filosofia cristã’ tal como a Idade Média a concebeu: a busca da ‘inteligência’ no seio do universo da fé, de uma fé vivida institucionalmente no corpo da cristandade que era o corpo mesmo da Igreja (LIMA VAZ, 1986, p. 29).[14]
3. A contribuição de Tomás de Aquino para a Teologia Natural
É importante lembrarmos que o período da Idade Média, foi marcado, entre outras coisas, por um grande apelo apologético, sendo assim, para Tomás de Aquino, é importante demonstrar a existência de Deus para a constituição de uma fé sólida e uma Teologia na qual pudesse descrever Deus por meios racionais, o que foi denominado de Teologia Natural. Na Suma Teológica o filósofo utiliza-se da ciência aristotélica para discutir a existência divina e o que ela é, tendo-a como primeira causa de tudo o que existe no mundo. (Novais, 2021, p. 110) Tomás parte da premissa de que, tudo o que se move é movido por um outro, ou seja, vemos que as coisas sensíveis sofrem algum tipo de alteração, nada está em um estado estático, e isso ocorre devido ao movimento. Para Tomás, o mesmo não poderia originar nas próprias coisas, mas sim advir de algo externo a elas, no caso, Deus.[15][16][17]
É importante mencionar que para Tomás de Aquino, nem todos possuem um conceito adequado de Deus, e é desta forma que ele introduz Deus no discurso filosófico, pois, para ele, não só é possível se provar a existência de Deus filosoficamente, mas também é necessário que tal prova seja levada a cabo uma vez que a existência de Deus não é evidente para nós. A existência de Deus passa a ser, portanto, também uma questão filosófica. [18]
Tomás no seu processo de construção do conhecimento, parece ser essencialmente aristotélico, quando se trata da estruturação do conhecimento de Deus. O conhecimento tem origem nos sentidos. Não conhecemos nada que não tenha passado pelos nossos sentidos. Sendo assim, segundo a visão de Tomás, o ser humano nasce sem nenhum conhecimento, mas com plena capacidade de conhecer, ou seja, com um potencial para construir seu intelecto. Tomás, falando do intelecto, diz no livro III da alma que “ele é como uma tábula em que nada está escrito”. Sendo assim, para Tomás fica descartada toda espécie de conhecimento inato a respeito das coisas. Como deixa claro em sua Suma: [19]
[...] Ora, vemos que às vezes o homem está apenas em potência para conhecer, tanto pelos sentidos como pelo intelecto, e que dessa potência passa ao ato, para sentir pela ação das qualidades sensíveis sobre o sentido, ou para conhecer pelo ensino e pela descoberta. Deve-se, pois, dizer que a alma está em potência para conhecer tanto com relação às semelhanças que são princípios da sensação, quanto às semelhanças que são princípios do conhecimento. Por isso, Aristóteles afirmou que o intelecto pelo qual a alma conhece não tem espécies naturalmente inatas, mas na origem está em potência para todas as espécies.[20]
Observa-se que Tomás concorda plenamente com Aristóteles. Tomás de Aquino deseja que o homem e a mulher entendam que são criaturas capazes de chegar a um conhecimento válido e aproximativo da existência de Deus a partir da empiria, ou seja, por meio de conjunto de dados ou acontecimentos conhecidos através da experiência, por intermédio das faculdades sensitivas, e não por meio de qualquer necessidade lógica ou racional, e de sua capacidade racional. Como mencionou Frezzato, se tratando da primeira parte da Suma Teológica e da segunda parte da Suma Contra os Gentios, “O que prevalece nas duas obras é a consideração de que os sentidos dão condições para a elaboração das proposições que provam a existência de Deus.” Tomás sempre parte do pressuposto de que os sentidos não nos enganam, mas nos colocam em contato com o real[21][22]
Tomás de Aquino também contribui com a ideia que o conhecimento humano não para no sensitivo, pois somos dotados de uma faculdade intelectiva capaz de abstrair as espécies não só da matéria, mas das singularidades materiais, conseguindo assim chegar à quididade, ao universal do objeto. Tomás distingue duas funções do nosso intelecto, e, concebe dois nomes: intelecto agente, que abstrai da imaginação as qualidades inteligíveis do objeto, e intelecto possível, que reúne essas qualidades inteligíveis gerando assim o conceito ou a espécie expressa inteligível. Para o Aquinate, não conhecemos — primeiramente — o conceito, mas no conceito conhecemos a realidade, o objeto.[23][24]
Chegando até o presente momento daquilo que foi exposto, podemos nos dirigir para o conhecimento natural que podemos ter de Deus. Tomás em sua Suma Contra os Gentios, cita: “Há, com efeito, duas ordens de verdades que afirmamos de Deus.”, sendo assim, segundo Tomás, é preciso distinguir quando se fala de Deus, duas ordens distintas de verdades. Existem, pois, aquelas verdades sobre Deus que a nossa razão natural pode admitir, ou seja, são verdades que podem ou foram expressas ao longo dos anos que demonstram de certa forma verdades sobre Deus a partir do pensar e compreender humano. De outra ordem são aquelas verdades que ultrapassam as capacidades naturais da nossa razão e nesse caso, o princípio é o inverso do anterior, é a verdade divina que extrapola o intelecto humano, sendo por nós conhecida por meio de revelação, logo, essas verdades não são recebidas por meio de demonstrações claras, mas devem ser crida. Segundo Sávio Laet: “Cabe ao teólogo, propriamente, estudar a revelação de Deus”[25][26][27][28][29]
Tomás em seus escritos afirma que o conhecimento natural de Deus é o ápice do conhecimento humano, embora possamos ter um conhecimento ainda assim imperfeito sobre aquele que extrapola a compreensão humana, Tomás afirma que é melhor conhecer imperfeitamente o perfeito do que conhecer perfeitamente o que é imperfeito. E isso se torna a busca pelo processo de compreensão de Deus de forma natural. É importante mencionar que para o Aquinate, as duas ordens de conhecimento (natural e de fé) não se contradizem, muito pelo contrário, Deus o criador de toda a natureza humana, dotou a mesma de princípios da razão que é a base do conhecimento natural, permitindo assim um conhecimento natural do próprio criador. Em toda a obra de Tomás de Aquino, fica evidente seu grande esforço para provar que a verdade natural concorda com a fé e a religião cristã. Tomás por vezes se tornou incompreendido pela sua tentativa de demonstração da existência de Deus por meios naturais, pois segundo alguns, o que é objeto de fé não pode ser demonstrado, mas o Tomás rejeita tal concepção no que concerne à existência de Deus, podemos citá-lo: [30][31][32][33]
Deve-se dizer que a existência de Deus e outras referentes a Deus, acessíveis à razão natural, como diz o Apóstolo, não são artigos de fé, mas preâmbulos dos artigos. [...] No entanto, nada impede que aquilo que, por si, é demonstrável e compreensível, seja recebido como objeto de fé por aquele que não consegue apreender a demonstração.[34]
A existência de Deus como um problema em Aquino é respondida com a elaboração de uma “[...] Teologia Natural como o início da maneira com a qual o intelecto humano inicia a sua busca pela obtenção do conhecimento da causa primeira das coisas”. O conhecimento humano sobre o divino, é iniciado pelos sentidos sensíveis, no qual é possível observar por meio dos fenômenos naturais, sendo assim, possibilitando uma revelação que transcende os limites da compreensão humana e assim alcança o conhecimento de Deus. As cinco vias propostas por Tomás de Aquino são as possibilidades para essa compreensão.[35]
3. As Cinco Vias para se provar a existência de Deus proposta por Tomás de Aquino
Sendo que a maior prova da existência de Deus é o mundo com todo o seu efeito, a busca do ser humano em compreender esses fenômenos sensíveis pode fazê-lo acessar racionalmente a existência de Deus. A consistência da prova está em que, sem uma causa transcendente, o mundo não pode existir; mas como o mundo existe, tem de existir a causa transcendente sem a qual ele não poderia existir. É através da curiosidade do intelecto humano em desvendar os fenômenos sensíveis que podemos ter alguma forma de acesso racional a Deus. Portanto, com esse intuito, Tomás de Aquino, expressa na Suma Teológica, em sua primeira parte, questão dois, terceiro artigo, as cinco vias pelas quais, de forma racional, se provaria a existência divina. Segue um breve resumo das cinco vias propostas por Tomás de Aquino. [36][37]
Tabela 1: As cinco vias da existência de Deus[38]
[Baixe o artigo para ver a imagem]
Fonte: autor (2024); baseado Ferreira (2007, p.12)[39]
Acima, relatamos um breve resumo de todos esses questionamentos levantados por Tomás de Aquino na tentativa de elucidar a forma com o intelecto humano tem acesso ao processo de compreensão sobre Deus de forma racional. No entanto, é importante destacar que Tomás de Aquino parte de alguns pressupostos e sob esses o filósofo desenvolveu seus argumentos:
(a) o pressuposto de que existe contato entre Deus e o homem, no qual Aquele se revela a este através da fé, comunicando-lhe a verdade; (b) o pressuposto de que o homem, na qualidade de criatura feita à imagem de seu Criador (Deus), é um ser racional, o que significa estar em condições tanto de buscar quanto de compreender a verdade; (c) o pressuposto de que a verdade, tanto sob o prisma da fé quanto sob o prisma da razão, é algo único, porém acessado por caminhos diferentes; (d) o pressuposto de que a verdade é o resultado do ajuste da mente consigo mesma ou da mente com algo que lhe é externo [...]. (Batista, 2010, p. 92).[40]
Tomás de Aquino, a partir da elaboração das tais vias de acesso à compreensão natural e racional de Deus se obtém como uma figura importante e de destaque na história da filosofia cristã, ao propor estudar conhecer Deus ou as criaturas em referência a Deus. Quando observamos a natureza argumentativa de sua obra, vemos o empenho de Aquino em se inspirar nas teses aristotélicas, como também, que essas sejam compatíveis com a fé cristã.[41]
Reforçado essa essa ideia, Michon (2011), aponta:
[...] a existência de Deus é aí demonstrada a partir dos fenômenos naturais, mas Deus é alcançado também como criador, fonte e princípio da existência, de todas as coisas, e o estudo de seus atributos leva a atribuir a ele o conhecimento detalhado e o cuidado com a sua criação. A alma humana é essencialmente intelecto, uma forma do corpo que pode subsistir separada, e Aquino argumenta a favor da individualidade continuada dessa existência separada (Michon, 2011, p. 165).[42]
Considerações finais
Este trabalho teve como principal objetivo compreender como Tomás de Aquino apresenta caminhos para comprovar de forma racional a existência de Deus, embora, como alguns pensam, a ideia de Tomás não foi tentar demonstrar a existência de Deus, afinal, muitos filósofos e teólogos já haviam tentado a mesma façanha e muitos ainda a haveriam de tentar. Está certo que Tomás não prova o que Deus é, nem era essa a sua intenção, mas prova que Deus existe. As cinco vias são um projeto de Tomás de Aquino, não a fim de justificar crenças, mas de demonstrar ao intelecto humano uma forma mais acessível de compreender a verdade da existência do ser de Deus.
No desenvolvimento do nosso trabalho, podemos observar que Tomás de Aquino nos forneceu uma série de elementos que nos coloca diante da Teologia Natural, sendo ela o início da maneira com a qual o conhecimento do ser humano inicia sua busca pela obtenção do conhecimento da causa primeira das coisas e isso só é possível, quando lembramos que o nosso conhecimento de Deus se dá por meio dos sentidos, nos fenômenos que podemos observar na natureza. Não podemos esquecer que o caminho aqui percorrido, a fé pressupõe o conhecimento natural assim como a graça pressupõe a natureza. [43]
Portanto, a razão dessas demonstrações não tem como objetivo doutrinar o ser humano a ser uma pessoa religiosa, mas levar a acreditar que existe a possibilidade de se obter um conhecimento sobre Deus através da capacidade racional do ser humano.
Notas
[1] Licenciado em Química pela Universidade Federal do Ceará e Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA). Especialista em Estudos Bíblicos no Novo e Antigo Testamento e Mestrando em Teologia Sistemática pelo Seminário Teológico Jonathan Edwards. E-mail: pr.silvaluan@gmail.com
[2] Ferreira, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Filosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 2.
[3] idem, p. 3
[4] Marques, José da Cruz Lopes. As verdades da razão e as verdades da fé em Tomás de Aquino. Piauí. Pensando - Revista de Filosofia. UFPI, v. 9, n. 18, 2018.
[5] Novaes, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, p. 106.
[6] Nos dados biográficos de Tomás e na cronologia de suas obras seguimos: Luiz Jean Lauand. Cronologia e Tomás de Aquino: vida e pensamento-estudo introdutório geral (e à questão “sobre o verbo”). In: Verdade e Conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. XV-XVIII; 1-80. Uma observação que se faz necessário a respeito da data de nascimento de Tomás, é que não se sabe exatamente o ano em que o mesmo nasceu.
[7] Frezzato, Anderson. p. 48
[8] OLIVEIRA, Teresinha. Origem e memória das universidades medievais. A preservação de uma instituição educacional. In: Revista Varia História. Belo Horizonte. vol. 23, n. 37, p. 113-129, jan-jul, 2007.
[9] Frezzato, Anderson. p. 47
[10] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. pág. 20
[11] Idem. pág. 21. Na época havia uma forte necessidade apologética.
[12] Cavalcante, Tatyana Murer; Oliveira, Teresinha. Intenção educacional da ética de Tomás de Aquino no contexto citadino no século XIII. In: Educação em Revista. vol.28 no.2 Belo Horizonte jun. 2012.
[13] Coutinho, Jorge. Elementos de História da Filosofia Medieval. Braga: Universidade Católica Portuguesa, 2016.
[14] Lima Vaz, Henrique Cláudio. Fisionomia do Século XIII. In: LIMA VAZ, Henrique Cláudio. Escritos de Filosofia: problemas de fronteiras. São Paulo: Loyola, 1986, p. 11-33.
[15] Frezzato, pág.47
[16] Novaes, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, pp. 102-120.
[17] Izídio, Camila de Souza. “A demonstração da existência de Deus através do conhecimento sensível de Tomás de Aquino.” Philosophy Eletronic Journal, vol. 10, no. 1, 2013, pág. 35.
[18] Campos, Sávio Laet de Barros. pág. 24
[19] Tomás de Aquino. Suma Teológica. I, 1, 9, C: “Ora, é natural ao homem elevar-se ao inteligível pelo sensível, porque todo o nosso conhecimento se origina a partir dos sentidos”; Idem. Suma Contra os Gentios I, XII, 8 (80): “[...] E, assim, a origem de nosso conhecimento, até mesmo das coisas que transcendem os sentidos, está nos sentidos”.
[20] Idem. Ibidem. I, 84, 3
[21] FREZZATO, Anderson. Prolegômenos da teologia natural em Tomás de Aquino: a possibilidade de um conhecimento racional de Deus. Griot : Revista de Filosofia, Amargosa – BA, v.21 n.2, p.49. junho, 2021.
[22] Idem. Ibidem. I. 2, 3, C: “Nossos sentidos nos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem”; Tomás de Aquino. Suma Contra os Gentios. IV, LXII, 8 (3994): “[...] ‘ O sentido não se engana quanto aos seus sensíveis’ (III a Alma 6, 430b; Cmt 11, 762) [...]”.
[23] Idem. Suma Teológica. I, 84, 2, C: “[...] Daí que o intelecto abstrai a espécie, não só da matéria, mas também das condições singulares e materiais, conhece mais perfeitamente do que os sentidos, que recebem a forma da coisa conhecida sem matéria, é verdade, mas com as condições materiais”.
[24] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. p.30
[25] Suma Contra os Gentios. I, III, 2(14)
[26] Idem. Ibidem: “Outras são aquelas as quais a razão pode admitir [...]”.
[27] Idem. Ibidem. I, III, 2(14): “Algumas são verdades referentes a Deus e que excedem toda capacidade da razão humana [...]”.
[28] Idem. Ibidem. IV, I, 5(3343): “[...] o segundo, enquanto a verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela revelação, não para ser vista como por demonstração, mas para ser crida como pronunciada por palavras [...]”.
[29] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. p.31
[30] Idem. Ibidem. I, IV, 3(23): “[...] o grau supremo do conhecimento humano, que consiste no conhecimento de Deus.”
[31] Idem. Ibidem: “Conclui-se, pois, do que dissemos, que por mais imperfeito que seja o nosso conhecimento das coisas sutilíssimas, ele traz para a alma a máxima perfeição.”
[32] Idem. Ibidem I, VII, 3(44): “Ora, o conhecimento dos princípios naturalmente evidentes é infundido em nós por Deus, pois Deus é o autor da natureza”.
[33] Idem. Ibidem. I, II, 4(12): “Além disso, ao investigarmos uma verdade, juntamente mostraremos os erros por ela excluídos e como a verdade racional concorda com a fé e a religião cristã.”
[34] Idem. Ibidem. I, 2, 2, ad 1
[35] Ferreira, Anderson D´Arc. O movimento do intelecto em direção à Deus. Alagoas: Revista Crítica Histórica. UFAL. Ano 4. n.7. julho. 2013. p.245
[36] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. p.42
[37] Ferreira, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Fílosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 12.
[38] Cf. Suma Teológica I, q.2, a.3, respondeo, p. 166-169.
[39] Ferreira, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Fílosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 12.
[40] Batista, Gustavo Araújo. “O pensamento educacional de Santo Tomás de Aquino como consequência de sua teologia e de sua filosofia.” Educação Unisinos, vol. 14, no. 2, 2010, pp. 82-96.
[41] Novaes, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, p. 117.
[42] Michon, Cryelle. “Tomás de Aquino. In: PRADEU, Jean-François. História da Filosofia.” Petrópolis: Vozes; Rio de Janeiro: PUC, 2011, pp. 163-167.
[43] Cf. Suma Teológica I, q.2, a.2, ad 1.
[1] Licenciado em Química pela Universidade Federal do Ceará e Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA). Especialista em Estudos Bíblicos no Novo e Antigo Testamento e Mestrando em Teologia Sistemática pelo Seminário Teológico Jonathan Edwards. E-mail: pr.silvaluan@gmail.com
[2] Ferreira, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Filosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 2.
[3] idem, p. 3
[4] Marques, José da Cruz Lopes. As verdades da razão e as verdades da fé em Tomás de Aquino. Piauí. Pensando - Revista de Filosofia. UFPI, v. 9, n. 18, 2018.
[5] Novaes, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, p. 106.
[6] Nos dados biográficos de Tomás e na cronologia de suas obras seguimos: Luiz Jean Lauand. Cronologia e Tomás de Aquino: vida e pensamento-estudo introdutório geral (e à questão “sobre o verbo”). In: Verdade e Conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. XV-XVIII; 1-80. Uma observação que se faz necessário a respeito da data de nascimento de Tomás, é que não se sabe exatamente o ano em que o mesmo nasceu.
[7] Frezzato, Anderson. p. 48
[8] OLIVEIRA, Teresinha. Origem e memória das universidades medievais. A preservação de uma instituição educacional. In: Revista Varia História. Belo Horizonte. vol. 23, n. 37, p. 113-129, jan-jul, 2007.
[9] Frezzato, Anderson. p. 47
[10] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. pág. 20
[11] Idem. pág. 21. Na época havia uma forte necessidade apologética.
[12] Cavalcante, Tatyana Murer; Oliveira, Teresinha. Intenção educacional da ética de Tomás de Aquino no contexto citadino no século XIII. In: Educação em Revista. vol.28 no.2 Belo Horizonte jun. 2012.
[13] Coutinho, Jorge. Elementos de História da Filosofia Medieval. Braga: Universidade Católica Portuguesa, 2016.
[14] Lima Vaz, Henrique Cláudio. Fisionomia do Século XIII. In: LIMA VAZ, Henrique Cláudio. Escritos de Filosofia: problemas de fronteiras. São Paulo: Loyola, 1986, p. 11-33.
[15] Frezzato, pág.47
[16] Novaes, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, pp. 102-120.
[17] Izídio, Camila de Souza. “A demonstração da existência de Deus através do conhecimento sensível de Tomás de Aquino.” Philosophy Eletronic Journal, vol. 10, no. 1, 2013, pág. 35.
[18] Campos, Sávio Laet de Barros. pág. 24
[19] Tomás de Aquino. Suma Teológica. I, 1, 9, C: “Ora, é natural ao homem elevar-se ao inteligível pelo sensível, porque todo o nosso conhecimento se origina a partir dos sentidos”; Idem. Suma Contra os Gentios I, XII, 8 (80): “[...] E, assim, a origem de nosso conhecimento, até mesmo das coisas que transcendem os sentidos, está nos sentidos”.
[20] Idem. Ibidem. I, 84, 3
[21] FREZZATO, Anderson. Prolegômenos da teologia natural em Tomás de Aquino: a possibilidade de um conhecimento racional de Deus. Griot : Revista de Filosofia, Amargosa – BA, v.21 n.2, p.49. junho, 2021.
[22] Idem. Ibidem. I. 2, 3, C: “Nossos sentidos nos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem”; Tomás de Aquino. Suma Contra os Gentios. IV, LXII, 8 (3994): “[...] ‘ O sentido não se engana quanto aos seus sensíveis’ (III a Alma 6, 430b; Cmt 11, 762) [...]”.
[23] Idem. Suma Teológica. I, 84, 2, C: “[...] Daí que o intelecto abstrai a espécie, não só da matéria, mas também das condições singulares e materiais, conhece mais perfeitamente do que os sentidos, que recebem a forma da coisa conhecida sem matéria, é verdade, mas com as condições materiais”.
[24] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. p.30
[25] Suma Contra os Gentios. I, III, 2(14)
[26] Idem. Ibidem: “Outras são aquelas as quais a razão pode admitir [...]”.
[27] Idem. Ibidem. I, III, 2(14): “Algumas são verdades referentes a Deus e que excedem toda capacidade da razão humana [...]”.
[28] Idem. Ibidem. IV, I, 5(3343): “[...] o segundo, enquanto a verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela revelação, não para ser vista como por demonstração, mas para ser crida como pronunciada por palavras [...]”.
[29] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. p.31
[30] Idem. Ibidem. I, IV, 3(23): “[...] o grau supremo do conhecimento humano, que consiste no conhecimento de Deus.”
[31] Idem. Ibidem: “Conclui-se, pois, do que dissemos, que por mais imperfeito que seja o nosso conhecimento das coisas sutilíssimas, ele traz para a alma a máxima perfeição.”
[32] Idem. Ibidem I, VII, 3(44): “Ora, o conhecimento dos princípios naturalmente evidentes é infundido em nós por Deus, pois Deus é o autor da natureza”.
[33] Idem. Ibidem. I, II, 4(12): “Além disso, ao investigarmos uma verdade, juntamente mostraremos os erros por ela excluídos e como a verdade racional concorda com a fé e a religião cristã.”
[34] Idem. Ibidem. I, 2, 2, ad 1
[35] Ferreira, Anderson D´Arc. O movimento do intelecto em direção à Deus. Alagoas: Revista Crítica Histórica. UFAL. Ano 4. n.7. julho. 2013. p.245
[36] Campos, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016. p.42
[37] Ferreira, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Fílosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 12.
[38] Cf. Suma Teológica I, q.2, a.3, respondeo, p. 166-169.
[39] Ferreira, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Fílosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 12.
[40] Batista, Gustavo Araújo. “O pensamento educacional de Santo Tomás de Aquino como consequência de sua teologia e de sua filosofia.” Educação Unisinos, vol. 14, no. 2, 2010, pp. 82-96.
[41] Novaes, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, p. 117.
[42] Michon, Cryelle. “Tomás de Aquino. In: PRADEU, Jean-François. História da Filosofia.” Petrópolis: Vozes; Rio de Janeiro: PUC, 2011, pp. 163-167.
[43] Cf. Suma Teológica I, q.2, a.2, ad 1.
Referências
AQUINO, Tomás de. Suma Theologica. 4. ed. Trad. Alexandre Correia. Campinas: Ecclesiae, 2016.
AQUINO, Tomás de. Suma contra os Gentios. Trad. De Odilão de Souza. Caxias do Sul: Sulinas, 1990.
BATISTA, Gustavo Araújo. “O pensamento educacional de Santo Tomás de Aquino como consequência de sua teologia e de sua filosofia.” Educação Unisinos, vol. 14, no. 2, 2010, pp. 82-96.
CAMPOS, Sávio Laet de Barros. As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino. 1 ed., vol. 1, Porto Alegre, RS, Editora Fi, 2016.
CAVALCANTE, Tatyana Murer, and Teresinha Oliveira. “Intenção educacional da ética de Tomás de Aquino no contexto citadino no século XIII.” Educação em Revista, vol. 28, no. 2, 2012, pp. 1-12.
COUTINHO, Jorge. Elementos de história da filosofia medieval. Axioma - Publicações da Faculdade de Filosofia, 2016.
FERREIRA, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Fílosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 17.
FERREIRA, Anderson D´Arc. “O movimento do intelecto em direção à Deus.” Alagoas: Revista Crítica Histórica. UFAL, vol. 4, no. 7, 2013.
FREZZATO, Anderson. “Prolegômenos da Teologia Natural em Tomás de Aquino: A possibilidade de um conhecimento racional de Deus.” Revista de Filosofia, vol. 21, no. 2, 2021, pp. 46-59.
IZÍDIO, Camila de Souza. “A demonstração da existência de Deus através do conhecimento sensível de Tomás de Aquino.” Philosophy Eletronic Journal, vol. 10, no. 1, 2013, pp. 34-43.
LIMA VAZ, Henrique Cláudio. “Fisionomia do Século XIII.” Escritos de Filosofia: problemas de fronteiras, 1986, pp. 11-33.
MICHON, Cryelle. “Tomás de Aquino. In: PRADEU, Jean-François. História da Filosofia.” Petrópolis: Vozes; Rio de Janeiro: PUC, 2011, pp. 163-167.
NOVAES, Edmarcius Carvalho. “Tomás de Aquino e as razões para crer na existência de Deus.” Artífices, vol. 2, no. 2, 2021, pp. 102-120.
AQUINO, Tomás de. Suma Theologica. 4. ed. Trad. Alexandre Correia. Campinas: Ecclesiae, 2016.
AQUINO, Tomás de. Suma contra os Gentios. Trad. De Odilão de Souza. Caxias do Sul: Sulinas, 1990.
BATISTA, Gustavo Araújo. “O pensamento educacional de Santo Tomás de Aquino como consequência de sua teologia e de sua filosofia.” Educação Unisinos, vol. 14, no. 2, 2010, pp. 82-96.
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CAVALCANTE, Tatyana Murer, and Teresinha Oliveira. “Intenção educacional da ética de Tomás de Aquino no contexto citadino no século XIII.” Educação em Revista, vol. 28, no. 2, 2012, pp. 1-12.
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FERREIRA, Anderson D'Arc. “Da “Teologia Natural” ao desejo do intelecto de conhecer a Deus: o projeto de Tomás de Aquino.” Ágora Fílosófica, vol. 1, no. 1, 2007, p. 17.
FERREIRA, Anderson D´Arc. “O movimento do intelecto em direção à Deus.” Alagoas: Revista Crítica Histórica. UFAL, vol. 4, no. 7, 2013.
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