O Título Cristológico “Filho do Homem” no Apocalipse de João: um estudo a partir de Ap. 1-13
O Título Cristológico “Filho do Homem” no Apocalipse de João: um estudo a partir de Ap. 1-13
Isaias da Silva Santos[1]
Resumo
Resumo: A presente pesquisa tem como principal objetivo investigar o uso do título cristológico “Filho do Homem” no Apocalipse de João, em especial a sua aparição em Ap. 1.13. Nosso propósito é compreender qual mensagem o autor queria transmitir através do título “Filho do Homem” e quais foram os textos que lhe influenciaram em sua construção teológica. Para tanto, o seguinte percurso será realizado: um breve estudo sobre o propósito e cristologia do livro do Apocalipse, depois de forma resumida analisaremos o uso da expressão "Filho do Homem" nas tradições canônicas e extra canônicas e, por fim, o uso da expressão na narrativa do Apocalipse de João.
Palavras-chave: Apocalipse de João; Filho do Homem; Cristologia.
Abstract: The main objective of this research is to investigate the use of the Christological title “Son of Man” in the Apocalypse of John, especially its appearance in Rev. 1:13. Our aim is to understand what message the author wanted to convey through the title "Son of Man" and which texts influenced his theological construction. To this end, the following path will be taken: a brief study of the purpose and Christology of the Book of Revelation, then a brief analysis of the use of the expression "Son of Man" in canonical and extra-canonical traditions and, finally, the use of the expression in the narrative of John's Apocalypse.
Keywords: Apocalypse of John; Son of Man; Christology.
Resumo: A presente pesquisa tem como principal objetivo investigar o uso do título cristológico “Filho do Homem” no Apocalipse de João, em especial a sua aparição em Ap. 1.13. Nosso propósito é compreender qual mensagem o autor queria transmitir através do título “Filho do Homem” e quais foram os textos que lhe influenciaram em sua construção teológica. Para tanto, o seguinte percurso será realizado: um breve estudo sobre o propósito e cristologia do livro do Apocalipse, depois de forma resumida analisaremos o uso da expressão "Filho do Homem" nas tradições canônicas e extra canônicas e, por fim, o uso da expressão na narrativa do Apocalipse de João.
Palavras-chave: Apocalipse de João; Filho do Homem; Cristologia.
Abstract: The main objective of this research is to investigate the use of the Christological title “Son of Man” in the Apocalypse of John, especially its appearance in Rev. 1:13. Our aim is to understand what message the author wanted to convey through the title "Son of Man" and which texts influenced his theological construction. To this end, the following path will be taken: a brief study of the purpose and Christology of the Book of Revelation, then a brief analysis of the use of the expression "Son of Man" in canonical and extra-canonical traditions and, finally, the use of the expression in the narrative of John's Apocalypse.
Keywords: Apocalypse of John; Son of Man; Christology.
Artigo
1. Introdução
De todos os títulos cristológicos apresentados na bíblia sagrada, o do “Filho do homem” foi o mais aprofundado. Esse título conferido a pessoa de Jesus, é uma expressão profundamente rica e complexa, com raízes que se estendem tanto na literatura canônica quanto na extra canônica. Originalmente encontrado nas visões apocalípticas do Antigo Testamento, particularmente no livro de Daniel (7:13), esta expressão foi adotada e amplamente desenvolvida no Novo Testamento, especialmente nos Evangelhos e no Apocalipse de João. Este título cristológico desempenha um papel crucial na identificação de Jesus como uma figura messiânica e escatológica.[2]
No Apocalipse de João, a expressão Filho do homem surge de maneira singular em Apocalipse 1:13. João descreve uma visão do Cristo ressuscitado e glorificado, "semelhante ao Filho de homem", em meio aos sete candeeiros de ouro. Esta descrição serve para reafirmar a soberania e autoridade de Jesus sobre a igreja e a história e, é fundamental para entender a cristologia de João, onde Jesus é apresentado como o juiz divino e o redentor escatológico.
A presente pesquisa tem como principal objetivo investigar o uso do título cristológico “Filho do homem” no Apocalipse de João, em especial a sua aparição em Ap. 1.13. Nosso propósito é compreender qual mensagem o autor queria transmitir através do título e quais foram os textos que lhe influenciaram em sua construção teológica. Para tanto, o seguinte percurso será realizado: um breve estudo sobre o propósito e cristologia do livro do Apocalipse, depois de forma resumida analisaremos o uso da expressão "Filho do Homem" nas tradições canônicas e extra canônicas e, por fim, o uso da expressão na narrativa do Apocalipse de João.
Ao fazer isso, será possível compreender melhor como esta expressão contribui para a visão apocalíptica e cristológica de João, oferecendo uma perspectiva sobre o papel de Jesus como o soberano divino e redentor final.
2. Livro do Apocalipse: propósito e cristologia
2.1 Propósito
O apocalipse de João nasce em um ambiente onde prevalece a cultura da transmissão oral, pois neste período não havia muitos textos escritos. Nesse sentido, inicialmente o Apocalipse não surge como um livro unificado, mas circulava a partir de vários escritos pessoais fragmentados. Mais tarde, durante o governo do Imperador Domiciano, aproximadamente no ano de 95 d.C. recebeu o formato de livro tal como encontramos hoje.
Sobre essa temática Mesters e Orofino afirmam:
Inicialmente, ainda não era um livro, mas, sim, um ou vários escritos pessoais que circulavam nas comunidades em apoio à transmissão oral da Boa-Nova. Estes escritos não editados (apostilas), na medida em que iam sendo transmitidos, recebiam acréscimos e modificações de acordo com as circunstancias e os problemas das comunidades. Até que, la pelo ano 95, época do imperador Domiciano, alguém reuniu e unificou tudo num único escrito e o editou na forma do livro que atualmente conhecemos como o Apocalipse de João.[3]
Já em relação ao contexto político, social e religioso, o ambiente de produção do Apocalipse é marcado pela mistura religiosa, os cristãos estavam totalmente entrelaçados com as práticas oriundas dos cultos helenistas, soma-se a isso a participação na esfera pública eu estava atrelada a adoração ao imperador. Ou seja, havia uma “guerra” entre o que era santo e o profano.[4]
Nelson kraybill, escrevendo sobre o pano de fundo do Apocalipse de João e como o povo cristão estava envolvido economicamente e religiosamente com o império, descreve o seguinte:
Os cristãos tinham pronto acesso aos navios, docas e sede de associação saciavam o enorme poder de Roma [...]. Já no século I, alguns fiéis circulavam com frequência entre mercadores e negociantes; outros eram pequenos comerciantes. Alguns cristãos do século I tinham fortuna ou ligações que lhes possibilitavam frequentar círculos de influência política e econômica [...]. à luz dessa crença, Ap 18 é mais que um poema sobre a queda de um inimigo; é um alarme para os cristãos romperem todos os laços econômicos e políticos com um império que se entregaram à injustiça, à idolatria e a cobiça.[5]
Diante dessas circunstâncias o livro foi escrito para ser encaminhado para as sete igrejas da província proconsular da Ásia (Ap. 1.10-11). Claramente, com objetivo de ser um escrito de resistência ao culto Imperial. Pois o propósito primaz de João era fortalecer a fé dos irmãos na esperança que era Cristo, diante das afrontas e perseguições praticadas pela besta (Império). Diferentemente de muitas interpretações contemporâneas a preocupação do autor estava mais ligada as questões do presente do que do futuro.
A leitura do Ap. nos faz enxergar que concretamente, é o profeta João que escreve; mas, retoricamente, são palavras diretas do Cristo exaltado entre os candelabros (Ap.1.13). Nesse sentido, “ a função (retórica) do Apocalipse não é, portanto, informativa, mas exortativa, quer levar seu leitor a não abandonar (apostasia) – nem mesmo com acomodações (sincretismo) – o compromisso de seguir o Cordeiro para onde quer que o leve”. Ao contrário de outros escritores cristãos primitivos, o profeta João não encorajou o seu público a honrar e obedecer ao imperador, mas em vez disso encorajou, por meio dos seus símbolos e retórica, a resistência.[6][7][8]
Tomando como base essa perspectiva, o propósito central deste livro é exortar a comunidade cristã a se afastar dos acordos e benefícios econômicos e políticos com Império Romano, uma vez que estas instituições se encontravam profanadas e seu imperador rogava para si o título de Deus. “O livro de Apocalipse em si não permite um olhar neutro: ou se compartilha a ideologia de Roma, a visão do império promovida pela propaganda romana, ou se adota a perspectiva do céu, que desmascara as pretensões de Roma”.[9][10]
Este livro é uma convocação divina para os fiéis ao Cordeiro “sair” de Babilônia
(Ap. 18. 4-5). Não sair em sentido físico, mas no sentido espiritual. Pois continuar tendo relacionamento econômico, político, social e espiritual com Roma significa abrir mão da nova cidade celestial. O Apocalipse revela que a paz e a riqueza proporcionada pelo Império Romano eram falsas, e convoca os cristãos para serem fiéis ao cordeiro que os levaria para nova Jerusalém.[11][12]
2.2 Cristologia: o Cristo glorificado
A cristologia do livro do Apocalipse, assim como as demais cristologias do Novo Testamento está apoiada na morte e ressureição de Cristo (sacrifício pascal). Pois o autor deixa essa verdade explicita logo no primeiro capítulo: “ eu fui morto, mais eis que agora vivo por toda eternidade” (Ap. 1.18).
Para Vilcilane Mourão, em sua tese doutoral, A cristologia do Apocalipse de João está em sintonia com a tradição neotestamentária, compartilhando da maioria dos títulos cristológicos do Novo testamento. Porém, em seu estilo e perspectiva sobressaem alguns traços peculiares, como por exemplo, o eixo profético.[13]
Como em todos os livros da Bíblia Cristo é o centro do livro. “A primazia óbvia da teologia no Apocalipse de João corresponde, por outro lado, uma participação plena de Jesus na atuação de Deus, portanto, uma cristologia com perfil teocêntrico”. Todos acontecimentos – na terra e no céu – gravitam entorno da pessoa e da obra do Cristo glorificado, pois “é a sua morte que proporciona a derrota de satanás, e seu sangue é a base para vitória dos santos (12,11) e lhes confere a condição de “reino e sacerdotes” (1.6; 5.9-10). “Testemunha fiel e verdadeira” (3.14), o “primogênito dos mortos”, que abre caminho para os demais. Ele compartilha do trono com Deus (5.6; 22.1) e sua vinda é o grande clímax do julgamento do mal (19.11-27)”.[14][15]
A importância da cristologia extraordinariamente profunda de João para a mensagem de Apocalipse é que ela deixa absolutamente claro que o que Cristo faz, Deus faz. Sendo assim, podemos afirmar que Jesus compartilha dos mesmos atributos eternos de Deus. Por conseguinte, o que que Cristo faz, na salvação e no julgamento, não é menos divino do que aquilo que se diz ser feito por “aquele que está sentado no trono”.[16]
É ele que em união com o Pai está apto a receber adoração (5.13). O Cristo apresentado por João é o Cristo que vence não por meio da violência como o império romano, mas o que vence através do próprio sangue /autossacrifício. (5.6; 9.12; 13.8).
A cristologia apresentada por João no apocalipse, diferentemente de outros livros do Novo Testamento, tem como foco principal a manifestação do Cristo glorificado envolto em uma linguagem simbólica e enigmática. Porém, não se encontra submissa a linguagem e a estrutura de um tratado dogmático. Sendo assim, para uma compreensão profunda da cristologia presente neste livro, seu leitor terá a difícil tarefa de desvendar seus símbolos e enigmas.
João ao escrever o Apocalipse apresentou uma nova roupagem a cristologia do Novo Testamento, sem romper totalmente com a tradição cristã primitiva. Contudo, ele a repensa e a reformula a partir da luz da fé cristã, isso pode ser visto na utilização dos títulos cristológicos proto-cristãos.[17]
3. As tradições acerca do título “Filho do Homem”
O título cristológico Filho do homem não apareceu de improviso no livro do Apocalipse, mas tem sua origem e desenvolvimento na longa na tradição judaica. Embora exista uma gama de textos (canônicos e extra canônicos) em que a expressão Filho do homem apareça, dada a síntese do trabalho delimitaremos o estudo apenas na utilização da expressão nos textos mais relevantes da tradição canônica, da tradição extra canônica e nos manuscritos de Qumran.
3.1. “Filho do homem” na tradição canônica
3.1.1. Na bíblia hebraica: Nm. 23.19; Ez. 1.3; Dn. 7.13 – 8.17
A expressão Filho do homem é encontrada muitas vezes, tanto no Velho como no Novo Testamento. Originalmente, a primeira vez que essa expressão aparece é em[18]
Nm. 23.19, que diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?”
Em hebraico, o termo usado é "בֶּן־אָָדָם" (ben-adam)19, traduz-se literalmente como filho do homem. Esta expressão é frequentemente usada na Bíblia Hebraica para denotar um ser humano, enfatizando a natureza humana e mortal da pessoa em questão. Neste contexto específico de Nm. 23.19, a frase está destacando que Deus não possui as limitações e falhas dos humanos, como mentir ou se arrepender.
No livro de Ezequiel, escrito no sexto século a.C., a frase foi uma maneira que Deus, muitas vezes, identificou o profeta Ezequiel (2.1,3-6 e muitos outros versículos em Ezequiel). Tal expressão aparece cerca de 93 vezes ao longo do livro. Este termo serve para destacar a humanidade de Ezequiel em contraste com a divindade de Deus, sublinhando o papel do profeta como representante humano escolhido para transmitir as mensagens divinas ao povo de Israel.
A expressão filho do homem em Ezequiel não possui conotação messiânica, o termo enfatiza a mortalidade e as fraquezas humanas, contrastando com o poder e a autoridade divina. Ezequiel é chamado de filho do homem desde o início do seu chamado profético (Ezequiel 2:1) e ao longo de suas visões e profecias. Este título estabelece uma relação de dependência e obediência do profeta em relação a Deus, bem como sua posição de intermediário entre Deus e o povo.
Já no livro de Daniel a expressão aparece duas vezes (Dn. 7.13 e 8.17), com dois sentidos diferentes. Em Daniel 7.13, a expressão Filho do homem aparece em uma visão que Daniel tem durante a noite. Este é um dos textos mais conhecidos e comentados do Antigo Testamento por sua relevância teológica e escatológica.
A narrativa bíblica está descrita da seguinte maneira:
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem; e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino, o único que não será destruído.
A expressão Filho do homem aqui é única em relação ao uso frequente em outros livros do Antigo Testamento. Em Daniel, o Filho do homem é uma figura celestial, distinta da humanidade comum, mas representando alguém com uma natureza divina e humana, pois ele vem "nas nuvens do céu", demonstrando um sinal de divindade e autoridade. Este personagem escatológico é apresentado ao Ancião de Dias e recebe domínio, glória e um reino eterno. Isso sugere que ele é investido de autoridade divina, em contraste com os reinos terrestres temporários representados pelos animais. Seu reino é descrito como eterno e indestrutível, o que tem implicações messiânicas profundas.
Nesse sentido, a expressão Filho do homem em Daniel 7 é, portanto, central para a compreensão da teologia messiânica e escatológica tanto no judaísmo quanto no cristianismo, representando uma figura que transcende a história humana e inaugura o reino eterno de Deus.
Em Daniel 8.17, o profeta é chamado de Filho do homem, aqui esse título sublinha a humanidade de Daniel e a necessidade de intervenção e esclarecimento divinos para entender a visão apocalíptica. Este uso do termo está mais alinhado com o de Ezequiel, destacando a fragilidade e limitação humanas, em contraste com o poder e a revelação divina.
Esses textos, extraídos da tradição da Bíblia Hebraica, mostram que é expressão Filho do homem no contexto veterotestamentário pode significar simplesmente um ser humano ou, em contextos proféticos, referir-se a uma figura messiânica com autoridade divina.
3.1.2 No Novo Testamento
Chegando ao Novo Testamento, O título Filho do homem é um dos mais importantes e distintivos usados por Jesus. Este termo aparece mais de 80 vezes nos Evangelhos e é central para entender a autoidentificação e a missão de Jesus.
Nos Evangelhos Sinópticos, o título cristológico Filho do homem é utilizado por Jesus para se referir a si mesmo de maneira multifacetada. Esse título encapsula a complexa identidade de Jesus, combinando elementos de sua humanidade, autoridade divina, papel redentor, retorno escatológico e função de juiz final. Aqui está um resumo dissertativo de seu uso, destacando passagens chave.
O título Filho do homem é frequentemente utilizado para sublinhar a identificação de Jesus com a condição humana. Em Mateus 8. 20, Jesus afirma: "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." Este versículo destaca a falta de posses materiais e a vida de despojamento que Jesus escolheu, enfatizando sua plena participação na condição humana. Lucas 9. 58 ecoa essa mesma declaração, reforçando a ideia de que Jesus, como Filho do homem, viveu uma vida de simplicidade e itinerância.
Outra dimensão crucial do título Filho do homem é a autoridade divina que ele implica. Em Mateus 9. 6, Jesus diz: "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados..." Esta declaração é uma resposta direta às acusações de blasfêmia por parte dos líderes religiosos e revela que Jesus possui uma autoridade que é tradicionalmente atribuída apenas a Deus. Marcos 2. 10 e Lucas 5. 24 também registram este episódio, reforçando o reconhecimento de Jesus como uma figura com poder divino para perdoar pecados.
Jesus frequentemente usava o título Filho do homem para prever seu sofrimento e morte. Em Mateus 17. 22-23, ele diz aos discípulos: "O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens; e matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará." Esta profecia é repetida em Marcos 8. 31, onde Jesus ensina que "importa que o Filho do Homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, e seja morto, e depois de três dias ressuscite." Lucas 9. 22 também apresenta esta predição, sublinhando a necessidade do sofrimento e morte de Jesus como parte de sua missão redentora.
O uso escatológico do título Filho do homem é proeminente nos discursos de Jesus sobre o fim dos tempos. Em Mateus 24. 30, Jesus declara: "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória." Este versículo aponta para a segunda vinda de Jesus, quando ele retornará em poder e glória para completar o plano divino. Marcos 13. 26 e Lucas 21. 27 também descrevem esta visão gloriosa do retorno de Jesus, reafirmando seu papel escatológico.
Por fim, o título Filho do homem é associado ao juízo final. Em Mateus 25. 31-32, Jesus descreve: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas." Esta passagem manifesta o papel de Jesus como juiz escatológico, que avaliará todas as nações e indivíduos no fim dos tempos. Lucas 22. 69 também alude ao papel judicial de Jesus, mencionando que ele estará "à direita do poder de Deus."
No livro de Atos, o título Filho do homem é usado uma vez, em um contexto de visão celestial. Estêvão, o primeiro mártir cristão, ao ser apedrejado, tem uma visão gloriosa e diz: "Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus" (Atos 7. 56). Esta declaração sublinha a vindicação e exaltação de Jesus após sua ressurreição, apresentando-o como uma figura celestial que compartilha a autoridade divina. O uso do título aqui reforça a conexão entre Jesus e a visão de Daniel 7. 13 -14, onde o Filho do homem recebe domínio, glória e um reino eterno.
Nas Cartas Paulinas, o título Filho do homem" não é explicitamente mencionado, no entanto, Paulo frequentemente fala de Jesus em termos que implicam sua humanidade e divindade. Por exemplo, em Filipenses 2. 6-8, Paulo descreve Jesus como aquele que, "sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens." Esta passagem, embora não use o título Filho do homem, reflete a mesma teologia de um Messias que é plenamente humano e divino, e que se humilha até à morte, para depois ser exaltado.
Nas Epístolas Gerais (Tiago 1 e 2 Pedro 1, 2 e 3 João, Judas), o título Filho do homem também não é utilizado. Contudo, temas semelhantes de Jesus como o Messias sofredor e exaltado são presentes. Em 1 Pedro 2. 21-24, Jesus é descrito como o exemplo supremo de sofrimento injusto e redenção: "Ele mesmo levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados." A ausência do título específico não diminui a compreensão cristológica que estas epístolas apresentam sobre Jesus.
A Epístola aos Hebreus não usa explicitamente o título Filho do homem, mas desenvolve uma cristologia rica e profunda que ressoa com os temas associados a ele. Em Hebreus 2. 6-9, o autor cita o Salmo 8, que fala da humanidade em termos elevados e se refere a Jesus: "Mas, agora, ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele; vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus, que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte." Jesus é visto como o cumprimento do ideal humano, exaltado após sofrer a morte, refletindo o tema do Filho do homem como um ser divino-humano que se humilha para ser exaltado.
É perceptível, portanto, a partir dos textos estudados que o uso do termo Filho do homem no Novo Testamento é multifacetado, refletindo a identidade única de Jesus como aquele que é tanto humano quanto divino, cumpridor de uma missão salvífica e o juiz final da humanidade. É um título que lança luz sobre sua autoridade, sua relação especial com Deus e seu papel fundamental no plano de redenção divina.
3.2 “Filho do homem” na tradição extra canônica
Na tradição extra canônica e expressão Filho do homem aparece em vários textos, analisaremos apenas as referências mais importantes e discutidas academicamente. São elas: 1Enoque, 4Esdras e, por fim, os manuscritos de Qumran.
3.2.1 A expressão “Filho do homem” em 1Enoque
O título Filho do homem em 1Enoque aparece no livro parábola ou similitudes de Enoque (1Enoque, Capítulos 37.71). Trata-se de um livro composto por inúmeros relatos e sua possível datação vai do século III a. C ao I d.C.. No livro este termo juntamente com outras expressões se referem à figura do Messias. Pois “O personagem messiânico-escatológico de 1Enoque é apresentado como um ser preexistente e oculto (48. 3; 62:7), que se manifesta atualmente (48. 7, que atua como juiz (46. 4-6; 62. 3-11; 69. 27,29), revelador (46. 3), vindicador da justiça (48. 4; 62.12; 71. 17) e governador universal (62. 6; 71. 15-17), e que recebe adoração (48. 5; 62. 9)”.[19][20]
Além disso, tal expressão aparece na segunda parábola (46. 4) dotado de poder e apto a disferir juízo contra as nações desobedientes ao “Senhor dos Espíritos” e como uma espécie de protetor dos justos que busca incansavelmente garantir a herança dos eleitos na terra.[21]
Diferentemente da manifestação da figura do Filho do homem em Daniel 7 que deixa margem para discussão sobre se a expressão se refere ao povo (coletivo) ou a um ser angelical individual, em 1Enoque o Filho do homem não deixa dúvidas, pois se apresenta como uma realidade individual, concreta e de aproximável interpretação.[22]
Para Diez A. Macho, em Enoque essa figura possui significado de uma transposição e junção de tradições e personagens da literatura judaica e posterior mente Cristã, no qual o Filho do homem recebe traços messiânicos e poderes forenses, o qual castigará o império e recompensará o justo. Ou seja, neste livro o Filho do homem é apresentado como aquele que virá estabelecer o reino.[23]
3.2.2 A expressão “Filho do homem” em 4Esdras
O livro de 4Edras é um livro de origem hebraica e aramaica ocidental palestinense25, datado em torno do ano 100 d.C.26 Nesse livro a figura do Filho do homem se manifesta a partir de uma concepção nacionalista com traços de um messias a muito prometido e esperado, porém distante do povo sem qualquer intervenção em sua situação presente.
Em 4Esdras 13, o visionário tem uma visão de um homem que sai do mar. Este homem é descrito de maneira majestosa e poderosa, reunindo uma grande multidão para enfrentar os inimigos de Deus. Ele esculpe uma montanha sem usar mãos, simbolizando uma intervenção divina. O homem na visão destrói os exércitos inimigos com um sopro de sua boca, uma metáfora para o julgamento divino e a palavra de Deus. Este personagem é muitas vezes interpretado como uma figura messiânica, semelhante à de Daniel 7.
O título Filho do homem" em 4Esdras é usada para descrever uma figura messiânica e apocalíptica que desempenha um papel central na visão de Esdras sobre o fim dos tempos. Esta figura é investida de poder divino para julgar e restaurar, refletindo temas comuns na literatura apocalíptica judaica e alinhando-se com as expectativas messiânicas do período do Segundo templo.
3.2.3 Nos manuscritos de Qumran[24]
Inicialmente vale destacar que a expressão Filho do homem não apareça explicitamente nos Manuscritos do mar morto, mas os textos de Qumran fornecem um pano de fundo rico para compreender as expectativas messiânicas e apocalípticas do judaísmo do Segundo Templo. Essas expectativas incluem figuras messiânicas que desempenham papéis redentores e escatológicos, oferecendo um contexto no qual o título Filho do homem pode ser mais plenamente compreendido.
Entre as principais figuras que aparecem nas crenças e nos escritos da comunidade de Qumran, destacamos a figura enigmática de Melquisedeque, citado no manuscrito 11Q13, que tem características muito semelhantes ao Filho do homem apresentado em Daniel 7. O estudo minucioso de 11Q13 revela que Melquisedeque possuía traços de um juiz escatológico, além disso, são atribuídas ao sacerdote Melquisedeque funções messiânicas, divinas e proféticas.[25][26]
Aíla Luzia Andrade, em sua tese doutoral, discorrendo sobre a relação entre o Filho do homem e Melquisedeque elenca alguns pontos de semelhança entres essas duas figuras enigmáticas, conforme pode ser visto no quadro a seguir.[27]
Ainda sobre o tema a autora afirma que:
Identificar Melquisedeque com Shem era conveniente, entre outras coisas, para unir o passado e o futuro, a “arqueologia teológica” com a escatologia. Significava falar sobre um herói sobrevivente ao fim do mundo, no passado, e, com isso, alçar um salto para o futuro, quando, novamente, Deus faria uma nova criação do universo mediante outras catástrofes e cataclismas. Mas com a viva certeza de que a Shekinah não abandonará o povo da aliança e de que as nações finalmente reconheceriam o Deus de Israel, ou seja, a aliança seria alargada a todos os povos. O texto de 11QMelch vai desenvolver esse caráter escatológico de Melquisedeque, destacando, principalmente, o tema do julgamento. Melquisedeque vai aparecer em 11QMelch como aquele que preside o julgamento final.[28]
Em resumo, a figura do Filho do Homem em Jesus Cristo e a figura do sacerdote Melquisedeque se conectam através de suas identidades sacerdotais únicas e eternas, é possível perceber que Melquisedeque e o Filho do homem" compartilham várias semelhanças, especialmente em suas representações como figuras celestiais e redentoras com papéis escatológicos significativos. Essas semelhanças destacam a diversidade e a riqueza das expectativas messiânicas e escatológicas no judaísmo do segundo templo, fornecendo um contexto mais profundo para compreender essas figuras e suas funções teológicas.
4. O título cristológico “Filho do homem” no apocalipse de João: ap. 1. 13
Conforme citado inicialmente, o presente estudo tem como objetivo investigar qual mensagem o autor do livro do Apocalipse queria transmitir através do título Filho do homem atribuído a Jesus Cristo e quais foram os textos que o influenciaram em sua construção teológica.
Diante de todos os textos – canônicos e extra canônicos – estudados até aqui, conclui-se que o uso do título cristológico Filho do homem", utilizado por João em Apocalipse 1:13 tem como background à visão do texto judaico de Daniel 7:13.[29]
Sobre esta ligação Grant Osborne defende a seguinte ideia:
Há uma óbvia associação com as palavras relacionadas ao “Filho do homem” nos Evangelhos, embora a forma diferente [...] se trata de uma alusão direta a Daniel e não aos logia de Jesus. Todavia, em muitos textos dos Evangelhos existe uma ligação com a figura exaltada de Daniel, em que fica nítida a nuança da figura messiânica glorificada do texto de Daniel.[30]
John J. Collins no mesmo sentido escreve:
A identificação de Jesus com o Filho do Homem daniélico faz bastante sentido no contexto pós-pascal da Igreja primitiva. Pelo menos algumas pessoas esperavam que Jesus restaurasse o reino de Israel, mas ele falhara ignominiosamente em fazê-lo. A identificação com a figura de Daniel 7 permitiu aos seus seguidores crerem que ele era, não obstante, o messias, e que ele voltaria para completar a obra de libertação. Essa crença foi posteriormente elaborada no livro do Apocalipse de João.[31]
A visão em Daniel 7:13 e sua referência em Apocalipse 1:13 sublinham a autoridade suprema de Cristo. Ele é o soberano sobre todos os povos e reinos, e seu domínio é eterno. Essa mensagem é crucial para os cristãos, especialmente aqueles que no contexto histórico de produção do livro do Apocalipse estavam se vendo obrigados a aderir o culto ao imperador de Roma. Pois a mensagem produzida pelo visionário João na ilha de Patmos reforça a certeza de que Cristo está no controle final da história.
O uso de Daniel 7:13 como pano de fundo para Apocalipse 1:13 é significativo para entender como o autor do Apocalipse amplia a identidade messiânica e escatológica de Jesus Cristo. Em Daniel 7:13, o profeta vê uma visão na qual alguém como Filho do homem é apresentado diante do Ancião de Dias e recebe autoridade, poder e domínio sobre todos os povos. Esta figura é identificada como um messias vindouro, um governante divinamente apontado que estabelecerá um reino eterno.
Ao usar essa imagem como referência, o autor constrói uma visão similar de Cristo em Apocalipse 1:13. Neste versículo, João descreve Jesus como alguém semelhante a um Filho de homem, vestido com uma túnica que chega aos pés e com um cinto de ouro ao redor do peito. Além disso, a transposição dos atributos da figura judicial do Ancião de Dias para Cristo evoca também sua função de juiz divino dos últimos dias.[32]
Portanto, João, ao usar o título Filho do Homem em Apocalipse 1:13 e em outras partes de seu texto, está ecoando e aplicando essa rica tradição messiânica encontrada nas escrituras judaicas e apocalípticas. Ele identifica Jesus Cristo como o cumprimento das esperanças e das profecias relacionadas ao Filho do Homem, mostrando-o não apenas como um líder humano, mas como o divinamente designado Messias que traz salvação e julgamento final sobre o mundo.
Para Kistemaker, “O Apocalipse apresenta Jesus tanto como rei quanto como sacerdote que liberta seu povo do pecado por meio de seu sangue [...]. Portanto, o vocabulário de João descreve a dignidade e elevada posição do Filho do Homem”.[33]
A importância desse uso está na conexão profunda entre as profecias messiânicas do Antigo Testamento, como as de Daniel, e a figura de Jesus Cristo no Novo Testamento. Ao aplicar essa imagem a Jesus, João está afirmando sua identidade como o Messias esperado, aquele que não apenas veio para redimir seu povo, mas também para estabelecer seu reino eterno. A utilização da figura de Filho do Homem não apenas reforça a humanidade de Jesus, mas também sua divindade e sua autoridade suprema sobre toda a criação, conforme descrito em Daniel.
Além disso, essa referência escatológica sublinha a crença de que Jesus não apenas cumpriu as profecias messiânicas do Antigo Testamento durante sua vida terrena, mas também inaugurou o cumprimento final dessas profecias no contexto do fim dos tempos. Em Apocalipse, Jesus é apresentado não apenas como o Cordeiro que foi morto, mas também como o Rei dos reis e Senhor dos senhores que virá novamente para estabelecer seu reino de justiça e paz.
Portanto, ao fazer uso do título Filho do Homem em Apocalipse 1:13, João enriquece e amplia a compreensão da identidade messiânica de Jesus Cristo, mostrando-o como o cumprimento final das esperanças e profecias do Antigo Testamento, tanto em seu papel de Salvador quanto como Rei escatológico e juiz final.
Essa mensagem tinha como objetivo mostrar aos cristãos da Ásia Menor que o triunfo de Cristo sobre o mal e a vitória final de seu reino sobre todas as nações e poderes terrenos mais cedo ou mais tarde iria chegar.
Nesse sentido, a expressão Filho do Homem em Apocalipse 1:13 encapsula uma visão poderosa do Cristo glorificado, com profundas implicações teológicas e práticas para os cristãos. Esta imagem reafirma a supremacia e autoridade de Jesus, proporciona esperança escatológica e serve como um chamado à fidelidade e missão contínua. Para os cristãos de hoje, esta visão é um lembrete constante da presença de Cristo em meio à sua igreja e da certeza de sua vitória final sobre o mal.
5. Considerações finais
Conforme analisado no presente estudo, o título cristológico Filho do Homem é uma expressão carregada de significados teológicos profundos e multifacetados, com uma rica tradição tanto na literatura canônica quanto na extra canônica. O seu uso na bíblia, particularmente nos Evangelhos e no Apocalipse de João, reflete uma progressiva revelação e desenvolvimento da identidade e missão de Jesus Cristo.
Na literatura canônica, o Filho do Homem é frequentemente usado nos Evangelhos para destacar a humanidade e a divindade de Jesus. Nos Evangelhos Sinópticos, Jesus se autodenomina Filho do Homem para sublinhar sua encarnação, sofrimento, morte, ressurreição e futura vinda em glória. Essa expressão serve para conectar Jesus ao cumprimento das profecias messiânicas do Antigo Testamento, especialmente a visão de Daniel 7:13, onde o Filho do Homem é uma figura celestial que recebe domínio e glória eternos do Ancião de Dias. Além disso, no Novo Testamento, a Epístola aos Hebreus associa Jesus a Melquisedeque, destacando seu sacerdócio eterno e superior.
Na literatura extra canônica, textos como 1Enoque e 4Esdras utilizam a expressão
Filho do Homem em contextos apocalípticos e messiânicos. Em 1Enoque, o Filho do Homem é retratado como uma figura celestial que executa julgamento e redenção, prefigurando a interpretação cristã de Jesus como o juiz escatológico e redentor. Estes textos ajudam a formar um pano de fundo essencial para a compreensão do uso e desenvolvimento do título Filho do Homem no contexto cristão primitivo.
No Apocalipse de João, a expressão Filho do Homem aparece de forma singular em Apocalipse 1:13, onde João descreve uma visão do Cristo ressuscitado e glorificado, “semelhante ao um Filho de homem, entre os sete candeeiros de ouro. Esta imagem não só remete à visão de Daniel 7:13, mas também expande e enriquece a compreensão cristológica de Jesus. Em Apocalipse, Jesus é apresentado como o soberano divino que tem autoridade suprema sobre a igreja e o cosmos. Sua presença entre os candeeiros simboliza seu cuidado contínuo e vigilante pelas igrejas, oferecendo conforto e exortação aos fiéis.
As implicações teológicas dessa visão são vastas. Em primeiro lugar, reafirma a cristologia elevada, reconhecendo Jesus não apenas como um mestre humano, mas como o Senhor exaltado que reina soberanamente. Em segundo lugar, oferece uma esperança escatológica fundamental, assegurando aos cristãos que, apesar das perseguições e tribulações, Cristo já conquistou a vitória definitiva sobre o mal. Em terceiro lugar, sublinha a autoridade de Cristo sobre a vida e a morte, oferecendo segurança e encorajamento para os crentes perseverarem na fé.
Para os cristãos contemporâneos, o título Filho do Homem em Apocalipse 1:13 serve como um poderoso lembrete da presença contínua de Cristo em meio à sua igreja e da certeza de sua vitória final. Esta visão motiva os crentes a viverem com um senso de missão e fidelidade, refletindo o caráter de Cristo e proclamando sua mensagem de salvação e julgamento iminente. Em última análise, o estudo do título Filho do Homem no Apocalipse de João revela a profundidade e a riqueza da identidade de Jesus, oferecendo uma base sólida para a fé e a esperança cristã.
1. Introdução
De todos os títulos cristológicos apresentados na bíblia sagrada, o do “Filho do homem” foi o mais aprofundado. Esse título conferido a pessoa de Jesus, é uma expressão profundamente rica e complexa, com raízes que se estendem tanto na literatura canônica quanto na extra canônica. Originalmente encontrado nas visões apocalípticas do Antigo Testamento, particularmente no livro de Daniel (7:13), esta expressão foi adotada e amplamente desenvolvida no Novo Testamento, especialmente nos Evangelhos e no Apocalipse de João. Este título cristológico desempenha um papel crucial na identificação de Jesus como uma figura messiânica e escatológica.[2]
No Apocalipse de João, a expressão Filho do homem surge de maneira singular em Apocalipse 1:13. João descreve uma visão do Cristo ressuscitado e glorificado, "semelhante ao Filho de homem", em meio aos sete candeeiros de ouro. Esta descrição serve para reafirmar a soberania e autoridade de Jesus sobre a igreja e a história e, é fundamental para entender a cristologia de João, onde Jesus é apresentado como o juiz divino e o redentor escatológico.
A presente pesquisa tem como principal objetivo investigar o uso do título cristológico “Filho do homem” no Apocalipse de João, em especial a sua aparição em Ap. 1.13. Nosso propósito é compreender qual mensagem o autor queria transmitir através do título e quais foram os textos que lhe influenciaram em sua construção teológica. Para tanto, o seguinte percurso será realizado: um breve estudo sobre o propósito e cristologia do livro do Apocalipse, depois de forma resumida analisaremos o uso da expressão "Filho do Homem" nas tradições canônicas e extra canônicas e, por fim, o uso da expressão na narrativa do Apocalipse de João.
Ao fazer isso, será possível compreender melhor como esta expressão contribui para a visão apocalíptica e cristológica de João, oferecendo uma perspectiva sobre o papel de Jesus como o soberano divino e redentor final.
2. Livro do Apocalipse: propósito e cristologia
2.1 Propósito
O apocalipse de João nasce em um ambiente onde prevalece a cultura da transmissão oral, pois neste período não havia muitos textos escritos. Nesse sentido, inicialmente o Apocalipse não surge como um livro unificado, mas circulava a partir de vários escritos pessoais fragmentados. Mais tarde, durante o governo do Imperador Domiciano, aproximadamente no ano de 95 d.C. recebeu o formato de livro tal como encontramos hoje.
Sobre essa temática Mesters e Orofino afirmam:
Inicialmente, ainda não era um livro, mas, sim, um ou vários escritos pessoais que circulavam nas comunidades em apoio à transmissão oral da Boa-Nova. Estes escritos não editados (apostilas), na medida em que iam sendo transmitidos, recebiam acréscimos e modificações de acordo com as circunstancias e os problemas das comunidades. Até que, la pelo ano 95, época do imperador Domiciano, alguém reuniu e unificou tudo num único escrito e o editou na forma do livro que atualmente conhecemos como o Apocalipse de João.[3]
Já em relação ao contexto político, social e religioso, o ambiente de produção do Apocalipse é marcado pela mistura religiosa, os cristãos estavam totalmente entrelaçados com as práticas oriundas dos cultos helenistas, soma-se a isso a participação na esfera pública eu estava atrelada a adoração ao imperador. Ou seja, havia uma “guerra” entre o que era santo e o profano.[4]
Nelson kraybill, escrevendo sobre o pano de fundo do Apocalipse de João e como o povo cristão estava envolvido economicamente e religiosamente com o império, descreve o seguinte:
Os cristãos tinham pronto acesso aos navios, docas e sede de associação saciavam o enorme poder de Roma [...]. Já no século I, alguns fiéis circulavam com frequência entre mercadores e negociantes; outros eram pequenos comerciantes. Alguns cristãos do século I tinham fortuna ou ligações que lhes possibilitavam frequentar círculos de influência política e econômica [...]. à luz dessa crença, Ap 18 é mais que um poema sobre a queda de um inimigo; é um alarme para os cristãos romperem todos os laços econômicos e políticos com um império que se entregaram à injustiça, à idolatria e a cobiça.[5]
Diante dessas circunstâncias o livro foi escrito para ser encaminhado para as sete igrejas da província proconsular da Ásia (Ap. 1.10-11). Claramente, com objetivo de ser um escrito de resistência ao culto Imperial. Pois o propósito primaz de João era fortalecer a fé dos irmãos na esperança que era Cristo, diante das afrontas e perseguições praticadas pela besta (Império). Diferentemente de muitas interpretações contemporâneas a preocupação do autor estava mais ligada as questões do presente do que do futuro.
A leitura do Ap. nos faz enxergar que concretamente, é o profeta João que escreve; mas, retoricamente, são palavras diretas do Cristo exaltado entre os candelabros (Ap.1.13). Nesse sentido, “ a função (retórica) do Apocalipse não é, portanto, informativa, mas exortativa, quer levar seu leitor a não abandonar (apostasia) – nem mesmo com acomodações (sincretismo) – o compromisso de seguir o Cordeiro para onde quer que o leve”. Ao contrário de outros escritores cristãos primitivos, o profeta João não encorajou o seu público a honrar e obedecer ao imperador, mas em vez disso encorajou, por meio dos seus símbolos e retórica, a resistência.[6][7][8]
Tomando como base essa perspectiva, o propósito central deste livro é exortar a comunidade cristã a se afastar dos acordos e benefícios econômicos e políticos com Império Romano, uma vez que estas instituições se encontravam profanadas e seu imperador rogava para si o título de Deus. “O livro de Apocalipse em si não permite um olhar neutro: ou se compartilha a ideologia de Roma, a visão do império promovida pela propaganda romana, ou se adota a perspectiva do céu, que desmascara as pretensões de Roma”.[9][10]
Este livro é uma convocação divina para os fiéis ao Cordeiro “sair” de Babilônia
(Ap. 18. 4-5). Não sair em sentido físico, mas no sentido espiritual. Pois continuar tendo relacionamento econômico, político, social e espiritual com Roma significa abrir mão da nova cidade celestial. O Apocalipse revela que a paz e a riqueza proporcionada pelo Império Romano eram falsas, e convoca os cristãos para serem fiéis ao cordeiro que os levaria para nova Jerusalém.[11][12]
2.2 Cristologia: o Cristo glorificado
A cristologia do livro do Apocalipse, assim como as demais cristologias do Novo Testamento está apoiada na morte e ressureição de Cristo (sacrifício pascal). Pois o autor deixa essa verdade explicita logo no primeiro capítulo: “ eu fui morto, mais eis que agora vivo por toda eternidade” (Ap. 1.18).
Para Vilcilane Mourão, em sua tese doutoral, A cristologia do Apocalipse de João está em sintonia com a tradição neotestamentária, compartilhando da maioria dos títulos cristológicos do Novo testamento. Porém, em seu estilo e perspectiva sobressaem alguns traços peculiares, como por exemplo, o eixo profético.[13]
Como em todos os livros da Bíblia Cristo é o centro do livro. “A primazia óbvia da teologia no Apocalipse de João corresponde, por outro lado, uma participação plena de Jesus na atuação de Deus, portanto, uma cristologia com perfil teocêntrico”. Todos acontecimentos – na terra e no céu – gravitam entorno da pessoa e da obra do Cristo glorificado, pois “é a sua morte que proporciona a derrota de satanás, e seu sangue é a base para vitória dos santos (12,11) e lhes confere a condição de “reino e sacerdotes” (1.6; 5.9-10). “Testemunha fiel e verdadeira” (3.14), o “primogênito dos mortos”, que abre caminho para os demais. Ele compartilha do trono com Deus (5.6; 22.1) e sua vinda é o grande clímax do julgamento do mal (19.11-27)”.[14][15]
A importância da cristologia extraordinariamente profunda de João para a mensagem de Apocalipse é que ela deixa absolutamente claro que o que Cristo faz, Deus faz. Sendo assim, podemos afirmar que Jesus compartilha dos mesmos atributos eternos de Deus. Por conseguinte, o que que Cristo faz, na salvação e no julgamento, não é menos divino do que aquilo que se diz ser feito por “aquele que está sentado no trono”.[16]
É ele que em união com o Pai está apto a receber adoração (5.13). O Cristo apresentado por João é o Cristo que vence não por meio da violência como o império romano, mas o que vence através do próprio sangue /autossacrifício. (5.6; 9.12; 13.8).
A cristologia apresentada por João no apocalipse, diferentemente de outros livros do Novo Testamento, tem como foco principal a manifestação do Cristo glorificado envolto em uma linguagem simbólica e enigmática. Porém, não se encontra submissa a linguagem e a estrutura de um tratado dogmático. Sendo assim, para uma compreensão profunda da cristologia presente neste livro, seu leitor terá a difícil tarefa de desvendar seus símbolos e enigmas.
João ao escrever o Apocalipse apresentou uma nova roupagem a cristologia do Novo Testamento, sem romper totalmente com a tradição cristã primitiva. Contudo, ele a repensa e a reformula a partir da luz da fé cristã, isso pode ser visto na utilização dos títulos cristológicos proto-cristãos.[17]
3. As tradições acerca do título “Filho do Homem”
O título cristológico Filho do homem não apareceu de improviso no livro do Apocalipse, mas tem sua origem e desenvolvimento na longa na tradição judaica. Embora exista uma gama de textos (canônicos e extra canônicos) em que a expressão Filho do homem apareça, dada a síntese do trabalho delimitaremos o estudo apenas na utilização da expressão nos textos mais relevantes da tradição canônica, da tradição extra canônica e nos manuscritos de Qumran.
3.1. “Filho do homem” na tradição canônica
3.1.1. Na bíblia hebraica: Nm. 23.19; Ez. 1.3; Dn. 7.13 – 8.17
A expressão Filho do homem é encontrada muitas vezes, tanto no Velho como no Novo Testamento. Originalmente, a primeira vez que essa expressão aparece é em[18]
Nm. 23.19, que diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?”
Em hebraico, o termo usado é "בֶּן־אָָדָם" (ben-adam)19, traduz-se literalmente como filho do homem. Esta expressão é frequentemente usada na Bíblia Hebraica para denotar um ser humano, enfatizando a natureza humana e mortal da pessoa em questão. Neste contexto específico de Nm. 23.19, a frase está destacando que Deus não possui as limitações e falhas dos humanos, como mentir ou se arrepender.
No livro de Ezequiel, escrito no sexto século a.C., a frase foi uma maneira que Deus, muitas vezes, identificou o profeta Ezequiel (2.1,3-6 e muitos outros versículos em Ezequiel). Tal expressão aparece cerca de 93 vezes ao longo do livro. Este termo serve para destacar a humanidade de Ezequiel em contraste com a divindade de Deus, sublinhando o papel do profeta como representante humano escolhido para transmitir as mensagens divinas ao povo de Israel.
A expressão filho do homem em Ezequiel não possui conotação messiânica, o termo enfatiza a mortalidade e as fraquezas humanas, contrastando com o poder e a autoridade divina. Ezequiel é chamado de filho do homem desde o início do seu chamado profético (Ezequiel 2:1) e ao longo de suas visões e profecias. Este título estabelece uma relação de dependência e obediência do profeta em relação a Deus, bem como sua posição de intermediário entre Deus e o povo.
Já no livro de Daniel a expressão aparece duas vezes (Dn. 7.13 e 8.17), com dois sentidos diferentes. Em Daniel 7.13, a expressão Filho do homem aparece em uma visão que Daniel tem durante a noite. Este é um dos textos mais conhecidos e comentados do Antigo Testamento por sua relevância teológica e escatológica.
A narrativa bíblica está descrita da seguinte maneira:
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem; e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino, o único que não será destruído.
A expressão Filho do homem aqui é única em relação ao uso frequente em outros livros do Antigo Testamento. Em Daniel, o Filho do homem é uma figura celestial, distinta da humanidade comum, mas representando alguém com uma natureza divina e humana, pois ele vem "nas nuvens do céu", demonstrando um sinal de divindade e autoridade. Este personagem escatológico é apresentado ao Ancião de Dias e recebe domínio, glória e um reino eterno. Isso sugere que ele é investido de autoridade divina, em contraste com os reinos terrestres temporários representados pelos animais. Seu reino é descrito como eterno e indestrutível, o que tem implicações messiânicas profundas.
Nesse sentido, a expressão Filho do homem em Daniel 7 é, portanto, central para a compreensão da teologia messiânica e escatológica tanto no judaísmo quanto no cristianismo, representando uma figura que transcende a história humana e inaugura o reino eterno de Deus.
Em Daniel 8.17, o profeta é chamado de Filho do homem, aqui esse título sublinha a humanidade de Daniel e a necessidade de intervenção e esclarecimento divinos para entender a visão apocalíptica. Este uso do termo está mais alinhado com o de Ezequiel, destacando a fragilidade e limitação humanas, em contraste com o poder e a revelação divina.
Esses textos, extraídos da tradição da Bíblia Hebraica, mostram que é expressão Filho do homem no contexto veterotestamentário pode significar simplesmente um ser humano ou, em contextos proféticos, referir-se a uma figura messiânica com autoridade divina.
3.1.2 No Novo Testamento
Chegando ao Novo Testamento, O título Filho do homem é um dos mais importantes e distintivos usados por Jesus. Este termo aparece mais de 80 vezes nos Evangelhos e é central para entender a autoidentificação e a missão de Jesus.
Nos Evangelhos Sinópticos, o título cristológico Filho do homem é utilizado por Jesus para se referir a si mesmo de maneira multifacetada. Esse título encapsula a complexa identidade de Jesus, combinando elementos de sua humanidade, autoridade divina, papel redentor, retorno escatológico e função de juiz final. Aqui está um resumo dissertativo de seu uso, destacando passagens chave.
O título Filho do homem é frequentemente utilizado para sublinhar a identificação de Jesus com a condição humana. Em Mateus 8. 20, Jesus afirma: "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." Este versículo destaca a falta de posses materiais e a vida de despojamento que Jesus escolheu, enfatizando sua plena participação na condição humana. Lucas 9. 58 ecoa essa mesma declaração, reforçando a ideia de que Jesus, como Filho do homem, viveu uma vida de simplicidade e itinerância.
Outra dimensão crucial do título Filho do homem é a autoridade divina que ele implica. Em Mateus 9. 6, Jesus diz: "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados..." Esta declaração é uma resposta direta às acusações de blasfêmia por parte dos líderes religiosos e revela que Jesus possui uma autoridade que é tradicionalmente atribuída apenas a Deus. Marcos 2. 10 e Lucas 5. 24 também registram este episódio, reforçando o reconhecimento de Jesus como uma figura com poder divino para perdoar pecados.
Jesus frequentemente usava o título Filho do homem para prever seu sofrimento e morte. Em Mateus 17. 22-23, ele diz aos discípulos: "O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens; e matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará." Esta profecia é repetida em Marcos 8. 31, onde Jesus ensina que "importa que o Filho do Homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, e seja morto, e depois de três dias ressuscite." Lucas 9. 22 também apresenta esta predição, sublinhando a necessidade do sofrimento e morte de Jesus como parte de sua missão redentora.
O uso escatológico do título Filho do homem é proeminente nos discursos de Jesus sobre o fim dos tempos. Em Mateus 24. 30, Jesus declara: "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória." Este versículo aponta para a segunda vinda de Jesus, quando ele retornará em poder e glória para completar o plano divino. Marcos 13. 26 e Lucas 21. 27 também descrevem esta visão gloriosa do retorno de Jesus, reafirmando seu papel escatológico.
Por fim, o título Filho do homem é associado ao juízo final. Em Mateus 25. 31-32, Jesus descreve: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas." Esta passagem manifesta o papel de Jesus como juiz escatológico, que avaliará todas as nações e indivíduos no fim dos tempos. Lucas 22. 69 também alude ao papel judicial de Jesus, mencionando que ele estará "à direita do poder de Deus."
No livro de Atos, o título Filho do homem é usado uma vez, em um contexto de visão celestial. Estêvão, o primeiro mártir cristão, ao ser apedrejado, tem uma visão gloriosa e diz: "Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus" (Atos 7. 56). Esta declaração sublinha a vindicação e exaltação de Jesus após sua ressurreição, apresentando-o como uma figura celestial que compartilha a autoridade divina. O uso do título aqui reforça a conexão entre Jesus e a visão de Daniel 7. 13 -14, onde o Filho do homem recebe domínio, glória e um reino eterno.
Nas Cartas Paulinas, o título Filho do homem" não é explicitamente mencionado, no entanto, Paulo frequentemente fala de Jesus em termos que implicam sua humanidade e divindade. Por exemplo, em Filipenses 2. 6-8, Paulo descreve Jesus como aquele que, "sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens." Esta passagem, embora não use o título Filho do homem, reflete a mesma teologia de um Messias que é plenamente humano e divino, e que se humilha até à morte, para depois ser exaltado.
Nas Epístolas Gerais (Tiago 1 e 2 Pedro 1, 2 e 3 João, Judas), o título Filho do homem também não é utilizado. Contudo, temas semelhantes de Jesus como o Messias sofredor e exaltado são presentes. Em 1 Pedro 2. 21-24, Jesus é descrito como o exemplo supremo de sofrimento injusto e redenção: "Ele mesmo levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados." A ausência do título específico não diminui a compreensão cristológica que estas epístolas apresentam sobre Jesus.
A Epístola aos Hebreus não usa explicitamente o título Filho do homem, mas desenvolve uma cristologia rica e profunda que ressoa com os temas associados a ele. Em Hebreus 2. 6-9, o autor cita o Salmo 8, que fala da humanidade em termos elevados e se refere a Jesus: "Mas, agora, ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele; vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus, que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte." Jesus é visto como o cumprimento do ideal humano, exaltado após sofrer a morte, refletindo o tema do Filho do homem como um ser divino-humano que se humilha para ser exaltado.
É perceptível, portanto, a partir dos textos estudados que o uso do termo Filho do homem no Novo Testamento é multifacetado, refletindo a identidade única de Jesus como aquele que é tanto humano quanto divino, cumpridor de uma missão salvífica e o juiz final da humanidade. É um título que lança luz sobre sua autoridade, sua relação especial com Deus e seu papel fundamental no plano de redenção divina.
3.2 “Filho do homem” na tradição extra canônica
Na tradição extra canônica e expressão Filho do homem aparece em vários textos, analisaremos apenas as referências mais importantes e discutidas academicamente. São elas: 1Enoque, 4Esdras e, por fim, os manuscritos de Qumran.
3.2.1 A expressão “Filho do homem” em 1Enoque
O título Filho do homem em 1Enoque aparece no livro parábola ou similitudes de Enoque (1Enoque, Capítulos 37.71). Trata-se de um livro composto por inúmeros relatos e sua possível datação vai do século III a. C ao I d.C.. No livro este termo juntamente com outras expressões se referem à figura do Messias. Pois “O personagem messiânico-escatológico de 1Enoque é apresentado como um ser preexistente e oculto (48. 3; 62:7), que se manifesta atualmente (48. 7, que atua como juiz (46. 4-6; 62. 3-11; 69. 27,29), revelador (46. 3), vindicador da justiça (48. 4; 62.12; 71. 17) e governador universal (62. 6; 71. 15-17), e que recebe adoração (48. 5; 62. 9)”.[19][20]
Além disso, tal expressão aparece na segunda parábola (46. 4) dotado de poder e apto a disferir juízo contra as nações desobedientes ao “Senhor dos Espíritos” e como uma espécie de protetor dos justos que busca incansavelmente garantir a herança dos eleitos na terra.[21]
Diferentemente da manifestação da figura do Filho do homem em Daniel 7 que deixa margem para discussão sobre se a expressão se refere ao povo (coletivo) ou a um ser angelical individual, em 1Enoque o Filho do homem não deixa dúvidas, pois se apresenta como uma realidade individual, concreta e de aproximável interpretação.[22]
Para Diez A. Macho, em Enoque essa figura possui significado de uma transposição e junção de tradições e personagens da literatura judaica e posterior mente Cristã, no qual o Filho do homem recebe traços messiânicos e poderes forenses, o qual castigará o império e recompensará o justo. Ou seja, neste livro o Filho do homem é apresentado como aquele que virá estabelecer o reino.[23]
3.2.2 A expressão “Filho do homem” em 4Esdras
O livro de 4Edras é um livro de origem hebraica e aramaica ocidental palestinense25, datado em torno do ano 100 d.C.26 Nesse livro a figura do Filho do homem se manifesta a partir de uma concepção nacionalista com traços de um messias a muito prometido e esperado, porém distante do povo sem qualquer intervenção em sua situação presente.
Em 4Esdras 13, o visionário tem uma visão de um homem que sai do mar. Este homem é descrito de maneira majestosa e poderosa, reunindo uma grande multidão para enfrentar os inimigos de Deus. Ele esculpe uma montanha sem usar mãos, simbolizando uma intervenção divina. O homem na visão destrói os exércitos inimigos com um sopro de sua boca, uma metáfora para o julgamento divino e a palavra de Deus. Este personagem é muitas vezes interpretado como uma figura messiânica, semelhante à de Daniel 7.
O título Filho do homem" em 4Esdras é usada para descrever uma figura messiânica e apocalíptica que desempenha um papel central na visão de Esdras sobre o fim dos tempos. Esta figura é investida de poder divino para julgar e restaurar, refletindo temas comuns na literatura apocalíptica judaica e alinhando-se com as expectativas messiânicas do período do Segundo templo.
3.2.3 Nos manuscritos de Qumran[24]
Inicialmente vale destacar que a expressão Filho do homem não apareça explicitamente nos Manuscritos do mar morto, mas os textos de Qumran fornecem um pano de fundo rico para compreender as expectativas messiânicas e apocalípticas do judaísmo do Segundo Templo. Essas expectativas incluem figuras messiânicas que desempenham papéis redentores e escatológicos, oferecendo um contexto no qual o título Filho do homem pode ser mais plenamente compreendido.
Entre as principais figuras que aparecem nas crenças e nos escritos da comunidade de Qumran, destacamos a figura enigmática de Melquisedeque, citado no manuscrito 11Q13, que tem características muito semelhantes ao Filho do homem apresentado em Daniel 7. O estudo minucioso de 11Q13 revela que Melquisedeque possuía traços de um juiz escatológico, além disso, são atribuídas ao sacerdote Melquisedeque funções messiânicas, divinas e proféticas.[25][26]
Aíla Luzia Andrade, em sua tese doutoral, discorrendo sobre a relação entre o Filho do homem e Melquisedeque elenca alguns pontos de semelhança entres essas duas figuras enigmáticas, conforme pode ser visto no quadro a seguir.[27]
Ainda sobre o tema a autora afirma que:
Identificar Melquisedeque com Shem era conveniente, entre outras coisas, para unir o passado e o futuro, a “arqueologia teológica” com a escatologia. Significava falar sobre um herói sobrevivente ao fim do mundo, no passado, e, com isso, alçar um salto para o futuro, quando, novamente, Deus faria uma nova criação do universo mediante outras catástrofes e cataclismas. Mas com a viva certeza de que a Shekinah não abandonará o povo da aliança e de que as nações finalmente reconheceriam o Deus de Israel, ou seja, a aliança seria alargada a todos os povos. O texto de 11QMelch vai desenvolver esse caráter escatológico de Melquisedeque, destacando, principalmente, o tema do julgamento. Melquisedeque vai aparecer em 11QMelch como aquele que preside o julgamento final.[28]
Em resumo, a figura do Filho do Homem em Jesus Cristo e a figura do sacerdote Melquisedeque se conectam através de suas identidades sacerdotais únicas e eternas, é possível perceber que Melquisedeque e o Filho do homem" compartilham várias semelhanças, especialmente em suas representações como figuras celestiais e redentoras com papéis escatológicos significativos. Essas semelhanças destacam a diversidade e a riqueza das expectativas messiânicas e escatológicas no judaísmo do segundo templo, fornecendo um contexto mais profundo para compreender essas figuras e suas funções teológicas.
4. O título cristológico “Filho do homem” no apocalipse de João: ap. 1. 13
Conforme citado inicialmente, o presente estudo tem como objetivo investigar qual mensagem o autor do livro do Apocalipse queria transmitir através do título Filho do homem atribuído a Jesus Cristo e quais foram os textos que o influenciaram em sua construção teológica.
Diante de todos os textos – canônicos e extra canônicos – estudados até aqui, conclui-se que o uso do título cristológico Filho do homem", utilizado por João em Apocalipse 1:13 tem como background à visão do texto judaico de Daniel 7:13.[29]
Sobre esta ligação Grant Osborne defende a seguinte ideia:
Há uma óbvia associação com as palavras relacionadas ao “Filho do homem” nos Evangelhos, embora a forma diferente [...] se trata de uma alusão direta a Daniel e não aos logia de Jesus. Todavia, em muitos textos dos Evangelhos existe uma ligação com a figura exaltada de Daniel, em que fica nítida a nuança da figura messiânica glorificada do texto de Daniel.[30]
John J. Collins no mesmo sentido escreve:
A identificação de Jesus com o Filho do Homem daniélico faz bastante sentido no contexto pós-pascal da Igreja primitiva. Pelo menos algumas pessoas esperavam que Jesus restaurasse o reino de Israel, mas ele falhara ignominiosamente em fazê-lo. A identificação com a figura de Daniel 7 permitiu aos seus seguidores crerem que ele era, não obstante, o messias, e que ele voltaria para completar a obra de libertação. Essa crença foi posteriormente elaborada no livro do Apocalipse de João.[31]
A visão em Daniel 7:13 e sua referência em Apocalipse 1:13 sublinham a autoridade suprema de Cristo. Ele é o soberano sobre todos os povos e reinos, e seu domínio é eterno. Essa mensagem é crucial para os cristãos, especialmente aqueles que no contexto histórico de produção do livro do Apocalipse estavam se vendo obrigados a aderir o culto ao imperador de Roma. Pois a mensagem produzida pelo visionário João na ilha de Patmos reforça a certeza de que Cristo está no controle final da história.
O uso de Daniel 7:13 como pano de fundo para Apocalipse 1:13 é significativo para entender como o autor do Apocalipse amplia a identidade messiânica e escatológica de Jesus Cristo. Em Daniel 7:13, o profeta vê uma visão na qual alguém como Filho do homem é apresentado diante do Ancião de Dias e recebe autoridade, poder e domínio sobre todos os povos. Esta figura é identificada como um messias vindouro, um governante divinamente apontado que estabelecerá um reino eterno.
Ao usar essa imagem como referência, o autor constrói uma visão similar de Cristo em Apocalipse 1:13. Neste versículo, João descreve Jesus como alguém semelhante a um Filho de homem, vestido com uma túnica que chega aos pés e com um cinto de ouro ao redor do peito. Além disso, a transposição dos atributos da figura judicial do Ancião de Dias para Cristo evoca também sua função de juiz divino dos últimos dias.[32]
Portanto, João, ao usar o título Filho do Homem em Apocalipse 1:13 e em outras partes de seu texto, está ecoando e aplicando essa rica tradição messiânica encontrada nas escrituras judaicas e apocalípticas. Ele identifica Jesus Cristo como o cumprimento das esperanças e das profecias relacionadas ao Filho do Homem, mostrando-o não apenas como um líder humano, mas como o divinamente designado Messias que traz salvação e julgamento final sobre o mundo.
Para Kistemaker, “O Apocalipse apresenta Jesus tanto como rei quanto como sacerdote que liberta seu povo do pecado por meio de seu sangue [...]. Portanto, o vocabulário de João descreve a dignidade e elevada posição do Filho do Homem”.[33]
A importância desse uso está na conexão profunda entre as profecias messiânicas do Antigo Testamento, como as de Daniel, e a figura de Jesus Cristo no Novo Testamento. Ao aplicar essa imagem a Jesus, João está afirmando sua identidade como o Messias esperado, aquele que não apenas veio para redimir seu povo, mas também para estabelecer seu reino eterno. A utilização da figura de Filho do Homem não apenas reforça a humanidade de Jesus, mas também sua divindade e sua autoridade suprema sobre toda a criação, conforme descrito em Daniel.
Além disso, essa referência escatológica sublinha a crença de que Jesus não apenas cumpriu as profecias messiânicas do Antigo Testamento durante sua vida terrena, mas também inaugurou o cumprimento final dessas profecias no contexto do fim dos tempos. Em Apocalipse, Jesus é apresentado não apenas como o Cordeiro que foi morto, mas também como o Rei dos reis e Senhor dos senhores que virá novamente para estabelecer seu reino de justiça e paz.
Portanto, ao fazer uso do título Filho do Homem em Apocalipse 1:13, João enriquece e amplia a compreensão da identidade messiânica de Jesus Cristo, mostrando-o como o cumprimento final das esperanças e profecias do Antigo Testamento, tanto em seu papel de Salvador quanto como Rei escatológico e juiz final.
Essa mensagem tinha como objetivo mostrar aos cristãos da Ásia Menor que o triunfo de Cristo sobre o mal e a vitória final de seu reino sobre todas as nações e poderes terrenos mais cedo ou mais tarde iria chegar.
Nesse sentido, a expressão Filho do Homem em Apocalipse 1:13 encapsula uma visão poderosa do Cristo glorificado, com profundas implicações teológicas e práticas para os cristãos. Esta imagem reafirma a supremacia e autoridade de Jesus, proporciona esperança escatológica e serve como um chamado à fidelidade e missão contínua. Para os cristãos de hoje, esta visão é um lembrete constante da presença de Cristo em meio à sua igreja e da certeza de sua vitória final sobre o mal.
5. Considerações finais
Conforme analisado no presente estudo, o título cristológico Filho do Homem é uma expressão carregada de significados teológicos profundos e multifacetados, com uma rica tradição tanto na literatura canônica quanto na extra canônica. O seu uso na bíblia, particularmente nos Evangelhos e no Apocalipse de João, reflete uma progressiva revelação e desenvolvimento da identidade e missão de Jesus Cristo.
Na literatura canônica, o Filho do Homem é frequentemente usado nos Evangelhos para destacar a humanidade e a divindade de Jesus. Nos Evangelhos Sinópticos, Jesus se autodenomina Filho do Homem para sublinhar sua encarnação, sofrimento, morte, ressurreição e futura vinda em glória. Essa expressão serve para conectar Jesus ao cumprimento das profecias messiânicas do Antigo Testamento, especialmente a visão de Daniel 7:13, onde o Filho do Homem é uma figura celestial que recebe domínio e glória eternos do Ancião de Dias. Além disso, no Novo Testamento, a Epístola aos Hebreus associa Jesus a Melquisedeque, destacando seu sacerdócio eterno e superior.
Na literatura extra canônica, textos como 1Enoque e 4Esdras utilizam a expressão
Filho do Homem em contextos apocalípticos e messiânicos. Em 1Enoque, o Filho do Homem é retratado como uma figura celestial que executa julgamento e redenção, prefigurando a interpretação cristã de Jesus como o juiz escatológico e redentor. Estes textos ajudam a formar um pano de fundo essencial para a compreensão do uso e desenvolvimento do título Filho do Homem no contexto cristão primitivo.
No Apocalipse de João, a expressão Filho do Homem aparece de forma singular em Apocalipse 1:13, onde João descreve uma visão do Cristo ressuscitado e glorificado, “semelhante ao um Filho de homem, entre os sete candeeiros de ouro. Esta imagem não só remete à visão de Daniel 7:13, mas também expande e enriquece a compreensão cristológica de Jesus. Em Apocalipse, Jesus é apresentado como o soberano divino que tem autoridade suprema sobre a igreja e o cosmos. Sua presença entre os candeeiros simboliza seu cuidado contínuo e vigilante pelas igrejas, oferecendo conforto e exortação aos fiéis.
As implicações teológicas dessa visão são vastas. Em primeiro lugar, reafirma a cristologia elevada, reconhecendo Jesus não apenas como um mestre humano, mas como o Senhor exaltado que reina soberanamente. Em segundo lugar, oferece uma esperança escatológica fundamental, assegurando aos cristãos que, apesar das perseguições e tribulações, Cristo já conquistou a vitória definitiva sobre o mal. Em terceiro lugar, sublinha a autoridade de Cristo sobre a vida e a morte, oferecendo segurança e encorajamento para os crentes perseverarem na fé.
Para os cristãos contemporâneos, o título Filho do Homem em Apocalipse 1:13 serve como um poderoso lembrete da presença contínua de Cristo em meio à sua igreja e da certeza de sua vitória final. Esta visão motiva os crentes a viverem com um senso de missão e fidelidade, refletindo o caráter de Cristo e proclamando sua mensagem de salvação e julgamento iminente. Em última análise, o estudo do título Filho do Homem no Apocalipse de João revela a profundidade e a riqueza da identidade de Jesus, oferecendo uma base sólida para a fé e a esperança cristã.
Notas
[1] É evangelista da Assembleia de Deus em Nova Iguaçu/RJ – Ministério de Madureira. Advogado. Pós-graduando em Direito Processual Civil (PUC-MG); Graduado em Direito (PUC-Rio). Pós-graduado em Exegese e Interpretação Bíblica (Faculdade Unida de Vitória/ ES); Pós-graduado em Teologia do Novo Testamento - ênfase em Teologia bíblica (FAECAD); Bacharel em Teologia (FAECAD). E-mail: isaiasdasilvasantosmf@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0846366804795776.
[2] HAHN, Ferdinand, et al. “Son of Man.” The Titles of Jesus in Christology: Their History in Early Christianity, 1st ed., The Lutterworth Press, 1969, p. 15–67. Disponível em: <https://doi.org/10.2307/j.ctv2xszrhm.5. > Acesso em: 20 de out. 2023.
[3] MASTERS, Carlos; OROFINO, Francisco. Apocalipse de São João: A teimosia da fé dos pequenos. Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 2003, p. 73.
[4] MIRANDA, 2015/2, p. 410.
[5] KRAYBILL, J. Nelson. Culto e comércio imperiais no Apocalipse de João. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 18 -19.
[6] MIRANDA, Valtair A. Revisitando o contexto de produção do Apocalipse de João. Reflexus - Ano IX, n. 14, 2015/2, p. 408.
[7] ARENS, Eduardo; MATEOS, Manuel Diaz. O Apocalipse, a força da esperança: estudo, leitura e comentário. Edições Loyola. São Paulo, Brasil, 2004, p. 108.
[8] COLLINS, Adela Yarbro. Satan’s Throne. In: Biblical Archaeology Review May/June 2006, p. 28-39.
[9] KRAYBILL, 2004, p. 21.
[10] BAUCKHAM, Richard. A teologia do livro de Apocalipse. 1.ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2022, p. 47.
[11] HOWARD-BROOK, Wes; GWYTHER, Anthony. Desmascarando o imperialismo: interpretação do Apocalipse ontem e hoje. São Paulo: Loyola/Paulus, 2003, p. 224.
[12] KRAYBILL, 2004, p. 21.
[13] MOURÃO, Vilcilane Vaz; Mazzarolo, Isidoro (Orientador). Ap 10,1-11: O tempo está consumado, e ainda profetizas?: A experiência da tradição profética no livro do Apocalipse. Tese de Doutorado, 287p. Departamento de Teologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2007, p. 216.
[14] SCHENELLE, Udo. Teologia do Novo Testamento. p. 993
[15] OSBORNE, Grant R. Apocalipse: comentário exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 38.
[16] BAUCKHAM, 2022, p.75.
[17] MOURÃO, 2007, p. 226
[18] Cf. (Nm. 23. 19; Jó 16.21; 25.6; 35.8; Sl. 8.4; 80.17; 146. 3; Is. 51.12; 56. 2; Jr. 49.18-33; 50.40; 51.43; Mt. 8.20; 11.19; Lc. 7. 34; Mc. 2.10; 2. 27, 28; 8.31; 9.31; 10.33-34; At. 7.56; Hb. 2. 6; Ap. 1.13; 14.14)19 1) בֶּן (ben) - Esta palavra significa "filho". 2) אָָדָם (adam) - Esta palavra significa "homem". Adam é também o nome do primeiro ser humano na Bíblia, e de forma mais geral pode referir-se à humanidade.
[19] RUSSEL, D.S. Desvelamento Divino. São Paulo: Paulus, 1997, p. 64
[20] AUNE, D. E. Son of man. In: RUEDA, Neto, E. O “Filho do Homem”: uma breve análise da expressão na literatura judaica antiga e cristã primitiva. Kerygma, Engenheiro Coelho (SP), v. 13, n. 1, p. 23–34, 2018. Disponível em: <https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/976>. Acesso em: 20 nov. 2023, p. 27.
[21] LEITE, Antônio de Jesus Silveira. Filho do Homem: Trajetória de uma imagem messiânica, de Daniel a Cristologia de Apocalipse de João. 2006. 150 folhas. Dissertação (Ciências da Religião) - Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2006, p. 54.
[22] LEITE, 2006, p. 54.
[23] MACHO, A. Diez. Apócrifos del Antiguo Testamento. Vol. IV. Madrid: Cristiandad, 1984, p. 239. 25 MACHO, 1984, p. 251. 26 RUSSEL, p. 86.
[24] Manuscritos do Mar Morto são cópias manuscritas da Bíblia Hebraica e demais escritos internos da Comunidade de Khirbet Qumran, descobertos em grutas ao longo da margem noroeste do Mar Morto entre os anos de 1947 e 1956. A maioria dos textos constitui-se de fragmentos que datam do final do III século a.C até o século VII-VIII d.C. FITZMYER. J. A. 101 Perguntas sobre os Manuscritos do Mar Morto. São Paulo: Edições Loyola, 1997, p. 19. In: MARTINS, Claudio Márcio Pinheiro. O sumo sacerdócio de Jesus e Melquisedeque no livro de Hebreus. Teologia do Novo Testamento: Introdução Geral. 1ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2022, v. 1, p. 104-121.
[25] O Mestre da Justiça: Um líder espiritual reverenciado pela comunidade de Qumran, que é visto como um intérprete autorizado das escrituras e uma figura de orientação. Embora não seja identificado como o "Filho do Homem", sua figura messiânica oferece um paralelo interessante para compreender as expectativas de um líder ungido. O Sacerdote e o Rei Messiânico: Alguns textos de Qumran, como o "Documento de Damasco" e os "Rolos da Guerra", mencionam a expectativa de dois Messias: um messias sacerdotal de Aarão e um messias real de Israel. Isso mostra uma diversidade nas expectativas messiânicas que pode estar relacionada à figura do "Filho do Homem" como um líder divinamente ungido. O Apocalíptico "Filho do Homem": Embora a expressão "Filho do Homem" específica não apareça, o conceito de um líder escatológico e apocalíptico é evidente. Por exemplo, o "Livro das Parábolas de Enoque" (parte de 1 Enoque), que foi encontrado em Qumran, menciona uma figura similar ao "Filho do Homem" de Daniel, associada a julgamento e salvação.
[26] TERRA, K. R. C. O enigma de Melquisedec em 11q13: intertextualidade em Qumran e o imaginário do juízo. Revista Oracula, v. 5. n. 10, p. 103, 2009. Disponível em: <https://bit.ly/2t9Eg9t>. Acesso em: 23 nov. 2023.
[27] ANDRADE, Aíla Luzia pinheiro de. À Maneira De Melquisedeque: o Messias Segundo o Judaísmo e os Desafios da Cristologia no Contexto Neotestamentário e Hoje. Tese. 239 p. Belo Horizonte: Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, 2008, p. 165.
[28] ANDRADE, 2008, p. 167.
[29] Estudos recentes apontam Daniel como o livro mais usado do AT em Apocalipse. Cf. BEALE, G. K. e CARSON, D. A. Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 1319.
[30] OSBORNE, p. 96.
[31] COLLINS, John J. A imaginação apocalíptica: Uma introdução à literatura apocalíptica. São Paulo: Paulus, 2010, p. 373.
[32] BEALE, 2014, p. 1330.
[33] KISTEMAKER, Simon J. Apocalipse. São Paulo: editora Cristã, 2004, p. 137.
[1] É evangelista da Assembleia de Deus em Nova Iguaçu/RJ – Ministério de Madureira. Advogado. Pós-graduando em Direito Processual Civil (PUC-MG); Graduado em Direito (PUC-Rio). Pós-graduado em Exegese e Interpretação Bíblica (Faculdade Unida de Vitória/ ES); Pós-graduado em Teologia do Novo Testamento - ênfase em Teologia bíblica (FAECAD); Bacharel em Teologia (FAECAD). E-mail: isaiasdasilvasantosmf@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0846366804795776.
[2] HAHN, Ferdinand, et al. “Son of Man.” The Titles of Jesus in Christology: Their History in Early Christianity, 1st ed., The Lutterworth Press, 1969, p. 15–67. Disponível em: <https://doi.org/10.2307/j.ctv2xszrhm.5. > Acesso em: 20 de out. 2023.
[3] MASTERS, Carlos; OROFINO, Francisco. Apocalipse de São João: A teimosia da fé dos pequenos. Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 2003, p. 73.
[4] MIRANDA, 2015/2, p. 410.
[5] KRAYBILL, J. Nelson. Culto e comércio imperiais no Apocalipse de João. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 18 -19.
[6] MIRANDA, Valtair A. Revisitando o contexto de produção do Apocalipse de João. Reflexus - Ano IX, n. 14, 2015/2, p. 408.
[7] ARENS, Eduardo; MATEOS, Manuel Diaz. O Apocalipse, a força da esperança: estudo, leitura e comentário. Edições Loyola. São Paulo, Brasil, 2004, p. 108.
[8] COLLINS, Adela Yarbro. Satan’s Throne. In: Biblical Archaeology Review May/June 2006, p. 28-39.
[9] KRAYBILL, 2004, p. 21.
[10] BAUCKHAM, Richard. A teologia do livro de Apocalipse. 1.ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2022, p. 47.
[11] HOWARD-BROOK, Wes; GWYTHER, Anthony. Desmascarando o imperialismo: interpretação do Apocalipse ontem e hoje. São Paulo: Loyola/Paulus, 2003, p. 224.
[12] KRAYBILL, 2004, p. 21.
[13] MOURÃO, Vilcilane Vaz; Mazzarolo, Isidoro (Orientador). Ap 10,1-11: O tempo está consumado, e ainda profetizas?: A experiência da tradição profética no livro do Apocalipse. Tese de Doutorado, 287p. Departamento de Teologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2007, p. 216.
[14] SCHENELLE, Udo. Teologia do Novo Testamento. p. 993
[15] OSBORNE, Grant R. Apocalipse: comentário exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 38.
[16] BAUCKHAM, 2022, p.75.
[17] MOURÃO, 2007, p. 226
[18] Cf. (Nm. 23. 19; Jó 16.21; 25.6; 35.8; Sl. 8.4; 80.17; 146. 3; Is. 51.12; 56. 2; Jr. 49.18-33; 50.40; 51.43; Mt. 8.20; 11.19; Lc. 7. 34; Mc. 2.10; 2. 27, 28; 8.31; 9.31; 10.33-34; At. 7.56; Hb. 2. 6; Ap. 1.13; 14.14)19 1) בֶּן (ben) - Esta palavra significa "filho". 2) אָָדָם (adam) - Esta palavra significa "homem". Adam é também o nome do primeiro ser humano na Bíblia, e de forma mais geral pode referir-se à humanidade.
[19] RUSSEL, D.S. Desvelamento Divino. São Paulo: Paulus, 1997, p. 64
[20] AUNE, D. E. Son of man. In: RUEDA, Neto, E. O “Filho do Homem”: uma breve análise da expressão na literatura judaica antiga e cristã primitiva. Kerygma, Engenheiro Coelho (SP), v. 13, n. 1, p. 23–34, 2018. Disponível em: <https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/976>. Acesso em: 20 nov. 2023, p. 27.
[21] LEITE, Antônio de Jesus Silveira. Filho do Homem: Trajetória de uma imagem messiânica, de Daniel a Cristologia de Apocalipse de João. 2006. 150 folhas. Dissertação (Ciências da Religião) - Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2006, p. 54.
[22] LEITE, 2006, p. 54.
[23] MACHO, A. Diez. Apócrifos del Antiguo Testamento. Vol. IV. Madrid: Cristiandad, 1984, p. 239. 25 MACHO, 1984, p. 251. 26 RUSSEL, p. 86.
[24] Manuscritos do Mar Morto são cópias manuscritas da Bíblia Hebraica e demais escritos internos da Comunidade de Khirbet Qumran, descobertos em grutas ao longo da margem noroeste do Mar Morto entre os anos de 1947 e 1956. A maioria dos textos constitui-se de fragmentos que datam do final do III século a.C até o século VII-VIII d.C. FITZMYER. J. A. 101 Perguntas sobre os Manuscritos do Mar Morto. São Paulo: Edições Loyola, 1997, p. 19. In: MARTINS, Claudio Márcio Pinheiro. O sumo sacerdócio de Jesus e Melquisedeque no livro de Hebreus. Teologia do Novo Testamento: Introdução Geral. 1ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2022, v. 1, p. 104-121.
[25] O Mestre da Justiça: Um líder espiritual reverenciado pela comunidade de Qumran, que é visto como um intérprete autorizado das escrituras e uma figura de orientação. Embora não seja identificado como o "Filho do Homem", sua figura messiânica oferece um paralelo interessante para compreender as expectativas de um líder ungido. O Sacerdote e o Rei Messiânico: Alguns textos de Qumran, como o "Documento de Damasco" e os "Rolos da Guerra", mencionam a expectativa de dois Messias: um messias sacerdotal de Aarão e um messias real de Israel. Isso mostra uma diversidade nas expectativas messiânicas que pode estar relacionada à figura do "Filho do Homem" como um líder divinamente ungido. O Apocalíptico "Filho do Homem": Embora a expressão "Filho do Homem" específica não apareça, o conceito de um líder escatológico e apocalíptico é evidente. Por exemplo, o "Livro das Parábolas de Enoque" (parte de 1 Enoque), que foi encontrado em Qumran, menciona uma figura similar ao "Filho do Homem" de Daniel, associada a julgamento e salvação.
[26] TERRA, K. R. C. O enigma de Melquisedec em 11q13: intertextualidade em Qumran e o imaginário do juízo. Revista Oracula, v. 5. n. 10, p. 103, 2009. Disponível em: <https://bit.ly/2t9Eg9t>. Acesso em: 23 nov. 2023.
[27] ANDRADE, Aíla Luzia pinheiro de. À Maneira De Melquisedeque: o Messias Segundo o Judaísmo e os Desafios da Cristologia no Contexto Neotestamentário e Hoje. Tese. 239 p. Belo Horizonte: Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, 2008, p. 165.
[28] ANDRADE, 2008, p. 167.
[29] Estudos recentes apontam Daniel como o livro mais usado do AT em Apocalipse. Cf. BEALE, G. K. e CARSON, D. A. Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 1319.
[30] OSBORNE, p. 96.
[31] COLLINS, John J. A imaginação apocalíptica: Uma introdução à literatura apocalíptica. São Paulo: Paulus, 2010, p. 373.
[32] BEALE, 2014, p. 1330.
[33] KISTEMAKER, Simon J. Apocalipse. São Paulo: editora Cristã, 2004, p. 137.
Referências
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