Andando em unidade do Espírito: uma exegese de Ef 4.1-6
Ádson Almeida Heitz dos Santos[1]
Resumo
Resumo: A epístola de Paulo aos Efésios enfoca que a igreja deve andar em unidade do Espírito, unindo judeus e gentios como um só corpo em Cristo. Esta unidade é construída sobre as bênçãos espirituais contidas nos primeiros capítulos da epístola, enfatizada em virtudes como humildade, mansidão, longanimidade e amor, sendo essenciais para a união. A declaração de “um só Espírito”, “um só Senhor”, “uma só fé”, “um só batismo” e “um só Deus e Pai” reforça a natureza singular da unidade da igreja, sendo o Espírito Santo o selo dessa união.
Palavras-chave: Unidade. Espírito. Corpo.
Abstract: Paul’s epistle to the Ephesians emphasizes that the church must walk in the unity of the Spirit, uniting Jews and Gentiles as one body in Christ. This unity is built on the spiritual victories contained in the epistle’s first chapters, emphasizing virtues such as humility, gentleness, patience, and love, which are essential for unity. The declaration of “one Spirit,” “one Lord,” “one faith,” “one baptism,” and “one God and Father” reinforce the singular nature of the church's unity, with the Holy Spirit as the seal of this unity.
Keywords: Unity. Spirit. Body
Resumo: A epístola de Paulo aos Efésios enfoca que a igreja deve andar em unidade do Espírito, unindo judeus e gentios como um só corpo em Cristo. Esta unidade é construída sobre as bênçãos espirituais contidas nos primeiros capítulos da epístola, enfatizada em virtudes como humildade, mansidão, longanimidade e amor, sendo essenciais para a união. A declaração de “um só Espírito”, “um só Senhor”, “uma só fé”, “um só batismo” e “um só Deus e Pai” reforça a natureza singular da unidade da igreja, sendo o Espírito Santo o selo dessa união.
Palavras-chave: Unidade. Espírito. Corpo.
Abstract: Paul’s epistle to the Ephesians emphasizes that the church must walk in the unity of the Spirit, uniting Jews and Gentiles as one body in Christ. This unity is built on the spiritual victories contained in the epistle’s first chapters, emphasizing virtues such as humility, gentleness, patience, and love, which are essential for unity. The declaration of “one Spirit,” “one Lord,” “one faith,” “one baptism,” and “one God and Father” reinforce the singular nature of the church's unity, with the Holy Spirit as the seal of this unity.
Keywords: Unity. Spirit. Body
Artigo
1. Introdução
A epístola aos Efésios aborda a compreensão do apóstolo Paulo referente a unidade da igreja, destacando a ênfase na união entre judeus e gentios e a ideia de que todos fazem parte de um mesmo corpo em Cristo. Dentre as possíveis correlações da carta aos Efésios aos escritos paulinos, há uma relação com Colossenses por também enfocar a compreensão da igreja como um só corpo com Cristo. Além da análise canônica, a análise contextual dos capítulos anteriores é necessária para o entendimento da importância de se viver de modo digno da vocação recebida. Através da análise de relações lógicas é possível chegar no centro da perícope e poder extrair a mensagem do texto. Assim sendo, o objetivo deste artigo é defender que o foco da perícope de Ef 4.1-6 é a exortação para que os cristãos andem na unidade do Espírito, mostrando que o texto é um dos mais descritivos em relação à unidade.
Para o desenvolvimento do artigo, iniciará com uma discussão da perícope no contexto do livro de Efésios, passando pelo contexto canônico para a compreensão de Ef 4.1-6, entrando na análise exegética da perícope à luz das seções anteriores e terminando com uma conclusão resumindo e aplicando os resultados da pesquisa exegética.
2. O texto de Efésios 4.1-6 no contexto de efésios
A perícope em estudo não é um bloco de ideia novo e distinto de toda a carta aos efésios, haja visto ser uma progressão da argumentação do apóstolo Paulo desde o início. Da mesma forma, a construção da argumentação não finaliza ao final da perícope, mas segue até ao final da carta. Por isso, é necessário analisar o texto de Ef 4.1-6 no contexto de toda a carta, bem como a sua estrutura para que a mensagem do texto seja compreendida da forma correta.
O contexto de efésios 4.1-6
Diferente da maioria das cartas paulinas, a epístola aos efésios não foi escrita em resposta a alguma circunstância específica, mas para responder quais as implicações para a igreja, como uma unidade do corpo, Cristo exerce como Senhor sobre o cosmo (BRUCE, 1984). Embora alguns levantem a dificuldade de se encontrar um propósito na carta aos efésios, há um fio condutor por toda a epístola sendo reforçado a cada argumento e a cada parênese, sendo que “todos os privilégios da vida são encontrados em união com Cristo e transmitidos pelo Espírito. Efésios apresenta um evangelho de união com Cristo de forma mais poderosa do que qualquer outra carta do Novo Testamento” (SNODGRASS, 1996 – tradução nossa).[2]
O Dr. Harold W. Hoehner (2002) fez uma lista com sete tópicos que remetem a concepção da unidade da epístola as Efésios: 1) A palavra ἑνότης (enotēs – unidade) é utilizada somente em Ef 4.3,13; 2) O termo ἑν (en – um) é utilizado catorze vezes: fez um (2.14), um novo homem (2.15), um corpo (2.16; 4.4), um Espírito (2.18; 4.4) uma esperança (4.4), um Senhor (4.5), uma fé (4.5), um batismo (4.5), um Deus e Pai (4.6), cada um de nós (4.7), cada parte (4.16), cada um de per si (5.33); 3) A unidade é alcançada “em Cristo”, sendo que essa expressão, ou semelhante, ocorrem trinta e oito vezes em Efésios; 4) A preposição σύν (syn – com, junto com) é utilizada em combinação com catorze palavras, sendo três denotando a união entre Cristo e os crentes, e as outras onze referindo à união de judeus cristãos e gentios; 5) O termo ἐκκλησία (ekklēsia – igreja) é utilizado nove vezes para apontar onde essa unidade é encontrada; 6) A unidade da igreja é descrita com figuras de linguagem arquitetônica, biológica e social; 7) A igreja é descrita como o corpo que está unido sob cristo, que é o cabeça.
A unidade da igreja está contextualizada em toda a carta, sendo necessário conectar a perícope em estudo com o restante da epístola. Inicialmente o apóstolo louva pelas bênçãos espirituais dadas por Deus Pai, realizadas em Deus Filho, asseguradas e aplicadas pelo Deus Espírito Santo (1.1-14). Em seguida passa a dar graças a Deus em oração rogando por sabedoria para o entendimento da unidade do corpo através do cabeça que é Cristo (1.15-23). Após o louvor e ações de graças, é dado o ensino sobre a salvação e o viver em unidade com Cristo, uma vez que outrora todos estavam mortos (2.1-10). Dada a compreensão da situação passada e como foi revertida através de Cristo, deve-se lembrar que todos necessitam crescer em unidade sendo edificados através do Espírito de Deus (2.11-22). Por esta causa, a igreja deve orar pedindo a estabilidade por meio de uma crescente compreensão de ser um só corpo, sendo os gentios também membros (3.1-13), clamando para que todos sejam fortalecidos e alicerçados em amor para a glória do Senhor da Igreja (3.14-21). O entendimento de que todos são um só corpo em um só Senhor, leva a uma maturidade mesmo em meio a diversidade (4.7-16), fazendo com que todos andem de acordo, unidos e renovados no Deus de justiça e retidão (4.17-24). Isso leva a igreja a uma caminhada de santidade em amor, buscando imitar a Deus (4.25-5.2), andando como filhos da luz (5.3-14) e com todo cuidado e humildade, enchendo-se do espírito, amando uns aos outros no temor de Cristo (5.15-21), refletindo isso nos relacionamentos, quer matrimonial, quer paternal, quer de senhorio e servo (5.22-6.9). Por último, revestindo da armadura de Deus para fugir das ciladas do inimigo e permanecendo firmes e unidos em Cristo, com paz, amor e fé a todos os membros do corpo (6.10-24).
Com isso, percebe-se que o contexto da carta é conduzido pela argumentação da unidade da igreja como copo de Cristo, buscando a unidade entre judeus cristãos e gentios, demonstrando que todos (incluindo os gentios) são membros do corpo e desfrutam dos mesmos privilégios e deveres por terem sido eleitos pelo Deus e Pai antes da fundação do mundo, predestinados para adoção de filhos através de Jesus Cristo, e selados na união com o Filho através do Espírito Santo. Nisso o crente não vive mais como outrora, em uma vida de pecado e separação, mas anda em santidade e unidade.
A estrutura de efésios 4.1-6
Há uma forte evidência referente a unidade da igreja ser o fio condutor da epístola aos Efésios, sendo a perícope de Ef 4.1-6 é o que mais expressa esse objetivo. O início da perícope é facilmente entendida pela mudança do gênero literário no contexto imediato anterior, (3.14-21) com uma terminação típica de oração ἀμέν (amém), para o início do gênero literário em parênese no texto em estudo (4.1) (LINCOLN, 1990). Além disso, o verbo infinitivo παρακαλῶ (parakalō – exorto) seguido da conjunção οὖν (oun – portanto) é utilizado como uma transição da argumentação anterior para a que se passa a ser feita (ABBOTT, 1897). Nota-se que “as três primeiras palavras são as mesmas palavras gregas de Rm 12.1 onde, da mesma forma, seguem uma doxologia que concluiu o capítulo anterior. A conjunção οὖν (oun) extrai uma inferência ou um resultado do que precede” (HORHNER, 2002 – tradução nossa). Assim como que em Rm 12.1 é uma clara divisão de argumento pelo uso da conjunção com o verbo infinitivo, também o é em Ef 4.1.
Entretanto, ainda que seja uma transição de argumentação, não há um rompimento do pensamento, significando que a conjunção inferencial οὖν (oun – portanto), também atua como uma ligação entre as argumentações, sendo todo o pensamento anterior a base para o que se passa a dissertar, portanto as exortações a seguir estão todas baseadas no que foi declarado nos capítulos anteriores, também fazendo uma transição para a segunda parte da epístola (MERKLE, 2016). Neste aspecto, a conjunção “portanto” ganha grande peso e serve para dar ênfase e demostrar a dependência das argumentações anteriores (BARTH, 1974).
Ainda que alguns comentaristas estruturem o texto de forma ampliada (4.1-16), a grande maioria opta por uma divisão menor ao comentar o texto (MARTIN, 1991; SNODGRASS, 1996; HOEHNER, 2002) entendendo que 4.1-6 trata da preservação da unidade, enquanto 4.7-16 trata da construção da unidade e maturidade (THIELMAN, 2010). Algo que é consenso entre os comentaristas que estruturam essa perícope é a compreensão que há dois blocos de exortação ao chamado à união, tendo o v.3 como ligação para as duas partes. Para isso, faz-se uso do método das relações lógicas, dividindo o texto e relacionando cada sentença de forma concatenada, ligando cada ponto para descobrir o centro da perícope. Abaixo, na Ilustração 1, está o método das relações lógicas, demonstrando que o v.3 é a ligação para as duas divisões, bem como o centro da perícope em estudo:[3]
Ilustração 1 – Relações lógicas de Ef 4.1-6
(1a) Portanto, [eu] exorto a vocês,
(1b) eu, o prisioneiro no Senhor,
(1c) que andeis de modo digno da vocação que foram chamados,
(2a) com toda a humildade e mansidão, com longanimidade,
(2b) suportando uns aos outros em amor,
(3) esforcem-se em preservar a unidade do Espírito com o vínculo da paz;
(4a) há um só corpo e um só Espírito,
(4c) assim como também foram chamados em uma só esperança da vocação de vocês;
(5a) há um só Senhor,
(5b) uma só fé,
(5c) um só batismo,
(6a) um só Deus e Pai de todos,
(6b) o qual é sobre todos, por meio de todos e em todos.
3. O contexto Neo-testamentário de Efésios 4.1-6
A Bíblia é inerrante e apresenta uma unidade de pensamento apesar da grande diversidade entre os livros bíblicos (OSBORNE, 2018). Desta forma, a perícope apresentada neste estudo não está desconexa do Cânon bíblico, mas faz parte da unidade de pensamento, ainda que não haja uma citação direta de um texto bíblico. Por ser a carta aos Efésios escrita por um autor que também escreveu outros textos bíblicos, é necessário analisar a perícope de Ef 4.1-6 a luz das correlações nos demais textos do apóstolo Paulo. Nota-se que não há nenhuma referência na perícope em estudo ao AT, portanto o estudo está focado no NT.[4]
Comparativo de Colossenses e Efésios 4.1-6
A carta de Paulo aos Efésios tem comparativos significativos da carta de Colossenses, tanto em termos de conteúdo, como de estrutura, sendo que há uma clara influência de Colossenses no pensamento e nas expressões encontradas em Efésios (PORTER e CLARKE, 1997). Esse trabalho focará no comparativo de Colossenses por ser correlato à perícope em estudo.
O modo digno em Cl 1.10 e em Ef 4.1
A perícope inicia com uma exortação do apóstolo Paulo para que a igreja de Éfeso ande de modo digno. Essa mesma exortação é encontrada em Cl 1.10, demonstrando uma preocupação comum do apóstolo em relação à conduta dos cristãos em suas igrejas.
Tabela 1 – Comparação de Cl 1.10 e Ef 4.1[5]
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Em Cl 1.10, Paulo expressa seu desejo de que os colossenses andem de maneira digna do Senhor, buscando agradá-lo em todas as coisas. Essa exortação reflete a importância de viver uma vida condizente com o chamado que receberam em Cristo, agindo de forma coerente com a natureza e o caráter divino. Com isso, “uma vez que alguém detém o verdadeiro conhecimento, isso necessariamente tem de se traduzir na prática. Ele defende que, por ter o pleno conhecimento de Deus, a consequência deve ser viver de maneira digna dele” (LOPES, 2013). Ao expressar que a vida do cristão deve ser digna do conhecimento alcançado para frutificarem em toda boa obra, juntamente com a argumentação anterior (παρακαλῶ οὖν – parakalō oun), a intenção do autor é demonstrar que o pleno conhecimento de Deus é obtido em Cristo, em quem a igreja está unida em um só corpo.
As Virtudes em Cl 3.12-14 e em Ef 4.2
Paulo, tanto em Efésios quanto em Colossenses, destaca a importância de se revestir de virtudes como humildade, mansidão, longanimidade e amor. Esses atributos são fundamentais para promover relacionamentos saudáveis e edificar a comunidade cristã.
Tabela 2 – Comparação de Cl 3.12-14 e Ef 4.2
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Segundo afirma David E. Garland (1998) as virtudes se assemelham ao fruto do Espírito listado em Gl 5.22s, tendo todas as qualidades na vida de Jesus e sendo vitais para a união entre o povo de Deus. O apóstolo reconhece a importância de cultivar uma postura humilde, de agir com mansidão e paciência e de demonstrar amor em todas as interações. Essas características são fundamentais para evitar divisões, promover a reconciliação e viver em harmonia como membros do corpo de Cristo. Tanto em Cl 3.14, quanto em Ef 4.2, o amor é “que segura todas as demais virtudes no seu lugar, dá-lhes motivação e significado, e produz, desta maneira a plenitude do viver cristão” (MARTIN, 1984 – tradução nossa).
Ao destacar essas virtudes em Cl 3.12-14 e usá-las em Ef 4.2, Paulo demonstra a relevância contínua desses atributos. Essas qualidades refletem o caráter de Cristo e são essenciais para a construção de relacionamentos saudáveis, tanto na igreja refletindo uma conduta ética e amorosa na vida cristã, como no testemunho para o mundo ao redor, encorajando os crentes a manifestarem essas características em seu relacionamento com Deus e uns com os outros.
A Paz em Cl 3.14-15 e em Ef 4.3
Em Cl 3.14-15, se observa a ênfase na unidade e na paz demonstrando a importância desses princípios para a vida cristã. Paulo compreende que a unidade e a paz são fundamentais para a testemunha do evangelho e para a construção de uma comunidade sólida e saudável.
Tabela 3 – Comparação de Cl 3.14-15 e Ef 4.3
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A abordagem do apóstolo Paulo em Cl 3.14-15 tem intuito de advertir os colossenses a se revestirem do amor, que é o vínculo da perfeição e a deixarem a paz de Cristo reinar em seus corações. O amor é apresentado como um elemento essencial para unir os crentes, sendo o laço que os mantém em harmonia e cooperação, porém a paz é “o soberano chamado de Deus na eleição [...] para que seu povo, como um corpo único, experimentasse aqui e eternamente a paz que provém de Cristo” (LOPES, 2013).
Portanto, a ênfase de Paulo na unidade do Espírito e na paz tanto em Efésios quanto em Colossenses revela sua preocupação com a formação de comunidades cristãs coesas e amorosas. Ele ressalta a importância de cultivar relacionamentos edificantes, promovendo a paz e o amor entre os crentes como testemunho do poder transformador de Cristo em suas vidas.
A Unidade em Cl 3.15 e em Ef 4.4
Paulo enfatiza a importância da unidade na comunidade cristã, destacando elementos essenciais a fé cristã. Essa ênfase na unidade e na identidade comum é semelhante ao que é mencionado em Cl 3.15, onde Paulo fala sobre o chamado em um só corpo.
Tabela 4 – Comparação de Cl 3.15 e Ef 4.4
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A menção ao chamado em um só corpo em Cl 3.15 está alinhada com a ideia da unidade enfatizada em Efésios. Ambos os versículos destacam a importância de reconhecer que os crentes são chamados a fazer parte de um só corpo, que é a Igreja. Pertencer a um corpo unido em Cristo é fundamental para a compreensão da identidade e da missão dos cristãos que foram reconciliados com Deus (Cl 1.22), no entendimento que a morte e ressurreição de Cristo proporciona a unidade do povo com Deus e a unidade da própria igreja sendo um só corpo:
A razão para tal paz é que os crentes foram chamados em um só corpo. A interpretação societária, portanto, faz sentido. O ambiente espiritual de cada crente é o único corpo que todos compartilham. A justificativa de Paulo para a paz era “visto que, como membros de um só corpo, vocês foram chamados à paz”. Aparentemente, o corpo é o corpo de Cristo (1.18) no qual cada crente é colocado na conversão (MELICK, 1991 – tradução nossa).
Essas referências cruzadas entre Efésios e Colossenses mostram a consistência dos ensinamentos de Paulo em relação à unidade da fé e da identidade cristã. Paulo busca enfatizar a importância de uma fé compartilhada, centrada em Cristo, que transcende as divisões e unifica os crentes em um corpo unido. Ele ressalta que, apesar das diferenças individuais, os crentes são chamados a viver em harmonia, reconhecendo a centralidade de Cristo e o propósito comum de sua fé.
4. Andando em unidade do espírito
Com a compreensão de que o fio condutor da carta do apóstolo Paulo aos Efésios é enfatizar a união entre judeus e gentios, apontando que todos fazem parte de um mesmo corpo, que é Cristo, assim como a relação entre os escritos de Colossenses e Efésios também focam no entendimento da igreja ser um só corpo com Cristo, pode-se entender o ensinamento de Paulo na perícope em estudo. Uma vez que o texto em estudo tem como foco a unidade do Espírito, sendo esta a exortação feita pelo apóstolo Paulo para que a igreja em Éfeso ande de modo digno, é possível afirmar que nenhuma passagem do NT é mais descritiva da igreja em relação a sua unidade do que Ef 4.1-6 (SNODGRASS, 1996).
Nisso, o contexto dos capítulos 1-3 não pode ser desprezado para o entendimento da perícope, tendo em vista que o termo οὖν (oun – portanto) no v.1, leva em consideração toda a argumentação anterior, apontando que essa nova seção da carta desenvolverá em forma de parênese a base teológica dada anteriormente (MARTIN, 1984). É importante ressaltar que:
Paulo fundamenta seu apelo em tudo o que disse nos três primeiros capítulos. A força da conjunção inferencial “portanto” (οὖν) remonta à bênção introdutória e tudo o que Paulo disse no meio. Isso inclui verdades formadoras de identidade como o fato de que eles foram trazidos para perto de Deus pelo sangue de Jesus Cristo, que eles (judeus e gentios) juntos formam uma nova pessoa em Cristo, que eles são o templo da nova aliança que Deus enche com sua presença, que eles foram vivificados com Cristo e se uniram a ele em sua ressurreição e exaltação, que foram salvos e redimidos de toda forma de mal e muito mais (ARNOLD, 2010 – tradução nossa).
O apóstolo desenvolve que primeiro houve uma mudança de vida proporcionada por Cristo, através da eleição de Deus, não sendo possível desempenhar um bom comportamento sem antes experimentar essa transformação. Isso fica mais claro pelo uso do termo παρακαλῶ (parakalō), que embora também tenha o sentido de “consolar; apelar, suplicar, pedir”, nessa seção está aplicado no sentido de “exortar”. O uso de παρακαλῶ (parakalō) como exortar “não apenas dá um senso de urgência, mas também uma nota de autoridade. Isso é corroborado pelo uso de Paulo do pronome pessoal ἐγώ, ‘eu’, que lhe dá maior ênfase e o lembrete de que ele era ‘o prisioneiro no Senhor’ por causa deles” (HOEHNER, 2002 – tradução nossa).
Ao se referir como “prisioneiro no Senhor”, Paulo considera ser esta uma posição de grande honra, já que é um prisioneiro que pertence a Cristo. Nota-se que o uso da preposição ἐν (en) está no dativo incorporando o sentido de estar unido ao Senhor, o que corrobora com toda a argumentação da unidade apresentada pelo apóstolo. O comentarista Arnold (2010) considera que embora Paulo estivesse sob custódia romana, ele pertence ao Senhor; embora estivesse em cadeias, ele está unido a Cristo e à igreja. Isso contrasta com a exortação feita em seguida, pois alguém que está preso não parece “andar de modo digno da vocação que foi chamado”:
Não há nada indigno do chamado cristão no fato de Paulo estar atualmente sob custódia, se é onde o Senhor deseja que ele esteja; ele ainda é o embaixador do Senhor, mesmo que, por enquanto, seja um “embaixador em cadeias” (Ef 6.20). [...] Asim como os membros de uma família respeitável terão em mente o bom nome da família ao ordenarem sua conduta pública, os membros da sociedade cristã terão em mente não apenas a reputação da sociedade no mundo, mas também o caráter daquele que a criou e o propósito para o qual ele assim o chamou (BRUCE, 1984 – tradução nossa)
Tendo em vista que o chamado foi feito por Deus para que a pessoa seja unida a Cristo, nada mais se espera do que o indivíduo levar uma vida digna do Senhor que o chama. O comentarista Snodgrass (1996) afirma que Paulo está levando o seu leitor a lembrar de suas palavras anteriores, principalmente da doxologia em 1.13-14, apontando para o grande amor de Deus e sua salvação por meio de Cristo, trazendo reconciliação; então os cristãos devem viver de acordo com esse chamado (κλήσεως – klēs󠅍eōs), sendo utilizado como sinônimo de salvação. Esse chamado de Deus está em comum acordo com o sentido de fazer parte do corpo de Cristo.
O viver de modo digno do chamado que recebeu de Deus, implica a algumas ações do cristão. O v.2 apresenta os parâmetros a serem seguidos pelos cristãos que querem viver corretamente. O uso das virtudes, que também são registradas em Cl 3.12, se assemelha aos frutos do espírito (Gl 5.22s), contudo, são balizados pelo amor (Ef 4.2; Cl 3.14). Essas virtudes são características fundamentais para evitar contenda, promover a reconciliação e viver em harmonia como membros do corpo de Cristo. Conclui-se: “portanto, a unidade é um dom divino, mas deve ser cultivada e valorizada à medida que os cristãos convivem em relacionamentos harmoniosos” (MARTIN, 1984 – tradução nossa), desenvolvidos através do fruto do espírito, evidenciado pela humildade, mansidão, longanimidade e amor.
Ainda que Paulo utilize duas frases preposicionais no v.1, o uso de cláusulas participiais funciona como imperativos, expressando a qualidade do andar de modo digno. Mais uma vez a unidade ganha ênfase, pois o orgulho provoca desunião, a raiva provoca contenda, e a braveza provoca a ira, enquanto a humildade promove união, a mansidão promove aliança, a longanimidade promove a paz (HOEHNER, 2002).
Na perspectiva que a carta aos Efésios tem como propósito promover a união, e a perícope de Ef 4.1-6 é sobre andar em unidade no espírito, o v.3 é o coração do texto (JUNG, 2011). Utilizando as relações lógicas (Ilustração 1) é possível verificar que o centro do texto é de fato o v.3, sendo a finalidade do chamado que o apóstolo exorta aos cristãos a andarem de modo digno. A proposição do v.4 que há um só Espírito, qualifica a unidade do Espírito no v.3. Assim como há só um Espírito de Deus, a igreja deve viver em unidade do Espírito. A forma como os termos τὴν ἑνότητα τοὺ πνεύματος (tēn enotēta tou pneumatos) estão empregados é rara no NT, sendo utilizada apenas aqui e no v.13. A forma do genitivo τοὺ πνεύματος (tou pneumatos) significa uma causa originária, não sendo o espírito humano, nem o espírito dos crentes, mas o Espírito Santo (HOEHNER, 2002). De modo prático:
Se a unidade do Espírito é real, deve ser transparentemente evidente, e os crentes têm a responsabilidade diante de Deus de garantir que assim seja. Viver de uma maneira que estraga a unidade do Espírito é desprezar a graciosa obra reconciliadora de Cristo. É o mesmo que dizer que sua morte sacrificial, pela qual o relacionamento com Deus e os outros foram restaurados, juntamente com a consequente liberdade de acesso ao Pai, não tem nenhuma consequência real para nós! (O’BRIEN, 1999 – tradução nossa).
A forma de manter e demonstrar a unidade do Espírito é através da paz, sendo personificada por Cristo, quem trouxe a reconciliação com Deus e reconciliação entre judeus e gentios. Mas agora é dever dos cristãos preservarem a união e a paz dentro da igreja e assim viver de modo digno da vocação que foram chamados:
Embora possamos esperar que Paulo encoraje seus leitores a se esforçarem para alcançar a unidade na igreja, ele realmente os implora para manter (τηρεῖν) uma unidade que já existe. Essa unidade é do Espírito (τοῦ πνεύματος; genitivo da fonte). Unidade e “paz” (εἰρήνη) são duas das conquistas centrais de Cristo por meio do sangue que ele derramou na cruz (2.11-22). Deus criou “um novo homem” em Cristo, “fazendo assim a paz” (2.15). Cristo “é a nossa paz, que fez de ambos os grupos um” (2.14). Deus, portanto, habita nesta nova humanidade por seu Espírito e nos dá acesso ao Pai (2.17–18, 21-22) (ARNOLD, 2010 – tradução nossa).
Tendo estabelecido que a unidade do Espírito na paz de Cristo é o fim do chamado para os cristãos andarem de modo digno da vocação, o apóstolo Paulo discorre por meio de sete proposições a afirmação da unidade. Como afirmado anteriormente, a afirmação que há um só Espírito no v.4 é a base para a unidade do Espírito no v.3:
Há o único Espírito (ἓν πνεῦμα) referindo-se ao Espírito Santo mencionado em 2.18, 22. A passagem 2.16-22 explica como este corpo, reconciliado com Cristo, agora tem acesso a Deus em um Espírito e como é retratado como um templo no qual o Espírito habita. Há unidade na igreja universal e no Espírito Santo, também deve haver unidade no corpo local de crentes (HOEHNER, 2002 – tradução nossa).
A base para a unidade do Espírito não está apenas na afirmação “há um só Espírito”, como também nas demais seis proposições. Isso demonstra o uso dos capítulos 1-3 nos imperativos em forma de parênese na perícope de 4.1-6. O apóstolo está rogando que a igreja viva em unidade da fé que é obtida pela ação graciosa de Deus Pai, através de Jesus Cristo e mantida pela ação do Espírito Santo. A utilização do adjetivo atributivo ἓν (en) juntamente com os sinônimos, expressa que não há vários corpos de Cristo em locais distintos, mas um único corpo de Cristo, e que a igreja representa esse corpo. Da mesma forma que não há várias esperanças, vários Senhores, várias fés, vários batismos e vários Deuses que é Pai de todos. O termo está atribuindo uma única unidade para cada um dos substantivos que funcionam com sujeito na frase.
Paulo faz uso dessa linguagem intencionalmente para expor a teologia e o ensino já exposto anteriormente:
Por trás da linguagem de um corpo, um Espírito, está a teologia de 2.16-18 e 1Co 12.13, na qual os cristãos são unidos em um corpo pelo Espírito e têm acesso a Deus. Além de terem uma origem comum na obra do Espírito e uma existência comum no corpo de Cristo, os crentes compartilham uma esperança comum, o destino escatológico comum do evangelho (SNODGRASS, 1996).
Assim como há o uso da linguagem e teologia anterior para embasar a exortação atual, também há a utilização dos paralelos com a carta aos Colossenses. O uso da teologia paulina de outros escritos para trazer um melhor entendimento sobre o que significa ser chamado numa só esperança:
A cláusula entre parênteses, “como de fato fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação”, pode ser anexada a “um só corpo e um só Espírito” porque aqueles a quem Deus “chamou, não somente dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (Rm 9.24), foram chamados “em um só corpo” (Cl 3.15) – isto é, como membros de um só corpo. A “única esperança” que eles compartilham em virtude desse chamado (Ef 1.18) é chamada de “a esperança do evangelho” (Cl 1.23) porque é apresentada na mensagem salvadora, e “a esperança da glória” (Cl 1.27) porque será realizado na obtenção da glória vindoura. E dessa glória vindoura, o “um só Espírito” é aqui e agora o fiador (Ef 1.13-14) (BRUCE, 1984 – tradução nossa).
Essa esperança é uma certeza presente em algo que Deus dará provisão no futuro, com a expectativa na certeza de que os crentes em unidade do Espírito, fazendo parte do corpo de Cristo, herdarão o reino de Deus (cf. Ef 5.5). Nisso, a esperança é a resposta do cristão resultante do chamado de Deus, sendo selado com o Espírito Santo passando a fazer parte do único corpo. Esse é um paralelo com Ef 2.12 num tempo em que não havia esperança, mas agora com Cristo há uma viva esperança.
As declarações da unidade continuam no v.5 afirmando que “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. No v.4 Paulo afirmou que há um só corpo, sendo esse corpo Cristo Jesus; consequentemente haverá um só Senhor que é Jesus Cristo. Ainda que alguém possa levantar questionamento sobre a identificação desse “Senhor”, o fato de Paulo ter especificado o Espírito no v.4 e Deus Pai no v.6, não há dúvida de que o Senhor no v.5 é Jesus Cristo. Há uma declaração muito forte por trás dessa afirmar de Jesus ser o único Senhor. ARNOLD (2010) comenta que os gentios novos na igreja para se tornarem membro do corpo precisavam declarar Jesus como seu Senhor, e assim estariam negando Ártemis de Éfeso como seu senhor. Ao fazer tal declaração o gentio está confessando a sua fé no único Senhor, podendo então receber o batismo de Jesus. A afirmação do v.5 dá ainda mais força para a característica da unidade do Espírito, pois somente mediante a ação do Espírito alguém pode confessar Jesus como seu Senhor (1Co 12.3), recebendo o sinal do batismo como selo de sua fé.
Conclui-se que “aqui em Efésios é basicamente uma afirmação tanto da suprema transcendência de Deus, ‘acima de tudo’, quanto de sua imanência penetrante, ‘por meio de todos e em todos’” (LINCOLN, 1990 – tradução nossa). Como demonstrado anteriormente, há uma clara distinção entre o v.4 ao falar do Espírito, o v.5 ao apresentar Jesus como Senhor, e o v.6 mostrando o Deus Pai. A trindade é apresentada também como sinônimo de unidade. Não são três deuses, mas há “um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais” (CFW, Pergunta 9).
O texto de Ef 4.1-6 destaca a importância da unidade na igreja. Paulo exorta os crentes a viverem de forma digna do chamado que receberam, demonstrando humildade, mansidão, paciência e amor uns pelos outros. Ele enfatiza a necessidade de preservar a unidade do Espírito, ressaltando a centralidade de Cristo e a busca pela unidade da fé. A mensagem final é que os cristãos devem viver em harmonia, valorizando e respeitando uns aos outros, reconhecendo que todos são membros do mesmo corpo de Cristo. Essa unidade é possibilitada pelo Espírito Santo e é um testemunho poderoso para o mundo, demonstrando o amor de Deus.
5. Conclusão
Assim, a perícope de Ef 4.1-6 dá ênfase na união entre judeus e gentios, destacando que todos fazem parte de um mesmo corpo, que é Cristo. Isso é importante para a vivência da igreja atual, no entendimento que há uma unidade mesmo em meio a diversidade. Fica claro que no ensinamento de Paulo na passagem em estudo está relacionado à unidade do Espírito, sendo exortada pela igreja em Éfeso a andar de modo digno. O texto destaca que a mudança de vida proporcionada por Cristo é fundamental para se ter um bom comportamento, ou seja, para que se possa andar de modo digno, primeiramente é necessário ser um “novo homem”. Essa é uma concepção teológica que está caindo em desuso em muitas igrejas, principalmente as mais contemporâneas, adeptas a “teologia do coaching”. Essas igrejas têm um enfoque pessoal e moral, abordando os aspectos comportamentais, antes de ser abordado os aspectos espirituais. Sem a reconciliação com Deus através de Jesus, não haverá transformação e não haverá um modo digno de se viver. O chamado feito por Deus requer que a pessoa viva de maneira digna do Senhor que a chama. A unidade do Espírito é enfatizada como um dom divino a ser cultivado e valorizado pelos cristãos. Para manter a unidade, é necessário promover a paz e viver em harmonia, enfatizando a humildade, mansidão e longanimidade. A base da unidade está no fato de haver um só Espírito, uma só fé, um só batismo e um só Deus que é Pai de todos e sobre todos.
1. Introdução
A epístola aos Efésios aborda a compreensão do apóstolo Paulo referente a unidade da igreja, destacando a ênfase na união entre judeus e gentios e a ideia de que todos fazem parte de um mesmo corpo em Cristo. Dentre as possíveis correlações da carta aos Efésios aos escritos paulinos, há uma relação com Colossenses por também enfocar a compreensão da igreja como um só corpo com Cristo. Além da análise canônica, a análise contextual dos capítulos anteriores é necessária para o entendimento da importância de se viver de modo digno da vocação recebida. Através da análise de relações lógicas é possível chegar no centro da perícope e poder extrair a mensagem do texto. Assim sendo, o objetivo deste artigo é defender que o foco da perícope de Ef 4.1-6 é a exortação para que os cristãos andem na unidade do Espírito, mostrando que o texto é um dos mais descritivos em relação à unidade.
Para o desenvolvimento do artigo, iniciará com uma discussão da perícope no contexto do livro de Efésios, passando pelo contexto canônico para a compreensão de Ef 4.1-6, entrando na análise exegética da perícope à luz das seções anteriores e terminando com uma conclusão resumindo e aplicando os resultados da pesquisa exegética.
2. O texto de Efésios 4.1-6 no contexto de efésios
A perícope em estudo não é um bloco de ideia novo e distinto de toda a carta aos efésios, haja visto ser uma progressão da argumentação do apóstolo Paulo desde o início. Da mesma forma, a construção da argumentação não finaliza ao final da perícope, mas segue até ao final da carta. Por isso, é necessário analisar o texto de Ef 4.1-6 no contexto de toda a carta, bem como a sua estrutura para que a mensagem do texto seja compreendida da forma correta.
O contexto de efésios 4.1-6
Diferente da maioria das cartas paulinas, a epístola aos efésios não foi escrita em resposta a alguma circunstância específica, mas para responder quais as implicações para a igreja, como uma unidade do corpo, Cristo exerce como Senhor sobre o cosmo (BRUCE, 1984). Embora alguns levantem a dificuldade de se encontrar um propósito na carta aos efésios, há um fio condutor por toda a epístola sendo reforçado a cada argumento e a cada parênese, sendo que “todos os privilégios da vida são encontrados em união com Cristo e transmitidos pelo Espírito. Efésios apresenta um evangelho de união com Cristo de forma mais poderosa do que qualquer outra carta do Novo Testamento” (SNODGRASS, 1996 – tradução nossa).[2]
O Dr. Harold W. Hoehner (2002) fez uma lista com sete tópicos que remetem a concepção da unidade da epístola as Efésios: 1) A palavra ἑνότης (enotēs – unidade) é utilizada somente em Ef 4.3,13; 2) O termo ἑν (en – um) é utilizado catorze vezes: fez um (2.14), um novo homem (2.15), um corpo (2.16; 4.4), um Espírito (2.18; 4.4) uma esperança (4.4), um Senhor (4.5), uma fé (4.5), um batismo (4.5), um Deus e Pai (4.6), cada um de nós (4.7), cada parte (4.16), cada um de per si (5.33); 3) A unidade é alcançada “em Cristo”, sendo que essa expressão, ou semelhante, ocorrem trinta e oito vezes em Efésios; 4) A preposição σύν (syn – com, junto com) é utilizada em combinação com catorze palavras, sendo três denotando a união entre Cristo e os crentes, e as outras onze referindo à união de judeus cristãos e gentios; 5) O termo ἐκκλησία (ekklēsia – igreja) é utilizado nove vezes para apontar onde essa unidade é encontrada; 6) A unidade da igreja é descrita com figuras de linguagem arquitetônica, biológica e social; 7) A igreja é descrita como o corpo que está unido sob cristo, que é o cabeça.
A unidade da igreja está contextualizada em toda a carta, sendo necessário conectar a perícope em estudo com o restante da epístola. Inicialmente o apóstolo louva pelas bênçãos espirituais dadas por Deus Pai, realizadas em Deus Filho, asseguradas e aplicadas pelo Deus Espírito Santo (1.1-14). Em seguida passa a dar graças a Deus em oração rogando por sabedoria para o entendimento da unidade do corpo através do cabeça que é Cristo (1.15-23). Após o louvor e ações de graças, é dado o ensino sobre a salvação e o viver em unidade com Cristo, uma vez que outrora todos estavam mortos (2.1-10). Dada a compreensão da situação passada e como foi revertida através de Cristo, deve-se lembrar que todos necessitam crescer em unidade sendo edificados através do Espírito de Deus (2.11-22). Por esta causa, a igreja deve orar pedindo a estabilidade por meio de uma crescente compreensão de ser um só corpo, sendo os gentios também membros (3.1-13), clamando para que todos sejam fortalecidos e alicerçados em amor para a glória do Senhor da Igreja (3.14-21). O entendimento de que todos são um só corpo em um só Senhor, leva a uma maturidade mesmo em meio a diversidade (4.7-16), fazendo com que todos andem de acordo, unidos e renovados no Deus de justiça e retidão (4.17-24). Isso leva a igreja a uma caminhada de santidade em amor, buscando imitar a Deus (4.25-5.2), andando como filhos da luz (5.3-14) e com todo cuidado e humildade, enchendo-se do espírito, amando uns aos outros no temor de Cristo (5.15-21), refletindo isso nos relacionamentos, quer matrimonial, quer paternal, quer de senhorio e servo (5.22-6.9). Por último, revestindo da armadura de Deus para fugir das ciladas do inimigo e permanecendo firmes e unidos em Cristo, com paz, amor e fé a todos os membros do corpo (6.10-24).
Com isso, percebe-se que o contexto da carta é conduzido pela argumentação da unidade da igreja como copo de Cristo, buscando a unidade entre judeus cristãos e gentios, demonstrando que todos (incluindo os gentios) são membros do corpo e desfrutam dos mesmos privilégios e deveres por terem sido eleitos pelo Deus e Pai antes da fundação do mundo, predestinados para adoção de filhos através de Jesus Cristo, e selados na união com o Filho através do Espírito Santo. Nisso o crente não vive mais como outrora, em uma vida de pecado e separação, mas anda em santidade e unidade.
A estrutura de efésios 4.1-6
Há uma forte evidência referente a unidade da igreja ser o fio condutor da epístola aos Efésios, sendo a perícope de Ef 4.1-6 é o que mais expressa esse objetivo. O início da perícope é facilmente entendida pela mudança do gênero literário no contexto imediato anterior, (3.14-21) com uma terminação típica de oração ἀμέν (amém), para o início do gênero literário em parênese no texto em estudo (4.1) (LINCOLN, 1990). Além disso, o verbo infinitivo παρακαλῶ (parakalō – exorto) seguido da conjunção οὖν (oun – portanto) é utilizado como uma transição da argumentação anterior para a que se passa a ser feita (ABBOTT, 1897). Nota-se que “as três primeiras palavras são as mesmas palavras gregas de Rm 12.1 onde, da mesma forma, seguem uma doxologia que concluiu o capítulo anterior. A conjunção οὖν (oun) extrai uma inferência ou um resultado do que precede” (HORHNER, 2002 – tradução nossa). Assim como que em Rm 12.1 é uma clara divisão de argumento pelo uso da conjunção com o verbo infinitivo, também o é em Ef 4.1.
Entretanto, ainda que seja uma transição de argumentação, não há um rompimento do pensamento, significando que a conjunção inferencial οὖν (oun – portanto), também atua como uma ligação entre as argumentações, sendo todo o pensamento anterior a base para o que se passa a dissertar, portanto as exortações a seguir estão todas baseadas no que foi declarado nos capítulos anteriores, também fazendo uma transição para a segunda parte da epístola (MERKLE, 2016). Neste aspecto, a conjunção “portanto” ganha grande peso e serve para dar ênfase e demostrar a dependência das argumentações anteriores (BARTH, 1974).
Ainda que alguns comentaristas estruturem o texto de forma ampliada (4.1-16), a grande maioria opta por uma divisão menor ao comentar o texto (MARTIN, 1991; SNODGRASS, 1996; HOEHNER, 2002) entendendo que 4.1-6 trata da preservação da unidade, enquanto 4.7-16 trata da construção da unidade e maturidade (THIELMAN, 2010). Algo que é consenso entre os comentaristas que estruturam essa perícope é a compreensão que há dois blocos de exortação ao chamado à união, tendo o v.3 como ligação para as duas partes. Para isso, faz-se uso do método das relações lógicas, dividindo o texto e relacionando cada sentença de forma concatenada, ligando cada ponto para descobrir o centro da perícope. Abaixo, na Ilustração 1, está o método das relações lógicas, demonstrando que o v.3 é a ligação para as duas divisões, bem como o centro da perícope em estudo:[3]
Ilustração 1 – Relações lógicas de Ef 4.1-6
(1a) Portanto, [eu] exorto a vocês,
(1b) eu, o prisioneiro no Senhor,
(1c) que andeis de modo digno da vocação que foram chamados,
(2a) com toda a humildade e mansidão, com longanimidade,
(2b) suportando uns aos outros em amor,
(3) esforcem-se em preservar a unidade do Espírito com o vínculo da paz;
(4a) há um só corpo e um só Espírito,
(4c) assim como também foram chamados em uma só esperança da vocação de vocês;
(5a) há um só Senhor,
(5b) uma só fé,
(5c) um só batismo,
(6a) um só Deus e Pai de todos,
(6b) o qual é sobre todos, por meio de todos e em todos.
3. O contexto Neo-testamentário de Efésios 4.1-6
A Bíblia é inerrante e apresenta uma unidade de pensamento apesar da grande diversidade entre os livros bíblicos (OSBORNE, 2018). Desta forma, a perícope apresentada neste estudo não está desconexa do Cânon bíblico, mas faz parte da unidade de pensamento, ainda que não haja uma citação direta de um texto bíblico. Por ser a carta aos Efésios escrita por um autor que também escreveu outros textos bíblicos, é necessário analisar a perícope de Ef 4.1-6 a luz das correlações nos demais textos do apóstolo Paulo. Nota-se que não há nenhuma referência na perícope em estudo ao AT, portanto o estudo está focado no NT.[4]
Comparativo de Colossenses e Efésios 4.1-6
A carta de Paulo aos Efésios tem comparativos significativos da carta de Colossenses, tanto em termos de conteúdo, como de estrutura, sendo que há uma clara influência de Colossenses no pensamento e nas expressões encontradas em Efésios (PORTER e CLARKE, 1997). Esse trabalho focará no comparativo de Colossenses por ser correlato à perícope em estudo.
O modo digno em Cl 1.10 e em Ef 4.1
A perícope inicia com uma exortação do apóstolo Paulo para que a igreja de Éfeso ande de modo digno. Essa mesma exortação é encontrada em Cl 1.10, demonstrando uma preocupação comum do apóstolo em relação à conduta dos cristãos em suas igrejas.
Tabela 1 – Comparação de Cl 1.10 e Ef 4.1[5]
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Em Cl 1.10, Paulo expressa seu desejo de que os colossenses andem de maneira digna do Senhor, buscando agradá-lo em todas as coisas. Essa exortação reflete a importância de viver uma vida condizente com o chamado que receberam em Cristo, agindo de forma coerente com a natureza e o caráter divino. Com isso, “uma vez que alguém detém o verdadeiro conhecimento, isso necessariamente tem de se traduzir na prática. Ele defende que, por ter o pleno conhecimento de Deus, a consequência deve ser viver de maneira digna dele” (LOPES, 2013). Ao expressar que a vida do cristão deve ser digna do conhecimento alcançado para frutificarem em toda boa obra, juntamente com a argumentação anterior (παρακαλῶ οὖν – parakalō oun), a intenção do autor é demonstrar que o pleno conhecimento de Deus é obtido em Cristo, em quem a igreja está unida em um só corpo.
As Virtudes em Cl 3.12-14 e em Ef 4.2
Paulo, tanto em Efésios quanto em Colossenses, destaca a importância de se revestir de virtudes como humildade, mansidão, longanimidade e amor. Esses atributos são fundamentais para promover relacionamentos saudáveis e edificar a comunidade cristã.
Tabela 2 – Comparação de Cl 3.12-14 e Ef 4.2
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Segundo afirma David E. Garland (1998) as virtudes se assemelham ao fruto do Espírito listado em Gl 5.22s, tendo todas as qualidades na vida de Jesus e sendo vitais para a união entre o povo de Deus. O apóstolo reconhece a importância de cultivar uma postura humilde, de agir com mansidão e paciência e de demonstrar amor em todas as interações. Essas características são fundamentais para evitar divisões, promover a reconciliação e viver em harmonia como membros do corpo de Cristo. Tanto em Cl 3.14, quanto em Ef 4.2, o amor é “que segura todas as demais virtudes no seu lugar, dá-lhes motivação e significado, e produz, desta maneira a plenitude do viver cristão” (MARTIN, 1984 – tradução nossa).
Ao destacar essas virtudes em Cl 3.12-14 e usá-las em Ef 4.2, Paulo demonstra a relevância contínua desses atributos. Essas qualidades refletem o caráter de Cristo e são essenciais para a construção de relacionamentos saudáveis, tanto na igreja refletindo uma conduta ética e amorosa na vida cristã, como no testemunho para o mundo ao redor, encorajando os crentes a manifestarem essas características em seu relacionamento com Deus e uns com os outros.
A Paz em Cl 3.14-15 e em Ef 4.3
Em Cl 3.14-15, se observa a ênfase na unidade e na paz demonstrando a importância desses princípios para a vida cristã. Paulo compreende que a unidade e a paz são fundamentais para a testemunha do evangelho e para a construção de uma comunidade sólida e saudável.
Tabela 3 – Comparação de Cl 3.14-15 e Ef 4.3
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A abordagem do apóstolo Paulo em Cl 3.14-15 tem intuito de advertir os colossenses a se revestirem do amor, que é o vínculo da perfeição e a deixarem a paz de Cristo reinar em seus corações. O amor é apresentado como um elemento essencial para unir os crentes, sendo o laço que os mantém em harmonia e cooperação, porém a paz é “o soberano chamado de Deus na eleição [...] para que seu povo, como um corpo único, experimentasse aqui e eternamente a paz que provém de Cristo” (LOPES, 2013).
Portanto, a ênfase de Paulo na unidade do Espírito e na paz tanto em Efésios quanto em Colossenses revela sua preocupação com a formação de comunidades cristãs coesas e amorosas. Ele ressalta a importância de cultivar relacionamentos edificantes, promovendo a paz e o amor entre os crentes como testemunho do poder transformador de Cristo em suas vidas.
A Unidade em Cl 3.15 e em Ef 4.4
Paulo enfatiza a importância da unidade na comunidade cristã, destacando elementos essenciais a fé cristã. Essa ênfase na unidade e na identidade comum é semelhante ao que é mencionado em Cl 3.15, onde Paulo fala sobre o chamado em um só corpo.
Tabela 4 – Comparação de Cl 3.15 e Ef 4.4
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A menção ao chamado em um só corpo em Cl 3.15 está alinhada com a ideia da unidade enfatizada em Efésios. Ambos os versículos destacam a importância de reconhecer que os crentes são chamados a fazer parte de um só corpo, que é a Igreja. Pertencer a um corpo unido em Cristo é fundamental para a compreensão da identidade e da missão dos cristãos que foram reconciliados com Deus (Cl 1.22), no entendimento que a morte e ressurreição de Cristo proporciona a unidade do povo com Deus e a unidade da própria igreja sendo um só corpo:
A razão para tal paz é que os crentes foram chamados em um só corpo. A interpretação societária, portanto, faz sentido. O ambiente espiritual de cada crente é o único corpo que todos compartilham. A justificativa de Paulo para a paz era “visto que, como membros de um só corpo, vocês foram chamados à paz”. Aparentemente, o corpo é o corpo de Cristo (1.18) no qual cada crente é colocado na conversão (MELICK, 1991 – tradução nossa).
Essas referências cruzadas entre Efésios e Colossenses mostram a consistência dos ensinamentos de Paulo em relação à unidade da fé e da identidade cristã. Paulo busca enfatizar a importância de uma fé compartilhada, centrada em Cristo, que transcende as divisões e unifica os crentes em um corpo unido. Ele ressalta que, apesar das diferenças individuais, os crentes são chamados a viver em harmonia, reconhecendo a centralidade de Cristo e o propósito comum de sua fé.
4. Andando em unidade do espírito
Com a compreensão de que o fio condutor da carta do apóstolo Paulo aos Efésios é enfatizar a união entre judeus e gentios, apontando que todos fazem parte de um mesmo corpo, que é Cristo, assim como a relação entre os escritos de Colossenses e Efésios também focam no entendimento da igreja ser um só corpo com Cristo, pode-se entender o ensinamento de Paulo na perícope em estudo. Uma vez que o texto em estudo tem como foco a unidade do Espírito, sendo esta a exortação feita pelo apóstolo Paulo para que a igreja em Éfeso ande de modo digno, é possível afirmar que nenhuma passagem do NT é mais descritiva da igreja em relação a sua unidade do que Ef 4.1-6 (SNODGRASS, 1996).
Nisso, o contexto dos capítulos 1-3 não pode ser desprezado para o entendimento da perícope, tendo em vista que o termo οὖν (oun – portanto) no v.1, leva em consideração toda a argumentação anterior, apontando que essa nova seção da carta desenvolverá em forma de parênese a base teológica dada anteriormente (MARTIN, 1984). É importante ressaltar que:
Paulo fundamenta seu apelo em tudo o que disse nos três primeiros capítulos. A força da conjunção inferencial “portanto” (οὖν) remonta à bênção introdutória e tudo o que Paulo disse no meio. Isso inclui verdades formadoras de identidade como o fato de que eles foram trazidos para perto de Deus pelo sangue de Jesus Cristo, que eles (judeus e gentios) juntos formam uma nova pessoa em Cristo, que eles são o templo da nova aliança que Deus enche com sua presença, que eles foram vivificados com Cristo e se uniram a ele em sua ressurreição e exaltação, que foram salvos e redimidos de toda forma de mal e muito mais (ARNOLD, 2010 – tradução nossa).
O apóstolo desenvolve que primeiro houve uma mudança de vida proporcionada por Cristo, através da eleição de Deus, não sendo possível desempenhar um bom comportamento sem antes experimentar essa transformação. Isso fica mais claro pelo uso do termo παρακαλῶ (parakalō), que embora também tenha o sentido de “consolar; apelar, suplicar, pedir”, nessa seção está aplicado no sentido de “exortar”. O uso de παρακαλῶ (parakalō) como exortar “não apenas dá um senso de urgência, mas também uma nota de autoridade. Isso é corroborado pelo uso de Paulo do pronome pessoal ἐγώ, ‘eu’, que lhe dá maior ênfase e o lembrete de que ele era ‘o prisioneiro no Senhor’ por causa deles” (HOEHNER, 2002 – tradução nossa).
Ao se referir como “prisioneiro no Senhor”, Paulo considera ser esta uma posição de grande honra, já que é um prisioneiro que pertence a Cristo. Nota-se que o uso da preposição ἐν (en) está no dativo incorporando o sentido de estar unido ao Senhor, o que corrobora com toda a argumentação da unidade apresentada pelo apóstolo. O comentarista Arnold (2010) considera que embora Paulo estivesse sob custódia romana, ele pertence ao Senhor; embora estivesse em cadeias, ele está unido a Cristo e à igreja. Isso contrasta com a exortação feita em seguida, pois alguém que está preso não parece “andar de modo digno da vocação que foi chamado”:
Não há nada indigno do chamado cristão no fato de Paulo estar atualmente sob custódia, se é onde o Senhor deseja que ele esteja; ele ainda é o embaixador do Senhor, mesmo que, por enquanto, seja um “embaixador em cadeias” (Ef 6.20). [...] Asim como os membros de uma família respeitável terão em mente o bom nome da família ao ordenarem sua conduta pública, os membros da sociedade cristã terão em mente não apenas a reputação da sociedade no mundo, mas também o caráter daquele que a criou e o propósito para o qual ele assim o chamou (BRUCE, 1984 – tradução nossa)
Tendo em vista que o chamado foi feito por Deus para que a pessoa seja unida a Cristo, nada mais se espera do que o indivíduo levar uma vida digna do Senhor que o chama. O comentarista Snodgrass (1996) afirma que Paulo está levando o seu leitor a lembrar de suas palavras anteriores, principalmente da doxologia em 1.13-14, apontando para o grande amor de Deus e sua salvação por meio de Cristo, trazendo reconciliação; então os cristãos devem viver de acordo com esse chamado (κλήσεως – klēs󠅍eōs), sendo utilizado como sinônimo de salvação. Esse chamado de Deus está em comum acordo com o sentido de fazer parte do corpo de Cristo.
O viver de modo digno do chamado que recebeu de Deus, implica a algumas ações do cristão. O v.2 apresenta os parâmetros a serem seguidos pelos cristãos que querem viver corretamente. O uso das virtudes, que também são registradas em Cl 3.12, se assemelha aos frutos do espírito (Gl 5.22s), contudo, são balizados pelo amor (Ef 4.2; Cl 3.14). Essas virtudes são características fundamentais para evitar contenda, promover a reconciliação e viver em harmonia como membros do corpo de Cristo. Conclui-se: “portanto, a unidade é um dom divino, mas deve ser cultivada e valorizada à medida que os cristãos convivem em relacionamentos harmoniosos” (MARTIN, 1984 – tradução nossa), desenvolvidos através do fruto do espírito, evidenciado pela humildade, mansidão, longanimidade e amor.
Ainda que Paulo utilize duas frases preposicionais no v.1, o uso de cláusulas participiais funciona como imperativos, expressando a qualidade do andar de modo digno. Mais uma vez a unidade ganha ênfase, pois o orgulho provoca desunião, a raiva provoca contenda, e a braveza provoca a ira, enquanto a humildade promove união, a mansidão promove aliança, a longanimidade promove a paz (HOEHNER, 2002).
Na perspectiva que a carta aos Efésios tem como propósito promover a união, e a perícope de Ef 4.1-6 é sobre andar em unidade no espírito, o v.3 é o coração do texto (JUNG, 2011). Utilizando as relações lógicas (Ilustração 1) é possível verificar que o centro do texto é de fato o v.3, sendo a finalidade do chamado que o apóstolo exorta aos cristãos a andarem de modo digno. A proposição do v.4 que há um só Espírito, qualifica a unidade do Espírito no v.3. Assim como há só um Espírito de Deus, a igreja deve viver em unidade do Espírito. A forma como os termos τὴν ἑνότητα τοὺ πνεύματος (tēn enotēta tou pneumatos) estão empregados é rara no NT, sendo utilizada apenas aqui e no v.13. A forma do genitivo τοὺ πνεύματος (tou pneumatos) significa uma causa originária, não sendo o espírito humano, nem o espírito dos crentes, mas o Espírito Santo (HOEHNER, 2002). De modo prático:
Se a unidade do Espírito é real, deve ser transparentemente evidente, e os crentes têm a responsabilidade diante de Deus de garantir que assim seja. Viver de uma maneira que estraga a unidade do Espírito é desprezar a graciosa obra reconciliadora de Cristo. É o mesmo que dizer que sua morte sacrificial, pela qual o relacionamento com Deus e os outros foram restaurados, juntamente com a consequente liberdade de acesso ao Pai, não tem nenhuma consequência real para nós! (O’BRIEN, 1999 – tradução nossa).
A forma de manter e demonstrar a unidade do Espírito é através da paz, sendo personificada por Cristo, quem trouxe a reconciliação com Deus e reconciliação entre judeus e gentios. Mas agora é dever dos cristãos preservarem a união e a paz dentro da igreja e assim viver de modo digno da vocação que foram chamados:
Embora possamos esperar que Paulo encoraje seus leitores a se esforçarem para alcançar a unidade na igreja, ele realmente os implora para manter (τηρεῖν) uma unidade que já existe. Essa unidade é do Espírito (τοῦ πνεύματος; genitivo da fonte). Unidade e “paz” (εἰρήνη) são duas das conquistas centrais de Cristo por meio do sangue que ele derramou na cruz (2.11-22). Deus criou “um novo homem” em Cristo, “fazendo assim a paz” (2.15). Cristo “é a nossa paz, que fez de ambos os grupos um” (2.14). Deus, portanto, habita nesta nova humanidade por seu Espírito e nos dá acesso ao Pai (2.17–18, 21-22) (ARNOLD, 2010 – tradução nossa).
Tendo estabelecido que a unidade do Espírito na paz de Cristo é o fim do chamado para os cristãos andarem de modo digno da vocação, o apóstolo Paulo discorre por meio de sete proposições a afirmação da unidade. Como afirmado anteriormente, a afirmação que há um só Espírito no v.4 é a base para a unidade do Espírito no v.3:
Há o único Espírito (ἓν πνεῦμα) referindo-se ao Espírito Santo mencionado em 2.18, 22. A passagem 2.16-22 explica como este corpo, reconciliado com Cristo, agora tem acesso a Deus em um Espírito e como é retratado como um templo no qual o Espírito habita. Há unidade na igreja universal e no Espírito Santo, também deve haver unidade no corpo local de crentes (HOEHNER, 2002 – tradução nossa).
A base para a unidade do Espírito não está apenas na afirmação “há um só Espírito”, como também nas demais seis proposições. Isso demonstra o uso dos capítulos 1-3 nos imperativos em forma de parênese na perícope de 4.1-6. O apóstolo está rogando que a igreja viva em unidade da fé que é obtida pela ação graciosa de Deus Pai, através de Jesus Cristo e mantida pela ação do Espírito Santo. A utilização do adjetivo atributivo ἓν (en) juntamente com os sinônimos, expressa que não há vários corpos de Cristo em locais distintos, mas um único corpo de Cristo, e que a igreja representa esse corpo. Da mesma forma que não há várias esperanças, vários Senhores, várias fés, vários batismos e vários Deuses que é Pai de todos. O termo está atribuindo uma única unidade para cada um dos substantivos que funcionam com sujeito na frase.
Paulo faz uso dessa linguagem intencionalmente para expor a teologia e o ensino já exposto anteriormente:
Por trás da linguagem de um corpo, um Espírito, está a teologia de 2.16-18 e 1Co 12.13, na qual os cristãos são unidos em um corpo pelo Espírito e têm acesso a Deus. Além de terem uma origem comum na obra do Espírito e uma existência comum no corpo de Cristo, os crentes compartilham uma esperança comum, o destino escatológico comum do evangelho (SNODGRASS, 1996).
Assim como há o uso da linguagem e teologia anterior para embasar a exortação atual, também há a utilização dos paralelos com a carta aos Colossenses. O uso da teologia paulina de outros escritos para trazer um melhor entendimento sobre o que significa ser chamado numa só esperança:
A cláusula entre parênteses, “como de fato fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação”, pode ser anexada a “um só corpo e um só Espírito” porque aqueles a quem Deus “chamou, não somente dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (Rm 9.24), foram chamados “em um só corpo” (Cl 3.15) – isto é, como membros de um só corpo. A “única esperança” que eles compartilham em virtude desse chamado (Ef 1.18) é chamada de “a esperança do evangelho” (Cl 1.23) porque é apresentada na mensagem salvadora, e “a esperança da glória” (Cl 1.27) porque será realizado na obtenção da glória vindoura. E dessa glória vindoura, o “um só Espírito” é aqui e agora o fiador (Ef 1.13-14) (BRUCE, 1984 – tradução nossa).
Essa esperança é uma certeza presente em algo que Deus dará provisão no futuro, com a expectativa na certeza de que os crentes em unidade do Espírito, fazendo parte do corpo de Cristo, herdarão o reino de Deus (cf. Ef 5.5). Nisso, a esperança é a resposta do cristão resultante do chamado de Deus, sendo selado com o Espírito Santo passando a fazer parte do único corpo. Esse é um paralelo com Ef 2.12 num tempo em que não havia esperança, mas agora com Cristo há uma viva esperança.
As declarações da unidade continuam no v.5 afirmando que “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. No v.4 Paulo afirmou que há um só corpo, sendo esse corpo Cristo Jesus; consequentemente haverá um só Senhor que é Jesus Cristo. Ainda que alguém possa levantar questionamento sobre a identificação desse “Senhor”, o fato de Paulo ter especificado o Espírito no v.4 e Deus Pai no v.6, não há dúvida de que o Senhor no v.5 é Jesus Cristo. Há uma declaração muito forte por trás dessa afirmar de Jesus ser o único Senhor. ARNOLD (2010) comenta que os gentios novos na igreja para se tornarem membro do corpo precisavam declarar Jesus como seu Senhor, e assim estariam negando Ártemis de Éfeso como seu senhor. Ao fazer tal declaração o gentio está confessando a sua fé no único Senhor, podendo então receber o batismo de Jesus. A afirmação do v.5 dá ainda mais força para a característica da unidade do Espírito, pois somente mediante a ação do Espírito alguém pode confessar Jesus como seu Senhor (1Co 12.3), recebendo o sinal do batismo como selo de sua fé.
Conclui-se que “aqui em Efésios é basicamente uma afirmação tanto da suprema transcendência de Deus, ‘acima de tudo’, quanto de sua imanência penetrante, ‘por meio de todos e em todos’” (LINCOLN, 1990 – tradução nossa). Como demonstrado anteriormente, há uma clara distinção entre o v.4 ao falar do Espírito, o v.5 ao apresentar Jesus como Senhor, e o v.6 mostrando o Deus Pai. A trindade é apresentada também como sinônimo de unidade. Não são três deuses, mas há “um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais” (CFW, Pergunta 9).
O texto de Ef 4.1-6 destaca a importância da unidade na igreja. Paulo exorta os crentes a viverem de forma digna do chamado que receberam, demonstrando humildade, mansidão, paciência e amor uns pelos outros. Ele enfatiza a necessidade de preservar a unidade do Espírito, ressaltando a centralidade de Cristo e a busca pela unidade da fé. A mensagem final é que os cristãos devem viver em harmonia, valorizando e respeitando uns aos outros, reconhecendo que todos são membros do mesmo corpo de Cristo. Essa unidade é possibilitada pelo Espírito Santo e é um testemunho poderoso para o mundo, demonstrando o amor de Deus.
5. Conclusão
Assim, a perícope de Ef 4.1-6 dá ênfase na união entre judeus e gentios, destacando que todos fazem parte de um mesmo corpo, que é Cristo. Isso é importante para a vivência da igreja atual, no entendimento que há uma unidade mesmo em meio a diversidade. Fica claro que no ensinamento de Paulo na passagem em estudo está relacionado à unidade do Espírito, sendo exortada pela igreja em Éfeso a andar de modo digno. O texto destaca que a mudança de vida proporcionada por Cristo é fundamental para se ter um bom comportamento, ou seja, para que se possa andar de modo digno, primeiramente é necessário ser um “novo homem”. Essa é uma concepção teológica que está caindo em desuso em muitas igrejas, principalmente as mais contemporâneas, adeptas a “teologia do coaching”. Essas igrejas têm um enfoque pessoal e moral, abordando os aspectos comportamentais, antes de ser abordado os aspectos espirituais. Sem a reconciliação com Deus através de Jesus, não haverá transformação e não haverá um modo digno de se viver. O chamado feito por Deus requer que a pessoa viva de maneira digna do Senhor que a chama. A unidade do Espírito é enfatizada como um dom divino a ser cultivado e valorizado pelos cristãos. Para manter a unidade, é necessário promover a paz e viver em harmonia, enfatizando a humildade, mansidão e longanimidade. A base da unidade está no fato de haver um só Espírito, uma só fé, um só batismo e um só Deus que é Pai de todos e sobre todos.
Notas
[1] O autor é Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Mestrando em Estudos Pastorais com ênfase em Aconselhamento Bíblico pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, Pós-Graduado em Teologia de Paulo pelo Instituto Reformado de São Paulo, formado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Denoel Nicodemos Eller, e Bacharel em Administração com linha de formação específica em Comércio Exterior pela Faculdade de Estudos Sociais do Espírito Santo. E-mail: adsonahs@gmail.com. Mídias: @adsonheitz
[2] Por se assemelhar mais a um sermão ou a uma homilia, há questionamentos quanto a autoria e o destinatário, podendo ser essa uma “carta circular”. Entretanto, os questionamentos não se sustentam a uma acurada investigação. Para mais, veja: CARSON, D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon, Introdução ao Novo Testamento, 1a ed., São Paulo, SP: Vida Nova, 1997, p. 335–343; FOULKES, Francis, Efésios Introdução e comentário, 2a ed., São Paulo, SP: Vida Nova, 1983, p. 15–35; CASE, Shirley Jackson, “To Whom Was ‘Ephesians’ Written?”, The Biblical World, vol. 38, n. 5, p. 315–320, 1911; BOWEN, Clayton R., “Are Paul’s Prison Letters from Ephesus?”, The American Journal of Theology, vol. 24, n. 2, p. 277–287, 1920; ROBINSON, Benjamin W., “An Ephesian Imprisonment of Paul”, Journal of Biblical Literature, vol. 27, n. 2, p. 181–189, 1910
[3] Para verificar o método das relações lógicas, veja: BEALE, G. K.; BRENDSEL, Daniel; ROSS, William A., An interpretive lexicon of New Testament Greek: analysis of prepositions, adverbs, particles, relative pronouns, and conjunctions, 1a ed., Grand Rapids, MI: Zondervan, 2014, p. 8–12.
[4] A falta de conexão da perícope com o AT fica ainda mais evidente quando obras conceituadas no assunto se quer trazem referências. e.g., BEALE, G. K.; CARSON, D. A. (Orgs.), Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento, 1a ed., São Paulo, SP: Vida Nova, 2014, p. 1014s
[5] As próximas tabelas seguirão o mesmo padrão de tradução. O Novo Testamento Grego, 4a ed., Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993; Bíblia Sagrada: Nova Almeida Atualizada, 3a ed., Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.
[1] O autor é Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Mestrando em Estudos Pastorais com ênfase em Aconselhamento Bíblico pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, Pós-Graduado em Teologia de Paulo pelo Instituto Reformado de São Paulo, formado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Denoel Nicodemos Eller, e Bacharel em Administração com linha de formação específica em Comércio Exterior pela Faculdade de Estudos Sociais do Espírito Santo. E-mail: adsonahs@gmail.com. Mídias: @adsonheitz
[2] Por se assemelhar mais a um sermão ou a uma homilia, há questionamentos quanto a autoria e o destinatário, podendo ser essa uma “carta circular”. Entretanto, os questionamentos não se sustentam a uma acurada investigação. Para mais, veja: CARSON, D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon, Introdução ao Novo Testamento, 1a ed., São Paulo, SP: Vida Nova, 1997, p. 335–343; FOULKES, Francis, Efésios Introdução e comentário, 2a ed., São Paulo, SP: Vida Nova, 1983, p. 15–35; CASE, Shirley Jackson, “To Whom Was ‘Ephesians’ Written?”, The Biblical World, vol. 38, n. 5, p. 315–320, 1911; BOWEN, Clayton R., “Are Paul’s Prison Letters from Ephesus?”, The American Journal of Theology, vol. 24, n. 2, p. 277–287, 1920; ROBINSON, Benjamin W., “An Ephesian Imprisonment of Paul”, Journal of Biblical Literature, vol. 27, n. 2, p. 181–189, 1910
[3] Para verificar o método das relações lógicas, veja: BEALE, G. K.; BRENDSEL, Daniel; ROSS, William A., An interpretive lexicon of New Testament Greek: analysis of prepositions, adverbs, particles, relative pronouns, and conjunctions, 1a ed., Grand Rapids, MI: Zondervan, 2014, p. 8–12.
[4] A falta de conexão da perícope com o AT fica ainda mais evidente quando obras conceituadas no assunto se quer trazem referências. e.g., BEALE, G. K.; CARSON, D. A. (Orgs.), Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento, 1a ed., São Paulo, SP: Vida Nova, 2014, p. 1014s
[5] As próximas tabelas seguirão o mesmo padrão de tradução. O Novo Testamento Grego, 4a ed., Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993; Bíblia Sagrada: Nova Almeida Atualizada, 3a ed., Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.
Referências
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