Neocalvinismo e tecnologia: a obra de Egbert Schuurman como uma abordagem reformacional do desenvolvimento tecnológico

Neocalvinismo e tecnologia: a obra de Egbert Schuurman como uma abordagem reformacional do desenvolvimento tecnológico

Salatiel Costa Bairros[1]

Resumo

Resumo: O presente artigo investiga a relação entre fé cristã e tecnologia a partir da filosofia reformacional de Egbert Schuurman. Com base nos fundamentos de Herman Dooyeweerd, Schuurman analisa o desenvolvimento tecnológico moderno como um fenômeno essencialmente religioso, marcado pela tensão entre natureza e liberdade e pela crença na autonomia da razão. O estudo apresenta a proposta de uma filosofia cristã da tecnologia fundamentada no motivo religioso da criação, queda e redenção, propondo uma ética da responsabilidade que reconheça o valor intrínseco da criação e a centralidade do senhorio de Cristo sobre toda a realidade. Além disso, o artigo aplica tais categorias à problemática contemporânea da Inteligência Artificial, evidenciando como a idolatria tecnicista e o ideal de autonomia humana se reproduzem em novos contextos. Conclui-se que apenas uma abordagem reformacional pode oferecer uma visão integral e responsável do desenvolvimento tecnológico, reconciliando fé e cultura técnica.

Palavras-chave: Neocalvinismo. Egbert Schuurman. Filosofia da Tecnologia. Herman Dooyeweerd. Inteligência Artificial.

Abstract: This article explores the relationship between Christian faith and technology through the reformational philosophy of Egbert Schuurman. Drawing on Herman Dooyeweerd’s framework, Schuurman interprets modern technological development as a fundamentally religious phenomenon shaped by the tension between nature and freedom and by the belief in the autonomy of human reason. The study presents a Christian philosophy of technology grounded in the religious motive of creation, fall, and redemption, proposing an ethics of responsibility that acknowledges the intrinsic value of creation and the lordship of Christ over all reality. Furthermore, it applies these concepts to the contemporary context of Artificial Intelligence, revealing how technicist idolatry and human autonomy persist in modern innovations. The article concludes that only a reformational approach can offer an comprehensive and responsible vision of technological development, harmonizing faith and technological culture.

Keywords: Neo-Calvinism. Egbert Schuurman. Philosophy of Technology. Herman Dooyeweerd. Artificial Intelligence.

Resumo: O presente artigo investiga a relação entre fé cristã e tecnologia a partir da filosofia reformacional de Egbert Schuurman. Com base nos fundamentos de Herman Dooyeweerd, Schuurman analisa o desenvolvimento tecnológico moderno como um fenômeno essencialmente religioso, marcado pela tensão entre natureza e liberdade e pela crença na autonomia da razão. O estudo apresenta a proposta de uma filosofia cristã da tecnologia fundamentada no motivo religioso da criação, queda e redenção, propondo uma ética da responsabilidade que reconheça o valor intrínseco da criação e a centralidade do senhorio de Cristo sobre toda a realidade. Além disso, o artigo aplica tais categorias à problemática contemporânea da Inteligência Artificial, evidenciando como a idolatria tecnicista e o ideal de autonomia humana se reproduzem em novos contextos. Conclui-se que apenas uma abordagem reformacional pode oferecer uma visão integral e responsável do desenvolvimento tecnológico, reconciliando fé e cultura técnica.

Palavras-chave: Neocalvinismo. Egbert Schuurman. Filosofia da Tecnologia. Herman Dooyeweerd. Inteligência Artificial.

Abstract: This article explores the relationship between Christian faith and technology through the reformational philosophy of Egbert Schuurman. Drawing on Herman Dooyeweerd’s framework, Schuurman interprets modern technological development as a fundamentally religious phenomenon shaped by the tension between nature and freedom and by the belief in the autonomy of human reason. The study presents a Christian philosophy of technology grounded in the religious motive of creation, fall, and redemption, proposing an ethics of responsibility that acknowledges the intrinsic value of creation and the lordship of Christ over all reality. Furthermore, it applies these concepts to the contemporary context of Artificial Intelligence, revealing how technicist idolatry and human autonomy persist in modern innovations. The article concludes that only a reformational approach can offer an comprehensive and responsible vision of technological development, harmonizing faith and technological culture.

Keywords: Neo-Calvinism. Egbert Schuurman. Philosophy of Technology. Herman Dooyeweerd. Artificial Intelligence.

Artigo

1. Introdução

A tecnologia sempre exerceu um papel fundamental nas relações sociais, econômicas, estéticas, jurídicas e até mesmo religiosas. Nas últimas décadas, ela tem sido apresentada de forma cada vez mais ubíqua, estando presente nas mais diversas áreas de interação humana com a realidade em torno de si. Diante disso, o avanço tecnológico é considerado imparável e incontrolável, restando à sociedade apenas observar e analisar os impactos dos seus artefatos. Essa interação abstraída e distante do ser humano com os artefatos tecnológicos que produz cria uma percepção da tecnologia como algo autônomo, independente do homem e capaz de servir como mediador do acesso à realidade. Os recentes desenvolvimentos na área da Inteligência Artificial (IA) agravaram ainda mais essa situação.

Ao ser vista como autônoma e mediadora da realidade, a tecnologia atrai para si esperanças e assombros. Por um lado, a tecnologia é vista como o grande sinal da autonomia e soberania humana, a prova de que está na humanidade a capacidade da própria redenção. Por outro, a tecnologia provoca receios escatológicos, onde a destruição vem através dos artefatos tecnológicos produzidos pelo homem. Em ambos os casos, o homem é o próprio soberano e vê toda a realidade a partir de si mesmo e daquilo que produz. Como disse Paulo em Romanos 1:25, “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do criador”.

Por se tratar inicialmente de disciplina técnica, o contato entre o processo de desenvolvimento tecnológico e as ciências humanas e teológicas acontece de forma bastante limitada. O próprio contexto religioso cristão acaba por lidar com a tecnologia de forma mais pastoral, lidando com as consequências e efeitos de seus artefatos nos membros das comunidades. Uma abordagem verdadeiramente cristã que queira considerar a tecnologia de forma mais ampla deve ser capaz de ser bíblica e holística, ou seja, lidar com a realidade como um todo, sem reduzi-la aos aspectos técnicos do desenvolvimento dos artefatos ou sociológicos do impacto deles na sociedade e realizar tudo isso partindo da fonte de autoridade cristã, a saber, as Escrituras Sagradas.

O presente artigo pretende analisar a tecnologia moderna, seu desenvolvimento, impactos e desdobramentos através da perspectiva da tradição filosófica neocalvinista da forma que é expressa na obra do engenheiro e filósofo da tecnologia Egbert Schuurman. O objetivo principal é apresentar o Cristianismo como uma voz que deve ser ouvida em todas as etapas do desenvolvimento tecnológico, através do amplo uso que Schuurman faz da filosofia de Herman Dooyeweerd, com a Filosofia da Ideia Cosmonômica, os Aspectos Modais e a identificação dos motivos religiosos base da sociedade.

Em uma entrevista para a Academia Brasileira de Cristãos na Ciência, Egbert Schuurman afirmou ser um grave problema a ausência de reflexão e ensino sobre tecnologia nas igrejas. É de suma importância que os aspectos práticos e éticos do uso e desenvolvimento da tecnologia, assim como seus impactos na cultura, sejam postos em discussão de um ponto de vista cristão. Segundo o filósofo holandês, uma das causas dessa omissão é a tecnologia parecer um assunto difícil, desinteressante e cheio de tecnicalidades. No entanto, não podemos ignorar que já vivemos em um mundo onde a tecnologia encontrou raízes profundas e os cristãos devem aprender a viver nesse mundo como cidadãos do Reino de Deus, inclusive em sua relação com a tecnologia. Diante disso, como um objetivo secundário, o presente trabalho busca estimular a reflexão sobre a tecnologia nos ambientes eclesiásticos, tanto para seu uso quanto para seu desenvolvimento.[2]

A escolha da tradição neocalvinista para lidar com a tecnologia de uma perspectiva cristã se dá pela busca dos seus pensadores em serem verdadeiramente cristãos e bíblicos em suas propostas filosóficas, observando toda a realidade como estando sob o sustento e senhorio de Cristo. Dessa forma, todos os aspectos da experiência na realidade que são tocados por artefatos tecnológicos estão primariamente sob o governo de Deus e não podem fugir dessa realidade. Todas as vezes que o ser humano tenta mudar esse governo, isso causa tensões com a realidade que não podem ser ignoradas.

A seguir será apresentada uma visão geral do Neocalvinismo. Isso se faz necessário para o entendimento e análise da obra de Egbert Schuurman. Dessa forma, a própria escolha do formato e ênfase da apresentação dos conceitos será de acordo com a relevância considerada para o estudo da obra do filósofo holandês.

2. O Neocalvinismo e a filosofia de Herman Dooyeweerd

O Neocalvinismo foi um movimento originado na Holanda que articulava o cristianismo, especialmente em sua vertente reformada, como uma visão de mundo integrada, capaz de abranger todos os aspectos da vida. Segundo Silva (2022), o Neocalvinismo é o termo que foi usado para se referir à tradição de pensamento que entendia o calvinismo como um sistema de vida abrangente. Nessa tradição, a fé é entendida como integral, não mais pertencente apenas à esfera do sagrado e ausente na esfera do secular. A própria separação entre sagrado e secular passou a ser rejeitada. Dessa forma, o Neocalvinismo se apresentava como uma resposta cristã à modernidade e ao Iluminismo.[3]

O representante mais conhecido desse movimento foi Abraham Kuyper (1837–1920). James D. Bratt (2013) o considera como pai do Neocalvinismo, sendo alguém que defendia a relevância da religião em todos os aspectos da vida pública. Dessa forma, Bratt entende que Kuyper buscava fazer a religião funcionar no mundo moderno, apresentando confrontações e respostas cristãs para todas as áreas da vida. Ele era um homem que dedicou sua enorme energia em muitas frentes da teologia pública. Autor das famosas Stone Lectures, proferidas no Seminário Teológico de Princeton, ele exerceu as vocações de pastor, jornalista, político, chegando a ser primeiro-ministro da Holanda (1901-1905), e acadêmico, fundando a Universidade Livre de Amsterdã.[4][5]

A vida de Kuyper expressa muito do cerne do próprio movimento Neocalvinista: a busca por apresentar o senhorio de Cristo em todas as esferas da vida, de forma a apresentar respostas cristãs para uma Europa secularizada. Guilherme de Carvalho destaca que o centro da visão neocalvinista era a soberania de Cristo em todas as esferas da vida humana e que essas ideias tiveram desdobramentos em diversas áreas, como educação, política, academia e igreja.[6]

O trabalho de sistematizar as ideias fundamentais do Neocalvinismo ficou para sucessores do movimento, em especial Herman Bavinck, na área da teologia, e Herman Dooyeweerd, na filosofia, cuja influência se estendeu até o autor estudado no presente trabalho. As ideias de Dooyeweerd se tornaram um arcabouço para que uma filosofia verdadeiramente cristã protestante pudesse ser desenvolvida que considerasse a soberania de Cristo e os múltiplos aspectos da experiência da realidade. Segundo Guilherme de Carvalho:

Mais do que introduzir alguns valores cristãos na universidade, Dooyeweerd se lançou ao ambicioso projeto de reformar a razão, de reformar a tradição filosófica e científica do Ocidente a partir de seu coração espiritual, e de reencontrar a ligação perdida entre pensamento teórico e religião.[7]

Herman Dooyeweerd nasceu em 1894 e foi influenciado desde sua infância pela fé cristã e pelas ideias neocalvinistas de Kuyper, especialmente por causa de seu pai, Hermen Dooijeweerd. Seus estudos acadêmicos aconteceram na universidade fundada por Kuyper, tornando-se doutor em direito constitucional, e lá Dooyeweerd lecionou filosofia, história e direito por 40 anos e foi considerado um dos autores mais influentes da Holanda, falecendo em 1977.[8]

Em sua obra A New Critique of Theoretical Thought, onde Dooyeweerd sistematizou sua filosofia pela primeira vez, ele afirma que o grande ponto de virada no seu pensamento foi a descoberta das raízes religiosas do pensamento e que todas as tentativas de síntese entre o Cristianismo e filosofias que assumissem a autonomia da razão humana estavam fadadas ao fracasso. Era necessário entender o coração como a raiz religiosa da existência, como proclamado pelas escrituras. O pensador neocalvinista chama o coração de “ponto arquimediano” da existência humana, ou seja, o ponto de apoio que permite que todo o resto seja levantado. Toda a atitude filosófica que proclame a suficiência da razão afasta o ser humano da revelação que está em Jesus, e isso deve ser inaceitável para os cristãos. É nesse sentido que Dooyeweerd busca desenvolver uma filosofia verdadeiramente cristã.[9]

A crítica da razão realizada por Dooyeweerd aponta os problemas da tradição filosófica ocidental ao considerar a razão, quando exercida de forma científica, dá um acesso privilegiado e neutro à realidade. Essa ilusão de neutralidade leva a uma percepção da realidade profundamente distorcida e reducionista. Segundo David Koyzis (2014), a filosofia de Dooyeweerd foi “fundamentada na convicção de que todo pensamento teórico tem uma base religiosa, não falsificável e pré-teórica”. Toda a teoria que se apresente como neutra religiosamente ou que pressuponha uma faculdade racional universal neutra “deve ser desmascarada”, pois é ingênua e “baseada numa antropologia deficiente”. Dessa forma, a razão não pode ser nunca identificada como uma faculdade neutra, mas “apenas como o aspecto lógico da nossa experiência total”. Para Herman Dooyeweerd:[10]

Se a própria realidade temporal não pode ser neutra em relação à sua raiz religiosa, se, em outras palavras, toda a noção de um cosmos temporal estático, independente da raiz religiosa da humanidade, se baseia em um equívoco fundamental, como alguém pode mais acreditar seriamente na neutralidade religiosa do pensamento teórico?[11]

Nesse esforço de rejeitar o reducionismo, Dooyeweerd buscou detalhar os aspectos da realidade que não podem ser reduzidos. Esses aspectos ele chamou de aspectos modais ou esferas modais ou esferas de lei. Albert Wolters (2018) define como “o círculo de leis qualificado por um núcleo de sentido único, irredutível e indefinível”, onde há dentro de cada esfera de lei um núcleo de sentido e uma função modal. Enquanto “lei” enfatiza que cada esfera possui leis peculiares a si, “modal” enfatiza a forma como esse aspecto é experienciado. Em sua filosofia, Dooyeweerd identificou 15 aspectos modais experimentados na realidade temporal e irredutíveis. São eles (em ordem): numérico, espacial, cinemático, físico, biótico, sensitivo-psíquico, analítico (lógico), histórico-cultural, linguístico, social, econômico, estético, jurídico, ético e pístico (fé e confiança).[12]

Com o objetivo de explicar melhor os aspectos modais, o filósofo holandês usa a imagem de um prisma. Para ele, a diversidade dos aspectos modais é expressa no tempo, mas se refere a uma unidade que está além deste, sendo supratemporal e que é a fonte da plenitude de sentido. Essa unidade é refratada na ordem do tempo, como a luz em um prisma é refratada em uma rica diversidade de cores. Cada uma das cores pode ser individualmente identificada, mas depende e se relaciona com as outras, assim como a luz como um todo não pode ser reduzida a apenas uma das cores resultantes da refração. Essa perspectiva afeta nossa percepção da realidade como um todo, inclusive a antropologia, pois evita que o homem seja reduzido a apenas um dos aspectos, como o faz o Iluminismo ao reduzi-lo à razão, ao aspecto analítico.[13]

Os aspectos modais apresentados por Dooyeweerd não existem na realidade concreta, mas são modos de como a realidade se apresenta. Ou seja, não existe uma realidade puramente histórica ou puramente numérica. Todos os eventos na história acontecem em relação a todos os aspectos modais. Esses modos irredutíveis não são nunca experimentados individualmente e não existem separados uns dos outros na experiência.[14]

Outro conceito da filosofia reformacional de Dooyeweerd que é de suma relevância para a compreensão da obra de Egbert Schuurman é o de motivos básicos ou motivos base. O motivo básico é a motivação fundamental de uma cultura. Segundo Reichow, um motivo básico religioso “controla e regulamenta os demais desenvolvimentos teórico, social, político e cultural de um grupo humano”. Ainda conforme Reichow (2019, p. 82-95), Dooyeweerd aponta que quatro motivos têm predominado ao longo da história do Ocidente:[15]

Matéria e forma: também chamado de dualismo grego, como o motivo da filosofia grega. Nele, a matéria representa a deificação da natureza, o caráter cíclico do tempo e o destino inevitável, enquanto a forma representa a religião cultural, que ganha força com as cidades-estado gregas, com o centro no Monte Olimpo e uma ênfase na harmonia, gerando um dualismo e uma tensão entre esses motivos.[16]

Criação, queda e redenção: é o motivo básico do Cristianismo e não possui uma tensão interna ou dualismo. Deus é o criador de todas as coisas e o mundo material não é mau em si mesmo, mas ordenado por meio da vontade do Criador. Seguido da criação, o motivo cristão reconhece a realidade do mal pela desobediência do ser humano no evento da queda e a restauração do direcionamento religioso do ser humano através da redenção em Jesus Cristo, o reconhecendo como o Senhor de todas as coisas. Esse é o único motivo integrador, que não se fundamenta em um dualismo.

Natureza e graça: síntese entre o motivo grego e o motivo cristão que surgiu com o gnosticismo e, posteriormente, na filosofia e teologia medievais. Para Dooyeweerd, esse motivo era o resultado de uma acomodação entre o dogma eclesiástico e a metafísica aristotélica. O resultado era uma teologia que não considerava a razão como profundamente afetada pela queda e uma filosofia que pressupunha a autonomia da razão. O dualismo aqui se torna entre a natureza, ou seja, as coisas próprias da razão e do mundo material, e a graça, relacionada a tudo que é espiritual e nossa relação com o Criador. O secularismo foi, portanto, o avanço do polo da natureza sobre o polo da graça, devorando-o.[17]

Natureza e liberdade: dualismo entre os ideais modernos de controle, determinismo e racionalismo e os ideais oriundos da Renascença, que enfatizam a personalidade como absoluta, dona de si e livre. Para Dooyeweerd, uma síntese entre esses dois ideais é impossível e o resultado é uma constante tensão. A humanidade não pode ser, ao mesmo tempo, livre e ser capaz de reduzir toda realidade ao crivo da razão.

A exposição das tensões dos motivos religiosos base e dos problemas da crença na autonomia da razão realizada pela filosofia reformacional serve, portanto, como um fundamento filosófico poderoso para lidar com os desafios que o desenvolvimento tecnológico impõe à sociedade. A seguir, será apresentado um dos principais pensadores contemporâneos sobre uma filosofia da tecnologia que parta das ideias neocalvinistas, especialmente da Filosofia da Ideia Cosmonômica.

3. Egbert Schuurman: vida e filosofia

Egbert Schuurman nasceu em 1937 em Borger, na Holanda. Graduado em Engenharia Civil na Delft University of Technology e Filosofia da Universidade Livre de Amsterdã, recebeu seu doutorado em 1972 com uma tese na área de Filosofia da Tecnologia, dando continuidade ao trabalho de seu orientador, Hendrik van Riessen. Lecionou Filosofia Cristã na Universidade de Eindhoven entre 1972 e 2004. Schuurman também exerceu participação ativa na política holandesa. De 1981 a 1983, foi membro do Broad DNA Committee, encomendado pelo governo holandês para avaliar os aspectos sociais e éticos do uso do material genético humano e investigou os limites das aplicações técnicas pelo Instituto Real Holandês de Engenheiros. Além disso, atuou como senador de 1983 até 2011. Em 1994, recebeu o Prêmio Templeton por seu trabalho ensinando sobre religião e ciência. Sua última obra publicada foi Technology and Christianity: Essays on the Interface, em 2024. Isso significa que Schuurman amadureceu suas ideias durante diferentes períodos do desenvolvimento tecnológico recente, especialmente entre a Guerra Fria e a popularização da Tecnologia da Informação.[18]

A obra de Schuurman e os conceitos que desenvolve são profundamente influenciados pela filosofia de Herman Dooyeweerd, assim como sua atuação pública foi influenciada por Abraham Kuyper. Por exemplo, ele aborda frequentemente a questão da crise ambiental gerada pelo avanço tecnológico, apresentando o problema como fundamentalmente religioso sem deixar de propor ações práticas na esfera da sociedade. Para Schuurman, o motivo religioso base da natureza e liberdade e sua consequente tensão estão no centro da produção tecnológica moderna. Dessa forma, é impossível compreender a obra de Schuurman sem uma compreensão geral dos conceitos da filosofia reformacional.[19][20]

Os pressupostos reformacionais de Egbert Schuurman não o impedem de criticar alguns pontos do movimento neocalvinista e sua relação com a tecnologia, principalmente em seu início, com Abraham Kuyper. O filósofo da tecnologia holandês reconhece que Kuyper teve um ponto cego na sua relação com a tecnologia e que ele aceitou o desenvolvimento tecnológico de forma exageradamente otimista, sem perceber os seus perigos e problemas.[21]

Outra influência bastante presente nos desenvolvimentos filosóficos de Schuurman é Jacques Ellul, filósofo francês que escreveu extensamente sobre tecnologia. Schuurman utiliza várias das categorias e observações de Ellul, especialmente nas definições de tecnologia e nas diferenças entre a tecnologia moderna e as antigas tecnologias manuais. Por outro lado, a inevitabilidade do avanço e dominação tecnológica afirmada por Jacques Ellul, que propunha certa autonomia à tecnologia e a tratava com grande pessimismo, é repetidamente criticada por Schuurman. Se a tecnologia é, como propõe Schuurman, fundamentalmente religiosa e conectada aos motivos religiosos base da sociedade, é impossível que ela seja autônoma.[22]

Apesar das diversas críticas aos fundamentos religiosos do desenvolvimento tecnológico atual, Schuurman usa a filosofia reformacional para também trazer uma perspectiva positiva da tecnologia, sob o motivo cristão, que traga real progresso cultural.[23]

Nas próximas seções, apresentaremos as principais problemáticas, conclusões e soluções propostas por Schuurman realizadas sob a ótica da filosofia reformacional.

4. Tecnologia como esperança

Nos últimos séculos da história da humanidade, principalmente após a Renascença, a tecnologia e seus artefatos têm assumido funções progressivamente mais centrais na experiência humana de contato com a realidade. Muito desse desenvolvimento tecnológico é associado à crença de que a humanidade é capaz de alcançar salvação ou destruição através dos próprios esforços, através da sua liberdade e do seu controle total da natureza. Segundo o historiador contemporâneo Yuval Noah Harari:

Não precisamos rezar para nenhum deus ou santo para que nos salvem deles. Sabemos bem o que precisa ser feito para evitar a fome, as pestes e a guerra — e geralmente somos bem-sucedidos ao fazê-lo. É verdade que ainda se verificam fracassos dignos de nota; mas, quando deparamos com eles, não mais damos de ombros e dizemos “Bem, é assim que as coisas funcionam em nosso mundo imperfeito”, ou “Que seja feita a vontade de Deus”. Sim, quando a fome, as pestes ou a guerra saem de nosso controle, costumamos achar que alguém deve ter se equivocado, estabelecemos uma comissão de inquérito e prometemos que na próxima vez faremos melhor.[24]

A crença de Harari não é única. O futurólogo Neil Redding, em uma palestra para um evento de uma grande empresa de tecnologia brasileira, afirmou que os recentes modelos de Inteligência Artificial generativos não são apenas tecnologias, mas uma nova espécie com a qual os seres humanos precisam estabelecer uma simbiose que beneficie ambos os lados. Para obter o que precisamos dessa nova espécie, devemos oferecer a ela algo que seja do seu interesse.[25]

Tais visões sobre tecnologia entram imediatamente em conflito com a percepção cristã da realidade. Na crença na salvação pela tecnologia não há espaço para uma salvação divina, visto que o destino da humanidade estaria exclusivamente nas mãos das capacidades científicas e tecnológicas humanas. Egbert Schuurman conecta esse anseio humano pela tomada do poder das mãos do próprio Deus com o relato da Torre de Babel em Gênesis, onde o desejo por alcançar Deus, o desafiar, tomar o seu lugar e recuperar o paraíso perdido por meio da própria força, motiva o avanço tecnológico. Diante desta perspectiva, é pressuposto central do filosofo reformacional que a tecnologia não é espiritualmente neutra.[26][27]

4.1 Definindo tecnologia

Não é simples tarefa a definição do que é tecnologia. Segundo o autor estudado no presente trabalho, “fala-se em tecnologia quando se utilizam ferramentas para moldar a natureza, na consecução de propósitos humanos”. Dessa forma, a tecnologia está profundamente enraizada nas civilizações.[28]

Schuurman refina sua definição de tecnologia ao contrastar as tecnologias artesanais com as tecnologias modernas. Para ele, a tecnologia moderna deixou marcas na cultura mais profundas que as tecnologias artesanais anteriores. Baseando-se nos escritos de Jacques Ellul, o filósofo holandês apresenta sete características que diferenciam a tecnologia moderna da tecnologia manual: racionalidade, artificialidade, automatismo, autorreforço, monismo, universalismo e autonomia. Não se trata da presença das característica nos artefatos, mas delas como pressupostos no desenvolvimento e uso das mesmas. Segundo ele:[29][30]

Os desenvolvimentos técnicos modernos são obsessivos, enormes em escalas universais, reducionistas e socialmente nivelados, assim sendo unidimensionais e impessoais. Os seres humanos acabam como engrenagens na maquinaria, despersonalizados, alienados uns dos outros. O resultado é uma cultura aparentemente racional, comercial e eficiente, mas, de fato, é gelada e estéril, sem um coração. A dominação técnico-científica traz uma visão de túnel e uma tendência à escala maciça à ciência, economia e política.[31]

Outro aspecto do desenvolvimento tecnológico moderno é a escala global. As aplicações técnicas estão conectadas de forma a comporem uma rede mundial, não apenas direta, mas indiretamente. O amplo uso da tecnologia e influência dela na vida comum da humanidade como um todo é sem precedentes históricos. Para Schuurman, “essas aplicações técnicas mutuamente conectadas funcionam de forma interativa” e são um sistema interligado no centro da cultura.[32]

A tecnologia moderna é, portanto, a amplificação do poder humano sobre a realidade, marcada por uma ideia secular que coloca a humanidade no centro, ignora os efeitos da queda, pressupõe uma racionalidade neutra e autônoma e vive na tensão entre a natureza e a liberdade. Mesmo quando os problemas desse contexto são expostos e identificados, eles são apresentados como irreversíveis e inevitáveis. Isso não quer dizer que os artefatos tecnológicos são, em si mesmos, maus, mas que são idealizados, concebidos e distribuídos nesse contexto.[33][34]

4.2 A autonomia da razão

Seguindo a tradição filosófica reformacional, Schuurman argumenta extensivamente em diversas das suas obras sobre o problema da crença ilusória na autonomia do homem e da razão. Essa crença faz com que a realidade seja reduzida ao pensamento teórico e o ser humano passa a ser entendido como uma mera máquina. Essa forma de pensar encontra sua origem no pensamento de René Descartes, que colocava sob a razão humana o ponto de partida para todo o resto, levando a cultura ocidental a considerar o pensamento técnico como a forma dominante de pensar, baseado na autossuficiência do pensador.[35]

A equiparação entre o ser humano e máquinas pode ser também encontrada em filósofos contemporâneos, como Daniel Dennett (1994), em seu artigo “Consciousness in human and robot minds”. Ele inicia o artigo afirmando que “a melhor razão para acreditar que robôs podem algum dia se tornarem conscientes é que nós seres humanos somos conscientes, e nós somos nós mesmos um tipo de robôs” (tradução nossa). Para Dennett, os motivos pelos quais robôs conscientes podem não vir a existir são mais mundanos, como razões econômicas, não teóricas. No artigo, inclusive, o filósofo é bastante jocoso com a ideia de existir algum componente imaterial na consciência. As decisões tanto de criar o robô consciente quanto de não criar repousam exclusivamente na autonomia da razão humana.[36][37]

Dessa forma, a esperança posta no controle tecnológico tem fundamento na ideia de, por causa da suposta autonomia da razão, podemos alcançar verdadeira liberdade via esforços técnicos. Os positivistas, inclusive, criam que tudo o que fosse espiritual ou religioso era sem sentido. Assim, “escondida atrás da fachada da tecnologia moderna, há uma máscara da liberdade individual autônoma, um vácuo espiritual”.[38]

Por causa da origem no pensamento em Descartes, lidar com a crença na autonomia da razão exige lidar com o Iluminismo. Nesse movimento, “a razão humana é aceita como instrumento de controle”, e leva a uma associação entre a tecnologia e a felicidade, a liberdade e o progresso. Essa relação cria um ambiente que minimiza as desvantagens e impactos negativos dos artefatos tecnológicos produzidos. Ou seja, mesmo quando os problemas são percebidos, não há disposição para abandonar o ponto de partida dessas ideias.[39]

A crença iluminista da autonomia do pensamento humano e a veneração da ciência, reduzindo toda a realidade ao pensamento teórico, resultam, segundo Schuurman, no que ele chama de “cultura técnico-científica” ou de “tecnocracia”, que seria uma submissão da realidade aos artefatos tecnológicos produzidos pela técnica humana, colocando todas as esperanças humanas nesse desenvolvimento tecnológico motivado por um ideal de controle.[40][41]

O filósofo holandês exemplifica a tensão dooyeweerdiana entre natureza e liberdade nas disputas entre os tecnocratas e os revolucionários. Os primeiros são sempre otimistas com o futuro e acreditam que todos os problemas gerados pela tecnologia podem ser solucionados com mais tecnologia. Suas esperanças estão particularmente no desenvolvimento da Tecnologia da Informação, com o avanço da computação. Para eles, o computador é o maior instrumento de controle tecnológico. Já os revolucionários percebem os problemas da artificialidade abstrata trazida pela tecnologia moderna, se opondo ao determinismo da mentalidade técnica e enfatizando a descontinuidade da história. Para estes, o que move a história é a revolução, o protesto, conflito, luta e a ação. É a revolução, principalmente política, que pode mover a humanidade do presente para um futuro utópico em um mundo de possibilidades. Essa disputa entre a tecnocracia e a revolução é descrita por Schuurman como uma briga de família: ambos assumem um ponto de vista cartesiano, tendo o homem como autossuficiente, o mundo como fechado e a história como exclusivamente a história do homem. Nessa perspectiva, fica ainda mais claro que é um conflito de raizes espirituais.[42]

A filosofia reformacional, no entanto, rejeita a autonomia do homem e, portanto, rejeita igualmente a autonomia do pensamento filosófico e científico em especial. Todo pensamento reformacional começa com o reconhecimento de que a natureza do homem e da cultura não são nada em si mesmas. Pelo contrário, reconhece que o homem, que, afinal, não criou a si mesmo, precisa de uma revelação a fim de descobrir quem ele é, para que finalidade ele existe, e qual é o significado da história que engloba a si mesmo e todas as coisas.[43]

4.3 Tecnologia como um falso deus

Abordar a tecnologia como um falso deus e a idolatria em torno dela exige uma breve definição de idolatria nos termos reformacionais. O engenheiro canadense Derek Schuurman — não confundir com o filósofo holandês Egbert Schuurman —, em uma entrevista, afirmou que “sempre que olhamos para as coisas criadas para termos esperança em lugar de olharmos para o Criador, caímos na idolatria”.[44]

O conhecido texto bíblico de Romanos 1:23-28 descreve o problema da humanidade como a troca da adoração e do serviço ao criador pela adoração de criaturas, assim como a substituição da verdade divina por mentiras. Deus entrega os idólatras a si mesmos, a “uma disposição mental reprovável” (v. 28). Nessa perspectiva, o teólogo Yago Martins escreve que “ao elevar algum elemento da criação como uma divindade substituta ou concorrente ao Deus vivo, o homem obscurece a própria capacidade de enxergar a criação de modo apropriado”. A absolutização de elementos da realidade como forma de idolatria resultando em uma distorção da percepção do mundo é descrita também por Dooyeweerd, ao criticar a programação da autossuficiência do pensamento filosófico, e por Egbert Schuurman, ao criticar a absolutização das abstrações científicas. Segundo ele:[45][46]

A incapacidade de perceber que os cientistas produzem abstrações leva ao reducionismo. Isso implica também que os acadêmicos não se veem como uma criatura, mas como "soberanos e senhores" (Descartes) sobre toda a realidade. Essa pretensão leva claramente a ultrapassar as fronteiras da ciência. A ciência, consequentemente, se torna uma ideologia e o cientista um crente na ciência […]. A ciência se torna um ídolo.[47]

Ao ignorar Deus no exercício da ciência e declarar a si mesmo como soberano senhor sobre a razão, o cientista busca obter uma compreensão total da realidade a partir das suas abstrações e, com isso, submeter as coisas à sua vontade. Ele deseja controlar a realidade e estabelecer o seu poder. O desejo de reduzir a realidade e submetê-la à vontade humana através de interpretações técnicas da realidade é chamado por Schuurman de tecnicismo. Na visão tecnicista, o homem se torna o criador e redentor do mundo, que atribui um significado técnico para todos. O filósofo holandês acompanha a tradição reformacional ao dizer que “nosso pensamento não pode reconstruir a realidade integralmente”.[48]

A devoção indevida dada à tecnologia se apresenta em diversas camadas. Ela é um ídolo quando esperanças soteriológicas são postas sobre ela, entretanto, ela conjuntamente manifesta outra idolatria, a saber, a elevação da razão humana como capaz de moldar a realidade à sua imagem e semelhança. O pastor Filipe Fontes, em sua obra Idolatria do Coração, argumenta que há uma dinâmica na idolatria, composta por um ídolo menor, um intermediário e um ídolo maior. O ídolo último de todo o idólatra é o próprio eu. A tecnologia, produzida e utilizada com a mentalidade tecnicista, serve como potencializadora da inclinação idólatra humana posterior à queda.[49]

Não raro, a ciência e a tecnologia são responsabilizadas pela confusão em que nos encontramos. Todavia, afirmo tratar-se de um grande mal-entendido. A origem do problema é o homem. Ele chegou a se considerar o Alfa e o Ômega. [...] Desde o fechamento do acesso ao Deus vivo, a humanidade tem colocado a esperança no que a ciência e a tecnologia podem fazer no futuro.[50]

O historiador e filósofo alemão Oswald Spengler, em sua obra Man and Technics, apresenta uma visão bastante pessimista da tecnologia e expõe o aspecto religioso da confiança nela. Mesmo não sendo cristão, Spengler fala de uma religião materialista, onde a “técnica é imortal como Deus Pai, salva a humanidade como Deus Filho, e nos ilumina como Deus Espírito Santo” (tradução nossa). O historiador ainda chama os seguidores do materialismo de adoradores. Ainda que Schuurman critique o seu pessimismo exagerado, de forma que o ser humano se torna uma vítima inevitável da própria conquista técnica, Spengler mostra que a percepção do aspecto religioso do desenvolvimento tecnológico não é exclusiva dos cristãos.[51][52]

A idolatria tecnicista, portanto, pode ser resumida em três principais crenças: (1) o desenvolvimento de artefatos tecnológicos cada vez mais complexos e abstratos é inevitável, ou seja, o progresso não pode ser interrompido, (2) todo o progresso tecnológico trará melhorias para as condições de vida da humanidade que superarão os seus efeitos colaterais e (3) quaisquer problemas que surjam originados de algum progresso tecnológico podem e serão corrigidos nas próximas etapas do desenvolvimento da tecnologia. Para Egbert Schuurman, essa idolatria não é apenas limitante espiritualmente, mas é estreita tecnicamente. Ao conduzir a um desenvolvimento tecnológico autoritário e destrutivo, a própria inovação tecnológica se torna limitada e irrefletida.[53][54]

Em vista do cenário até aqui descrito, é possível afirmar que a tecnologia como esperança se dá quando anseios soteriológicos ou escatológicos são colocados sobre artefatos específicos ou mesmo sobre uma crença de progresso iminente e inevitável. Tal crença leva seus adeptos a ignorarem as consequências negativas daquilo que é desenvolvido hoje em nome da esperança de que elas são apenas consequências intermediárias de um futuro onde o progresso terá encontrado a solução para todas as coisas.

5. Uma filosofia reformacional da tecnologia

O custo do progresso, no entanto, é uma imposição autoritária sobre a realidade do aspecto lógico da existência e a idolatria do ego humano. A percepção deste custo é ainda prejudicada pela forma abstrata que o progresso tecnológico se dá, pois, dada sua suposta inevitabilidade e impessoalidade, a responsabilização individual e comunitária é obscurecida. É em resposta a esse cenário que Egbert Schuurman apresenta uma proposta de filosofia reformacional da tecnologia. Para ele, a filosofia reformacional serve de guia para os perdidos no labirinto técnico, pois ela ajuda a definir as prioridades e a desenvolver uma tecnologia que de fato sirva os humanos responsavelmente.[55]

A situação dos cristãos no contexto tecnicista é semelhante a um exílio, vivendo em um tipo de Babilônia. Nela, “o homem adora vários deuses e os constrói, de acordo com a permissão da ciência e tecnologia” e aos cristãos nem sempre é viável uma atuação com impacto em larga escala. Entretanto, para que o coração não seja perdido, é necessário refletir sobre a nossa responsabilidade diante da cultura atual. Aos cristãos cabe o dever de refletir sobre os avanços da ciência e tecnologia através da perspectiva bíblica, proclamando Jesus como o Senhor de toda a criação, inclusive da tecnologia, através da voz profética da Igreja.[56]

Se, como argumenta Schuurman, o problema da sociedade tecnológica é antes religioso que técnico, qualquer solução proposta deve incluir o aspecto religioso do problema. Uma filosofia cristã da tecnologia deve, portanto, fundamentar-se no motivo religioso base cristão da criação, queda e redenção. Esse motivo base deve guiar a reflexão a um sistema ético coerente e integral para o uso e desenvolvimento dos artefatos tecnológicos.[57]

5.1 A Criação e o senhorio divino

Pensar a tecnologia sob a perspectiva cristã da criação é direcionar o ponto de partida de todas as coisas: o ser humano está lidando com uma natureza intencionalmente criada e compartilha com ela o estado de criatura. Uma das primeiras consequências disso é que a natureza não é divina, assim como não foi formada do acaso, mas existe em relação com o seu criador. O homem é colocado na natureza, tendo sido criado a partir dela, como um representante de Deus e com a incumbência de trabalhar, conforme diz o relato de Gênesis 1-2. A humanidade é criada com um papel especial, de mordomia e autoridade, em um jardim que foi chamada a dominar e expandir.

Ao ser criado conforme imagem e semelhança de Deus, receber dele a capacidade de linguagem e raciocínio e ser ordenado a usá-la para estudar e classificar a natureza, o ser humano recebe não somente autoridade, mas responsabilidade do Criador. Essa superioridade sobre a natureza, indicada pelas Escrituras, é frequentemente apontada por opositores como a causa de toda a distorção e falta de cuidado sobre o ambiente presente no Ocidente. Schuurman argumenta que o domínio afirmado pelo Cristianismo é sempre associado à responsabilidade, nunca considerado absoluto. Dessa forma, o motivo base cristão legitima a ciência, mas não coloca a existência humana e suas esperanças soteriológicas no estudo e na transformação da natureza.[58]

A doutrina cristã da criação também serve como guia para a relação com o tempo. A história é apresentada linear e progressiva, mas com aspectos cíclicos. Os dias da criação e o propósito indicado para o ser humano revelam um objetivo da história, não um destino fixo e cíclico inevitável, em eterna repetição. Todavia, o descanso divino no sétimo dia, que serve como fundamento para os vários aspectos de descanso apresentados na teologia cristã, mantém repetidamente a memória de que tudo depende do sustento do criador e pertence, em última instância, a ele. Por causa disso, a terra não deveria ser explorada até a exaustão. Segundo Schuurman, “o mandato de Gênesis não significa uma exploração ilimitada e arbitrária da natureza, mas uma abordagem cuidadosa frente a um bem que foi confiado ao homem”. Para ele, devemos ver a criação como um jardim que caminha em direção a se tornar uma cidade-jardim. Tal entendimento deveria chamar uma busca por desenvolvimento responsável.[59]

Somente quando um reconhecimento da origem e do significado da realidade precede a ciência, e um método científico instrumentista é rejeitado, então a ciência se relaciona corretamente à plenitude da realidade. A ciência deve ser integrada na realidade plena da experiência e ser aprofundada como uma forma de conhecimento da realidade. Então, o conhecimento científico servirá nosso crescimento em sabedoria. Esta maneira de fazer ciência aumentará uma visão crescente e abrangente da realidade. O objetivo da ciência deve ser ganhar discernimento e fortalecer a responsabilidade humana em relação a tudo o que está acontecendo na realidade, concebendo essa realidade como um jardim que cresce em uma "morada de companheirismo”.[60]

O conceito da criação como jardim a ser cuidado e não um mundo a ser dominado deve nos fazer vê-la como um presente que nos exige cuidado, e nosso desenvolvimento tecnológico deveria ser dirigido por isso. O homem está destinado a fazer o seu trabalho diante de Deus, sendo guiado pelas normas presentes na dinâmica da criação, intencionalmente colocadas pelo criador. O homem não é o centro da realidade e sua ciência e tecnologia não devem girar em torno de si, mas do próprio Deus, o verdadeiro senhor sobre todas as coisas.[61]

5.2 A Queda e uma antropologia cristã

Na teologia cristã, a Queda é o motivo das coisas que estão erradas com o mundo. Por causa da maldição advinda da desobediência humana contra Deus, descrita em Gênesis 3, a natureza passou a resistir ao ser humano e os próprios relacionamentos entre as pessoas passaram a ser problemáticos. As Escrituras apresentam como o mal se alastrou por todo o cosmos e todas as capacidades humanas são afetadas por ele.

Essa intromissão do pecado e da sua consequente maldição afetou a própria natureza humana e distorceu a imagem e semelhança divinas presentes no homem. A proposta da serpente de desobedecer e comer o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal era um convite à autonomia, ou seja, a escolher a si mesmo como fonte para determinar o que é certo e errado, em uma recusa direta à Palavra de Deus.[62]

Os teólogos Craig Bartholomeu e Michael Goheen afirmam que, na queda, Adão e Eva buscaram tornar-se lei para si mesmos, acreditando nas dúvidas que a serpente lançou sobre a ordem de Deus para Adão, questionando até mesmo a bondade de Deus, visto que a serpente acusa Deus de mentir por medo de que suas criaturas se tornassem semelhantes a ele. A serpente ainda contradiz a afirmação direta de Deus das consequências da desobediência: diferente do que Deus havia afirmado, eles não morreriam ao comer da árvore. A busca pela autonomia colocou a humanidade em oposição a Deus.[63]

Tal anseio por autonomia está no cerne da discussão de Egbert Schuurman. A crença na autonomia da razão e, consequentemente, do ser humano, direciona a tecnologia moderna e possui raízes muito antigas, no relato da queda em Gênesis. O uso da tecnologia para a luta humana rebelde contra Deus encontra sua expressão já no relato da Torre de Babel, em Gênesis 11. Nele, o desejo por alcançar Deus, o desafiar, tomar o seu lugar e recuperar o paraíso perdido por meio da própria força, motiva o avanço tecnológico. A tecnologia e a rebeldia contra Deus por meio da idolatria estão conectadas desde a queda.[64]

O que está por trás da motivação do homem ao desenvolver a ciência e tecnologia? Parece que o motivo consiste no anseio humano de controlar toda a realidade mediante seus pensamentos e ações. O desejo do homem é controlar a origem, a existência e o destino de todas as coisas, sujeitando-as a si mesmo. O homem continua tentando romper a realidade nos menores elementos básicos, a fim de reconstruí-las de acordo com sua estrutura de poder.[65]

A produção de artefatos tecnológicos não pode ignorar os efeitos da queda, sejam eles sobre a natureza, sejam sobre a razão humana, e isso pode ser percebido nos motivos religiosos presentes na história. Todos os motivos dualistas apresentados por Herman Dooyeweerd e reforçados por Schuurman possuem sua origem na queda da humanidade. Após a queda, é impossível pensar em razão, história ou natureza humanas sem considerar a queda e o impulso humano por autonomia, seu desejo de ser o próprio Deus.

5.3 A Redenção e a esperança no lugar certo

O cerne da resposta cristã para os dilemas da ciência e tecnologia está na redenção. A Criação e a Queda fundamentam o entendimento das razões do estado atual das coisas, do propósito de tudo e do nosso lugar na realidade. A redenção, por sua vez, apresenta a solução final, onde as esperanças devem ser legitimamente firmadas.

A redenção cristã é exemplificada biblicamente por diversas imagens, como a substituição penal, onde Cristo, em sua morte, assume o lugar dos pecadores e recebe o castigo a eles destinado, e os destinatários do seu sacrifício recebem a justiça do Senhor, sendo vistos como justos diante de Deus. Outra imagem que representa a redenção é a da vitória de Cristo sobre os poderes do mal, chamada de Christus Victor. Ela exalta a imagem de triunfo de Cristo, sua realeza e a sua glória exaltada mesmo na morte, no seu ponto de maior humilhação. O Filho de Deus, que é o Deus encarnado, na morte e ressurreição assume como o rei de toda a criação.[66]

Ao morrer e ressuscitar para redimir a humanidade, Jesus restaura o relacionamento da humanidade com Deus e anuncia uma glorificação futura, que removerá todos os efeitos do pecado e as maldições derivadas da queda. Nesse aspecto, a redenção inclui a restauração do relacionamento entre o ser humano e a própria criação. Tal restauração é chamada a ser posta em prática pela união mística do cristão com Jesus, que, em seus ofícios de profeta, sacerdote e rei, chama a sua Igreja a atuar no mundo. Para Egbert Schuurman, a redenção cristã deve influenciar a forma como os cristãos percebem a realidade.

Uma visão cristã da realidade procedendo da fé em Deus como Criador e Sustentador deste mundo é reconhecer que vivemos em uma realidade criada. Tudo no universo é de, através e para Deus. Os seres humanos são a imagem de Deus, e o amor a Deus e ao nosso próximo são os principais princípios orientadores de tudo para o qual somos responsáveis. O futuro é o de Deus: o Seu Reino. Por causa da queda no pecado, vivemos em uma realidade destroçada e lacerada. Chegou um momento no tempo em que tudo isso será eliminado, quando o próprio Deus, através de Cristo, estabelecerá Seu Reino. Esse é um Reino cheio de glória divina e infinitamente grande e profundo, no qual os cidadãos desse Reino viverão em um estado de harmonia e gratidão infinita.[67]

A redenção coloca a esperança humana longe da própria humanidade, mas apenas em Deus. Nada do que for cientificamente estudado ou tecnologicamente produzido pode verdadeiramente libertar a humanidade do pecado, apenas o sacrifício de Cristo. Dessa forma, “a menos que o homem se converta de modo radical e se volte para Deus”, os conflitos sociais e a busca por esperança na tecnologia continuarão acontecendo, visto que “a cultura sem Deus sempre carrega as sementes da decadência”.[68]

Se a humanidade abandonar a ideia de uma cultura tecnicista e pressupor a realidade como presente, tanto através da criação quanto pelo reconhecimento da redenção, um espaço para gratidão e cuidado será aberto e o controle por meio da ciência e da tecnologia passará a ser secundário, sem que isso signifique, de forma alguma, inovações tecnológicas mais pobres. A visão cristã tira o poder e a idolatria do eu do centro e permite que a ciência exerça o seu devido papel de auxiliar na experiência de contato com a realidade, como um mapa que guia, mas não compreende tudo ao que se refere. Ecoando Dooyeweerd, Schuurman reforça a ideia de que apenas o motivo base cristão é integrador, sem ser dualista.[69]

5.4 Ética da Responsabilidade

A situação descrita pelo filósofo holandês coloca os cristãos em uma situação delicada. Os discípulos de Jesus são chamados a atuar profeticamente no mundo, anunciando os problemas da tecnologia e propondo soluções práticas, mas o motivo religioso da criação, queda e redenção, qualificam os problemas como essencialmente religiosos, necessitando de uma transformação religiosa para que o cenário se resolva plenamente. Diante disso, até que o Reino de Deus seja plenamente estabelecido, como a escatologia cristã antecipa, os cristãos estão em uma situação semelhante ao exílio. Vivem na Babilônia ansiosos por Jerusalém.

Buscando apresentar uma proposta de filosofia da tecnologia que se adeque ao contexto atual, que ajude cristãos — e até mesmo não cristãos — a se relacionarem com a tecnologia de forma mais saudável e sem idolatria, Schuurman apresenta em suas obras um modelo ético que chama de Ética da Responsabilidade.

Para Egbert Schuurman, a ética é “a ciência do bem ou da ação humana responsável, a ciência das normas e valores que se aplicam à ação humana”. Essa definição exige que qualquer modelo ético proposto lide com os conceitos de bem e mal e defina o que significa ser responsável. Segundo ele, muitas das abordagens éticas utilizadas para lidar com o desenvolvimento tecnológico não são suficientes. O utilitarismo não consegue diferenciar bem e mal e não pode apropriadamente criar um ambiente de responsabilidade e prestação de contas. Abordagens deontológicas, baseadas no dever, e teleológicas, nos resultados, não são suficientes por serem incapazes de extrapolar as relações homem-ferramenta e considerarem todo o sistema globalmente ramificado de interação tecnológica. É necessário um sistema ético diferente.[70][71][72]

A Ética da Responsabilidade apresenta uma abordagem onde todas as partes interessadas em determinado artefato tecnológico devem indicar os valores, normas, princípios e, principalmente, as motivações que constituem tal artefato. Além disso, os envolvidos devem saber claramente suas contribuições e responsabilidades. Mesmo em um contexto de grande abstração e de escalas sem precedentes de interconexão entre os artefatos tecnológicos, eles continuam sendo frutos da engenhosidade humana, expondo todos os envolvidos a responsabilidades finais e claras, tanto individuais quanto conjuntas, como sociedade.[73]

A Ética da Responsabilidade se conecta com o motivo cristão pela perspectiva da terra como um jardim a ser cultivado e cuidado de tal forma que floresça. Na visão cristã, o jardim se desenvolve em direção à cidade-jardim, onde a tecnologia e a natureza estarão em harmonia. O jardim não é propriedade humana, mas uma responsabilidade recebida para o cuidado. Isso deveria chamar a uma busca por desenvolvimento responsável. Antes de se envolver nas atividades científicas e tecnológicas, é necessário reconhecer o valor intrínseco das coisas. A realidade é dada aos seres humanos como guardiões, não como senhores.[74]

6. A proposta reformacional no contexto de Inteligência Artificial

A obra de Egbert Schuurman, como um filósofo reformacional da tecnologia, é bastante ampla, tanto conceitualmente quanto historicamente. As principais aplicações práticas apresentadas pelo filósofo envolvem o cuidado com o meio ambiente, gestão de recursos em engenharia civil e nuclear, bioética e aplicações gerais à computação. Essa amplitude faz com que seja necessário um esforço de aplicação da sua obra para o contexto recente de Inteligência Artificial, principalmente com os modelos generativos. A presente seção busca expor a problemática e alguns possíveis pontos de contato, com o objetivo de recomendar trabalhos futuros.

Em abril de 2025, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram, Facebook e vários serviços de IA, concedeu uma entrevista para o Dwarkesh Podcast. Nessa entrevista, ele afirma que o americano médio possui menos amigos do que gostaria, considerando isso uma oportunidade para agentes de IA. Zuckerberg também associa isso com a suposta necessidade de todos possuírem algum terapeuta e que todos terão uma IA personalizada para si que ajudaria com isso. Ele acrescenta que, como sociedade, será necessário encontrar o vocabulário para articular a importância dos modelos de IA personalizados. Ou seja, para ele, a solidão das pessoas é uma oportunidade de mercado, gerada a partir da abstração dos relacionamentos pessoais motivada pelas próprias plataformas que administra. Possíveis críticas a essa abordagem podem ser respondidas como a falta de vocabulário social para reconhecer a importância do que foi construído.[75]

A Meta não é a única a possuir uma visão potencialmente destrutiva relacionada a IA. Em outubro de 2025, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um novo modo adulto no ChatGPT, que permite conteúdo e interações eróticas com agentes de IA generativa. A ferramenta de conversação com modelos de IA generativa ChatGPT também foi identificada incentivando usuários a se matarem ou forçando de forma inapropriada conversas sexuais. Além dos problemas sociais, tais modelos causam impactos ambientais e energéticos consideráveis.[76][77][78]

Na obra Fé, Esperança e Tecnologia, Schuurman questiona se os computadores são capazes de pensar. A resposta do filósofo holandês retorna ao problema da crença na autonomia da razão. Para Alan Turing, pai da computação moderna, o pensamento humano poderia ser reduzido ao modelo técnico, sendo passível de ser reproduzido de forma computacional. Usando os aspectos modais, Schuurman argumenta que o computador não ocupa todos os espaços na realidade.[79]

Em todas as suas funções, aspectos ou modalidades de existência, um ser humano opera subjetivamente. Um ser humano ocupa espaço, muda continuamente num sentido físico-químico, vive, sente, analisa, escolhe, realiza ações de cunho econômico, jurídico, estético, ético e baseadas na fé. Falar dessa forma acerca de um computador seria ridículo.[80]

O computador pode ter funções de sujeito nos aspectos espaciais e físico-químicos. Mesmo a possibilidade de biocomputadores apenas o incluiria no aspecto biótico. Nos outros aspectos, os computadores funcionam de forma sujeita aos humanos. A ideia de consciência de um computador é meramente ilusória e serve apenas para desvincular a responsabilidade humana das suas ações através da tecnologia computacional. A base da expectativa de uma tecnologia autônoma é a crença religiosa de que a mente constitui a “essência” do ser humano e ela é totalmente autônoma.

Todas as inovações do cenário atual da Inteligência Artificial não alteram o cerne do problema. Não são problemas puramente técnicos, mas religiosos. É a religião tecnicista, como expressão da idolatria fundamental do eu, que direciona os avanços tecnológicos computacionais modernos. Entretanto, assim como Schuurman destaca em sua obra a mudança de escala entre as tecnologias artesanais e modernas, enfatizando como isso influencia na nossa abordagem cultural como cristãos, é necessário que a atividade profética cristã sobre a relação da humanidade com as novas tecnologias de Inteligência Artificial considere também as proporcionalidades em suas propostas de solução. Dessa forma, se faz necessário estudos futuros sobre a atuação cristã neste contexto.

7. Considerações finais

O pensamento de Egbert Schuurman apresentado no presente trabalho é um excelente direcionamento para a conexão entre a fé cristã e a tecnologia moderna, especialmente por criar uma filosofia da tecnologia baseada nas ideias neocalvinistas. Schuurman apresenta uma abordagem pública inspirada em Abraham Kuyper e uma fundamentação filosófica encontrada em Herman Dooyeweerd. Devido a isso, a proposta de filosofia do filósofo da tecnologia holandês é integradora e evita reducionismos comuns dos ambientes científicos e tecnológicos. Dessa forma, ele é um necessário ponto de partida para a reflexão cristã mais aprofundada, uma reflexão que considere a realidade como um todo. Os artefatos tecnológicos e a influência da tecnologia como um todo devem ser vistas a partir do motivo cristão de criação, queda e redenção, através de olhar cuidadoso em cada etapa do desenvolvimento tecnológico. Não apenas consequências práticas posteriores devem ser analisadas, mas os motivos anteriores ao desenvolvimento de artefatos tecnológicos.

Algumas limitações na obra de Schuurman podem ser percebidas e revelam a necessidade de trabalhos futuros. Por exemplo, o filósofo enfatiza diversas vezes em suas obras o problema da crença na autonomia da razão, mas pouco considera os problemas gerados na tecnologia pela falta de ordem nos desejos. Muitos ambientes ideológicos definem a identidade do ser humano por aquilo que ele deseja, considerando isso acima da própria razão. A crítica antropológica precisa considerar a integralidade do ser humano e o efeito geral da queda. Outra limitação da obra de Egbert Schuurman é o foco no contexto europeu. Por ter sido um político holandês por muitos anos, várias propostas práticas consideram a cultura europeia e não são aplicáveis em contexto brasileiro. O próprio conceito de secularismo europeu não se expressou da mesma forma nas Américas. Como o sociólogo e teólogo luterano Peter Berger (2017) argumenta, “a secularidade ocidental não é a única forma de modernidade”.[81]

Ainda há espaço, portanto, para aprofundamentos cristãos na área da filosofia da tecnologia. É necessário que a igreja cristã continue a assumir seu papel profético na sociedade, aponte os ídolos culturais, seus problemas e apresente a solução definitiva para a idolatria: a redenção em Jesus Cristo. A tecnologia deve ser apresentada como parte da criação divina, do resultado da imagem de Deus no ser humano, porém profundamente afetada pela queda. A verdadeira esperança pode apenas ser colocada sobre o Filho de Deus e não há nada na criação que seja digno da devoção humana, pois todas as coisas pertencem a ele e são sustentadas por ele.

1. Introdução

A tecnologia sempre exerceu um papel fundamental nas relações sociais, econômicas, estéticas, jurídicas e até mesmo religiosas. Nas últimas décadas, ela tem sido apresentada de forma cada vez mais ubíqua, estando presente nas mais diversas áreas de interação humana com a realidade em torno de si. Diante disso, o avanço tecnológico é considerado imparável e incontrolável, restando à sociedade apenas observar e analisar os impactos dos seus artefatos. Essa interação abstraída e distante do ser humano com os artefatos tecnológicos que produz cria uma percepção da tecnologia como algo autônomo, independente do homem e capaz de servir como mediador do acesso à realidade. Os recentes desenvolvimentos na área da Inteligência Artificial (IA) agravaram ainda mais essa situação.

Ao ser vista como autônoma e mediadora da realidade, a tecnologia atrai para si esperanças e assombros. Por um lado, a tecnologia é vista como o grande sinal da autonomia e soberania humana, a prova de que está na humanidade a capacidade da própria redenção. Por outro, a tecnologia provoca receios escatológicos, onde a destruição vem através dos artefatos tecnológicos produzidos pelo homem. Em ambos os casos, o homem é o próprio soberano e vê toda a realidade a partir de si mesmo e daquilo que produz. Como disse Paulo em Romanos 1:25, “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do criador”.

Por se tratar inicialmente de disciplina técnica, o contato entre o processo de desenvolvimento tecnológico e as ciências humanas e teológicas acontece de forma bastante limitada. O próprio contexto religioso cristão acaba por lidar com a tecnologia de forma mais pastoral, lidando com as consequências e efeitos de seus artefatos nos membros das comunidades. Uma abordagem verdadeiramente cristã que queira considerar a tecnologia de forma mais ampla deve ser capaz de ser bíblica e holística, ou seja, lidar com a realidade como um todo, sem reduzi-la aos aspectos técnicos do desenvolvimento dos artefatos ou sociológicos do impacto deles na sociedade e realizar tudo isso partindo da fonte de autoridade cristã, a saber, as Escrituras Sagradas.

O presente artigo pretende analisar a tecnologia moderna, seu desenvolvimento, impactos e desdobramentos através da perspectiva da tradição filosófica neocalvinista da forma que é expressa na obra do engenheiro e filósofo da tecnologia Egbert Schuurman. O objetivo principal é apresentar o Cristianismo como uma voz que deve ser ouvida em todas as etapas do desenvolvimento tecnológico, através do amplo uso que Schuurman faz da filosofia de Herman Dooyeweerd, com a Filosofia da Ideia Cosmonômica, os Aspectos Modais e a identificação dos motivos religiosos base da sociedade.

Em uma entrevista para a Academia Brasileira de Cristãos na Ciência, Egbert Schuurman afirmou ser um grave problema a ausência de reflexão e ensino sobre tecnologia nas igrejas. É de suma importância que os aspectos práticos e éticos do uso e desenvolvimento da tecnologia, assim como seus impactos na cultura, sejam postos em discussão de um ponto de vista cristão. Segundo o filósofo holandês, uma das causas dessa omissão é a tecnologia parecer um assunto difícil, desinteressante e cheio de tecnicalidades. No entanto, não podemos ignorar que já vivemos em um mundo onde a tecnologia encontrou raízes profundas e os cristãos devem aprender a viver nesse mundo como cidadãos do Reino de Deus, inclusive em sua relação com a tecnologia. Diante disso, como um objetivo secundário, o presente trabalho busca estimular a reflexão sobre a tecnologia nos ambientes eclesiásticos, tanto para seu uso quanto para seu desenvolvimento.[2]

A escolha da tradição neocalvinista para lidar com a tecnologia de uma perspectiva cristã se dá pela busca dos seus pensadores em serem verdadeiramente cristãos e bíblicos em suas propostas filosóficas, observando toda a realidade como estando sob o sustento e senhorio de Cristo. Dessa forma, todos os aspectos da experiência na realidade que são tocados por artefatos tecnológicos estão primariamente sob o governo de Deus e não podem fugir dessa realidade. Todas as vezes que o ser humano tenta mudar esse governo, isso causa tensões com a realidade que não podem ser ignoradas.

A seguir será apresentada uma visão geral do Neocalvinismo. Isso se faz necessário para o entendimento e análise da obra de Egbert Schuurman. Dessa forma, a própria escolha do formato e ênfase da apresentação dos conceitos será de acordo com a relevância considerada para o estudo da obra do filósofo holandês.

2. O Neocalvinismo e a filosofia de Herman Dooyeweerd

O Neocalvinismo foi um movimento originado na Holanda que articulava o cristianismo, especialmente em sua vertente reformada, como uma visão de mundo integrada, capaz de abranger todos os aspectos da vida. Segundo Silva (2022), o Neocalvinismo é o termo que foi usado para se referir à tradição de pensamento que entendia o calvinismo como um sistema de vida abrangente. Nessa tradição, a fé é entendida como integral, não mais pertencente apenas à esfera do sagrado e ausente na esfera do secular. A própria separação entre sagrado e secular passou a ser rejeitada. Dessa forma, o Neocalvinismo se apresentava como uma resposta cristã à modernidade e ao Iluminismo.[3]

O representante mais conhecido desse movimento foi Abraham Kuyper (1837–1920). James D. Bratt (2013) o considera como pai do Neocalvinismo, sendo alguém que defendia a relevância da religião em todos os aspectos da vida pública. Dessa forma, Bratt entende que Kuyper buscava fazer a religião funcionar no mundo moderno, apresentando confrontações e respostas cristãs para todas as áreas da vida. Ele era um homem que dedicou sua enorme energia em muitas frentes da teologia pública. Autor das famosas Stone Lectures, proferidas no Seminário Teológico de Princeton, ele exerceu as vocações de pastor, jornalista, político, chegando a ser primeiro-ministro da Holanda (1901-1905), e acadêmico, fundando a Universidade Livre de Amsterdã.[4][5]

A vida de Kuyper expressa muito do cerne do próprio movimento Neocalvinista: a busca por apresentar o senhorio de Cristo em todas as esferas da vida, de forma a apresentar respostas cristãs para uma Europa secularizada. Guilherme de Carvalho destaca que o centro da visão neocalvinista era a soberania de Cristo em todas as esferas da vida humana e que essas ideias tiveram desdobramentos em diversas áreas, como educação, política, academia e igreja.[6]

O trabalho de sistematizar as ideias fundamentais do Neocalvinismo ficou para sucessores do movimento, em especial Herman Bavinck, na área da teologia, e Herman Dooyeweerd, na filosofia, cuja influência se estendeu até o autor estudado no presente trabalho. As ideias de Dooyeweerd se tornaram um arcabouço para que uma filosofia verdadeiramente cristã protestante pudesse ser desenvolvida que considerasse a soberania de Cristo e os múltiplos aspectos da experiência da realidade. Segundo Guilherme de Carvalho:

Mais do que introduzir alguns valores cristãos na universidade, Dooyeweerd se lançou ao ambicioso projeto de reformar a razão, de reformar a tradição filosófica e científica do Ocidente a partir de seu coração espiritual, e de reencontrar a ligação perdida entre pensamento teórico e religião.[7]

Herman Dooyeweerd nasceu em 1894 e foi influenciado desde sua infância pela fé cristã e pelas ideias neocalvinistas de Kuyper, especialmente por causa de seu pai, Hermen Dooijeweerd. Seus estudos acadêmicos aconteceram na universidade fundada por Kuyper, tornando-se doutor em direito constitucional, e lá Dooyeweerd lecionou filosofia, história e direito por 40 anos e foi considerado um dos autores mais influentes da Holanda, falecendo em 1977.[8]

Em sua obra A New Critique of Theoretical Thought, onde Dooyeweerd sistematizou sua filosofia pela primeira vez, ele afirma que o grande ponto de virada no seu pensamento foi a descoberta das raízes religiosas do pensamento e que todas as tentativas de síntese entre o Cristianismo e filosofias que assumissem a autonomia da razão humana estavam fadadas ao fracasso. Era necessário entender o coração como a raiz religiosa da existência, como proclamado pelas escrituras. O pensador neocalvinista chama o coração de “ponto arquimediano” da existência humana, ou seja, o ponto de apoio que permite que todo o resto seja levantado. Toda a atitude filosófica que proclame a suficiência da razão afasta o ser humano da revelação que está em Jesus, e isso deve ser inaceitável para os cristãos. É nesse sentido que Dooyeweerd busca desenvolver uma filosofia verdadeiramente cristã.[9]

A crítica da razão realizada por Dooyeweerd aponta os problemas da tradição filosófica ocidental ao considerar a razão, quando exercida de forma científica, dá um acesso privilegiado e neutro à realidade. Essa ilusão de neutralidade leva a uma percepção da realidade profundamente distorcida e reducionista. Segundo David Koyzis (2014), a filosofia de Dooyeweerd foi “fundamentada na convicção de que todo pensamento teórico tem uma base religiosa, não falsificável e pré-teórica”. Toda a teoria que se apresente como neutra religiosamente ou que pressuponha uma faculdade racional universal neutra “deve ser desmascarada”, pois é ingênua e “baseada numa antropologia deficiente”. Dessa forma, a razão não pode ser nunca identificada como uma faculdade neutra, mas “apenas como o aspecto lógico da nossa experiência total”. Para Herman Dooyeweerd:[10]

Se a própria realidade temporal não pode ser neutra em relação à sua raiz religiosa, se, em outras palavras, toda a noção de um cosmos temporal estático, independente da raiz religiosa da humanidade, se baseia em um equívoco fundamental, como alguém pode mais acreditar seriamente na neutralidade religiosa do pensamento teórico?[11]

Nesse esforço de rejeitar o reducionismo, Dooyeweerd buscou detalhar os aspectos da realidade que não podem ser reduzidos. Esses aspectos ele chamou de aspectos modais ou esferas modais ou esferas de lei. Albert Wolters (2018) define como “o círculo de leis qualificado por um núcleo de sentido único, irredutível e indefinível”, onde há dentro de cada esfera de lei um núcleo de sentido e uma função modal. Enquanto “lei” enfatiza que cada esfera possui leis peculiares a si, “modal” enfatiza a forma como esse aspecto é experienciado. Em sua filosofia, Dooyeweerd identificou 15 aspectos modais experimentados na realidade temporal e irredutíveis. São eles (em ordem): numérico, espacial, cinemático, físico, biótico, sensitivo-psíquico, analítico (lógico), histórico-cultural, linguístico, social, econômico, estético, jurídico, ético e pístico (fé e confiança).[12]

Com o objetivo de explicar melhor os aspectos modais, o filósofo holandês usa a imagem de um prisma. Para ele, a diversidade dos aspectos modais é expressa no tempo, mas se refere a uma unidade que está além deste, sendo supratemporal e que é a fonte da plenitude de sentido. Essa unidade é refratada na ordem do tempo, como a luz em um prisma é refratada em uma rica diversidade de cores. Cada uma das cores pode ser individualmente identificada, mas depende e se relaciona com as outras, assim como a luz como um todo não pode ser reduzida a apenas uma das cores resultantes da refração. Essa perspectiva afeta nossa percepção da realidade como um todo, inclusive a antropologia, pois evita que o homem seja reduzido a apenas um dos aspectos, como o faz o Iluminismo ao reduzi-lo à razão, ao aspecto analítico.[13]

Os aspectos modais apresentados por Dooyeweerd não existem na realidade concreta, mas são modos de como a realidade se apresenta. Ou seja, não existe uma realidade puramente histórica ou puramente numérica. Todos os eventos na história acontecem em relação a todos os aspectos modais. Esses modos irredutíveis não são nunca experimentados individualmente e não existem separados uns dos outros na experiência.[14]

Outro conceito da filosofia reformacional de Dooyeweerd que é de suma relevância para a compreensão da obra de Egbert Schuurman é o de motivos básicos ou motivos base. O motivo básico é a motivação fundamental de uma cultura. Segundo Reichow, um motivo básico religioso “controla e regulamenta os demais desenvolvimentos teórico, social, político e cultural de um grupo humano”. Ainda conforme Reichow (2019, p. 82-95), Dooyeweerd aponta que quatro motivos têm predominado ao longo da história do Ocidente:[15]

Matéria e forma: também chamado de dualismo grego, como o motivo da filosofia grega. Nele, a matéria representa a deificação da natureza, o caráter cíclico do tempo e o destino inevitável, enquanto a forma representa a religião cultural, que ganha força com as cidades-estado gregas, com o centro no Monte Olimpo e uma ênfase na harmonia, gerando um dualismo e uma tensão entre esses motivos.[16]

Criação, queda e redenção: é o motivo básico do Cristianismo e não possui uma tensão interna ou dualismo. Deus é o criador de todas as coisas e o mundo material não é mau em si mesmo, mas ordenado por meio da vontade do Criador. Seguido da criação, o motivo cristão reconhece a realidade do mal pela desobediência do ser humano no evento da queda e a restauração do direcionamento religioso do ser humano através da redenção em Jesus Cristo, o reconhecendo como o Senhor de todas as coisas. Esse é o único motivo integrador, que não se fundamenta em um dualismo.

Natureza e graça: síntese entre o motivo grego e o motivo cristão que surgiu com o gnosticismo e, posteriormente, na filosofia e teologia medievais. Para Dooyeweerd, esse motivo era o resultado de uma acomodação entre o dogma eclesiástico e a metafísica aristotélica. O resultado era uma teologia que não considerava a razão como profundamente afetada pela queda e uma filosofia que pressupunha a autonomia da razão. O dualismo aqui se torna entre a natureza, ou seja, as coisas próprias da razão e do mundo material, e a graça, relacionada a tudo que é espiritual e nossa relação com o Criador. O secularismo foi, portanto, o avanço do polo da natureza sobre o polo da graça, devorando-o.[17]

Natureza e liberdade: dualismo entre os ideais modernos de controle, determinismo e racionalismo e os ideais oriundos da Renascença, que enfatizam a personalidade como absoluta, dona de si e livre. Para Dooyeweerd, uma síntese entre esses dois ideais é impossível e o resultado é uma constante tensão. A humanidade não pode ser, ao mesmo tempo, livre e ser capaz de reduzir toda realidade ao crivo da razão.

A exposição das tensões dos motivos religiosos base e dos problemas da crença na autonomia da razão realizada pela filosofia reformacional serve, portanto, como um fundamento filosófico poderoso para lidar com os desafios que o desenvolvimento tecnológico impõe à sociedade. A seguir, será apresentado um dos principais pensadores contemporâneos sobre uma filosofia da tecnologia que parta das ideias neocalvinistas, especialmente da Filosofia da Ideia Cosmonômica.

3. Egbert Schuurman: vida e filosofia

Egbert Schuurman nasceu em 1937 em Borger, na Holanda. Graduado em Engenharia Civil na Delft University of Technology e Filosofia da Universidade Livre de Amsterdã, recebeu seu doutorado em 1972 com uma tese na área de Filosofia da Tecnologia, dando continuidade ao trabalho de seu orientador, Hendrik van Riessen. Lecionou Filosofia Cristã na Universidade de Eindhoven entre 1972 e 2004. Schuurman também exerceu participação ativa na política holandesa. De 1981 a 1983, foi membro do Broad DNA Committee, encomendado pelo governo holandês para avaliar os aspectos sociais e éticos do uso do material genético humano e investigou os limites das aplicações técnicas pelo Instituto Real Holandês de Engenheiros. Além disso, atuou como senador de 1983 até 2011. Em 1994, recebeu o Prêmio Templeton por seu trabalho ensinando sobre religião e ciência. Sua última obra publicada foi Technology and Christianity: Essays on the Interface, em 2024. Isso significa que Schuurman amadureceu suas ideias durante diferentes períodos do desenvolvimento tecnológico recente, especialmente entre a Guerra Fria e a popularização da Tecnologia da Informação.[18]

A obra de Schuurman e os conceitos que desenvolve são profundamente influenciados pela filosofia de Herman Dooyeweerd, assim como sua atuação pública foi influenciada por Abraham Kuyper. Por exemplo, ele aborda frequentemente a questão da crise ambiental gerada pelo avanço tecnológico, apresentando o problema como fundamentalmente religioso sem deixar de propor ações práticas na esfera da sociedade. Para Schuurman, o motivo religioso base da natureza e liberdade e sua consequente tensão estão no centro da produção tecnológica moderna. Dessa forma, é impossível compreender a obra de Schuurman sem uma compreensão geral dos conceitos da filosofia reformacional.[19][20]

Os pressupostos reformacionais de Egbert Schuurman não o impedem de criticar alguns pontos do movimento neocalvinista e sua relação com a tecnologia, principalmente em seu início, com Abraham Kuyper. O filósofo da tecnologia holandês reconhece que Kuyper teve um ponto cego na sua relação com a tecnologia e que ele aceitou o desenvolvimento tecnológico de forma exageradamente otimista, sem perceber os seus perigos e problemas.[21]

Outra influência bastante presente nos desenvolvimentos filosóficos de Schuurman é Jacques Ellul, filósofo francês que escreveu extensamente sobre tecnologia. Schuurman utiliza várias das categorias e observações de Ellul, especialmente nas definições de tecnologia e nas diferenças entre a tecnologia moderna e as antigas tecnologias manuais. Por outro lado, a inevitabilidade do avanço e dominação tecnológica afirmada por Jacques Ellul, que propunha certa autonomia à tecnologia e a tratava com grande pessimismo, é repetidamente criticada por Schuurman. Se a tecnologia é, como propõe Schuurman, fundamentalmente religiosa e conectada aos motivos religiosos base da sociedade, é impossível que ela seja autônoma.[22]

Apesar das diversas críticas aos fundamentos religiosos do desenvolvimento tecnológico atual, Schuurman usa a filosofia reformacional para também trazer uma perspectiva positiva da tecnologia, sob o motivo cristão, que traga real progresso cultural.[23]

Nas próximas seções, apresentaremos as principais problemáticas, conclusões e soluções propostas por Schuurman realizadas sob a ótica da filosofia reformacional.

4. Tecnologia como esperança

Nos últimos séculos da história da humanidade, principalmente após a Renascença, a tecnologia e seus artefatos têm assumido funções progressivamente mais centrais na experiência humana de contato com a realidade. Muito desse desenvolvimento tecnológico é associado à crença de que a humanidade é capaz de alcançar salvação ou destruição através dos próprios esforços, através da sua liberdade e do seu controle total da natureza. Segundo o historiador contemporâneo Yuval Noah Harari:

Não precisamos rezar para nenhum deus ou santo para que nos salvem deles. Sabemos bem o que precisa ser feito para evitar a fome, as pestes e a guerra — e geralmente somos bem-sucedidos ao fazê-lo. É verdade que ainda se verificam fracassos dignos de nota; mas, quando deparamos com eles, não mais damos de ombros e dizemos “Bem, é assim que as coisas funcionam em nosso mundo imperfeito”, ou “Que seja feita a vontade de Deus”. Sim, quando a fome, as pestes ou a guerra saem de nosso controle, costumamos achar que alguém deve ter se equivocado, estabelecemos uma comissão de inquérito e prometemos que na próxima vez faremos melhor.[24]

A crença de Harari não é única. O futurólogo Neil Redding, em uma palestra para um evento de uma grande empresa de tecnologia brasileira, afirmou que os recentes modelos de Inteligência Artificial generativos não são apenas tecnologias, mas uma nova espécie com a qual os seres humanos precisam estabelecer uma simbiose que beneficie ambos os lados. Para obter o que precisamos dessa nova espécie, devemos oferecer a ela algo que seja do seu interesse.[25]

Tais visões sobre tecnologia entram imediatamente em conflito com a percepção cristã da realidade. Na crença na salvação pela tecnologia não há espaço para uma salvação divina, visto que o destino da humanidade estaria exclusivamente nas mãos das capacidades científicas e tecnológicas humanas. Egbert Schuurman conecta esse anseio humano pela tomada do poder das mãos do próprio Deus com o relato da Torre de Babel em Gênesis, onde o desejo por alcançar Deus, o desafiar, tomar o seu lugar e recuperar o paraíso perdido por meio da própria força, motiva o avanço tecnológico. Diante desta perspectiva, é pressuposto central do filosofo reformacional que a tecnologia não é espiritualmente neutra.[26][27]

4.1 Definindo tecnologia

Não é simples tarefa a definição do que é tecnologia. Segundo o autor estudado no presente trabalho, “fala-se em tecnologia quando se utilizam ferramentas para moldar a natureza, na consecução de propósitos humanos”. Dessa forma, a tecnologia está profundamente enraizada nas civilizações.[28]

Schuurman refina sua definição de tecnologia ao contrastar as tecnologias artesanais com as tecnologias modernas. Para ele, a tecnologia moderna deixou marcas na cultura mais profundas que as tecnologias artesanais anteriores. Baseando-se nos escritos de Jacques Ellul, o filósofo holandês apresenta sete características que diferenciam a tecnologia moderna da tecnologia manual: racionalidade, artificialidade, automatismo, autorreforço, monismo, universalismo e autonomia. Não se trata da presença das característica nos artefatos, mas delas como pressupostos no desenvolvimento e uso das mesmas. Segundo ele:[29][30]

Os desenvolvimentos técnicos modernos são obsessivos, enormes em escalas universais, reducionistas e socialmente nivelados, assim sendo unidimensionais e impessoais. Os seres humanos acabam como engrenagens na maquinaria, despersonalizados, alienados uns dos outros. O resultado é uma cultura aparentemente racional, comercial e eficiente, mas, de fato, é gelada e estéril, sem um coração. A dominação técnico-científica traz uma visão de túnel e uma tendência à escala maciça à ciência, economia e política.[31]

Outro aspecto do desenvolvimento tecnológico moderno é a escala global. As aplicações técnicas estão conectadas de forma a comporem uma rede mundial, não apenas direta, mas indiretamente. O amplo uso da tecnologia e influência dela na vida comum da humanidade como um todo é sem precedentes históricos. Para Schuurman, “essas aplicações técnicas mutuamente conectadas funcionam de forma interativa” e são um sistema interligado no centro da cultura.[32]

A tecnologia moderna é, portanto, a amplificação do poder humano sobre a realidade, marcada por uma ideia secular que coloca a humanidade no centro, ignora os efeitos da queda, pressupõe uma racionalidade neutra e autônoma e vive na tensão entre a natureza e a liberdade. Mesmo quando os problemas desse contexto são expostos e identificados, eles são apresentados como irreversíveis e inevitáveis. Isso não quer dizer que os artefatos tecnológicos são, em si mesmos, maus, mas que são idealizados, concebidos e distribuídos nesse contexto.[33][34]

4.2 A autonomia da razão

Seguindo a tradição filosófica reformacional, Schuurman argumenta extensivamente em diversas das suas obras sobre o problema da crença ilusória na autonomia do homem e da razão. Essa crença faz com que a realidade seja reduzida ao pensamento teórico e o ser humano passa a ser entendido como uma mera máquina. Essa forma de pensar encontra sua origem no pensamento de René Descartes, que colocava sob a razão humana o ponto de partida para todo o resto, levando a cultura ocidental a considerar o pensamento técnico como a forma dominante de pensar, baseado na autossuficiência do pensador.[35]

A equiparação entre o ser humano e máquinas pode ser também encontrada em filósofos contemporâneos, como Daniel Dennett (1994), em seu artigo “Consciousness in human and robot minds”. Ele inicia o artigo afirmando que “a melhor razão para acreditar que robôs podem algum dia se tornarem conscientes é que nós seres humanos somos conscientes, e nós somos nós mesmos um tipo de robôs” (tradução nossa). Para Dennett, os motivos pelos quais robôs conscientes podem não vir a existir são mais mundanos, como razões econômicas, não teóricas. No artigo, inclusive, o filósofo é bastante jocoso com a ideia de existir algum componente imaterial na consciência. As decisões tanto de criar o robô consciente quanto de não criar repousam exclusivamente na autonomia da razão humana.[36][37]

Dessa forma, a esperança posta no controle tecnológico tem fundamento na ideia de, por causa da suposta autonomia da razão, podemos alcançar verdadeira liberdade via esforços técnicos. Os positivistas, inclusive, criam que tudo o que fosse espiritual ou religioso era sem sentido. Assim, “escondida atrás da fachada da tecnologia moderna, há uma máscara da liberdade individual autônoma, um vácuo espiritual”.[38]

Por causa da origem no pensamento em Descartes, lidar com a crença na autonomia da razão exige lidar com o Iluminismo. Nesse movimento, “a razão humana é aceita como instrumento de controle”, e leva a uma associação entre a tecnologia e a felicidade, a liberdade e o progresso. Essa relação cria um ambiente que minimiza as desvantagens e impactos negativos dos artefatos tecnológicos produzidos. Ou seja, mesmo quando os problemas são percebidos, não há disposição para abandonar o ponto de partida dessas ideias.[39]

A crença iluminista da autonomia do pensamento humano e a veneração da ciência, reduzindo toda a realidade ao pensamento teórico, resultam, segundo Schuurman, no que ele chama de “cultura técnico-científica” ou de “tecnocracia”, que seria uma submissão da realidade aos artefatos tecnológicos produzidos pela técnica humana, colocando todas as esperanças humanas nesse desenvolvimento tecnológico motivado por um ideal de controle.[40][41]

O filósofo holandês exemplifica a tensão dooyeweerdiana entre natureza e liberdade nas disputas entre os tecnocratas e os revolucionários. Os primeiros são sempre otimistas com o futuro e acreditam que todos os problemas gerados pela tecnologia podem ser solucionados com mais tecnologia. Suas esperanças estão particularmente no desenvolvimento da Tecnologia da Informação, com o avanço da computação. Para eles, o computador é o maior instrumento de controle tecnológico. Já os revolucionários percebem os problemas da artificialidade abstrata trazida pela tecnologia moderna, se opondo ao determinismo da mentalidade técnica e enfatizando a descontinuidade da história. Para estes, o que move a história é a revolução, o protesto, conflito, luta e a ação. É a revolução, principalmente política, que pode mover a humanidade do presente para um futuro utópico em um mundo de possibilidades. Essa disputa entre a tecnocracia e a revolução é descrita por Schuurman como uma briga de família: ambos assumem um ponto de vista cartesiano, tendo o homem como autossuficiente, o mundo como fechado e a história como exclusivamente a história do homem. Nessa perspectiva, fica ainda mais claro que é um conflito de raizes espirituais.[42]

A filosofia reformacional, no entanto, rejeita a autonomia do homem e, portanto, rejeita igualmente a autonomia do pensamento filosófico e científico em especial. Todo pensamento reformacional começa com o reconhecimento de que a natureza do homem e da cultura não são nada em si mesmas. Pelo contrário, reconhece que o homem, que, afinal, não criou a si mesmo, precisa de uma revelação a fim de descobrir quem ele é, para que finalidade ele existe, e qual é o significado da história que engloba a si mesmo e todas as coisas.[43]

4.3 Tecnologia como um falso deus

Abordar a tecnologia como um falso deus e a idolatria em torno dela exige uma breve definição de idolatria nos termos reformacionais. O engenheiro canadense Derek Schuurman — não confundir com o filósofo holandês Egbert Schuurman —, em uma entrevista, afirmou que “sempre que olhamos para as coisas criadas para termos esperança em lugar de olharmos para o Criador, caímos na idolatria”.[44]

O conhecido texto bíblico de Romanos 1:23-28 descreve o problema da humanidade como a troca da adoração e do serviço ao criador pela adoração de criaturas, assim como a substituição da verdade divina por mentiras. Deus entrega os idólatras a si mesmos, a “uma disposição mental reprovável” (v. 28). Nessa perspectiva, o teólogo Yago Martins escreve que “ao elevar algum elemento da criação como uma divindade substituta ou concorrente ao Deus vivo, o homem obscurece a própria capacidade de enxergar a criação de modo apropriado”. A absolutização de elementos da realidade como forma de idolatria resultando em uma distorção da percepção do mundo é descrita também por Dooyeweerd, ao criticar a programação da autossuficiência do pensamento filosófico, e por Egbert Schuurman, ao criticar a absolutização das abstrações científicas. Segundo ele:[45][46]

A incapacidade de perceber que os cientistas produzem abstrações leva ao reducionismo. Isso implica também que os acadêmicos não se veem como uma criatura, mas como "soberanos e senhores" (Descartes) sobre toda a realidade. Essa pretensão leva claramente a ultrapassar as fronteiras da ciência. A ciência, consequentemente, se torna uma ideologia e o cientista um crente na ciência […]. A ciência se torna um ídolo.[47]

Ao ignorar Deus no exercício da ciência e declarar a si mesmo como soberano senhor sobre a razão, o cientista busca obter uma compreensão total da realidade a partir das suas abstrações e, com isso, submeter as coisas à sua vontade. Ele deseja controlar a realidade e estabelecer o seu poder. O desejo de reduzir a realidade e submetê-la à vontade humana através de interpretações técnicas da realidade é chamado por Schuurman de tecnicismo. Na visão tecnicista, o homem se torna o criador e redentor do mundo, que atribui um significado técnico para todos. O filósofo holandês acompanha a tradição reformacional ao dizer que “nosso pensamento não pode reconstruir a realidade integralmente”.[48]

A devoção indevida dada à tecnologia se apresenta em diversas camadas. Ela é um ídolo quando esperanças soteriológicas são postas sobre ela, entretanto, ela conjuntamente manifesta outra idolatria, a saber, a elevação da razão humana como capaz de moldar a realidade à sua imagem e semelhança. O pastor Filipe Fontes, em sua obra Idolatria do Coração, argumenta que há uma dinâmica na idolatria, composta por um ídolo menor, um intermediário e um ídolo maior. O ídolo último de todo o idólatra é o próprio eu. A tecnologia, produzida e utilizada com a mentalidade tecnicista, serve como potencializadora da inclinação idólatra humana posterior à queda.[49]

Não raro, a ciência e a tecnologia são responsabilizadas pela confusão em que nos encontramos. Todavia, afirmo tratar-se de um grande mal-entendido. A origem do problema é o homem. Ele chegou a se considerar o Alfa e o Ômega. [...] Desde o fechamento do acesso ao Deus vivo, a humanidade tem colocado a esperança no que a ciência e a tecnologia podem fazer no futuro.[50]

O historiador e filósofo alemão Oswald Spengler, em sua obra Man and Technics, apresenta uma visão bastante pessimista da tecnologia e expõe o aspecto religioso da confiança nela. Mesmo não sendo cristão, Spengler fala de uma religião materialista, onde a “técnica é imortal como Deus Pai, salva a humanidade como Deus Filho, e nos ilumina como Deus Espírito Santo” (tradução nossa). O historiador ainda chama os seguidores do materialismo de adoradores. Ainda que Schuurman critique o seu pessimismo exagerado, de forma que o ser humano se torna uma vítima inevitável da própria conquista técnica, Spengler mostra que a percepção do aspecto religioso do desenvolvimento tecnológico não é exclusiva dos cristãos.[51][52]

A idolatria tecnicista, portanto, pode ser resumida em três principais crenças: (1) o desenvolvimento de artefatos tecnológicos cada vez mais complexos e abstratos é inevitável, ou seja, o progresso não pode ser interrompido, (2) todo o progresso tecnológico trará melhorias para as condições de vida da humanidade que superarão os seus efeitos colaterais e (3) quaisquer problemas que surjam originados de algum progresso tecnológico podem e serão corrigidos nas próximas etapas do desenvolvimento da tecnologia. Para Egbert Schuurman, essa idolatria não é apenas limitante espiritualmente, mas é estreita tecnicamente. Ao conduzir a um desenvolvimento tecnológico autoritário e destrutivo, a própria inovação tecnológica se torna limitada e irrefletida.[53][54]

Em vista do cenário até aqui descrito, é possível afirmar que a tecnologia como esperança se dá quando anseios soteriológicos ou escatológicos são colocados sobre artefatos específicos ou mesmo sobre uma crença de progresso iminente e inevitável. Tal crença leva seus adeptos a ignorarem as consequências negativas daquilo que é desenvolvido hoje em nome da esperança de que elas são apenas consequências intermediárias de um futuro onde o progresso terá encontrado a solução para todas as coisas.

5. Uma filosofia reformacional da tecnologia

O custo do progresso, no entanto, é uma imposição autoritária sobre a realidade do aspecto lógico da existência e a idolatria do ego humano. A percepção deste custo é ainda prejudicada pela forma abstrata que o progresso tecnológico se dá, pois, dada sua suposta inevitabilidade e impessoalidade, a responsabilização individual e comunitária é obscurecida. É em resposta a esse cenário que Egbert Schuurman apresenta uma proposta de filosofia reformacional da tecnologia. Para ele, a filosofia reformacional serve de guia para os perdidos no labirinto técnico, pois ela ajuda a definir as prioridades e a desenvolver uma tecnologia que de fato sirva os humanos responsavelmente.[55]

A situação dos cristãos no contexto tecnicista é semelhante a um exílio, vivendo em um tipo de Babilônia. Nela, “o homem adora vários deuses e os constrói, de acordo com a permissão da ciência e tecnologia” e aos cristãos nem sempre é viável uma atuação com impacto em larga escala. Entretanto, para que o coração não seja perdido, é necessário refletir sobre a nossa responsabilidade diante da cultura atual. Aos cristãos cabe o dever de refletir sobre os avanços da ciência e tecnologia através da perspectiva bíblica, proclamando Jesus como o Senhor de toda a criação, inclusive da tecnologia, através da voz profética da Igreja.[56]

Se, como argumenta Schuurman, o problema da sociedade tecnológica é antes religioso que técnico, qualquer solução proposta deve incluir o aspecto religioso do problema. Uma filosofia cristã da tecnologia deve, portanto, fundamentar-se no motivo religioso base cristão da criação, queda e redenção. Esse motivo base deve guiar a reflexão a um sistema ético coerente e integral para o uso e desenvolvimento dos artefatos tecnológicos.[57]

5.1 A Criação e o senhorio divino

Pensar a tecnologia sob a perspectiva cristã da criação é direcionar o ponto de partida de todas as coisas: o ser humano está lidando com uma natureza intencionalmente criada e compartilha com ela o estado de criatura. Uma das primeiras consequências disso é que a natureza não é divina, assim como não foi formada do acaso, mas existe em relação com o seu criador. O homem é colocado na natureza, tendo sido criado a partir dela, como um representante de Deus e com a incumbência de trabalhar, conforme diz o relato de Gênesis 1-2. A humanidade é criada com um papel especial, de mordomia e autoridade, em um jardim que foi chamada a dominar e expandir.

Ao ser criado conforme imagem e semelhança de Deus, receber dele a capacidade de linguagem e raciocínio e ser ordenado a usá-la para estudar e classificar a natureza, o ser humano recebe não somente autoridade, mas responsabilidade do Criador. Essa superioridade sobre a natureza, indicada pelas Escrituras, é frequentemente apontada por opositores como a causa de toda a distorção e falta de cuidado sobre o ambiente presente no Ocidente. Schuurman argumenta que o domínio afirmado pelo Cristianismo é sempre associado à responsabilidade, nunca considerado absoluto. Dessa forma, o motivo base cristão legitima a ciência, mas não coloca a existência humana e suas esperanças soteriológicas no estudo e na transformação da natureza.[58]

A doutrina cristã da criação também serve como guia para a relação com o tempo. A história é apresentada linear e progressiva, mas com aspectos cíclicos. Os dias da criação e o propósito indicado para o ser humano revelam um objetivo da história, não um destino fixo e cíclico inevitável, em eterna repetição. Todavia, o descanso divino no sétimo dia, que serve como fundamento para os vários aspectos de descanso apresentados na teologia cristã, mantém repetidamente a memória de que tudo depende do sustento do criador e pertence, em última instância, a ele. Por causa disso, a terra não deveria ser explorada até a exaustão. Segundo Schuurman, “o mandato de Gênesis não significa uma exploração ilimitada e arbitrária da natureza, mas uma abordagem cuidadosa frente a um bem que foi confiado ao homem”. Para ele, devemos ver a criação como um jardim que caminha em direção a se tornar uma cidade-jardim. Tal entendimento deveria chamar uma busca por desenvolvimento responsável.[59]

Somente quando um reconhecimento da origem e do significado da realidade precede a ciência, e um método científico instrumentista é rejeitado, então a ciência se relaciona corretamente à plenitude da realidade. A ciência deve ser integrada na realidade plena da experiência e ser aprofundada como uma forma de conhecimento da realidade. Então, o conhecimento científico servirá nosso crescimento em sabedoria. Esta maneira de fazer ciência aumentará uma visão crescente e abrangente da realidade. O objetivo da ciência deve ser ganhar discernimento e fortalecer a responsabilidade humana em relação a tudo o que está acontecendo na realidade, concebendo essa realidade como um jardim que cresce em uma "morada de companheirismo”.[60]

O conceito da criação como jardim a ser cuidado e não um mundo a ser dominado deve nos fazer vê-la como um presente que nos exige cuidado, e nosso desenvolvimento tecnológico deveria ser dirigido por isso. O homem está destinado a fazer o seu trabalho diante de Deus, sendo guiado pelas normas presentes na dinâmica da criação, intencionalmente colocadas pelo criador. O homem não é o centro da realidade e sua ciência e tecnologia não devem girar em torno de si, mas do próprio Deus, o verdadeiro senhor sobre todas as coisas.[61]

5.2 A Queda e uma antropologia cristã

Na teologia cristã, a Queda é o motivo das coisas que estão erradas com o mundo. Por causa da maldição advinda da desobediência humana contra Deus, descrita em Gênesis 3, a natureza passou a resistir ao ser humano e os próprios relacionamentos entre as pessoas passaram a ser problemáticos. As Escrituras apresentam como o mal se alastrou por todo o cosmos e todas as capacidades humanas são afetadas por ele.

Essa intromissão do pecado e da sua consequente maldição afetou a própria natureza humana e distorceu a imagem e semelhança divinas presentes no homem. A proposta da serpente de desobedecer e comer o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal era um convite à autonomia, ou seja, a escolher a si mesmo como fonte para determinar o que é certo e errado, em uma recusa direta à Palavra de Deus.[62]

Os teólogos Craig Bartholomeu e Michael Goheen afirmam que, na queda, Adão e Eva buscaram tornar-se lei para si mesmos, acreditando nas dúvidas que a serpente lançou sobre a ordem de Deus para Adão, questionando até mesmo a bondade de Deus, visto que a serpente acusa Deus de mentir por medo de que suas criaturas se tornassem semelhantes a ele. A serpente ainda contradiz a afirmação direta de Deus das consequências da desobediência: diferente do que Deus havia afirmado, eles não morreriam ao comer da árvore. A busca pela autonomia colocou a humanidade em oposição a Deus.[63]

Tal anseio por autonomia está no cerne da discussão de Egbert Schuurman. A crença na autonomia da razão e, consequentemente, do ser humano, direciona a tecnologia moderna e possui raízes muito antigas, no relato da queda em Gênesis. O uso da tecnologia para a luta humana rebelde contra Deus encontra sua expressão já no relato da Torre de Babel, em Gênesis 11. Nele, o desejo por alcançar Deus, o desafiar, tomar o seu lugar e recuperar o paraíso perdido por meio da própria força, motiva o avanço tecnológico. A tecnologia e a rebeldia contra Deus por meio da idolatria estão conectadas desde a queda.[64]

O que está por trás da motivação do homem ao desenvolver a ciência e tecnologia? Parece que o motivo consiste no anseio humano de controlar toda a realidade mediante seus pensamentos e ações. O desejo do homem é controlar a origem, a existência e o destino de todas as coisas, sujeitando-as a si mesmo. O homem continua tentando romper a realidade nos menores elementos básicos, a fim de reconstruí-las de acordo com sua estrutura de poder.[65]

A produção de artefatos tecnológicos não pode ignorar os efeitos da queda, sejam eles sobre a natureza, sejam sobre a razão humana, e isso pode ser percebido nos motivos religiosos presentes na história. Todos os motivos dualistas apresentados por Herman Dooyeweerd e reforçados por Schuurman possuem sua origem na queda da humanidade. Após a queda, é impossível pensar em razão, história ou natureza humanas sem considerar a queda e o impulso humano por autonomia, seu desejo de ser o próprio Deus.

5.3 A Redenção e a esperança no lugar certo

O cerne da resposta cristã para os dilemas da ciência e tecnologia está na redenção. A Criação e a Queda fundamentam o entendimento das razões do estado atual das coisas, do propósito de tudo e do nosso lugar na realidade. A redenção, por sua vez, apresenta a solução final, onde as esperanças devem ser legitimamente firmadas.

A redenção cristã é exemplificada biblicamente por diversas imagens, como a substituição penal, onde Cristo, em sua morte, assume o lugar dos pecadores e recebe o castigo a eles destinado, e os destinatários do seu sacrifício recebem a justiça do Senhor, sendo vistos como justos diante de Deus. Outra imagem que representa a redenção é a da vitória de Cristo sobre os poderes do mal, chamada de Christus Victor. Ela exalta a imagem de triunfo de Cristo, sua realeza e a sua glória exaltada mesmo na morte, no seu ponto de maior humilhação. O Filho de Deus, que é o Deus encarnado, na morte e ressurreição assume como o rei de toda a criação.[66]

Ao morrer e ressuscitar para redimir a humanidade, Jesus restaura o relacionamento da humanidade com Deus e anuncia uma glorificação futura, que removerá todos os efeitos do pecado e as maldições derivadas da queda. Nesse aspecto, a redenção inclui a restauração do relacionamento entre o ser humano e a própria criação. Tal restauração é chamada a ser posta em prática pela união mística do cristão com Jesus, que, em seus ofícios de profeta, sacerdote e rei, chama a sua Igreja a atuar no mundo. Para Egbert Schuurman, a redenção cristã deve influenciar a forma como os cristãos percebem a realidade.

Uma visão cristã da realidade procedendo da fé em Deus como Criador e Sustentador deste mundo é reconhecer que vivemos em uma realidade criada. Tudo no universo é de, através e para Deus. Os seres humanos são a imagem de Deus, e o amor a Deus e ao nosso próximo são os principais princípios orientadores de tudo para o qual somos responsáveis. O futuro é o de Deus: o Seu Reino. Por causa da queda no pecado, vivemos em uma realidade destroçada e lacerada. Chegou um momento no tempo em que tudo isso será eliminado, quando o próprio Deus, através de Cristo, estabelecerá Seu Reino. Esse é um Reino cheio de glória divina e infinitamente grande e profundo, no qual os cidadãos desse Reino viverão em um estado de harmonia e gratidão infinita.[67]

A redenção coloca a esperança humana longe da própria humanidade, mas apenas em Deus. Nada do que for cientificamente estudado ou tecnologicamente produzido pode verdadeiramente libertar a humanidade do pecado, apenas o sacrifício de Cristo. Dessa forma, “a menos que o homem se converta de modo radical e se volte para Deus”, os conflitos sociais e a busca por esperança na tecnologia continuarão acontecendo, visto que “a cultura sem Deus sempre carrega as sementes da decadência”.[68]

Se a humanidade abandonar a ideia de uma cultura tecnicista e pressupor a realidade como presente, tanto através da criação quanto pelo reconhecimento da redenção, um espaço para gratidão e cuidado será aberto e o controle por meio da ciência e da tecnologia passará a ser secundário, sem que isso signifique, de forma alguma, inovações tecnológicas mais pobres. A visão cristã tira o poder e a idolatria do eu do centro e permite que a ciência exerça o seu devido papel de auxiliar na experiência de contato com a realidade, como um mapa que guia, mas não compreende tudo ao que se refere. Ecoando Dooyeweerd, Schuurman reforça a ideia de que apenas o motivo base cristão é integrador, sem ser dualista.[69]

5.4 Ética da Responsabilidade

A situação descrita pelo filósofo holandês coloca os cristãos em uma situação delicada. Os discípulos de Jesus são chamados a atuar profeticamente no mundo, anunciando os problemas da tecnologia e propondo soluções práticas, mas o motivo religioso da criação, queda e redenção, qualificam os problemas como essencialmente religiosos, necessitando de uma transformação religiosa para que o cenário se resolva plenamente. Diante disso, até que o Reino de Deus seja plenamente estabelecido, como a escatologia cristã antecipa, os cristãos estão em uma situação semelhante ao exílio. Vivem na Babilônia ansiosos por Jerusalém.

Buscando apresentar uma proposta de filosofia da tecnologia que se adeque ao contexto atual, que ajude cristãos — e até mesmo não cristãos — a se relacionarem com a tecnologia de forma mais saudável e sem idolatria, Schuurman apresenta em suas obras um modelo ético que chama de Ética da Responsabilidade.

Para Egbert Schuurman, a ética é “a ciência do bem ou da ação humana responsável, a ciência das normas e valores que se aplicam à ação humana”. Essa definição exige que qualquer modelo ético proposto lide com os conceitos de bem e mal e defina o que significa ser responsável. Segundo ele, muitas das abordagens éticas utilizadas para lidar com o desenvolvimento tecnológico não são suficientes. O utilitarismo não consegue diferenciar bem e mal e não pode apropriadamente criar um ambiente de responsabilidade e prestação de contas. Abordagens deontológicas, baseadas no dever, e teleológicas, nos resultados, não são suficientes por serem incapazes de extrapolar as relações homem-ferramenta e considerarem todo o sistema globalmente ramificado de interação tecnológica. É necessário um sistema ético diferente.[70][71][72]

A Ética da Responsabilidade apresenta uma abordagem onde todas as partes interessadas em determinado artefato tecnológico devem indicar os valores, normas, princípios e, principalmente, as motivações que constituem tal artefato. Além disso, os envolvidos devem saber claramente suas contribuições e responsabilidades. Mesmo em um contexto de grande abstração e de escalas sem precedentes de interconexão entre os artefatos tecnológicos, eles continuam sendo frutos da engenhosidade humana, expondo todos os envolvidos a responsabilidades finais e claras, tanto individuais quanto conjuntas, como sociedade.[73]

A Ética da Responsabilidade se conecta com o motivo cristão pela perspectiva da terra como um jardim a ser cultivado e cuidado de tal forma que floresça. Na visão cristã, o jardim se desenvolve em direção à cidade-jardim, onde a tecnologia e a natureza estarão em harmonia. O jardim não é propriedade humana, mas uma responsabilidade recebida para o cuidado. Isso deveria chamar a uma busca por desenvolvimento responsável. Antes de se envolver nas atividades científicas e tecnológicas, é necessário reconhecer o valor intrínseco das coisas. A realidade é dada aos seres humanos como guardiões, não como senhores.[74]

6. A proposta reformacional no contexto de Inteligência Artificial

A obra de Egbert Schuurman, como um filósofo reformacional da tecnologia, é bastante ampla, tanto conceitualmente quanto historicamente. As principais aplicações práticas apresentadas pelo filósofo envolvem o cuidado com o meio ambiente, gestão de recursos em engenharia civil e nuclear, bioética e aplicações gerais à computação. Essa amplitude faz com que seja necessário um esforço de aplicação da sua obra para o contexto recente de Inteligência Artificial, principalmente com os modelos generativos. A presente seção busca expor a problemática e alguns possíveis pontos de contato, com o objetivo de recomendar trabalhos futuros.

Em abril de 2025, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram, Facebook e vários serviços de IA, concedeu uma entrevista para o Dwarkesh Podcast. Nessa entrevista, ele afirma que o americano médio possui menos amigos do que gostaria, considerando isso uma oportunidade para agentes de IA. Zuckerberg também associa isso com a suposta necessidade de todos possuírem algum terapeuta e que todos terão uma IA personalizada para si que ajudaria com isso. Ele acrescenta que, como sociedade, será necessário encontrar o vocabulário para articular a importância dos modelos de IA personalizados. Ou seja, para ele, a solidão das pessoas é uma oportunidade de mercado, gerada a partir da abstração dos relacionamentos pessoais motivada pelas próprias plataformas que administra. Possíveis críticas a essa abordagem podem ser respondidas como a falta de vocabulário social para reconhecer a importância do que foi construído.[75]

A Meta não é a única a possuir uma visão potencialmente destrutiva relacionada a IA. Em outubro de 2025, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um novo modo adulto no ChatGPT, que permite conteúdo e interações eróticas com agentes de IA generativa. A ferramenta de conversação com modelos de IA generativa ChatGPT também foi identificada incentivando usuários a se matarem ou forçando de forma inapropriada conversas sexuais. Além dos problemas sociais, tais modelos causam impactos ambientais e energéticos consideráveis.[76][77][78]

Na obra Fé, Esperança e Tecnologia, Schuurman questiona se os computadores são capazes de pensar. A resposta do filósofo holandês retorna ao problema da crença na autonomia da razão. Para Alan Turing, pai da computação moderna, o pensamento humano poderia ser reduzido ao modelo técnico, sendo passível de ser reproduzido de forma computacional. Usando os aspectos modais, Schuurman argumenta que o computador não ocupa todos os espaços na realidade.[79]

Em todas as suas funções, aspectos ou modalidades de existência, um ser humano opera subjetivamente. Um ser humano ocupa espaço, muda continuamente num sentido físico-químico, vive, sente, analisa, escolhe, realiza ações de cunho econômico, jurídico, estético, ético e baseadas na fé. Falar dessa forma acerca de um computador seria ridículo.[80]

O computador pode ter funções de sujeito nos aspectos espaciais e físico-químicos. Mesmo a possibilidade de biocomputadores apenas o incluiria no aspecto biótico. Nos outros aspectos, os computadores funcionam de forma sujeita aos humanos. A ideia de consciência de um computador é meramente ilusória e serve apenas para desvincular a responsabilidade humana das suas ações através da tecnologia computacional. A base da expectativa de uma tecnologia autônoma é a crença religiosa de que a mente constitui a “essência” do ser humano e ela é totalmente autônoma.

Todas as inovações do cenário atual da Inteligência Artificial não alteram o cerne do problema. Não são problemas puramente técnicos, mas religiosos. É a religião tecnicista, como expressão da idolatria fundamental do eu, que direciona os avanços tecnológicos computacionais modernos. Entretanto, assim como Schuurman destaca em sua obra a mudança de escala entre as tecnologias artesanais e modernas, enfatizando como isso influencia na nossa abordagem cultural como cristãos, é necessário que a atividade profética cristã sobre a relação da humanidade com as novas tecnologias de Inteligência Artificial considere também as proporcionalidades em suas propostas de solução. Dessa forma, se faz necessário estudos futuros sobre a atuação cristã neste contexto.

7. Considerações finais

O pensamento de Egbert Schuurman apresentado no presente trabalho é um excelente direcionamento para a conexão entre a fé cristã e a tecnologia moderna, especialmente por criar uma filosofia da tecnologia baseada nas ideias neocalvinistas. Schuurman apresenta uma abordagem pública inspirada em Abraham Kuyper e uma fundamentação filosófica encontrada em Herman Dooyeweerd. Devido a isso, a proposta de filosofia do filósofo da tecnologia holandês é integradora e evita reducionismos comuns dos ambientes científicos e tecnológicos. Dessa forma, ele é um necessário ponto de partida para a reflexão cristã mais aprofundada, uma reflexão que considere a realidade como um todo. Os artefatos tecnológicos e a influência da tecnologia como um todo devem ser vistas a partir do motivo cristão de criação, queda e redenção, através de olhar cuidadoso em cada etapa do desenvolvimento tecnológico. Não apenas consequências práticas posteriores devem ser analisadas, mas os motivos anteriores ao desenvolvimento de artefatos tecnológicos.

Algumas limitações na obra de Schuurman podem ser percebidas e revelam a necessidade de trabalhos futuros. Por exemplo, o filósofo enfatiza diversas vezes em suas obras o problema da crença na autonomia da razão, mas pouco considera os problemas gerados na tecnologia pela falta de ordem nos desejos. Muitos ambientes ideológicos definem a identidade do ser humano por aquilo que ele deseja, considerando isso acima da própria razão. A crítica antropológica precisa considerar a integralidade do ser humano e o efeito geral da queda. Outra limitação da obra de Egbert Schuurman é o foco no contexto europeu. Por ter sido um político holandês por muitos anos, várias propostas práticas consideram a cultura europeia e não são aplicáveis em contexto brasileiro. O próprio conceito de secularismo europeu não se expressou da mesma forma nas Américas. Como o sociólogo e teólogo luterano Peter Berger (2017) argumenta, “a secularidade ocidental não é a única forma de modernidade”.[81]

Ainda há espaço, portanto, para aprofundamentos cristãos na área da filosofia da tecnologia. É necessário que a igreja cristã continue a assumir seu papel profético na sociedade, aponte os ídolos culturais, seus problemas e apresente a solução definitiva para a idolatria: a redenção em Jesus Cristo. A tecnologia deve ser apresentada como parte da criação divina, do resultado da imagem de Deus no ser humano, porém profundamente afetada pela queda. A verdadeira esperança pode apenas ser colocada sobre o Filho de Deus e não há nada na criação que seja digno da devoção humana, pois todas as coisas pertencem a ele e são sustentadas por ele.

Notas

[1] Pós-graduando em Teologia Filosófica (Seminário Teológico Jonathan Edwards), pós-graduado em Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (PUC Minas), graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (FADERGS), atua como Especialista de Desenvolvimento de Software, com ênfase na área de dados. Congrega na Igreja Batista Conde, em Porto Alegre e serve como coordenador da Escola Bíblica. E-mail: salatiel.costabairros@gmail.com

[2] SCHUURMAN, Egbert. Entrevista com Egbert Schuurman [entrevista]. Entrevistador: Gustavo Assi. Cristãos na ciência, 15 abr. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vhvMZkUk6DI. Acesso em: 8 jul. 2023.

[3] SILVA, Ednardo Luís Duarte da. O neocalvinismo holandês e a sua recepção no Brasil. São Leopoldo, RS: Bases de Teses e Dissertações da Faculdade EST, 2022. Disponível em: http://dspace.est.edu.br:8000/xmlui/handle/BR-SlFE/1143. Acesso em: 7 out. 2025.

[4] BRATT, James D. Abraham Kuyper: modern calvinist, christian democrat. Grand Rapids, Michigan: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 2013. loc. 157.

[5] REICHOW, Josué K. Reformai a vossa mente: A filosofia cristã de Herman Dooyeweerd. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2019. p. 45.

[6] CARVALHO, Guilherme de. Herman Dooyeweerd, Reformador da Razão. Academia.edu. Disponível em: https://www.academia.edu/1063871/Herman_Dooyeweerd_Reformador_da_Razão. Acesso em: 7 out. 2025.

[7] Ibid.

[8] REICHOW, Reformai a vossa mente, p. 14.

[9] DOOYEWEERD, Herman. A New Critique of Theoretical Thought, v. I. Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1969, p. v.

[10] KOYZIS, David T. Visões e Ilusões Políticas: uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 2014. p. 283.

[11] DOOYEWEERD, A New Critique of Theoretical Thought, p. vi, tradução nossa.

[12] WOLTERS, Albert. Glossário. In: DOOYEWEERD, Herman. O crepúsculo do pensamento ocidental. Trad. Guilherme de Carvalho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2018. p. 167–176.

[13] DOOYEWEERD, Herman. O crepúsculo do pensamento ocidental. Trad. Guilherme de Carvalho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2018. p. 30.

[14] DOOYEWEERD, A New Critique of Theoretical Thought, p. 3.

[15] REICHOW, Reformai a vossa mente, p. 51-52.

[16] DOOYEWEERD, A New Critique of Theoretical Thought, p. 35.

[17] Ibid., p. 36.

[18] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Belo Horizonte: P&B Publicações, 2021. p. 156.

[19] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Belo Horizonte: P&B Publicações, 2018. p. 47.

[20] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Brasília: Editora Monergismo, 2016. p. 20-25.

[21] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 42.

[22] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia: ciência e fé cristã em uma cultura tecnológica. Trad. Thaís Semionato. Viçosa: Editora Ultimato, 2016. p. 88-98.

[23] Ibid, p. 76.

[24] HARARI, Yuval Noah. Homo Deus: Uma breve história do amanhã. Trad. Paulo Geiger. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 7.

[25] CATUCCI, Anaísa. “IA é uma nova espécie e é preciso interagir, diz Neil Redding no Universo TOTVS”. Canaltech, 18 jun. 2025. Disponível em: https://canaltech.com.br/mercado/ia-e-uma-nova-especie-e-e-preciso-interagir-diz-neil-redding-no-universo-totvs/. Acesso em: 6 nov. 2025.

[26] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 50-53.

[27] Ibid, p. 17.

[28] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 75.

[29] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Belo Horizonte: P&B Publicações, 2019. loc. 191.

[30] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 88-103.

[31] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 47.

[32] Ibid, p. 127.

[33] REINKE, Tony. Deus, Tecnologia e a Vida Cristã. Trad. João Paulo Aragão da Guia Oliveira. São José dos Campos: Editora Fiel, 2022. p. 14. O autor desse livro possui uma influência considerável de Egbert Schuurman. Em sua definição sobre tecnologia, ele diz: "tecnologia é ciência aplicada e poder amplificado”.

[34] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 38-42.

[35] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade, loc. 281.

[36] DENNETT, Daniel. Consciousness in Human and Robot Minds. Oxford: Oxford University Press, 1994. DOI: 10.1093/acprof:oso/9780198524144.003.0002.

[37] Mesmo fora do ambiente cristão, há críticas à concepção de Dennett sobre a consciência. Um exemplo é o artigo de Roger Caldwell, “Dan Dennett and the Conscious Robot”, publicado na revista Philosophy Now, n. 18, 1997, no qual o autor questiona os limites da abordagem funcionalista de Dennett sobre a mente e a possibilidade de consciência em robôs.

[38] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade, loc. 320.

[39] Ibid, loc. 553-571.

[40] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 68.

[41] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica, p. 9-10.

[42] SCHUURMAN, Egbert. Technology and Christianity: Essays on the Interface. Aalten: Wordbridge Publishing, 2024. p. 30-43. As principais descrições dos conflitos entre revolucionários e tecnocratas foram feitas por Schuurman no contexto da Guerra Fria ou sob influência posterior do impacto desse momento histórico. Diante disso, é possível argumentar que a oposição entre os grupos citados acontece de forma diferente hoje, pois ambos buscam na tecnologia, especialmente na Tecnologia da Informação, uma forma de controle sobre a realidade. Essa mudança de comportamento ajuda a enfatizar o argumento de similaridade religiosa entre os movimentos.

[43] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 69.

[44] SCHUURMAN, Derek. Entrevista exclusiva com Derek C. Schuurman sobre a relação entre fé cristã e tecnologia. Associação Brasileira de Cristãos na Ciência, 2017. Disponível em: https://cristaosnaciencia.org.br/entrevista-exclusiva-com-derek-c-schuurman-sobre-a-relacao-entre-fe-crista-e-tecnologia/. Acesso em: 8 nov. 2025.

[45] MARTINS, Yago. No alvorecer dos deuses: desvendando as idolatrias profundas do coração. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020. p. 34.

[46] DOOYEWEERD. A New Critique of Theoretical Thought, vol. I, p. 20.

[47] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 35.

[48] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 47. Para o autor, em uma linguagem dooyeweerdiana, reduzir todos os aspectos da realidade ao aspeto lógico é perder de vista a fonte de significado e ficar sujeito ao dualismo resultante ao tentar lidar com questões filosóficas, como a relação entre a unidade e a diversidade ou da continuidade do ser no tempo.

[49] FONTES, Filipe. Idolatria do coração: um inimigo ignorado. São Paulo: Cultura Cristã, 2023. p. 45.

[50] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 34-35.

[51] SPENGLER, Oswald. Man and Technics: a contribution to a philosophy of life. Trad. Charles Francis Atkinson. Londres: Arktos Media, 2015. p. 67.

[52] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 15-16.

[53] SCHUURMAN, Derek. Moldando um mundo digital: Fé, cultura e tecnologia computacional. Trad. Leonardo Bruno Galdino. Brasília: Editora Monergismo, 2013. loc. 1360.

[54] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica, p. 64.

[55] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 95-97.

[56] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 18.

[57] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 177-178.

[58] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 179-181; SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 66.

[59] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 194.

[60] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 92.

[61] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica, p. 95.

[62] FRANCESCO, Jean. Reformando o Discipulado: uma introdução à fé cristã. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021. p. 181-182.

[63] BARTHOLOMEW, Craig G.; GOHEEN, Michael W. O drama das Escrituras: encontrando nosso lugar na história bíblica. 3. ed. Tradução de Daniel Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2025. p. 60.

[64] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 50-53. O jornalista Tony Reinke, em seu livro Deus, Tecnologia e a Vida Cristã, p. 41-43, relaciona a Torre de Babel com a Arca de Noé, destacando que a torre foi feita com piche, para ser impermeável, agravando o tom do desafio contra Deus. O professor de ciência da computação Frederick P. Brooks Jr., em seu livro O mítico homem-mês, p. 72, descreve a Torre de Babel como o primeiro fiasco de engenharia.

[65] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 44.

[66] FRANCESCO, Reformando o Discipulado, p. 216-224.

[67] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 141.

[68] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 36.

[69] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 200-208.

[70] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 220.

[71] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 79-91.

[72] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade, loc. 665-685.

[73] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 129.

[74] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 14.

[75] ZUCKERBERG, Mark. Mark Zuckerberg — AI will write most Meta code in 18 months [entrevista]. Entrevistador: Dwarkesh Patel. Dwarkesh Patel, 29 abr. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rYXeQbTuVl0. Acesso em: 13 nov. 2025.

[76] PINOTTI, F. “OpenAI anuncia ‘modo adulto’ do ChatGPT com conteúdo erótico”. CNN Brasil, 16 out. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/openai-anuncia-modo-adulto-do-chatgpt-com-conteudo-erotico/. Acesso em: 13 nov. 2025.

[77] MALCHEVSKA, O. “Eu queria que o ChatGPT me ajudasse. Por que ele me aconselhou a me matar?”. BBC News Brasil, 11 nov. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce8z4x2060lo. Acesso em: 13 nov. 2025.

[78] O’DONNELL, James “A história que você ainda não conhece sobre a pegada energética da IA”. MIT Technology Review, 22 jun. 2025. Disponível em: https://mittechreview.com.br/impacto-energetico-ia-inteligencia-artificial-data-centers-. Acesso em: 13 nov. 2025.

[79] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 136-146.

[80] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 143.

[81] BERGER, Peter L. Os múltiplos altares da modernidade: rumo a um paradigma da religião numa época pluralista. Trad. Noéli Correia de Melo Sobrinho. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2017. p. 13.

[1] Pós-graduando em Teologia Filosófica (Seminário Teológico Jonathan Edwards), pós-graduado em Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (PUC Minas), graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (FADERGS), atua como Especialista de Desenvolvimento de Software, com ênfase na área de dados. Congrega na Igreja Batista Conde, em Porto Alegre e serve como coordenador da Escola Bíblica. E-mail: salatiel.costabairros@gmail.com

[2] SCHUURMAN, Egbert. Entrevista com Egbert Schuurman [entrevista]. Entrevistador: Gustavo Assi. Cristãos na ciência, 15 abr. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vhvMZkUk6DI. Acesso em: 8 jul. 2023.

[3] SILVA, Ednardo Luís Duarte da. O neocalvinismo holandês e a sua recepção no Brasil. São Leopoldo, RS: Bases de Teses e Dissertações da Faculdade EST, 2022. Disponível em: http://dspace.est.edu.br:8000/xmlui/handle/BR-SlFE/1143. Acesso em: 7 out. 2025.

[4] BRATT, James D. Abraham Kuyper: modern calvinist, christian democrat. Grand Rapids, Michigan: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 2013. loc. 157.

[5] REICHOW, Josué K. Reformai a vossa mente: A filosofia cristã de Herman Dooyeweerd. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2019. p. 45.

[6] CARVALHO, Guilherme de. Herman Dooyeweerd, Reformador da Razão. Academia.edu. Disponível em: https://www.academia.edu/1063871/Herman_Dooyeweerd_Reformador_da_Razão. Acesso em: 7 out. 2025.

[7] Ibid.

[8] REICHOW, Reformai a vossa mente, p. 14.

[9] DOOYEWEERD, Herman. A New Critique of Theoretical Thought, v. I. Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1969, p. v.

[10] KOYZIS, David T. Visões e Ilusões Políticas: uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 2014. p. 283.

[11] DOOYEWEERD, A New Critique of Theoretical Thought, p. vi, tradução nossa.

[12] WOLTERS, Albert. Glossário. In: DOOYEWEERD, Herman. O crepúsculo do pensamento ocidental. Trad. Guilherme de Carvalho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2018. p. 167–176.

[13] DOOYEWEERD, Herman. O crepúsculo do pensamento ocidental. Trad. Guilherme de Carvalho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2018. p. 30.

[14] DOOYEWEERD, A New Critique of Theoretical Thought, p. 3.

[15] REICHOW, Reformai a vossa mente, p. 51-52.

[16] DOOYEWEERD, A New Critique of Theoretical Thought, p. 35.

[17] Ibid., p. 36.

[18] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Belo Horizonte: P&B Publicações, 2021. p. 156.

[19] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Belo Horizonte: P&B Publicações, 2018. p. 47.

[20] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Brasília: Editora Monergismo, 2016. p. 20-25.

[21] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 42.

[22] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia: ciência e fé cristã em uma cultura tecnológica. Trad. Thaís Semionato. Viçosa: Editora Ultimato, 2016. p. 88-98.

[23] Ibid, p. 76.

[24] HARARI, Yuval Noah. Homo Deus: Uma breve história do amanhã. Trad. Paulo Geiger. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 7.

[25] CATUCCI, Anaísa. “IA é uma nova espécie e é preciso interagir, diz Neil Redding no Universo TOTVS”. Canaltech, 18 jun. 2025. Disponível em: https://canaltech.com.br/mercado/ia-e-uma-nova-especie-e-e-preciso-interagir-diz-neil-redding-no-universo-totvs/. Acesso em: 6 nov. 2025.

[26] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 50-53.

[27] Ibid, p. 17.

[28] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 75.

[29] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade. Trad. Breno Oliveira Perdigão. Belo Horizonte: P&B Publicações, 2019. loc. 191.

[30] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 88-103.

[31] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 47.

[32] Ibid, p. 127.

[33] REINKE, Tony. Deus, Tecnologia e a Vida Cristã. Trad. João Paulo Aragão da Guia Oliveira. São José dos Campos: Editora Fiel, 2022. p. 14. O autor desse livro possui uma influência considerável de Egbert Schuurman. Em sua definição sobre tecnologia, ele diz: "tecnologia é ciência aplicada e poder amplificado”.

[34] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 38-42.

[35] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade, loc. 281.

[36] DENNETT, Daniel. Consciousness in Human and Robot Minds. Oxford: Oxford University Press, 1994. DOI: 10.1093/acprof:oso/9780198524144.003.0002.

[37] Mesmo fora do ambiente cristão, há críticas à concepção de Dennett sobre a consciência. Um exemplo é o artigo de Roger Caldwell, “Dan Dennett and the Conscious Robot”, publicado na revista Philosophy Now, n. 18, 1997, no qual o autor questiona os limites da abordagem funcionalista de Dennett sobre a mente e a possibilidade de consciência em robôs.

[38] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade, loc. 320.

[39] Ibid, loc. 553-571.

[40] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 68.

[41] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica, p. 9-10.

[42] SCHUURMAN, Egbert. Technology and Christianity: Essays on the Interface. Aalten: Wordbridge Publishing, 2024. p. 30-43. As principais descrições dos conflitos entre revolucionários e tecnocratas foram feitas por Schuurman no contexto da Guerra Fria ou sob influência posterior do impacto desse momento histórico. Diante disso, é possível argumentar que a oposição entre os grupos citados acontece de forma diferente hoje, pois ambos buscam na tecnologia, especialmente na Tecnologia da Informação, uma forma de controle sobre a realidade. Essa mudança de comportamento ajuda a enfatizar o argumento de similaridade religiosa entre os movimentos.

[43] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 69.

[44] SCHUURMAN, Derek. Entrevista exclusiva com Derek C. Schuurman sobre a relação entre fé cristã e tecnologia. Associação Brasileira de Cristãos na Ciência, 2017. Disponível em: https://cristaosnaciencia.org.br/entrevista-exclusiva-com-derek-c-schuurman-sobre-a-relacao-entre-fe-crista-e-tecnologia/. Acesso em: 8 nov. 2025.

[45] MARTINS, Yago. No alvorecer dos deuses: desvendando as idolatrias profundas do coração. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020. p. 34.

[46] DOOYEWEERD. A New Critique of Theoretical Thought, vol. I, p. 20.

[47] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 35.

[48] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 47. Para o autor, em uma linguagem dooyeweerdiana, reduzir todos os aspectos da realidade ao aspeto lógico é perder de vista a fonte de significado e ficar sujeito ao dualismo resultante ao tentar lidar com questões filosóficas, como a relação entre a unidade e a diversidade ou da continuidade do ser no tempo.

[49] FONTES, Filipe. Idolatria do coração: um inimigo ignorado. São Paulo: Cultura Cristã, 2023. p. 45.

[50] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 34-35.

[51] SPENGLER, Oswald. Man and Technics: a contribution to a philosophy of life. Trad. Charles Francis Atkinson. Londres: Arktos Media, 2015. p. 67.

[52] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 15-16.

[53] SCHUURMAN, Derek. Moldando um mundo digital: Fé, cultura e tecnologia computacional. Trad. Leonardo Bruno Galdino. Brasília: Editora Monergismo, 2013. loc. 1360.

[54] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica, p. 64.

[55] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 95-97.

[56] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 18.

[57] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 177-178.

[58] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 179-181; SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 66.

[59] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 194.

[60] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 92.

[61] SCHUURMAN, Egbert. Reflexões sobre a sociedade tecnológica, p. 95.

[62] FRANCESCO, Jean. Reformando o Discipulado: uma introdução à fé cristã. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021. p. 181-182.

[63] BARTHOLOMEW, Craig G.; GOHEEN, Michael W. O drama das Escrituras: encontrando nosso lugar na história bíblica. 3. ed. Tradução de Daniel Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2025. p. 60.

[64] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 50-53. O jornalista Tony Reinke, em seu livro Deus, Tecnologia e a Vida Cristã, p. 41-43, relaciona a Torre de Babel com a Arca de Noé, destacando que a torre foi feita com piche, para ser impermeável, agravando o tom do desafio contra Deus. O professor de ciência da computação Frederick P. Brooks Jr., em seu livro O mítico homem-mês, p. 72, descreve a Torre de Babel como o primeiro fiasco de engenharia.

[65] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 44.

[66] FRANCESCO, Reformando o Discipulado, p. 216-224.

[67] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 141.

[68] SCHUURMAN, Egbert. Cristãos em Babel, p. 36.

[69] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 200-208.

[70] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 220.

[71] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 79-91.

[72] SCHUURMAN, Egbert. A Imagem Tecnológica do Mundo e uma Ética da Responsabilidade, loc. 665-685.

[73] SCHUURMAN, Egbert. Uma visão alternativa da tecnologia, p. 129.

[74] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 14.

[75] ZUCKERBERG, Mark. Mark Zuckerberg — AI will write most Meta code in 18 months [entrevista]. Entrevistador: Dwarkesh Patel. Dwarkesh Patel, 29 abr. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rYXeQbTuVl0. Acesso em: 13 nov. 2025.

[76] PINOTTI, F. “OpenAI anuncia ‘modo adulto’ do ChatGPT com conteúdo erótico”. CNN Brasil, 16 out. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/openai-anuncia-modo-adulto-do-chatgpt-com-conteudo-erotico/. Acesso em: 13 nov. 2025.

[77] MALCHEVSKA, O. “Eu queria que o ChatGPT me ajudasse. Por que ele me aconselhou a me matar?”. BBC News Brasil, 11 nov. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce8z4x2060lo. Acesso em: 13 nov. 2025.

[78] O’DONNELL, James “A história que você ainda não conhece sobre a pegada energética da IA”. MIT Technology Review, 22 jun. 2025. Disponível em: https://mittechreview.com.br/impacto-energetico-ia-inteligencia-artificial-data-centers-. Acesso em: 13 nov. 2025.

[79] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 136-146.

[80] SCHUURMAN, Egbert. Fé, Esperança e Tecnologia, p. 143.

[81] BERGER, Peter L. Os múltiplos altares da modernidade: rumo a um paradigma da religião numa época pluralista. Trad. Noéli Correia de Melo Sobrinho. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2017. p. 13.

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