Pequenas igrejas, grandes negócios: ideias sobre as ideias do neopentecostalismo

Pequenas igrejas, grandes negócios: ideias sobre as ideias do neopentecostalismo

Luís Fernando de Souza Alves[1]; Isaias Lobão Pereira Junior[2]; André Luiz Mendes Athayde[3]

Resumo

Resumo: O neopentecostalismo, apesar de ser um movimento grande em tamanho e patrimônio, é pequeno teologicamente. Exageros e empréstimos são usados para a construção desse império, apresentando um Satanás mais poderoso que Deus. Crenças em práticas mágicas, milagrosas e sincréticas são frequentes. Esse movimento tem como características as verdades distorcidas, batalhas espirituais exageradas, triunfalismo e uso inadequado da Bíblia. A conduta desse grupo é como a de um camaleão e sua adaptação constante ao meio e situação.

Palavras-chave: Neopentecostalismo. Política. Moda. Religião. Indulgências.

Abstract: Neo-Pentecostalism, despite being a large movement in size and assets, is small theologically. Exaggerations and borrowings are used to build this empire, presenting a Satan more powerful than God. Beliefs in magical, miraculous and syncretic practices are frequent. This movement is characterized by distorted truths, exaggerated spiritual battles, triumphalism and inadequate use of the Bible. The behavior of this group is like that of a chameleon and its constant adaptation to the environment and situation.

Keywords: Neo-Pentecostalism. Politics. Fashion. Religion. Indulgences.

Resumo: O neopentecostalismo, apesar de ser um movimento grande em tamanho e patrimônio, é pequeno teologicamente. Exageros e empréstimos são usados para a construção desse império, apresentando um Satanás mais poderoso que Deus. Crenças em práticas mágicas, milagrosas e sincréticas são frequentes. Esse movimento tem como características as verdades distorcidas, batalhas espirituais exageradas, triunfalismo e uso inadequado da Bíblia. A conduta desse grupo é como a de um camaleão e sua adaptação constante ao meio e situação.

Palavras-chave: Neopentecostalismo. Política. Moda. Religião. Indulgências.

Abstract: Neo-Pentecostalism, despite being a large movement in size and assets, is small theologically. Exaggerations and borrowings are used to build this empire, presenting a Satan more powerful than God. Beliefs in magical, miraculous and syncretic practices are frequent. This movement is characterized by distorted truths, exaggerated spiritual battles, triumphalism and inadequate use of the Bible. The behavior of this group is like that of a chameleon and its constant adaptation to the environment and situation.

Keywords: Neo-Pentecostalism. Politics. Fashion. Religion. Indulgences.

Artigo

1. Introdução

São sempre variações do mesmo tema

Meras repetições

[...]

A extravagância vem de todos os lados

[...]

Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados

[...]

Reconstruindo o que Jesus derrubou

Recosturando o véu que a cruz já rasgou

Ressuscitando a lei pisando na graça

Negociando com Deus

[...]

Estão distantes do trono, caçadores de deus

(É proibido pensar, 2007)

– João Alexandre

Diante da igreja lotada, o dirigente sobe à plataforma com uma roupa branca, bem parecida com os trajes utilizados pelos líderes das religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé. A reunião começa após uma dita oração forte, a qual é recheada de palavras de ordem, com o objetivo de repreender Satanás e demônios. Cânticos são entoados, testemunhos proferidos e a reunião termina com uma peregrinação ao dito altar para entrega de dízimos e ofertas. Tudo isso acompanhado por milhares de pessoas, ao vivo, pela TV, internet e rádio. Tal descrição de um ajuntamento neopentecostal chega a ser simples diante das extravagâncias e exageros que vem à tona oriundos do meio.

Com este artigo, nosso objetivo é discutir sobre práticas neopentecostais e como muitas delas constituem uma ressurreição, adaptação e, para usar a canção de João Alexandre, meras repetições e variações de temas e práticas do meio católico romano e de religiões afro-brasileiras, distanciando-se, assim, das verdadeiras verdades bíblicas, apesar de usarem a Bíblia, o que acaba trazendo desgraça, não graça (como diz o nome da Igreja Internacional da Graça de Deus) sobre a vida dos fiéis. Quando intitulamos este artigo com os termos pequenas igrejas, temos em vista que essas igrejas são pequenas naquilo que seus líderes chamam de teologia.[4]

2. Religião do exagero

Entre as práticas estranhas, é possível começar mencionando o falecido David Miranda, fundador da denominada Igreja Deus é amor. Tal líder tinha costume de usar um jaleco branco nos ajuntamentos religiosos. Eis aí o diferencial da figura do curador, cacique ou xamã contemporâneo. Tal empresa passou a realizar, a partir da década de 1990, cultos para prosperidade, tendo sido bem conhecida por sua voracidade na coleta de dízimos, algo que reforça o argumento de que as ondas do movimento pentecostal já não preservam suas respectivas características uniformes há um bom tempo.[5]

Quanto à sede mundial da Deus é amor, há registros de membros que faltaram com o dízimo não poderem participar da ceia, a qual, por sua vez, qualificá-los-ia para a salvação. Para participar da ceia, o membro teria que apresentar a obreiros o cartão de dízimo carimbado, comprovando o pagamento (Mariano, 2005). São as novas indulgências. Lutero ficaria horrorizado com esse novo romanismo, já que, considerando Romanos 3.28 (“[...] o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”), concluiu que humanos, corrompidos por conta do pecado original, só podem ser salvos pela fé. Suas famosas teses parecem até que foram escritas para o meio neopentecostal:

21. Assim, esses pregadores de indulgência estão em erro quando dizem que um homem é absolvido de toda penalidade e salvo pelas indulgências papais [...] 27. Eles pregam apenas doutrinas humanas que dizem que assim que o dinheiro tilinta [soa] no baú, a alma voa para fora do purgatório [...] 45. Os cristãos devem ser ensinados que quem vê um homem necessitado e passa por ele, mas dá seu dinheiro para indulgências, não compra indulgências papais, mas a ira de Deus (Luther, 1957, 31:27, 28, 29, nossa tradução)

O neopentecostalismo é conhecido por ter forte ênfase no diabo e na guerra espiritual contra demônios. Outras características incluem a militância agressiva e a crença de que a palavra humana, ligada à fé, faz as coisas acontecerem, sendo que esta última marca foi importada dos Estados Unidos, tendo sido atribuída a Kenneth Hagin (1992; 1996; 2000), pai da teologia da prosperidade, e difundida por literatura. Além disso, há casos em que as instituições neopentecostais tendem a ser bastante tolerantes para com comportamentos profanos de alguns fiéis (Jungblut, 1992; Azevedo Jr., 1994; Mariano, 2005).

“[...] A Universal tem uma visão de penetração da sociedade, um conceito arrojado de missão religiosa. Todo o império econômico (e força política) é funcional para a missão religiosa [...]”, segundo Freston (1993, p. 103). Na verdade, o oposto é verdadeiro: a missão religiosa é usada para movimentar um império econômico e político. Exemplo do jogo político, por parte de movimentos neopentecostais brasileiros, é visto na promoção e apego a certas figuras da política brasileira. Neopentecostais tendem a se alinhar politicamente com aqueles que podem beneficiá-los.

Um exemplo bem fresco na mente do leitor é a pressão sobre o governo a fim de que fosse incentivado o perdão de uma dívida bilionária para igrejas, das quais as maiores beneficiadas são as empresas neopentecostais. Um dos grandes envolvidos nesse jogo político foi o deputado David Soares, filho de Romildo Soares, mais conhecido como R. R. Soares, que se intitula como missionário, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus (cf. Brasil, 2020; Militão, 2021).

Outra marca bem conhecida dos líderes neopentecostais que destacamos é o ter uma palavra para quase tudo. Nesse sentido, são uma espécie de oráculos de Delfos ativos (cf. Herodotus, 1998). Silas Malafaia, expoente na Igreja Assembleia de Deus, que jura ser um pentecostal clássico e que nunca mudou sua teologia, tem apresentado, nos últimos anos, muitas tendências neopentecostais, de maneira que o classificamos mais como neopentecostal do que pentecostal clássico. Em um tweet de 28 de fevereiro de 2022, ele afirma que homens fracos produzem tempos difíceis; que Joe Biden, Justin Trudeau e Emmanuel Macron são esquerdopatas frouxos, os quais não têm poder de encarar o homem forte da Rússia (Vladimir Putin). Diante disso, ele afirma que tem saudades de Donald Trump e que o trio supramencionado é uma cambada de covardes (Malafaia, 2022).

A moda atual entre esses líderes religiosos tem sido sustentar uma pseudovisão conservadora de direita, sendo que, no Brasil, não há, no sentido clássico, uma direita genuína. Além disso, a moda está relacionada a oposições de extremos (cf. Hiebert, 2008), como ir contra à emissora de televisão Globo e o globalismo, como uma ordem que busca instaurar uma nova sociedade secreta, ordem esta que deve ser derrotada. Em resumo, a moda ditada atualmente é a de que tudo que cheira à esquerda deve ser perseguido. O problema de seguir a moda, com vistas a ser relevante e atrair alvos e consumidores para suas instituições, é que “[...] aquele que casa com a moda de hoje é o viúvo de amanhã [...]”, afirma William Ralph Inge (apud Marriot, 2018, p. 212, nossa tradução). É por isso que a busca neopentecostal é incessável. Eles sempre precisam de algo novo para continuarem mantendo o gado dentro do curral.

3. Mais uma história

Após uma semana em um seminário de batalha espiritual, um pastor aprendeu que deveria decretar Curitiba para Deus, identificar os limites da região e declarar que eles pertencem a Jesus. Se não fizesse assim, o diabo continuaria espalhando miséria e tendo direitos legais sobre vidas. Incomodado com isso, ele passa a orar e a jejuar. No terceiro dia do jejum, ele conta ter recebido uma revelação divina. Ciente de que leões urinam para demarcar território e impedir a invasão de outros, ele acreditou que precisava fazer o mesmo como leãozinho representante do leão da tribo de Judá.

Assim, ele convoca seus parceiros de ministério para saírem, na madrugada, urinando em pontos estratégicos da cidade. Beberam litros de água, porque, afinal de contas, Curitiba é uma cidade grande, e o comboio de carros percorreu quilômetros e fez muitas paradas (Gondim, 2006). Tal história é real e existem relatos semelhantes a esse, em se tratando de pensamento neopentecostal.

4. Religião de espetáculo

Grande parte do evangelicalismo se rendeu aos cânones da religiosidade popular brasileira. A característica principal da religiosidade popular brasileira é o sincretismo de elementos cristãos, principalmente romanistas, com elementos africanos e indígenas. Nota-se, cada vez mais, o afastamento das igrejas neopentecostais da tradição protestante (Bitun, 2007; Romeiro, 2005; Mariano, 2005).

O pensamento neopentecostal é conhecido por sua assimetria, dualismo e hierarquia. Há um exagero em uma guerra cósmica entre Deus e o diabo. O que acontece no mundo material, segundo os neopentecostais, é por conta da guerra travada entre bem e mal no mundo espiritual. É pelo domínio da criação que a guerra ocorre. O reino espiritual é considerado mais real que o material (Azevedo Jr., 1994). A exacerbação é tamanha que chega a transmitir a ideia de um diabo com poderes ilimitados.

R. R. Soares (1984) afirma que tudo está sujeito à ação demoníaca: futebol, política, artes e religião. Satanás, segundo ele, tem milhares de agências no mundo. O diabo se esconde por trás da religião, intelectualismo, poesia, arte, música, psicologia e entendimento humano. Nos centros de perdição, afirma, estão adegas, prostíbulos, casas de jogos de azar, bares onde indivíduos se embriagam, além de outras coisas que são agências diabólicas, as quais transtornam a vida das pessoas.

Ainda segundo Soares, o espiritismo não ensina seus adeptos a se afastarem de bebidas alcoólicas, fumo, prostituição e coisas do tipo, coisas estas que Satanás controla. Para ele, há pessoas tão envolvidas com o espiritismo que têm debaixo do controle dos espíritos até mesmo a alimentação e a vida sexual. Espíritos, afirma Soares, envolvem-se com tudo: cores de roupas, lugares por onde passear, tipos de carnes e comidas, dias de lazer, amizades, filmes, horário para andar nas ruas e maneira de tomar banho.

Já o seu parente, Edir Macedo (2021), sustenta que demônios perpetram todos os males que afligem pessoas, como doenças, misérias, desastres e problemas. Demônios são a principal causa de doenças e fazem o que querem com as pessoas, cuidando da maneira que elas vestem e dos casos amorosos que elas têm. Demônios agem segundo o modo de pensar, posição social e necessidades da pessoa. Tomando posse de mentes e corpos, levam muitos para o hospício, pois têm prazer na sua destruição. Seguidores de demônios só não são todos levados à loucura, afirma, porque faltaria quem espalhasse as suas doutrinas infernais.

Além disso, o Brasil seria mais desenvolvido se não desse crédito à feitiçaria, bruxaria e magia, oficializadas pela umbanda, quimbanda, candomblé e kardecismo. Nervosismo, dores de cabeça constantes, insônia, medo, desmaios ou ataques, desejo de suicídio, doenças cujas causas não são descobertas pelos médicos, visões de vultos ou audições de vozes, vícios e depressão, são sinais de possessão demoníaca, na visão de Macedo. Combater a macumba, exus, guias, pretos-velhos e orixás é um dos pilares neopentecostais. Medo da macumba, feitiçaria, magia negra e religiões afro-brasileiras são trabalhados no imaginário do povo para os próprios benefícios de líderes de corporações assim (Mariano, 2005).

A guerra santa medieval é ressuscitada para destruir a concorrência dos considerados infiéis e hereges. Exageros são propalados, tudo vale por causa da disputa por fiéis. Trata-se do monopólio da salvação. Aí entra o uso de símbolos sagrados: quem tiver o melhor produto para vender vence. O vencedor tem a verdade que conduz à salvação (criada pelos neopentecostais). Religiões espíritas, afro-brasileiras e orientais, segundo Macedo (2021), são estúpidas, idolátricas e imundas; prostitutas, homossexuais e lésbicas sempre são possuídos por pombas-gira, marias-molambo e outras entidades; pessoas viciadas em tóxicos, bebidas alcoólicas, cigarro ou jogo são possuídas por zé-pelintras, responsáveis por essas ações; sendo que desenvolver-se no espiritismo significa se tornar totalmente submisso a demônios.

Por conta de um discurso com tal teor, não demoraram surgir, na imprensa, delegacias e justiça, relatos de destruição de patrimônios e agressão física a adeptos de religiões a serem derrotadas. Mesmo atacando seus oponentes, o movimento neopentecostal incorpora seus elementos (Oro, 2005; 2006; Mariano, 2005). A identificação de demônios por nomes e qualidades serve para implementar o show, espetáculo e atuação. Vale lembrar que, na Bíblia, não vemos Jesus entrevistando demônios, à semelhança de neopentecostais.

Para exemplificarmos a assimilação neopentecostal, mencionamos, aqui, a sexta feira, reservada para expulsão de demônios, que é um dia conhecido na Umbanda como sendo das giras de Exu, as quais, geralmente, ocorrem à noite. O horário da meia-noite de sexta para sábado é geralmente tido como hora em que Exus se manifestam e trabalham (Mariano, 2005). Além disso, a visão neopentecostal sobre batalha espiritual tem como ponto de partida uma cosmovisão tribal tradicional, enfatizando a questão territorial e confrontos de poder (cf. Lopes, 2001), daí a ideia mencionada anteriormente sobre jogar urina em pontos estratégicos da cidade.

Assim, Satanás é visto como tendo autoridade sobre a terra, a qual ele delega à sua hierarquia demoníaca. A crença em espíritos territoriais e que controlam os indivíduos faz com que pessoas venham a ser vítimas infelizes de guerras cósmicas entre deuses. Trata-se de um pensamento que, em vez de trazer refrigério à alma, traz perturbação e alimenta a superstição, o que acaba por gerar um ciclo vicioso (Hiebert, 2000). Assim, o pensamento neopentecostal colabora na tarefa de escravizar pessoas para o império econômico de líderes da estirpe.

Crer em espíritos malignos que governam territórios é negar a obra da cruz. Satanás está derrotado (“[...] Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” – Mt 28.18). A única autoridade que ele tem é aquela conferida a ele por seus seguidores, homens e demônios. Cristãos não devem identificar Satanás e seus seguidores com territórios que devem ser exorcizados. Fazer isso é introduzir crenças animistas na cosmovisão cristã. Tal visão de espíritos territoriais não tem justificativa bíblica (Lowe, 1998; Lopes, 2001; Hiebert, 2000).

Além disso, a batalha cósmica entre Deus e Satanás não é de poder como comumente ocorre no meio neopentecostal. Ela diz respeito ao estabelecimento do reino de Deus na terra e céus. Vale lembrar que Satanás não está em pé de igualdade com Deus. Para utilizar o pensamento de Lutero, o diabo é o diabo de Deus, semelhante a um cachorro em uma coleira: “Deus realmente usa o diabo para nos afligir e matar. Mas o diabo não pode fazer isso se Deus não quer que o pecado seja punido desta forma [...]” (Luther, 1956, 13:97, nossa tradução; cf. Althaus, 1966, p. 165-166).

Isso não significa que Deus é responsável pelo pecado ou que Ele peca. Uma ilustração de Calvino é oportuna aqui: “[...] donde provém o mal cheiro em um cadáver que, pelo calor do sol, não só se fez putrefato, mas até já entrou em decomposição? Todos veem que isso é provocado pelos raios do sol; contudo, ninguém por isso diz que eles cheiram mal [...]” (Calvino, 2006, I.17.5). Desgraças e doenças são frutos do pecado, ocorrem por conta do estado humano decaído, sendo até parte do julgamento pelo pecado. A maior barreira para as pessoas virem a Cristo não é a atividade demoníaca, mas o coração endurecido pelo pecado.

Os efeitos disso são percebidos nos frutos das mãos humanas, nos sistemas culturais, religiosos e sociais, que são manchados pelo pecado. Por conta do pecado, indivíduos acabam adorando a si mesmos, em vez de adorarem o criador (Rm 1.21-25). “[...] A cada dia, de certa maneira, acreditamos nas mentiras da autonomia e da autossuficiência, adorando a criação em vez de seu criador” (Tripp, 2012, p. 52). “O coração humano não é só [...] uma perpétua fábrica de ídolos” (Calvino, 2006, I.11.8). Pessoas também são “[...] compradoras de ídolos e vendedoras de ídolos” (Powlison, 1996, p. 81). Sendo assim, a busca do coração só encontrará verdadeira paz em Deus, conforme afirma Agostinho: “[...] fizeste-no para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti [...]” (Agostinho, 1997, p. 19).

5. Com desordem e indecência

“Exagerado

Jogado aos teus pés, eu sou mesmo exagerado”

(Exagerado, 1985)

– Cazuza

Eu tinha, desde pequena, prisão de ventre. Eu ficava vinte dias sem saber o que era sentar num vaso sanitário e dar uma bela de uma cagada. Ao fundo, é possível notar as risadas das pessoas dentro de uma referida Igreja Mundial do Poder de Deus. A idosa, entrevistada em momento de culto público por um referido bispo, conta que sentava no vaso por horas e ficava indagando a Deus: por que todo mundo caga, menos eu? Segundo ela, mesmo tomando laxantes, não adiantava. Assim, ela participou de uma campanha. Ali, ela conta que pegou um travesseirinho ungido que a dita igreja oferecia e dormiu com ele amarrado sobre a barriga, a qual, segundo ela, era enorme.

Quando foi de madrugada, eu me levantei com uma caganeira. Eu saí correndo de dentro da rede. Valha-me nossa senhora! Ainda bem que eu moro perto do banheiro. Então, o referido bispo declara: para a glória de Jesus! O público, por sua vez, como um circo religioso, começa a bater palmas. Exageros e expressões exageradas são qualificativos que representam bem o neopentecostalismo. Para aproveitar as palavras de Cazuza, tal movimento é mesmo exagerado. No exemplo acima, o qual é apenas um de muitos outros bizarros do meio neopentecostal, é possível notar práticas com objetos considerados sagrados e discursos não bíblicos. A escritura como princípio normativo do culto é desprezada (cf. Anglada, 2000).[6]

6. Vendo para crer

Apesar de tomarem elementos de religiões afro-brasileiras e do romanismo, movimentos neopentecostais fazem oposição a tais religiosidades, manifestando pouca inclinação à tolerância e ecumenismo. Estimulam a expressão das emoções, usam meios de comunicação, valorizam rituais de cura e exorcismo, sendo boa parte disso estruturado em torno de um eixo empresarial, com o uso de marketing para obter dinheiro de fiéis, ao colocarem, no mercado religioso, os serviços e bens simbólicos que podem ser adquiridos por meio de pagamento (geralmente identificado como dízimo e/ou oferta) (Oro, 1993).

Práticas supostamente mágicas e/ou milagrosas similares às da umbanda e benzedeiras do romanismo são mais comuns do que se pode imaginar. A criatividade é enorme: o pastor que fala do copo de água sobre a televisão, algo que vem ficando cada vez mais difícil de ser praticado, por conta de as televisões se tornarem cada vez mais finas; pegar o sabão abençoado para lavar a roupa de uma pessoa internada por conta da ação de exus; o chá de rosas para banhar a perna que estava prestes a ser amputada; a carta do líder debaixo do travesseiro, durante sete dias, que trouxe a cura da epilepsia; e os aleijados que fazem uma cena, dando alguns passos, antes de andarem.

Neste último caso, por exemplo, o suposto milagre é algo bem diferente de quando Jesus curou um paralítico, em que as palavras gregas do texto indicam a instantaneidade da cura do indivíduo, que estava há muito tempo com músculos atrofiados e ossos enfraquecidos (Lc 5.17-26). Esses são apenas alguns dos muitos absurdos já vistos no meio (cf. MacArthur, 2011; 2014; 2015; Mariano, 2005). Símbolos, pontos de contato e experiências têm lugar elevado na hermenêutica neopentecostal.

Exemplos incluem o uso de enxofre, óleo ungido, rosa ungida, fogueira santa de Israel, sal grosso, tapete ungido e a hora da virada. Frequentemente, itens são vendidos pela instituição, para arrancar dinheiro de todos os lados e jeitos. A respeito dos pontos de contato, Macedo (2001) afirma que eles são elementos para despertar a fé dos indivíduos para que tenham acesso a uma resposta diante de Deus para os seus anseios.

A prática de alegorias é forte no meio neopentecostal. Pelo proceder dos indivíduos desse meio, percebe-se que não fazem diferença entre normativo e descritivo. A título de curiosidade, vale mencionar que a tão conhecida “prece do copo d’água tão utilizada hoje em dia, tanto pelos evangélicos como pelos católicos carismáticos” foi criada pela Legião da Boa Vontade, movimento religioso que “prega um ecumenismo irrestrito, juntando em seu sistema de crenças elementos de diferentes religiões” (Guerriero, 2006, p. 122). Para sustentar o uso dos objetos, é feita uma leitura existencial e biográfica, com os personagens bíblicos sendo exemplos normativos, além de os textos serem usados fora de contexto e sem princípios hermenêuticos lícitos e válidos (Fee; Stuart, 2011; Cardoso, 2010).

Malabarismos criativos são feitos para sustentar que objetos servem para curar ou mediar a cura, libertar, prosperar e resolver problemas de todos os tipos. É a compra de relíquias do período medieval voltando à tona. É a religiosidade encontrada entre a população, que longe das cátedras dos teólogos e documentos oficiais, constrói sua fé a partir de sua realidade e com o objetivo maior de lucro financeiro. Augustus Nicodemus (Lopes, 2001), após analisar vários textos classicamente usados no meio neopentecostal, afirma que não há base bíblica para ungir e abençoar objetos para que eles transmitam alguma medida de poder divino.

Deus revela, na escritura, seus caminhos e meios de agir, para que seus filhos não sejam iludidos pelo erro religioso. Aquele que tem a Bíblia como regra de prática e critério para discernir a verdade do erro, consequentemente rejeitará a ideia de que há poder especial no uso de objetos, ou que eles repassam alguma bênção ao seu portador. Não há como justificar a prática de ungir e abençoar objetos, quaisquer que forem os propósitos. Biblicamente, objetos usados e consagrados a demônios não têm poder especial de amaldiçoar alguém. O culto cristão, diferente do paganismo, é conhecido por ser simples, sendo “[...] feito com decência e ordem” (I Co 14.40)..

Não são os objetos que libertam, medeiam algo ou têm algum poder. O cristão realmente consciente da verdade tem sua segurança e proteção no poder do seu salvador. “[...] Sabedoria fora de Cristo é insensatez que condena; retidão fora de Cristo é culpa e condenação; santificação fora de Cristo é imundícia e pecado; redenção fora de Cristo é servidão e escravidão [...]”, afirma Robert Traill (1810, p. 234, nossa tradução). Assim, é necessário reccorer não a objetos e superficialidades. É necessário algo maior e mais profundo, correr para Cristo, assim como diz um belo e antigo hino:

ROCHA

[...]

Nada em minhas mãos eu trago;

Somente à tua cruz eu me agarro:

Nu, fujo a ti para vestir-me;

Desamparado, olho para ti para obter graça;

Imundo, eu para a fonte corro;

Lava-me, salvador, ou eu morro!

[...] (Free, 1867, p. 154-155, nossa tradução)

7. Palhaçada e marketing

Conta-se que um pregador ficou há um bom tempo em uma igreja, e os cultos não ficavam cheios. A certa altura, chegou na cidade um circo. Notando que o circo ficava lotado, em todos os seus espetáculos, o pregador, intrigado, vai até o palhaço e diz: já tem tempo que estou aqui na cidade, pregando a verdade, e as pessoas não vêm, a igreja não fica cheia, e você, mal chegou na cidade, em pouco tempo conseguiu atrair muitas pessoas e encher o circo. Diante disso, o palhaço diz: a questão é que você, ó pregador, fala a verdade como se fosse uma mentira, enquanto eu falo a mentira como se ela fosse verdade.

A seguir, ironicamente e no formato de instruções, apresentar-se-ão práticas neopentecostais que marcam igrejas e pregadores dessa linha dita evangélica.

8. Algumas instruções do manual neopentecostal de sobrevivência e controvérsias

a) Fale mentiras como se elas fossem verdades. Robson Rodovalho, por exemplo, fundador da Sara Nossa Terra, em uma mensagem que não está mais presente no site da referida igreja, afirma:

O inimigo respeita quando você levanta a sua mão e diz: ‘Hei! Você não vai trazer maldição pra [sic] minha vida não! Você está pensando que vai trazer doenças hereditárias? Em nome de Jesus, pega a sua bagagem e vai embora!’. Assim, o inimigo te respeita. Por quê? Ele viu o sinal da coroa, o memorial na sua vida! Exerça sua autoridade de coroa. Não abaixe a sua cabeça, não! (Rodovalho, 2010).

Em seus discursos, líderes assim são como o palhaço, colocam tanta convicção e firmeza nas palavras que acabam convencendo e influenciando massas. Exemplo desse tipo de discurso, com um toque mais ofensivo, é visto na figura de Silas Malafaia, que nega ser neopentecostal. Em um tweet, de 10 de janeiro de 2022, ele afirma: “Vacinar crianças [contra o coronavírus] é um verdadeiro infanticídio [...]” (Malafaia, 2022). Após pressão das redes, o tweet foi deletado pelo Twitter.

b) Exagere bastante ao falar de batalha espiritual. C. S. Lewis, em um de seus clássicos, Cartas de um diabo a seu aprendiz, logo no começo, afirma:

Há dois erros semelhantes, mas opostos que os seres humanos podem cometer quanto aos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo e pouco saudável por eles. Os próprios demônios ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros, e saúdam o materialista e o mago com a mesma alegria [...] (Lewis, 2011, ix).

O meio neopentecostal tem interesse exagerado em demônios. Em muitas instituições, o diabo ocupa uma posição de maior evidência do que a pessoa de Deus. Eles enfatizam a libertação, a batalha espiritual e os espíritos territoriais. Não há preocupação com temas clássicos da teologia, como justificação, eleição, depravação humana e graça irresistível. Líderes de tal meio usam tais ênfases para demonstrarem um suposto poder espiritual, de maneira que o crédito venha a ser dado a eles e, assim, consigam obter o tão almejado lucro financeiro (cf. Macedo, 2001; 2021; Soares, 1984; Bitun, 2007; Romeiro, 2005; Oro, 1993; 2005-2006; Mariano, 2005).

c) Decrete, tenha fé, não duvide (e outros). “Uma das propostas principais da maioria de seus pregadores é banir da vida humana a doença, a pobreza e todo tipo de sofrimento [...]” (Romeiro, 2005, p. 88). Não são raros os casos de fiéis que vão a óbito por conta de instruções de líderes que pregam que, se a pessoa não foi curada, é porque lhe faltou fé suficiente ou o decretar a cura (cf. Wimber, 1987). Nos Estados Unidos, por exemplo, Hobart Freeman (1920–1984), que ensinava contra o tratamento médico, morreu vítima de seu próprio ensino.

Antes de sua morte, Freeman foi acusado de ajudar e incitar a morte de uma menina de 15 anos, a qual, segundo um legista local, poderia não ter sofrido tal destino se tivesse sido tratada. Os pais da menina foram condenados por homicídio culposo e sentenciados a dez anos de prisão (Lutes, 1985; MacArthur, 2011). Entre outros casos, relacionados a Freeman, estão, por exemplo: fiéis tentando ressuscitar outros fiéis por meio da oração; mulheres e bebês morrendo por conta da falta de acompanhamento médico antes e depois do nascimento; diabéticos falecendo por pararem de tomar insulina; crianças sofrendo danos de doenças por falta de vacinação, inclusive ficando surdas e cegas (meningite) (88 Deaths, 1984; 25 Die, 1982; 52 Deaths, 1983; Yesteryear, 1974).

Em uma declaração de 11 de março de 2020, Edir Macedo, líder da denominada Igreja Universal do Reino de Deus, durante transmissão ao vivo em seu Facebook, afirmou que o coronavírus é uma tática de Satanás para causar pânico, e que as pessoas não deveriam se preocupar:

[...] quando as pessoas ficam em dúvida, as pessoas ficam fracas, débeis e suscetíveis a qualquer ventinho. Qualquer ventinho que tiver, é uma gripe, é uma pneumonia para elas. Muitas pessoas estão dando entrada nos hospitais só porque têm medo de pegar o coronavírus. E quando elas vão no (sic) hospital, elas pegam [risadas]. Não temos que temer absolutamente essa maldição que corre pelo mundo, que se chama não coronavírus, mas dúvida [...] (nossa transcrição da live deletada; cf. Bronzatto, 2022).

Tempos depois, Macedo acabou sendo internado por conta do vírus (08 de junho de 2020). No próprio site da Rede Record, da qual ele é proprietário, é afirmado que “[...] o líder da Igreja Universal fez tratamento com o medicamento cloroquina e está completamente recuperado da doença. Macedo recebeu alta médica nesta sexta-feira (12) [...]” (R7, 2022). O dizer do dito bispo foi bem diferente das palavras de João Calvino: “[...] Se Deus nos confiou a preservação de nossa vida, nós devemos preservá-la; se ele oferece suprimentos, nós devemos usá-los; se ele nos alerta dos perigos, nós não devemos correr para eles [...]; se ele fornece remédios, nós não devemos negligenciá-los [...]” (Calvin, 2010, I.17.4, nossa tradução; cf. I.17.9).

Se realmente acreditasse no que falou, Macedo deveria proceder em conformidade com o que disse, não se internar nos melhores hospitais do país. A sua verdadeira crença foi revelada por sua prática. Como C. S. Lewis diz:

[...] Você nunca tem consciência do quanto de fato acredita em alguma coisa enquanto a verdade ou a falsidade dessa coisa não se torna uma questão de vida ou morte para você. É fácil dizer que você acredita que uma corda seja forte e segura, enquanto a está usando apenas para amarrar uma caixa; mas imagine que deva dependurar-se nessa corda sobre um precipício. Será que não iria primeiro descobrir o quanto na verdade confia nela? [...] Apenas um perigo verdadeiro põe à prova a realidade de uma crença (Lewis, 2007, p. 45-46).

d) Tire o texto do seu contexto. Um texto bastante usado pelos falsos profetas da prosperidade é II Coríntios 8.9: “[...] nosso senhor Jesus [...] sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que [...] vos tornásseis ricos”. A oferta do dinheiro funciona como moeda de troca e barganha pela bênção de Deus. Cargos na igreja são ocupados por aqueles com empregos bons e vida em ordem.

O conceito da graça parece inexistente na prática. Isso é irônico, por exemplo, para uma entidade que se autodenomina Igreja Internacional da Graça de Deus, a qual é liderada por R. R. Soares e traz muitas desgraças sobre a vida de muitas pessoas (Romeiro, 2005). A partir de Gênesis 22, é comum neopentecostais destacarem que Abraão entregou o que lhe era mais caro e difícil (Isaque). Similarmente, dizem eles, fiéis devem sacrificar (ofertar) seus “Isaques”: carro, terreno, dinheiro e imóvel. Por incrível que pareça, líderes neopentecostais ignoram que Deus impediu o sacrifício de Isaque.

Com base em II Coríntios 3.6 (“[...] a letra mata, mas o espírito vivifica”), o meio neopentecostal demonstra desinteresse pelo estudo. Experiência e emoções são colocadas acima da Bíblia e de sua interpretação correta, o que leva a novas heresias. A ênfase no Antigo Testamento gera campanhas famosas: Campanha dos 318 pastores (Gn 14.14-16), Ano de Calebe (Js 14.7-15), Jejum de Calebe, Jejum dos salmos de guerra, Campanha das dez bênçãos de Abraão, e a lista não termina. O texto mais popular é Malaquias 3.10: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro [...]”.

Resumindo, o pensamento neopentecostal gira em torno desses quatro eixos, os quais são interligados. Tratam-se de ideias fortes no meio. Dada a reinvenção constante e grande criatividade existente entre neopentecostais, um pequeno artigo como este não seria suficiente para expor e explanar as ideias que são constantemente inventadas por eles. É complexo sistematizar o pensamento neopentecostal por conta de suas várias linhas de pensamento. Cada grupo escolhe no que acreditar. A melhor maneira, portanto, de caracterizar o pensamento neopentecostal é como pensamento camaleão, dado que ele muda de cor e tons segundo a necessidade de sobrevivência.

1. Introdução

São sempre variações do mesmo tema

Meras repetições

[...]

A extravagância vem de todos os lados

[...]

Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados

[...]

Reconstruindo o que Jesus derrubou

Recosturando o véu que a cruz já rasgou

Ressuscitando a lei pisando na graça

Negociando com Deus

[...]

Estão distantes do trono, caçadores de deus

(É proibido pensar, 2007)

– João Alexandre

Diante da igreja lotada, o dirigente sobe à plataforma com uma roupa branca, bem parecida com os trajes utilizados pelos líderes das religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé. A reunião começa após uma dita oração forte, a qual é recheada de palavras de ordem, com o objetivo de repreender Satanás e demônios. Cânticos são entoados, testemunhos proferidos e a reunião termina com uma peregrinação ao dito altar para entrega de dízimos e ofertas. Tudo isso acompanhado por milhares de pessoas, ao vivo, pela TV, internet e rádio. Tal descrição de um ajuntamento neopentecostal chega a ser simples diante das extravagâncias e exageros que vem à tona oriundos do meio.

Com este artigo, nosso objetivo é discutir sobre práticas neopentecostais e como muitas delas constituem uma ressurreição, adaptação e, para usar a canção de João Alexandre, meras repetições e variações de temas e práticas do meio católico romano e de religiões afro-brasileiras, distanciando-se, assim, das verdadeiras verdades bíblicas, apesar de usarem a Bíblia, o que acaba trazendo desgraça, não graça (como diz o nome da Igreja Internacional da Graça de Deus) sobre a vida dos fiéis. Quando intitulamos este artigo com os termos pequenas igrejas, temos em vista que essas igrejas são pequenas naquilo que seus líderes chamam de teologia.[4]

2. Religião do exagero

Entre as práticas estranhas, é possível começar mencionando o falecido David Miranda, fundador da denominada Igreja Deus é amor. Tal líder tinha costume de usar um jaleco branco nos ajuntamentos religiosos. Eis aí o diferencial da figura do curador, cacique ou xamã contemporâneo. Tal empresa passou a realizar, a partir da década de 1990, cultos para prosperidade, tendo sido bem conhecida por sua voracidade na coleta de dízimos, algo que reforça o argumento de que as ondas do movimento pentecostal já não preservam suas respectivas características uniformes há um bom tempo.[5]

Quanto à sede mundial da Deus é amor, há registros de membros que faltaram com o dízimo não poderem participar da ceia, a qual, por sua vez, qualificá-los-ia para a salvação. Para participar da ceia, o membro teria que apresentar a obreiros o cartão de dízimo carimbado, comprovando o pagamento (Mariano, 2005). São as novas indulgências. Lutero ficaria horrorizado com esse novo romanismo, já que, considerando Romanos 3.28 (“[...] o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”), concluiu que humanos, corrompidos por conta do pecado original, só podem ser salvos pela fé. Suas famosas teses parecem até que foram escritas para o meio neopentecostal:

21. Assim, esses pregadores de indulgência estão em erro quando dizem que um homem é absolvido de toda penalidade e salvo pelas indulgências papais [...] 27. Eles pregam apenas doutrinas humanas que dizem que assim que o dinheiro tilinta [soa] no baú, a alma voa para fora do purgatório [...] 45. Os cristãos devem ser ensinados que quem vê um homem necessitado e passa por ele, mas dá seu dinheiro para indulgências, não compra indulgências papais, mas a ira de Deus (Luther, 1957, 31:27, 28, 29, nossa tradução)

O neopentecostalismo é conhecido por ter forte ênfase no diabo e na guerra espiritual contra demônios. Outras características incluem a militância agressiva e a crença de que a palavra humana, ligada à fé, faz as coisas acontecerem, sendo que esta última marca foi importada dos Estados Unidos, tendo sido atribuída a Kenneth Hagin (1992; 1996; 2000), pai da teologia da prosperidade, e difundida por literatura. Além disso, há casos em que as instituições neopentecostais tendem a ser bastante tolerantes para com comportamentos profanos de alguns fiéis (Jungblut, 1992; Azevedo Jr., 1994; Mariano, 2005).

“[...] A Universal tem uma visão de penetração da sociedade, um conceito arrojado de missão religiosa. Todo o império econômico (e força política) é funcional para a missão religiosa [...]”, segundo Freston (1993, p. 103). Na verdade, o oposto é verdadeiro: a missão religiosa é usada para movimentar um império econômico e político. Exemplo do jogo político, por parte de movimentos neopentecostais brasileiros, é visto na promoção e apego a certas figuras da política brasileira. Neopentecostais tendem a se alinhar politicamente com aqueles que podem beneficiá-los.

Um exemplo bem fresco na mente do leitor é a pressão sobre o governo a fim de que fosse incentivado o perdão de uma dívida bilionária para igrejas, das quais as maiores beneficiadas são as empresas neopentecostais. Um dos grandes envolvidos nesse jogo político foi o deputado David Soares, filho de Romildo Soares, mais conhecido como R. R. Soares, que se intitula como missionário, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus (cf. Brasil, 2020; Militão, 2021).

Outra marca bem conhecida dos líderes neopentecostais que destacamos é o ter uma palavra para quase tudo. Nesse sentido, são uma espécie de oráculos de Delfos ativos (cf. Herodotus, 1998). Silas Malafaia, expoente na Igreja Assembleia de Deus, que jura ser um pentecostal clássico e que nunca mudou sua teologia, tem apresentado, nos últimos anos, muitas tendências neopentecostais, de maneira que o classificamos mais como neopentecostal do que pentecostal clássico. Em um tweet de 28 de fevereiro de 2022, ele afirma que homens fracos produzem tempos difíceis; que Joe Biden, Justin Trudeau e Emmanuel Macron são esquerdopatas frouxos, os quais não têm poder de encarar o homem forte da Rússia (Vladimir Putin). Diante disso, ele afirma que tem saudades de Donald Trump e que o trio supramencionado é uma cambada de covardes (Malafaia, 2022).

A moda atual entre esses líderes religiosos tem sido sustentar uma pseudovisão conservadora de direita, sendo que, no Brasil, não há, no sentido clássico, uma direita genuína. Além disso, a moda está relacionada a oposições de extremos (cf. Hiebert, 2008), como ir contra à emissora de televisão Globo e o globalismo, como uma ordem que busca instaurar uma nova sociedade secreta, ordem esta que deve ser derrotada. Em resumo, a moda ditada atualmente é a de que tudo que cheira à esquerda deve ser perseguido. O problema de seguir a moda, com vistas a ser relevante e atrair alvos e consumidores para suas instituições, é que “[...] aquele que casa com a moda de hoje é o viúvo de amanhã [...]”, afirma William Ralph Inge (apud Marriot, 2018, p. 212, nossa tradução). É por isso que a busca neopentecostal é incessável. Eles sempre precisam de algo novo para continuarem mantendo o gado dentro do curral.

3. Mais uma história

Após uma semana em um seminário de batalha espiritual, um pastor aprendeu que deveria decretar Curitiba para Deus, identificar os limites da região e declarar que eles pertencem a Jesus. Se não fizesse assim, o diabo continuaria espalhando miséria e tendo direitos legais sobre vidas. Incomodado com isso, ele passa a orar e a jejuar. No terceiro dia do jejum, ele conta ter recebido uma revelação divina. Ciente de que leões urinam para demarcar território e impedir a invasão de outros, ele acreditou que precisava fazer o mesmo como leãozinho representante do leão da tribo de Judá.

Assim, ele convoca seus parceiros de ministério para saírem, na madrugada, urinando em pontos estratégicos da cidade. Beberam litros de água, porque, afinal de contas, Curitiba é uma cidade grande, e o comboio de carros percorreu quilômetros e fez muitas paradas (Gondim, 2006). Tal história é real e existem relatos semelhantes a esse, em se tratando de pensamento neopentecostal.

4. Religião de espetáculo

Grande parte do evangelicalismo se rendeu aos cânones da religiosidade popular brasileira. A característica principal da religiosidade popular brasileira é o sincretismo de elementos cristãos, principalmente romanistas, com elementos africanos e indígenas. Nota-se, cada vez mais, o afastamento das igrejas neopentecostais da tradição protestante (Bitun, 2007; Romeiro, 2005; Mariano, 2005).

O pensamento neopentecostal é conhecido por sua assimetria, dualismo e hierarquia. Há um exagero em uma guerra cósmica entre Deus e o diabo. O que acontece no mundo material, segundo os neopentecostais, é por conta da guerra travada entre bem e mal no mundo espiritual. É pelo domínio da criação que a guerra ocorre. O reino espiritual é considerado mais real que o material (Azevedo Jr., 1994). A exacerbação é tamanha que chega a transmitir a ideia de um diabo com poderes ilimitados.

R. R. Soares (1984) afirma que tudo está sujeito à ação demoníaca: futebol, política, artes e religião. Satanás, segundo ele, tem milhares de agências no mundo. O diabo se esconde por trás da religião, intelectualismo, poesia, arte, música, psicologia e entendimento humano. Nos centros de perdição, afirma, estão adegas, prostíbulos, casas de jogos de azar, bares onde indivíduos se embriagam, além de outras coisas que são agências diabólicas, as quais transtornam a vida das pessoas.

Ainda segundo Soares, o espiritismo não ensina seus adeptos a se afastarem de bebidas alcoólicas, fumo, prostituição e coisas do tipo, coisas estas que Satanás controla. Para ele, há pessoas tão envolvidas com o espiritismo que têm debaixo do controle dos espíritos até mesmo a alimentação e a vida sexual. Espíritos, afirma Soares, envolvem-se com tudo: cores de roupas, lugares por onde passear, tipos de carnes e comidas, dias de lazer, amizades, filmes, horário para andar nas ruas e maneira de tomar banho.

Já o seu parente, Edir Macedo (2021), sustenta que demônios perpetram todos os males que afligem pessoas, como doenças, misérias, desastres e problemas. Demônios são a principal causa de doenças e fazem o que querem com as pessoas, cuidando da maneira que elas vestem e dos casos amorosos que elas têm. Demônios agem segundo o modo de pensar, posição social e necessidades da pessoa. Tomando posse de mentes e corpos, levam muitos para o hospício, pois têm prazer na sua destruição. Seguidores de demônios só não são todos levados à loucura, afirma, porque faltaria quem espalhasse as suas doutrinas infernais.

Além disso, o Brasil seria mais desenvolvido se não desse crédito à feitiçaria, bruxaria e magia, oficializadas pela umbanda, quimbanda, candomblé e kardecismo. Nervosismo, dores de cabeça constantes, insônia, medo, desmaios ou ataques, desejo de suicídio, doenças cujas causas não são descobertas pelos médicos, visões de vultos ou audições de vozes, vícios e depressão, são sinais de possessão demoníaca, na visão de Macedo. Combater a macumba, exus, guias, pretos-velhos e orixás é um dos pilares neopentecostais. Medo da macumba, feitiçaria, magia negra e religiões afro-brasileiras são trabalhados no imaginário do povo para os próprios benefícios de líderes de corporações assim (Mariano, 2005).

A guerra santa medieval é ressuscitada para destruir a concorrência dos considerados infiéis e hereges. Exageros são propalados, tudo vale por causa da disputa por fiéis. Trata-se do monopólio da salvação. Aí entra o uso de símbolos sagrados: quem tiver o melhor produto para vender vence. O vencedor tem a verdade que conduz à salvação (criada pelos neopentecostais). Religiões espíritas, afro-brasileiras e orientais, segundo Macedo (2021), são estúpidas, idolátricas e imundas; prostitutas, homossexuais e lésbicas sempre são possuídos por pombas-gira, marias-molambo e outras entidades; pessoas viciadas em tóxicos, bebidas alcoólicas, cigarro ou jogo são possuídas por zé-pelintras, responsáveis por essas ações; sendo que desenvolver-se no espiritismo significa se tornar totalmente submisso a demônios.

Por conta de um discurso com tal teor, não demoraram surgir, na imprensa, delegacias e justiça, relatos de destruição de patrimônios e agressão física a adeptos de religiões a serem derrotadas. Mesmo atacando seus oponentes, o movimento neopentecostal incorpora seus elementos (Oro, 2005; 2006; Mariano, 2005). A identificação de demônios por nomes e qualidades serve para implementar o show, espetáculo e atuação. Vale lembrar que, na Bíblia, não vemos Jesus entrevistando demônios, à semelhança de neopentecostais.

Para exemplificarmos a assimilação neopentecostal, mencionamos, aqui, a sexta feira, reservada para expulsão de demônios, que é um dia conhecido na Umbanda como sendo das giras de Exu, as quais, geralmente, ocorrem à noite. O horário da meia-noite de sexta para sábado é geralmente tido como hora em que Exus se manifestam e trabalham (Mariano, 2005). Além disso, a visão neopentecostal sobre batalha espiritual tem como ponto de partida uma cosmovisão tribal tradicional, enfatizando a questão territorial e confrontos de poder (cf. Lopes, 2001), daí a ideia mencionada anteriormente sobre jogar urina em pontos estratégicos da cidade.

Assim, Satanás é visto como tendo autoridade sobre a terra, a qual ele delega à sua hierarquia demoníaca. A crença em espíritos territoriais e que controlam os indivíduos faz com que pessoas venham a ser vítimas infelizes de guerras cósmicas entre deuses. Trata-se de um pensamento que, em vez de trazer refrigério à alma, traz perturbação e alimenta a superstição, o que acaba por gerar um ciclo vicioso (Hiebert, 2000). Assim, o pensamento neopentecostal colabora na tarefa de escravizar pessoas para o império econômico de líderes da estirpe.

Crer em espíritos malignos que governam territórios é negar a obra da cruz. Satanás está derrotado (“[...] Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” – Mt 28.18). A única autoridade que ele tem é aquela conferida a ele por seus seguidores, homens e demônios. Cristãos não devem identificar Satanás e seus seguidores com territórios que devem ser exorcizados. Fazer isso é introduzir crenças animistas na cosmovisão cristã. Tal visão de espíritos territoriais não tem justificativa bíblica (Lowe, 1998; Lopes, 2001; Hiebert, 2000).

Além disso, a batalha cósmica entre Deus e Satanás não é de poder como comumente ocorre no meio neopentecostal. Ela diz respeito ao estabelecimento do reino de Deus na terra e céus. Vale lembrar que Satanás não está em pé de igualdade com Deus. Para utilizar o pensamento de Lutero, o diabo é o diabo de Deus, semelhante a um cachorro em uma coleira: “Deus realmente usa o diabo para nos afligir e matar. Mas o diabo não pode fazer isso se Deus não quer que o pecado seja punido desta forma [...]” (Luther, 1956, 13:97, nossa tradução; cf. Althaus, 1966, p. 165-166).

Isso não significa que Deus é responsável pelo pecado ou que Ele peca. Uma ilustração de Calvino é oportuna aqui: “[...] donde provém o mal cheiro em um cadáver que, pelo calor do sol, não só se fez putrefato, mas até já entrou em decomposição? Todos veem que isso é provocado pelos raios do sol; contudo, ninguém por isso diz que eles cheiram mal [...]” (Calvino, 2006, I.17.5). Desgraças e doenças são frutos do pecado, ocorrem por conta do estado humano decaído, sendo até parte do julgamento pelo pecado. A maior barreira para as pessoas virem a Cristo não é a atividade demoníaca, mas o coração endurecido pelo pecado.

Os efeitos disso são percebidos nos frutos das mãos humanas, nos sistemas culturais, religiosos e sociais, que são manchados pelo pecado. Por conta do pecado, indivíduos acabam adorando a si mesmos, em vez de adorarem o criador (Rm 1.21-25). “[...] A cada dia, de certa maneira, acreditamos nas mentiras da autonomia e da autossuficiência, adorando a criação em vez de seu criador” (Tripp, 2012, p. 52). “O coração humano não é só [...] uma perpétua fábrica de ídolos” (Calvino, 2006, I.11.8). Pessoas também são “[...] compradoras de ídolos e vendedoras de ídolos” (Powlison, 1996, p. 81). Sendo assim, a busca do coração só encontrará verdadeira paz em Deus, conforme afirma Agostinho: “[...] fizeste-no para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti [...]” (Agostinho, 1997, p. 19).

5. Com desordem e indecência

“Exagerado

Jogado aos teus pés, eu sou mesmo exagerado”

(Exagerado, 1985)

– Cazuza

Eu tinha, desde pequena, prisão de ventre. Eu ficava vinte dias sem saber o que era sentar num vaso sanitário e dar uma bela de uma cagada. Ao fundo, é possível notar as risadas das pessoas dentro de uma referida Igreja Mundial do Poder de Deus. A idosa, entrevistada em momento de culto público por um referido bispo, conta que sentava no vaso por horas e ficava indagando a Deus: por que todo mundo caga, menos eu? Segundo ela, mesmo tomando laxantes, não adiantava. Assim, ela participou de uma campanha. Ali, ela conta que pegou um travesseirinho ungido que a dita igreja oferecia e dormiu com ele amarrado sobre a barriga, a qual, segundo ela, era enorme.

Quando foi de madrugada, eu me levantei com uma caganeira. Eu saí correndo de dentro da rede. Valha-me nossa senhora! Ainda bem que eu moro perto do banheiro. Então, o referido bispo declara: para a glória de Jesus! O público, por sua vez, como um circo religioso, começa a bater palmas. Exageros e expressões exageradas são qualificativos que representam bem o neopentecostalismo. Para aproveitar as palavras de Cazuza, tal movimento é mesmo exagerado. No exemplo acima, o qual é apenas um de muitos outros bizarros do meio neopentecostal, é possível notar práticas com objetos considerados sagrados e discursos não bíblicos. A escritura como princípio normativo do culto é desprezada (cf. Anglada, 2000).[6]

6. Vendo para crer

Apesar de tomarem elementos de religiões afro-brasileiras e do romanismo, movimentos neopentecostais fazem oposição a tais religiosidades, manifestando pouca inclinação à tolerância e ecumenismo. Estimulam a expressão das emoções, usam meios de comunicação, valorizam rituais de cura e exorcismo, sendo boa parte disso estruturado em torno de um eixo empresarial, com o uso de marketing para obter dinheiro de fiéis, ao colocarem, no mercado religioso, os serviços e bens simbólicos que podem ser adquiridos por meio de pagamento (geralmente identificado como dízimo e/ou oferta) (Oro, 1993).

Práticas supostamente mágicas e/ou milagrosas similares às da umbanda e benzedeiras do romanismo são mais comuns do que se pode imaginar. A criatividade é enorme: o pastor que fala do copo de água sobre a televisão, algo que vem ficando cada vez mais difícil de ser praticado, por conta de as televisões se tornarem cada vez mais finas; pegar o sabão abençoado para lavar a roupa de uma pessoa internada por conta da ação de exus; o chá de rosas para banhar a perna que estava prestes a ser amputada; a carta do líder debaixo do travesseiro, durante sete dias, que trouxe a cura da epilepsia; e os aleijados que fazem uma cena, dando alguns passos, antes de andarem.

Neste último caso, por exemplo, o suposto milagre é algo bem diferente de quando Jesus curou um paralítico, em que as palavras gregas do texto indicam a instantaneidade da cura do indivíduo, que estava há muito tempo com músculos atrofiados e ossos enfraquecidos (Lc 5.17-26). Esses são apenas alguns dos muitos absurdos já vistos no meio (cf. MacArthur, 2011; 2014; 2015; Mariano, 2005). Símbolos, pontos de contato e experiências têm lugar elevado na hermenêutica neopentecostal.

Exemplos incluem o uso de enxofre, óleo ungido, rosa ungida, fogueira santa de Israel, sal grosso, tapete ungido e a hora da virada. Frequentemente, itens são vendidos pela instituição, para arrancar dinheiro de todos os lados e jeitos. A respeito dos pontos de contato, Macedo (2001) afirma que eles são elementos para despertar a fé dos indivíduos para que tenham acesso a uma resposta diante de Deus para os seus anseios.

A prática de alegorias é forte no meio neopentecostal. Pelo proceder dos indivíduos desse meio, percebe-se que não fazem diferença entre normativo e descritivo. A título de curiosidade, vale mencionar que a tão conhecida “prece do copo d’água tão utilizada hoje em dia, tanto pelos evangélicos como pelos católicos carismáticos” foi criada pela Legião da Boa Vontade, movimento religioso que “prega um ecumenismo irrestrito, juntando em seu sistema de crenças elementos de diferentes religiões” (Guerriero, 2006, p. 122). Para sustentar o uso dos objetos, é feita uma leitura existencial e biográfica, com os personagens bíblicos sendo exemplos normativos, além de os textos serem usados fora de contexto e sem princípios hermenêuticos lícitos e válidos (Fee; Stuart, 2011; Cardoso, 2010).

Malabarismos criativos são feitos para sustentar que objetos servem para curar ou mediar a cura, libertar, prosperar e resolver problemas de todos os tipos. É a compra de relíquias do período medieval voltando à tona. É a religiosidade encontrada entre a população, que longe das cátedras dos teólogos e documentos oficiais, constrói sua fé a partir de sua realidade e com o objetivo maior de lucro financeiro. Augustus Nicodemus (Lopes, 2001), após analisar vários textos classicamente usados no meio neopentecostal, afirma que não há base bíblica para ungir e abençoar objetos para que eles transmitam alguma medida de poder divino.

Deus revela, na escritura, seus caminhos e meios de agir, para que seus filhos não sejam iludidos pelo erro religioso. Aquele que tem a Bíblia como regra de prática e critério para discernir a verdade do erro, consequentemente rejeitará a ideia de que há poder especial no uso de objetos, ou que eles repassam alguma bênção ao seu portador. Não há como justificar a prática de ungir e abençoar objetos, quaisquer que forem os propósitos. Biblicamente, objetos usados e consagrados a demônios não têm poder especial de amaldiçoar alguém. O culto cristão, diferente do paganismo, é conhecido por ser simples, sendo “[...] feito com decência e ordem” (I Co 14.40)..

Não são os objetos que libertam, medeiam algo ou têm algum poder. O cristão realmente consciente da verdade tem sua segurança e proteção no poder do seu salvador. “[...] Sabedoria fora de Cristo é insensatez que condena; retidão fora de Cristo é culpa e condenação; santificação fora de Cristo é imundícia e pecado; redenção fora de Cristo é servidão e escravidão [...]”, afirma Robert Traill (1810, p. 234, nossa tradução). Assim, é necessário reccorer não a objetos e superficialidades. É necessário algo maior e mais profundo, correr para Cristo, assim como diz um belo e antigo hino:

ROCHA

[...]

Nada em minhas mãos eu trago;

Somente à tua cruz eu me agarro:

Nu, fujo a ti para vestir-me;

Desamparado, olho para ti para obter graça;

Imundo, eu para a fonte corro;

Lava-me, salvador, ou eu morro!

[...] (Free, 1867, p. 154-155, nossa tradução)

7. Palhaçada e marketing

Conta-se que um pregador ficou há um bom tempo em uma igreja, e os cultos não ficavam cheios. A certa altura, chegou na cidade um circo. Notando que o circo ficava lotado, em todos os seus espetáculos, o pregador, intrigado, vai até o palhaço e diz: já tem tempo que estou aqui na cidade, pregando a verdade, e as pessoas não vêm, a igreja não fica cheia, e você, mal chegou na cidade, em pouco tempo conseguiu atrair muitas pessoas e encher o circo. Diante disso, o palhaço diz: a questão é que você, ó pregador, fala a verdade como se fosse uma mentira, enquanto eu falo a mentira como se ela fosse verdade.

A seguir, ironicamente e no formato de instruções, apresentar-se-ão práticas neopentecostais que marcam igrejas e pregadores dessa linha dita evangélica.

8. Algumas instruções do manual neopentecostal de sobrevivência e controvérsias

a) Fale mentiras como se elas fossem verdades. Robson Rodovalho, por exemplo, fundador da Sara Nossa Terra, em uma mensagem que não está mais presente no site da referida igreja, afirma:

O inimigo respeita quando você levanta a sua mão e diz: ‘Hei! Você não vai trazer maldição pra [sic] minha vida não! Você está pensando que vai trazer doenças hereditárias? Em nome de Jesus, pega a sua bagagem e vai embora!’. Assim, o inimigo te respeita. Por quê? Ele viu o sinal da coroa, o memorial na sua vida! Exerça sua autoridade de coroa. Não abaixe a sua cabeça, não! (Rodovalho, 2010).

Em seus discursos, líderes assim são como o palhaço, colocam tanta convicção e firmeza nas palavras que acabam convencendo e influenciando massas. Exemplo desse tipo de discurso, com um toque mais ofensivo, é visto na figura de Silas Malafaia, que nega ser neopentecostal. Em um tweet, de 10 de janeiro de 2022, ele afirma: “Vacinar crianças [contra o coronavírus] é um verdadeiro infanticídio [...]” (Malafaia, 2022). Após pressão das redes, o tweet foi deletado pelo Twitter.

b) Exagere bastante ao falar de batalha espiritual. C. S. Lewis, em um de seus clássicos, Cartas de um diabo a seu aprendiz, logo no começo, afirma:

Há dois erros semelhantes, mas opostos que os seres humanos podem cometer quanto aos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo e pouco saudável por eles. Os próprios demônios ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros, e saúdam o materialista e o mago com a mesma alegria [...] (Lewis, 2011, ix).

O meio neopentecostal tem interesse exagerado em demônios. Em muitas instituições, o diabo ocupa uma posição de maior evidência do que a pessoa de Deus. Eles enfatizam a libertação, a batalha espiritual e os espíritos territoriais. Não há preocupação com temas clássicos da teologia, como justificação, eleição, depravação humana e graça irresistível. Líderes de tal meio usam tais ênfases para demonstrarem um suposto poder espiritual, de maneira que o crédito venha a ser dado a eles e, assim, consigam obter o tão almejado lucro financeiro (cf. Macedo, 2001; 2021; Soares, 1984; Bitun, 2007; Romeiro, 2005; Oro, 1993; 2005-2006; Mariano, 2005).

c) Decrete, tenha fé, não duvide (e outros). “Uma das propostas principais da maioria de seus pregadores é banir da vida humana a doença, a pobreza e todo tipo de sofrimento [...]” (Romeiro, 2005, p. 88). Não são raros os casos de fiéis que vão a óbito por conta de instruções de líderes que pregam que, se a pessoa não foi curada, é porque lhe faltou fé suficiente ou o decretar a cura (cf. Wimber, 1987). Nos Estados Unidos, por exemplo, Hobart Freeman (1920–1984), que ensinava contra o tratamento médico, morreu vítima de seu próprio ensino.

Antes de sua morte, Freeman foi acusado de ajudar e incitar a morte de uma menina de 15 anos, a qual, segundo um legista local, poderia não ter sofrido tal destino se tivesse sido tratada. Os pais da menina foram condenados por homicídio culposo e sentenciados a dez anos de prisão (Lutes, 1985; MacArthur, 2011). Entre outros casos, relacionados a Freeman, estão, por exemplo: fiéis tentando ressuscitar outros fiéis por meio da oração; mulheres e bebês morrendo por conta da falta de acompanhamento médico antes e depois do nascimento; diabéticos falecendo por pararem de tomar insulina; crianças sofrendo danos de doenças por falta de vacinação, inclusive ficando surdas e cegas (meningite) (88 Deaths, 1984; 25 Die, 1982; 52 Deaths, 1983; Yesteryear, 1974).

Em uma declaração de 11 de março de 2020, Edir Macedo, líder da denominada Igreja Universal do Reino de Deus, durante transmissão ao vivo em seu Facebook, afirmou que o coronavírus é uma tática de Satanás para causar pânico, e que as pessoas não deveriam se preocupar:

[...] quando as pessoas ficam em dúvida, as pessoas ficam fracas, débeis e suscetíveis a qualquer ventinho. Qualquer ventinho que tiver, é uma gripe, é uma pneumonia para elas. Muitas pessoas estão dando entrada nos hospitais só porque têm medo de pegar o coronavírus. E quando elas vão no (sic) hospital, elas pegam [risadas]. Não temos que temer absolutamente essa maldição que corre pelo mundo, que se chama não coronavírus, mas dúvida [...] (nossa transcrição da live deletada; cf. Bronzatto, 2022).

Tempos depois, Macedo acabou sendo internado por conta do vírus (08 de junho de 2020). No próprio site da Rede Record, da qual ele é proprietário, é afirmado que “[...] o líder da Igreja Universal fez tratamento com o medicamento cloroquina e está completamente recuperado da doença. Macedo recebeu alta médica nesta sexta-feira (12) [...]” (R7, 2022). O dizer do dito bispo foi bem diferente das palavras de João Calvino: “[...] Se Deus nos confiou a preservação de nossa vida, nós devemos preservá-la; se ele oferece suprimentos, nós devemos usá-los; se ele nos alerta dos perigos, nós não devemos correr para eles [...]; se ele fornece remédios, nós não devemos negligenciá-los [...]” (Calvin, 2010, I.17.4, nossa tradução; cf. I.17.9).

Se realmente acreditasse no que falou, Macedo deveria proceder em conformidade com o que disse, não se internar nos melhores hospitais do país. A sua verdadeira crença foi revelada por sua prática. Como C. S. Lewis diz:

[...] Você nunca tem consciência do quanto de fato acredita em alguma coisa enquanto a verdade ou a falsidade dessa coisa não se torna uma questão de vida ou morte para você. É fácil dizer que você acredita que uma corda seja forte e segura, enquanto a está usando apenas para amarrar uma caixa; mas imagine que deva dependurar-se nessa corda sobre um precipício. Será que não iria primeiro descobrir o quanto na verdade confia nela? [...] Apenas um perigo verdadeiro põe à prova a realidade de uma crença (Lewis, 2007, p. 45-46).

d) Tire o texto do seu contexto. Um texto bastante usado pelos falsos profetas da prosperidade é II Coríntios 8.9: “[...] nosso senhor Jesus [...] sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que [...] vos tornásseis ricos”. A oferta do dinheiro funciona como moeda de troca e barganha pela bênção de Deus. Cargos na igreja são ocupados por aqueles com empregos bons e vida em ordem.

O conceito da graça parece inexistente na prática. Isso é irônico, por exemplo, para uma entidade que se autodenomina Igreja Internacional da Graça de Deus, a qual é liderada por R. R. Soares e traz muitas desgraças sobre a vida de muitas pessoas (Romeiro, 2005). A partir de Gênesis 22, é comum neopentecostais destacarem que Abraão entregou o que lhe era mais caro e difícil (Isaque). Similarmente, dizem eles, fiéis devem sacrificar (ofertar) seus “Isaques”: carro, terreno, dinheiro e imóvel. Por incrível que pareça, líderes neopentecostais ignoram que Deus impediu o sacrifício de Isaque.

Com base em II Coríntios 3.6 (“[...] a letra mata, mas o espírito vivifica”), o meio neopentecostal demonstra desinteresse pelo estudo. Experiência e emoções são colocadas acima da Bíblia e de sua interpretação correta, o que leva a novas heresias. A ênfase no Antigo Testamento gera campanhas famosas: Campanha dos 318 pastores (Gn 14.14-16), Ano de Calebe (Js 14.7-15), Jejum de Calebe, Jejum dos salmos de guerra, Campanha das dez bênçãos de Abraão, e a lista não termina. O texto mais popular é Malaquias 3.10: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro [...]”.

Resumindo, o pensamento neopentecostal gira em torno desses quatro eixos, os quais são interligados. Tratam-se de ideias fortes no meio. Dada a reinvenção constante e grande criatividade existente entre neopentecostais, um pequeno artigo como este não seria suficiente para expor e explanar as ideias que são constantemente inventadas por eles. É complexo sistematizar o pensamento neopentecostal por conta de suas várias linhas de pensamento. Cada grupo escolhe no que acreditar. A melhor maneira, portanto, de caracterizar o pensamento neopentecostal é como pensamento camaleão, dado que ele muda de cor e tons segundo a necessidade de sobrevivência.

Notas

[1] Mestrando em Arqueologia das Paisagens Culturais pela Universidad de Jaén e Universidade Internacional de Andaluzia. Mestre em Sociedade, Ambiente e Território pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Divindade, com ênfase em Aconselhamento Bíblico, pelo Centro Presbiteriano de Pós-graduação Andrew Jumper. Especialista em Pregação e Aconselhamento Bíblico, especialista em Teologia Bíblica e bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Brasília. Bacharel em Teologia pela Faculdade Batista de Brasília. Licenciado em História pela Universidade Estadual de Montes Claros. Além de tradutor, é professor de ensino superior e ensino básico de História, Inglês, Filosofia e Teologia. E-mail: luisf3@gmail.com.

[2] Doutorando em História pela Universidade de Valência. Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia. Bacharel e licenciado em História pela Universidade de Brasília. Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Cristã Evangélica do Planalto. É professor de História no Instituto Federal do Tocantins e professor de Teologia. Além disso, é membro da Society of Biblical Literature e da World Reformed Fellowship. E-mail: isaiaslobao@hotmail.com.

[3] Doutor em Administração pela Universidade de Brasília. Mestre em Administração pela Universidade Federal de Viçosa. Bacharel em Administração pelo Instituto Santo Agostinho e licenciado em Letras Inglês pela Universidade Estadual de Montes Claros. Professor de Administração na Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: andreluizathayde@outlook.com.

[4] A (interpretação da) Bíblia acaba sendo a mãe das heresias.

[5] O movimento pentecostal brasileiro é geralmente dividido em três ondas. A primeira (pentecostalismo clássico), conhecida pela ênfase nas línguas, tem a Assembleia de Deus (1911) como principal representante. A segunda onda (deuteropentecostalismo), a partir de 1950, conhecida pela ênfase na cura, é representada pela Igreja do Evangelho Quadrangular (1953), O Brasil para Cristo (1955) e a Deus é Amor (1962). A terceira onda (neopentecostalismo), a partir da segunda metade da década de 1970, tem a Igreja Universal do Reino de Deus (1977) e a Internacional da Graça de Deus (1980) como as principais representantes.

[6] Relato transcrito pelos autores. Com exceção do nome da instituição, em itálico, os dizeres italicizados são os dizeres literais das pessoas na ocasião.

[1] Mestrando em Arqueologia das Paisagens Culturais pela Universidad de Jaén e Universidade Internacional de Andaluzia. Mestre em Sociedade, Ambiente e Território pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Divindade, com ênfase em Aconselhamento Bíblico, pelo Centro Presbiteriano de Pós-graduação Andrew Jumper. Especialista em Pregação e Aconselhamento Bíblico, especialista em Teologia Bíblica e bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Brasília. Bacharel em Teologia pela Faculdade Batista de Brasília. Licenciado em História pela Universidade Estadual de Montes Claros. Além de tradutor, é professor de ensino superior e ensino básico de História, Inglês, Filosofia e Teologia. E-mail: luisf3@gmail.com.

[2] Doutorando em História pela Universidade de Valência. Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia. Bacharel e licenciado em História pela Universidade de Brasília. Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Cristã Evangélica do Planalto. É professor de História no Instituto Federal do Tocantins e professor de Teologia. Além disso, é membro da Society of Biblical Literature e da World Reformed Fellowship. E-mail: isaiaslobao@hotmail.com.

[3] Doutor em Administração pela Universidade de Brasília. Mestre em Administração pela Universidade Federal de Viçosa. Bacharel em Administração pelo Instituto Santo Agostinho e licenciado em Letras Inglês pela Universidade Estadual de Montes Claros. Professor de Administração na Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: andreluizathayde@outlook.com.

[4] A (interpretação da) Bíblia acaba sendo a mãe das heresias.

[5] O movimento pentecostal brasileiro é geralmente dividido em três ondas. A primeira (pentecostalismo clássico), conhecida pela ênfase nas línguas, tem a Assembleia de Deus (1911) como principal representante. A segunda onda (deuteropentecostalismo), a partir de 1950, conhecida pela ênfase na cura, é representada pela Igreja do Evangelho Quadrangular (1953), O Brasil para Cristo (1955) e a Deus é Amor (1962). A terceira onda (neopentecostalismo), a partir da segunda metade da década de 1970, tem a Igreja Universal do Reino de Deus (1977) e a Internacional da Graça de Deus (1980) como as principais representantes.

[6] Relato transcrito pelos autores. Com exceção do nome da instituição, em itálico, os dizeres italicizados são os dizeres literais das pessoas na ocasião.

Referências

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