As perguntas de Jesus no evangelho Marcos e a teoria da resposta do leitor

As perguntas de Jesus no evangelho Marcos e a teoria da resposta do leitor

Otoniel Barbosa de Faria[1]

Resumo

Resumo: Este artigo explora a Teoria da Resposta do Leitor na interpretação de textos, com foco no Evangelho de Marcos. Argumenta que é impossível ler sem influências prévias. Propõe que a teoria da resposta do leitor enriquece a interação entre leitor e texto, especialmente nas perguntas de Jesus, desafiando a reflexão contemporânea.

Palavras chaves: Marcos; hermenêutica; resposta-do-leitor.

Abstract: This article explores Reader Response Theory in the interpretation of texts, focusing on the Gospel of Mark. He argues that it is impossible to read without prior influences. It proposes that reader response theory enriches the interaction between reader and text, especially in Jesus' questions, challenging contemporary reflection.

Keywords: Mark; hermeneutics; reader-response.

Resumo: Este artigo explora a Teoria da Resposta do Leitor na interpretação de textos, com foco no Evangelho de Marcos. Argumenta que é impossível ler sem influências prévias. Propõe que a teoria da resposta do leitor enriquece a interação entre leitor e texto, especialmente nas perguntas de Jesus, desafiando a reflexão contemporânea.

Palavras chaves: Marcos; hermenêutica; resposta-do-leitor.

Abstract: This article explores Reader Response Theory in the interpretation of texts, focusing on the Gospel of Mark. He argues that it is impossible to read without prior influences. It proposes that reader response theory enriches the interaction between reader and text, especially in Jesus' questions, challenging contemporary reflection.

Keywords: Mark; hermeneutics; reader-response.

Artigo

1. Introdução

A abordagem hermenêutica conhecida como Teoria da Resposta do Leitor nos desafia com uma série de intrigantes questões: Será possível mergulhar na leitura sem trazer consigo um conjunto de crenças pré-estabelecidas? Pode alguém realmente ler sem ser influenciado por suposições enraizadas em sua mente há muito tempo? Afirmar que um intérprete pode se manter completamente neutro na leitura pode soar como um ideal inatingível. Em última análise, mesmo os leitores mais rigorosamente exegéticos acabam se tornando, de alguma forma, eisegéticos, dependendo da perspectiva de alguém ainda mais estritamente exegético do que eles próprios. Todos nós trazemos nosso próprio conjunto de informações para o texto que não está explicitamente escrito nas palavras, e buscamos iluminar o texto com conhecimentos externos, preenchendo as lacunas entre palavras e frases para formar uma imagem completa. Essa prática é perfeitamente natural e, como argumentaremos, inevitável. O que não é apropriado é a alegação de que uma leitura literal está isenta desse processo, a ideia de que a leitura se limita a extrair o que já está presente no texto. Portanto, ao interpretar, nenhum leitor deve iludir-se pensando que sua interpretação se resume simplesmente a reproduzir o que o texto afirma, sem que seus próprios pressupostos participem ativamente na construção do significado. É nesse contexto que propomos, neste artigo, explorar a interação entre o leitor e o texto, reconhecendo que o significado de um texto emerge dessa interação.[2]

Ao aplicar essa abordagem à análise de textos bíblicos, não podemos negligenciar o fato de que esses textos são obras literárias complexas. O Evangelho de Marcos, por exemplo, é uma criação literária que, conforme Bird e Wright sugerem, pode ter sido influenciada pela pregação de Pedro. Pedro é notavelmente o primeiro e o último discípulo mencionado no evangelho, e muitas das histórias podem ser interpretadas como reminiscências de suas experiências. Cranfield argumenta que o propósito central de Marcos, evidenciado já no primeiro versículo, é apresentar as "boas novas" e testemunhar a identidade de Jesus como o Messias e o Filho de Deus. No entanto, esse propósito é compartilhado por todos os quatro evangelhos. O que torna o Evangelho de Marcos único é sua capacidade de atender às necessidades catequéticas e litúrgicas da igreja, fortalecendo a fé dos crentes diante da ameaça do martírio e fornecendo material para os pregadores missionários.[3][4]

Com essa introdução, enfatizamos que tanto os leitores quanto os textos têm pressupostos e que a retórica aparentemente simples do Evangelho de Marcos tem o potencial de dialogar profundamente com os leitores. Nosso objetivo é aplicar a Teoria da Resposta do Leitor para que as perguntas feitas por Jesus neste evangelho tenham significado e relevância para nós nos dias de hoje.Neste artigo, apresentaremos em detalhes a Teoria da Resposta do Leitor e como a aplicamos ao estudo do Evangelho de Marcos. Discutiremos a tese de Bauckham sobre a natureza dos destinatários do evangelho e sua relação com nossa abordagem. Por fim, exploraremos como as perguntas no Evangelho de Marcos servem como portas que nos conduzem mais profundamente no texto, usando Marcos 10 como um exemplo ilustrativo. Este artigo desempenha um papel crucial nos estudos bíblicos ao combinar a hermenêutica e a filosofia da Teoria da Resposta do Leitor com a análise retórica das perguntas no Evangelho de Marcos.

2. O uso da Hermenêutica da Resposta do Leitor

Na história da interpretação bíblica tivemos fases onde a busca por aquilo que o autor quis dizer era o alvo, porém esse alvo passou da intenção autoral para o texto. Ou seja, a busca passou a ser por entender aquilo que o texto afirma. Em tempos recentes a busca pelo sentido deixou de ser o autor e o texto, agora o foco está em procurar entender como o leitor ajuda na construção de significado. Conforme Leonel afirma sobre:

A partir do Formalismo Russo do início do século XX, do Novo Criticismo norte-americano dos anos 1920-50 e do Estruturalismo francês da década de 1960. Esses movimentos, cada um à sua forma, questionavam o papel central do autor na determinação do sentido de uma obra. Em seu lugar foram colocados o “texto”, principalmente nas tendências acima mencionadas e, mais recentemente, o “leitor”, mediante a História da Leitura, uma vez que, de modo prático, é este que determina o sentido de uma obra. Isso obviamente não significa que o sentido pretendido pelo autor deve ser abandonado, e que toda e qualquer leitura deve ser aceita. A leitura deve ser concebida como momento final proposto pelo texto literário. Mais do que isso, ela será determinada por leituras prévias, por memórias trazidas pelo leitor, e por contextos sociais, culturais, religiosos, etc. que motivam diferenças de leitores e de leituras.[5]

De fato, há algumas dificuldades neste modo de se interpretar. Esse tipo de interpretação tem sido chamado de resposta do leitor. Alguns entendem que o sentido do texto sendo encontrado na resposta do leitor é uma eixegese. Porém, a busca pela intenção autoral também não é uma eixegese? Em “The Intentional Fallacy”, Wimsatt e Bearsley argumentaram que, como ninguém sabe o que se passa na mente de um autor, as intenções desse autor permanecem inacessíveis. Às vezes, os autores escrevem com motivos puros, às vezes não. Basear a interpretação de um texto na intenção do autor implica a capacidade de um intérprete de “ler a mente”. Como a noção de que qualquer leitor poderia ler os pensamentos privados do autor é absurda, identificar o significado com intenção autoral é, portanto, impossível. Ou seja, a busca pela intenção autoral é uma forma de impor ao texto um significado, assim como a resposta do leitor, pode em alguns casos ser uma interpretação forçada. [6]

Tradicionalmente, a hermenêutica envolvia a formulação de regras para a compreensão de um texto antigo, especialmente em termos linguísticos e históricos. O intérprete foi levado a começar com a linguagem do texto, incluindo sua gramática, vocabulário e estilo. Ele ou ela examinou seu contexto linguístico, literário e histórico. Em outras palavras, a hermenêutica tradicional começou com o reconhecimento de que um texto era condicionado por um determinado contexto histórico. No entanto, a hermenêutica no sentido mais recente do termo começa com o reconhecimento de que o condicionamento histórico é bilateral: o intérprete moderno, não menos que o texto, está em um determinado contexto histórico e tradição. Portanto, se o autor estava condicionado a um contexto que modela aquilo que ele escreve, o leitor está condicionado a um contexto que modela o modo pelo qual ele ou ela lê e compreende o sentido do texto. [7]

Nós não conseguimos interpretar o texto sem irmos ao texto como participantes daquilo que estamos analisando. A vida como ela é, faz com que sejamos mais do que meros observadores da realidade. Somos participantes não apenas observadores do mundo através de uma percepção abstrata e distanciada das coisas. Heidegger repetidamente critica o ideal de um observador neutro ou desinteressado como a distorção criada pelas descrições filosóficas e epistemológicas da existência humana. Obviamente, não se pode negar que vivemos num mundo de objetos e pessoas, e ainda assim, segundo Heidegger, as noções tradicionais de como vamos entender estas relações não possuem o ponto de partida fundamental - nossa ontologia. O entendimento começa com nossa situação como seres-no-mundo, e não com nosso conhecimento dos outros ou de estar-com-os-outros.[8]

Temos então alguns debates hermenêuticos, a partir da descoberta do papel do leitor na interpretação, que geram uma polarização, de um lado aqueles que não veem a importância do leitor para a construção de sentido do texto e outros que não veem a importância da intenção autoral. Craig Keener cita Thiselton para gerar um equilíbrio de visões, o estudo seminal de Thiselton, assim, conclui com a observação vital: "O objetivo hermenêutico é o de um progresso contínuo em direção a uma fusão de horizontes. Mas isso deve ser alcançado de tal modo que a particularidade de cada horizonte seja levada em consideração e respeitada plenamente. Isso significa tanto respeitar os direitos do texto quanto permitir que ele fale”. Portanto, tanto o horizonte do texto quanto o horizonte do leitor deve ser levado em consideração. O primeiro horizonte não pode definir plenamente nossa experiência de leitura, mas ele deve ser fundacional para as analogias que extraímos. [9][10]

Alguns dos críticos da resposta do leitor concluíram que essa hermenêutica tira todo o sentido do texto, Vanhoozer ao comentar sobre essas críticas afirma que tem certa resistência a essa dicotomia infeliz entre um significado que é absolutamente cognoscível e um que é absolutamente indecidível. Nenhuma dessas opções possibilita uma resposta responsável da parte do leitor. Minha tese é a de que, ao ler, nós nos deparamos com um outro que nos exorta a responder. Portanto, o leitor ao responder ao texto ele está construindo sentido para o mesmo. Mesmo com o risco de nos equivocarmos, propomos que, quando ele se envolve com o texto bíblico, ele realmente "constrói" o sentido.[11][12]

Todavia, precisamos lembrar que a hermenêutica da resposta do leitor possui níveis diferentes. Não estamos propondo uma leitura onde o contexto histórico-gramatical é simplesmente silenciado em detrimento da voz do leitor. Uma visão teológica equilibrada é normalmente holística, ou seja, nunca toma a parte pelo todo, mas procura sempre olhar a parte a partir de todo. Portanto, cabe perguntar: O sentido espiritual do tento que é fato de uma leitura alegórica pode ser desprezado? A intenção do autor pode ser jogada fora? E os leitores com seus respectivos contextos devem ser abandonados? A resposta é um sonoro não para cada uma dessas perguntas. Do ponto de vista holístico, a nossa leitura bíblica deve buscar o sentido espiritual, literal e contextual das Escrituras. O leitor responsável está a meio caminho entre a conformidade e a criatividade, nem repetindo servilmente nem inventando livremente.[13][14]

Umberto Eco distingue decisivamente entre textos “abertos” e “fechados”. Textos “fechados” são aqueles em que a resposta do leitor é predeterminada antecipadamente em termos de receber os “pensamentos” ou mensagem do autor de uma única maneira “corretamente”. Na vida cotidiana, um farmacêutico não “interpreta” a receita médica de um médico como ele ou ela gosta, mas fornece ao paciente o que a receita exige. As instruções de um kit ou manual de um carro são um texto “fechado”. “A água atingiu três pés” é preciso e inequívoco. Mas “A água atingiu o nível de perigo” pode permitir uma pequena discussão na definição de “perigo”. Que grau de risco está envolvido? O texto está quase fechado, mas também parcialmente “aberto”. Aplicando isso ao nosso estudo, devemos entender que de algum modo o texto bíblico não é um texto ultra fechado e nem um texto em que podemos interpretar ao nosso próprio modo. Logo, há espaço para interpretação e sendo assim há espaço para o leitor. Em uma obra Thiselton concorda com Eco afirmando que os teóricos da resposta do leitor têm razão quando estamos considerando o que Lotman (1977) e Umberto Eco (1979, pp. 4-33; 1984, pp. 68-86) chamam de textos “abertos”. Estas são muitas vezes, mas nem sempre, parábolas, poesia, textos hinários ou salmos, e às vezes partes da literatura da sabedoria. Lotman e Eco os chamam de textos “produtivos”, porque podem servir para provocar, seduzir e provocar o leitor a pensar ativamente. [15][16]

A nossa proposta então é que de fato nos importa saber de que modo o texto aberto (ou semi-aberto) das escrituras continua a falar aos leitores contemporâneos, mesmo que em um primeiro momento seja importante olhar para o que Paulo disse, devemos dar um passo a uma segunda fase para construirmos o sentido do texto hoje. Para Westphal podemos chamar a segunda hermenêutica de “aplicação”. Aqui a questão não é mais o que Isaías, Mateus ou Paulo estavam tentando dizer aos seus contemporâneos, mas o que Deus está nos dizendo agora através das palavras que eles escreveram.[17]

Thiselton define de forma precisa o que estamos propondo:

As teorias de resposta do leitor chamam a atenção para o papel ativo das comunidades de leitores na construção do que conta para elas como “o que o texto significa”. Do ponto de vista da interpretação bíblica, uma contribuição potencialmente positiva é oferecida por qualquer modelo hermenêutico teórico que coloque ênfase no papel dos leitores como participativos e ativos. Alguns teóricos da resposta do leitor, mais notavelmente Wolfgang Iser, se baseiam em uma teoria da percepção para estabelecer o papel dos leitores no preenchimento ou conclusão de um significado textual que, de outra forma, permaneceria apenas potencial em vez de real. Em termos teológicos, tal teoria parece estar coerente com as expectativas de que a leitura do texto bíblico não deve constituir um exercício para espectadores passivos, mas um processo agitado, ativo e criativo.[18]

Um importante proponente da teoria da resposta do leitor, Robert Flower afirma que embora talvez de fato “leitores fazem sentido”, tais slogans simplificam demais. Dizer que o leitor é tudo, do jeito que alguns críticos de resposta ao leitor fazem, é enganoso. Praticamente falando, o texto é importante, o leitor é importante e a comunidade interpretativa que fornece o contexto no qual o texto e o leitor interagem é importante. No entanto, os leitores e a leitura foram menosprezados, e o equilíbrio deve ser corrigido. Osborne afirma de modo semelhante quando cita Raymond Brown que a igreja fala ao seu próprio tempo, mas o significado literal deve estar em diálogo constante como um controle sobre exageros.[19][20]

Sendo assim, o uso da resposta do leitor que estamos propondo não é aquele exagerado que coloca no leitor todo papel de construção de sentido, mas aquele que vê a história do texto em diálogo com a história do leitor. Olhando para o evangelho de Marcos, Dean Deppe afirma que a camada histórica literal é básica e tem prioridade, mas Marcos emprega a tradição de Jesus para falar com as necessidades de sua comunidade também. Essa abordagem de duas camadas para o evangelho explica o simbolismo redacional empregado no livro.[21]

Grant Osborne, especialista em Evangelhos, afirma que diz aos seus alunos que eles precisam realizar uma “identificação do leitor” com os leitores originais para estudar o significado de uma história para o nosso dia. Ou seja, eles perguntam o que Marcos ou Lucas estão dizendo a seus leitores originais para fazer com a história e depois se alinham com essa ação e perguntam como ela se aplica aos nossos dias.[22]

João Leonel afirma sobre a Estética da Recepção que é muito semelhante a teoria da resposta do leitor que ao utilizar a estética da recepção, pode encontrar um caminho para que textos bíblicos com séculos e mesmo milênios de existência, que falaram para ouvintes de séculos atrás e em contextos diferenciados daqueles em que vivemos, sejam atualizados e se revistam de uma capacidade renovada de motivar, questionar, mover leitores. Esse é um “efeito” esperado em textos, principalmente os bíblicos.[23][24]

Para ilustrar utilizamos o gráfico de Thiselton sobre o modo de leitura bíblica daqueles que seguem um modo moderado da hermenêutica da resposta do leitor:[25]

Autor => Texto < = > Leitor.

Portanto, olharemos para o contexto de Marcos, para o texto de Marcos e então vamos procurar de que modo o leitor moderno é convidado a responder ao texto.

3. A Ausência de uma Comunidade Específica como Destinatária

Para defender a ausência de uma comunidade específica vamos apresentar a tese de Richard Bauckham sobre a ausência de uma comunidade específica como destinatária dos Evangelhos, um breve resumo do seu trabalho "For whom were Gospels written?” (University of Pretoria, 1999, p. 865-882.) já nos ajuda a compreender o que estamos propondo.[26]

Na introdução, Bauckham explora duas questões-chave relacionadas à escrita dos Evangelhos. Primeiro, se os Evangelhos foram escritos para cristãos ou não-cristãos, com foco na audiência cristã predominante. Segundo, se foram destinados a uma audiência cristã específica ou a uma audiência cristã geral. Bauckham destaca que a primeira pergunta foi ocasionalmente debatida, enquanto a segunda, curiosamente, nunca foi discutida, apesar de ter implicações significativas na pesquisa dos Evangelhos. Ele argumenta que a visão predominante de que cada evangelista escreveu seu Evangelho para uma comunidade específica merece ser questionada, propondo uma visão alternativa de que os evangelistas podem ter imaginado uma audiência mais ampla, compreendendo várias igrejas. Bauckham destaca a importância de iniciar uma discussão sobre essa questão e reconhece que desafiar o consenso acadêmico é uma tarefa difícil, mas que ele busca pelo menos abrir o debate. Ele inicia seu argumento preliminar argumentando que, dado que Mateus e Lucas tinham acesso ao Evangelho de Marcos e sabiam que já estava circulando em várias igrejas, é mais provável que eles também tenham imaginado uma audiência ampla para seus próprios Evangelhos. Bauckham sugere que a visão de uma audiência restrita em suas próprias comunidades não deve ser tomada como óbvia e autoevidente.

No primeiro ponto do artigo Bauckham argumenta que a visão de que cada evangelista escreveu para sua própria comunidade é uma ideia antiga na pesquisa britânica e se tornou influente quando alguns críticos da redação passaram a ler os Evangelhos como dirigidos às circunstâncias específicas de cada comunidade. Ele observa que essa visão confunde as questões de contexto de escrita e audiência.

Bauckham também argumenta que o trabalho dedicado à reconstrução das comunidades dos Evangelhos e à interpretação de seus textos à luz dessas comunidades não fornece evidência sólida para a visão predominante. Ele destaca que muitos argumentos nesse sentido se baseiam na suposição de que todas as indicações textuais do caráter e das circunstâncias da audiência devem se aplicar a toda a audiência implícita, o que ele considera inadequado. Portanto, ele sugere que uma estratégia de leitura baseada na suposição oposta poderia ser igualmente ou até mais bem-sucedida.

O segundo ponto de Bauckham, ele argumenta que a abordagem de ler os Evangelhos como se fossem cartas apostólicas dirigidas a comunidades específicas é inadequada. Ele contrasta os Evangelhos com as epístolas paulinas, enfatizando que os Evangelhos têm um gênero diferente e que a escrita deles não é motivada pela necessidade de se comunicar com uma comunidade local específica, como no caso das cartas. Bauckham questiona por que um evangelista escreveria um Evangelho quando poderia ensinar oralmente sua comunidade, e sugere que a principal função da escrita era a capacidade de alcançar leitores distantes e desconhecidos, o que se encaixa melhor com a ideia de uma audiência cristã geral. Ele argumenta que a literatura religiosa judaica da época, que serviu como modelo para os evangelistas, circulava entre as comunidades da diáspora e, portanto, o Evangelho teria sido escrito com a intenção de circular amplamente entre os cristãos de língua grega em todos os lugares.

Bauckham argumenta que o movimento cristão primitivo era uma rede de comunidades em comunicação constante, o que torna improvável a ideia de que os Evangelhos foram escritos exclusivamente para uma única comunidade. Ele aponta várias evidências, como a alta mobilidade e comunicação no mundo romano do primeiro século, a mobilidade dos líderes cristãos, a prática de enviar cartas de uma igreja para outra e o conflito e diversidade no cristianismo primitivo, para apoiar sua visão. Portanto, ele desafia a visão de que os Evangelhos tinham como público-alvo apenas uma comunidade específica e argumenta que a ideia de escrever um Evangelho exclusivamente para uma única comunidade é improvável.

Por fim, Bauckham conclui destacando vários pontos hermenêuticos. Primeiro, ele argumenta que a tentativa de atribuir um papel hermenêutico-chave às comunidades mateanas, marcanas, lucanas e joaninas na interpretação dos Evangelhos está equivocada, pois os Evangelhos não se dirigem a essas comunidades em particular. Portanto, essas comunidades não têm relevância hermenêutica e não podemos reconstruir detalhadamente sua identidade.

Segundo, ele enfatiza que seu argumento não descontextualiza os Evangelhos, pois eles ainda estão enraizados no contexto mais amplo do movimento cristão primitivo no Império Romano do final do primeiro século. Isso não os torna obras literárias autônomas, mas contextualiza-os de maneira apropriada.

Terceiro, Bauckham observa que seu argumento suaviza o caminho hermenêutico, reduzindo a ênfase na relevância hermenêutica das comunidades específicas para a interpretação dos Evangelhos. Ele aponta que, historicamente, os leitores não perceberam a relevância hermenêutica da “comunidade mateana”.

A tese proposta por Bauckham é importante para nossa observação do evangelho de Marcos principalmente porque a partir da sua tese ele critica o desejo equivocado de buscar especificidade histórica em excesso na interpretação dos textos, argumentando que os textos variam na medida em que são específicos ao contexto. Para Bauckham em seu artigo os Evangelhos são textos relativamente abertos, e a interpretação não deve ser excessivamente condicionada pela busca de detalhes específicos do contexto original das comunidades.[27]

Portanto, a tese de Bauckham demonstra que os evangelhos foram escritos para mais de uma comunidade, ou foram escritos para circular entre diferentes comunidades. Sendo assim, mesmo que possa ser um salto hermenêutico a partir do que Bauckham afirma, nós como comunidades cristãs podemos ler o texto de Marcos da mesma forma que os primeiros leitores, isto é, podemos ler o evangelho de Marcos como um texto relativamente aberto e a interpretação não necessita excessivamente de um conhecimento das comunidades originais, em vez disso o evangelho fala a nossa comunidade, o evangelho fala a igreja (ou a igrejas).

4. Perguntas de Jesus como portas para o diálogo

Os dois pontos apresentados anteriormente podem ser definidos da seguinte maneira: o evangelho de Marcos não possui uma comunidade específica e o leitor é convidado a responder ao texto, neste relacionamento entre o texto em seu contexto e o leitor surge a resposta à pergunta: o que o texto nos diz hoje?

Marcos não escreve apenas para contar uma história, ele escreve para que os leitores tenham uma mudança. O conhecimento literário não é uma questão de factualidade desinteressada. A maioria dos autores não escreve simplesmente para transmitir informações, mas para afetar seus leitores de alguma outra maneira. Michael Bird e N. T. Wright afirmam:[28]

Marcos tem uma utilidade evangelística óbvia. O leitor não pode escapar da pergunta assombrosa: ‘Quem é Jesus?’ (Veja Mc 2.7; 4.41; 6.2; 8.27, 29; 14.60). Os títulos que Marcos usa para Jesus (filho de Deus, Messias, filho do Homem, filho de Davi e senhor) dão parte da resposta, mas é a história que ele conta, do reino-trabalho de Jesus e sua conclusão chocante, que aponta para a verdadeira resposta. Jesus, insiste Marcos, é o Servo-Rei-Rei de Israel, incorporando a própria presença do Deus de Israel. Ele adverte sobre o julgamento vindouro, mesmo enquanto abre o convite do reino. Ele mesmo confronta o leitor, ambos com ‘Quem você diz que eu sou?’ (Mc 8.29) e ‘Venha, siga-me!’ (Mc 1.17; 2.14; 8.34; 10.21).

Portanto, Bird e Wright de algum modo também concorda que Marcos chama o leitor a ter uma resposta diante do texto. Ben Witherington III comentando sobre Mc 12.9 afirma que é intrigante ver o que Mateus e Lucas fazem com o final da parábola em vv. 7-8. Eles expulsam o filho da vinha e depois matam, em vez do contrário, como em Marcos. Isso provavelmente reflete uma reorganização cristã da história para se adequar aos fatos sobre a crucificação de Jesus fora de Jerusalém. Isso, por sua vez, fala a favor da primitividade da história em sua forma marcana. Witherington mostra que o versículo 9 de Mc 12 serve como uma questão retórica, convidando o público a contemplar como o proprietário responderá aos abusos chocantes de seus servos e filhos. Mas a pergunta então é respondida diretamente pelo próprio Jesus.[29]

Rhoads afirma que dentro desta breve história, os personagens fazem um número extraordinário de perguntas, na maioria das vezes retóricas, ou seja, perguntas para as quais não se espera resposta ou apenas uma resposta pode ser considerada correta. Como o modo interrogativo intensifica os conflitos entre os personagens, o leitor se absorve na narrativa, aguardando respostas às perguntas e resoluções dos conflitos. As perguntas também revelam o caráter dos personagens.[30]

O argumento de Rhoads sobre as perguntas em Marcos é que as perguntas criam tensão, revelam personagens e envolvem os leitores, levando-os a pensar nas respostas. Jesus usa tais perguntas para expressar surpresa e frustração com seus discípulos e desafiar as autoridades, aumentando sua autoridade. As perguntas dos discípulos mostram sua falta de compreensão e fé. As autoridades usam perguntas para testar Jesus e expressar hostilidade. Perguntas retóricas são usadas dramaticamente na narrativa.[31]

Deste modo, as perguntas, especialmente aquelas que não esperam respostas, fazem com que os leitores se envolvam na história, estimulando-os a refletir sobre as respostas por conta própria ou a ficar curiosos sobre como serão respondidas ao longo da narrativa. Portanto, ao olharmos para o evangelho de Marcos como um evangelho escrito para diversas comunidades e o leitor como alguém que participa na construção de significado, as perguntas feitas por Jesus dentro do evangelho de Marcos convidam o leitor a respondê-las para que o texto tenha sentido para o leitor do século XXI.

5. Exemplo de Diálogo entre o Leitor e as Perguntas de Jesus

No evangelho de Marcos Jesus faz 21 perguntas, quando o leitor se depara com essas perguntas ele deve procurar respondê-las de uma maneira apropriada em seu contexto moderno. Para exemplificarmos o modo como o leitor pode criar sentido ao texto nós utilizaremos Marcos 10. Em Marcos 10.1-31 aproximadamente a primeira metade de Marcos 10 trata de questões familiares, incluindo casamento, divórcio, filhos e o efeito do discipulado nas obrigações familiares e posses familiares também. O efeito líquido de todos os ensinamentos de Jesus sobre esses assuntos é deixar claro que o custo do discipulado e da vida pelos princípios do domínio é alto, de fato muito alto para alguns (como o jovem rico) aceitarem. Nesse contexto aparece duas perguntas de Jesus, no versículo 3 ele pergunta: “o que Moisés disse na Lei a respeito do divorcio?” , essa pergunta de Jesus. Faz o leitor refletir sobre a Lei, ainda que os fariseus respondem a pergunta no versículo 4, o leitor está vendo que o contexto que Jesus fala isso é a tentativa de pegar Jesus em uma armadilha (versículo 2), portanto, a pergunta de Jesus no modo como Marcos conta a história faz com que o leitor pare, pense e responda Jesus sobre a pergunta, para depois seguir sua leitura. A questão é que o leitor não pode responder à sua maneira o que Jesus pergunta, se observamos com atenção, os próprios fariseus respondem de forma equivocada o que Jesus pergunta. Os verbos nesta troca de abertura são interessantes. Jesus pergunta sobre mandamentos (εντελλόμαι), mas eles respondem em termos de permissão (επίτρεπω). Isso reflete a natureza equívoca da base legal do divórcio em Dt 24.1-4. Essa passagem não é ‘mandamento especificamente, ou mesmo permitindo, o divórcio, mas regula (o v. 4) a situação que resulta após um divórcio ter acontecido e ter sido devidamente certificado: v. 1-3 consistem apenas em cláusulas condicionais que estabelecem o cenário para o qual o v. 4 fornece uma decisão legal (que o marido que se divorciou de sua esposa não pode se casar novamente com ela). Jesus então explica e dá o entendimento correto a pergunta que Ele fez. A pergunta de Jesus era sobre o que Moisés ordenou, e eles tentaram respondê-lo, naturalmente, a partir do material legal dos livros de Moisés. Mas o Pentateuco contém mais do que os próprios códigos da lei, e Jesus agora vai mostrar como ‘Moisés’ (neste sentido mais amplo) oferece uma perspectiva muito diferente, que se encaixa melhor na categoria de ‘mandamento’ do que o texto legal tradicional que eles citaram. Nós leitores do século XXI somos convidados a responder: “O que Moisés diz sobre o divórcio?”, mas ao responder somos levados a resposta de Jesus para averiguar nossas respostas.[32][33][34][35]

Mais à frente no versículo 18, Jesus faz uma outra pergunta: “Por que me chamas de bom?”, este versículo aparentemente levanta uma objeção à maneira como o homem se dirigiu a Jesus, mas o ponto não é seguido, e somos deixados para adivinhar qual foi a objeção. Talvez Jesus suspeite de lisonja no discurso fulsome, e esticando o significado de αγαθός ao ponto da perfeição questiona sua adequação a qualquer homem. Marcos como vimos acima é escrito para algumas igrejas em contextos diferentes, essas igrejas e nós leitores modernos, não podemos ser leitores passivos. Quando Jesus pergunta, nós somos convidados a responder. Talvez estejamos destinados a pensar que esse homem acreditava que ele e Jesus eram bons homens por causa de suas ações, e notar como Jesus responde em termos de ações. Como diz Hurtado, o v. 18 é uma repreensão à ideia de que os seres humanos podem ser chamados de bons por causa de suas ações, ou que o bem final na vida (vida eterna) pode ser feito. Sendo assim, a pergunta de Jesus vem a nós: “por que chamamos de bom?”, e quando respondemos o texto leva-nos a refletir se nossa resposta está de acordo com a repreensão feita por Jesus, ou seja, nossa resposta demonstra a diferença existente entre nós e Jesus?[36][37]

A pergunta do versículo 36 é a mesma do 51, por isso analisa-as juntas, observemos a pergunta do versículo 38: “[vocês] são capazes de beber do cálice que beberei? São capazes de ser batizados com batismo que serei batizado?” No versículo 39, as duas imagens são paradoxalmente aplicadas a Tiago e João. Eles indicam que os irmãos participarão dos sofrimentos de Jesus (cf. 1 Pe 4:13). Deve haver uma solidariedade entre o Filho do Homem e seus discípulos, e isso é expresso não apenas por sua aceitação grata de sua proteção e favor, mas também por seguir seu exemplo de humildade e serviço, se necessário na medida da morte. A descrição do discipulado implícito está em conformidade com o Mc 8:34–38. A referência, no entanto, não é exclusiva nem necessariamente ao martírio, pois a imagem do batismo não é encontrada nesse sentido na literatura cristã até a virada do século II.87 Em vez disso, Jesus profetiza que os filhos de Zebedeu, como ele, suportarão grande tribulação e sofrimento pelo evangelho (cf. At 12:2; Ap 1:9). [38]

Perrin afirma que sobre a audiência de Marcos é suficiente destilar apenas um pequeno conjunto de pontos acordados: a audiência de Marcos era composta por cristãos judeus e gentios submetidos por coação envolvendo perseguição externa (de ambos os quadrantes judeus e romanos) e tensões internas resultantes de tal perseguição (Donahue, 17-26; Roskam, 72-74; Winn, 173-77). Portanto, a pergunta de Jesus aos discípulos é feita aos leitores imediatos que estavam sofrendo, e também é feita a nós no século XXI: “somos capazes de sofrer com Cristo?” Sua resposta pode variar, mas ao responder e voltar ao texto Jesus mostra que de fato se estivermos unidos com Ele, beberemos o cálice e passaremos pelo batismo. [39]

A pergunta que nos resta observar é: “o que queres que lhes faça?”. Essa pergunta aparece no versículo 36 e 51, a pergunta é destinada a discípulos e a um mendigo cego. Perguntar a um cego o que ele quer pode parecer uma pergunta sem sentido, porém Garland faz observações importantes nessas perguntas iguais no capítulo 10 de Marcos:

Os fariseus queriam ser mais espertos que ele e prendê-lo (10:2). O homem rico queria segurança eterna a um custo mínimo (10:17). Tiago e João queriam ser os principais funcionários da burocracia do reino (10:35–36). Um mendigo cego pode querer apenas dinheiro, mas Bartimeu quer ver novamente. “O que você quer que eu faça por você?” É a pergunta mais importante que Deus já nos fez, e aquela para a qual mais frequentemente damos a resposta errada. Pedimos todas as coisas erradas na vida. Pode-se pensar em muitos exemplos, mas Marcos fornece dois notáveis. Herodes faz a sua enteada dançante essencialmente a mesma pergunta: “Pergunte-me o que você quiser” (6:22). Sua resposta: “A cabeça de João Batista.” Pilatos faz a mesma pergunta à multidão (15:9, 12). A resposta deles: “Barsabás” e “Crucifique-o!” Nossa resposta a esta pergunta revela se queremos a morte ou a vida, se queremos ser curados de nossa cegueira ou se queremos usar egoisticamente Deus para cumprir nossas ordens e cumprir nossos próprios desejos.[40]

Ou seja, a Jesus pergunta aos seus seguidores hoje: o que vocês querem? Com certeza as respostas serão completamente variadas, todavia todas elas são levadas a serem confrontadas com o texto para que o texto defina se nós entendemos ou não o tom da pergunta de Jesus. Indo a prática, alguns podem responder que querem coisas materiais supérfluas e então são confrontadas como os discípulos. Outros querem uma condição melhor para seguir Jesus, então eles ouvirão: vai sua fé o curou. Poderíamos listar inúmeras respostas que podemos dar a essa pergunta de Jesus, construindo assim um significado moderno ao texto antigo, porém não podemos esquecer de que o significado que criamos hoje em nosso contexto deve ser confrontado com o horizonte do autor e do texto.

Considerações finais

Com a análise apresentada neste artigo, torna-se evidente que as perguntas contidas no Evangelho de Marcos não apenas podem, mas devem ser consideradas pelo leitor contemporâneo. Essa interação entre as perguntas e o leitor moderno resulta na produção de respostas que infundem um novo significado no texto. No entanto, é crucial para o leitor responsável realizar uma comparação meticulosa entre o significado contemporâneo e o sentido original do texto em seu contexto histórico. Esse processo circular, é a chamada Teoria da Resposta do Leitor, ainda que seja uma forma moderada da teoria.

Assim, chegamos a algumas conclusões fundamentais:

1. O Evangelho de Marcos, assim como os outros, é um evangelho sem uma comunidade específica claramente identificada, o que implica que seus leitores são diversos e não limitados a um grupo específico.

2. Os leitores, mencionados anteriormente, são convocados a estabelecer uma relação íntima com o texto, e Marcos utiliza as perguntas de Jesus como um meio eficaz para promover essa conexão.

3. Embora as respostas às perguntas de Jesus possam variar entre os leitores, a compreensão precisa do contexto do texto é crucial para determinar o acerto ou erro do sentido atribuído a essas respostas.

4. Ler o Evangelho de Marcos não se limita a adquirir conhecimento sobre a história de Jesus; pelo contrário, é uma atividade que nos coloca diante dos desafiadores questionamentos de Jesus, chamando-nos a responder ao Mestre de maneira significativa e pessoal.

Em suma, este estudo enfatiza a importância da interação dinâmica entre as perguntas de Jesus e o leitor moderno, revelando como essa relação enriquece nossa compreensão do Evangelho de Marcos e nos desafia a uma profunda reflexão espiritual e pessoal.

1. Introdução

A abordagem hermenêutica conhecida como Teoria da Resposta do Leitor nos desafia com uma série de intrigantes questões: Será possível mergulhar na leitura sem trazer consigo um conjunto de crenças pré-estabelecidas? Pode alguém realmente ler sem ser influenciado por suposições enraizadas em sua mente há muito tempo? Afirmar que um intérprete pode se manter completamente neutro na leitura pode soar como um ideal inatingível. Em última análise, mesmo os leitores mais rigorosamente exegéticos acabam se tornando, de alguma forma, eisegéticos, dependendo da perspectiva de alguém ainda mais estritamente exegético do que eles próprios. Todos nós trazemos nosso próprio conjunto de informações para o texto que não está explicitamente escrito nas palavras, e buscamos iluminar o texto com conhecimentos externos, preenchendo as lacunas entre palavras e frases para formar uma imagem completa. Essa prática é perfeitamente natural e, como argumentaremos, inevitável. O que não é apropriado é a alegação de que uma leitura literal está isenta desse processo, a ideia de que a leitura se limita a extrair o que já está presente no texto. Portanto, ao interpretar, nenhum leitor deve iludir-se pensando que sua interpretação se resume simplesmente a reproduzir o que o texto afirma, sem que seus próprios pressupostos participem ativamente na construção do significado. É nesse contexto que propomos, neste artigo, explorar a interação entre o leitor e o texto, reconhecendo que o significado de um texto emerge dessa interação.[2]

Ao aplicar essa abordagem à análise de textos bíblicos, não podemos negligenciar o fato de que esses textos são obras literárias complexas. O Evangelho de Marcos, por exemplo, é uma criação literária que, conforme Bird e Wright sugerem, pode ter sido influenciada pela pregação de Pedro. Pedro é notavelmente o primeiro e o último discípulo mencionado no evangelho, e muitas das histórias podem ser interpretadas como reminiscências de suas experiências. Cranfield argumenta que o propósito central de Marcos, evidenciado já no primeiro versículo, é apresentar as "boas novas" e testemunhar a identidade de Jesus como o Messias e o Filho de Deus. No entanto, esse propósito é compartilhado por todos os quatro evangelhos. O que torna o Evangelho de Marcos único é sua capacidade de atender às necessidades catequéticas e litúrgicas da igreja, fortalecendo a fé dos crentes diante da ameaça do martírio e fornecendo material para os pregadores missionários.[3][4]

Com essa introdução, enfatizamos que tanto os leitores quanto os textos têm pressupostos e que a retórica aparentemente simples do Evangelho de Marcos tem o potencial de dialogar profundamente com os leitores. Nosso objetivo é aplicar a Teoria da Resposta do Leitor para que as perguntas feitas por Jesus neste evangelho tenham significado e relevância para nós nos dias de hoje.Neste artigo, apresentaremos em detalhes a Teoria da Resposta do Leitor e como a aplicamos ao estudo do Evangelho de Marcos. Discutiremos a tese de Bauckham sobre a natureza dos destinatários do evangelho e sua relação com nossa abordagem. Por fim, exploraremos como as perguntas no Evangelho de Marcos servem como portas que nos conduzem mais profundamente no texto, usando Marcos 10 como um exemplo ilustrativo. Este artigo desempenha um papel crucial nos estudos bíblicos ao combinar a hermenêutica e a filosofia da Teoria da Resposta do Leitor com a análise retórica das perguntas no Evangelho de Marcos.

2. O uso da Hermenêutica da Resposta do Leitor

Na história da interpretação bíblica tivemos fases onde a busca por aquilo que o autor quis dizer era o alvo, porém esse alvo passou da intenção autoral para o texto. Ou seja, a busca passou a ser por entender aquilo que o texto afirma. Em tempos recentes a busca pelo sentido deixou de ser o autor e o texto, agora o foco está em procurar entender como o leitor ajuda na construção de significado. Conforme Leonel afirma sobre:

A partir do Formalismo Russo do início do século XX, do Novo Criticismo norte-americano dos anos 1920-50 e do Estruturalismo francês da década de 1960. Esses movimentos, cada um à sua forma, questionavam o papel central do autor na determinação do sentido de uma obra. Em seu lugar foram colocados o “texto”, principalmente nas tendências acima mencionadas e, mais recentemente, o “leitor”, mediante a História da Leitura, uma vez que, de modo prático, é este que determina o sentido de uma obra. Isso obviamente não significa que o sentido pretendido pelo autor deve ser abandonado, e que toda e qualquer leitura deve ser aceita. A leitura deve ser concebida como momento final proposto pelo texto literário. Mais do que isso, ela será determinada por leituras prévias, por memórias trazidas pelo leitor, e por contextos sociais, culturais, religiosos, etc. que motivam diferenças de leitores e de leituras.[5]

De fato, há algumas dificuldades neste modo de se interpretar. Esse tipo de interpretação tem sido chamado de resposta do leitor. Alguns entendem que o sentido do texto sendo encontrado na resposta do leitor é uma eixegese. Porém, a busca pela intenção autoral também não é uma eixegese? Em “The Intentional Fallacy”, Wimsatt e Bearsley argumentaram que, como ninguém sabe o que se passa na mente de um autor, as intenções desse autor permanecem inacessíveis. Às vezes, os autores escrevem com motivos puros, às vezes não. Basear a interpretação de um texto na intenção do autor implica a capacidade de um intérprete de “ler a mente”. Como a noção de que qualquer leitor poderia ler os pensamentos privados do autor é absurda, identificar o significado com intenção autoral é, portanto, impossível. Ou seja, a busca pela intenção autoral é uma forma de impor ao texto um significado, assim como a resposta do leitor, pode em alguns casos ser uma interpretação forçada. [6]

Tradicionalmente, a hermenêutica envolvia a formulação de regras para a compreensão de um texto antigo, especialmente em termos linguísticos e históricos. O intérprete foi levado a começar com a linguagem do texto, incluindo sua gramática, vocabulário e estilo. Ele ou ela examinou seu contexto linguístico, literário e histórico. Em outras palavras, a hermenêutica tradicional começou com o reconhecimento de que um texto era condicionado por um determinado contexto histórico. No entanto, a hermenêutica no sentido mais recente do termo começa com o reconhecimento de que o condicionamento histórico é bilateral: o intérprete moderno, não menos que o texto, está em um determinado contexto histórico e tradição. Portanto, se o autor estava condicionado a um contexto que modela aquilo que ele escreve, o leitor está condicionado a um contexto que modela o modo pelo qual ele ou ela lê e compreende o sentido do texto. [7]

Nós não conseguimos interpretar o texto sem irmos ao texto como participantes daquilo que estamos analisando. A vida como ela é, faz com que sejamos mais do que meros observadores da realidade. Somos participantes não apenas observadores do mundo através de uma percepção abstrata e distanciada das coisas. Heidegger repetidamente critica o ideal de um observador neutro ou desinteressado como a distorção criada pelas descrições filosóficas e epistemológicas da existência humana. Obviamente, não se pode negar que vivemos num mundo de objetos e pessoas, e ainda assim, segundo Heidegger, as noções tradicionais de como vamos entender estas relações não possuem o ponto de partida fundamental - nossa ontologia. O entendimento começa com nossa situação como seres-no-mundo, e não com nosso conhecimento dos outros ou de estar-com-os-outros.[8]

Temos então alguns debates hermenêuticos, a partir da descoberta do papel do leitor na interpretação, que geram uma polarização, de um lado aqueles que não veem a importância do leitor para a construção de sentido do texto e outros que não veem a importância da intenção autoral. Craig Keener cita Thiselton para gerar um equilíbrio de visões, o estudo seminal de Thiselton, assim, conclui com a observação vital: "O objetivo hermenêutico é o de um progresso contínuo em direção a uma fusão de horizontes. Mas isso deve ser alcançado de tal modo que a particularidade de cada horizonte seja levada em consideração e respeitada plenamente. Isso significa tanto respeitar os direitos do texto quanto permitir que ele fale”. Portanto, tanto o horizonte do texto quanto o horizonte do leitor deve ser levado em consideração. O primeiro horizonte não pode definir plenamente nossa experiência de leitura, mas ele deve ser fundacional para as analogias que extraímos. [9][10]

Alguns dos críticos da resposta do leitor concluíram que essa hermenêutica tira todo o sentido do texto, Vanhoozer ao comentar sobre essas críticas afirma que tem certa resistência a essa dicotomia infeliz entre um significado que é absolutamente cognoscível e um que é absolutamente indecidível. Nenhuma dessas opções possibilita uma resposta responsável da parte do leitor. Minha tese é a de que, ao ler, nós nos deparamos com um outro que nos exorta a responder. Portanto, o leitor ao responder ao texto ele está construindo sentido para o mesmo. Mesmo com o risco de nos equivocarmos, propomos que, quando ele se envolve com o texto bíblico, ele realmente "constrói" o sentido.[11][12]

Todavia, precisamos lembrar que a hermenêutica da resposta do leitor possui níveis diferentes. Não estamos propondo uma leitura onde o contexto histórico-gramatical é simplesmente silenciado em detrimento da voz do leitor. Uma visão teológica equilibrada é normalmente holística, ou seja, nunca toma a parte pelo todo, mas procura sempre olhar a parte a partir de todo. Portanto, cabe perguntar: O sentido espiritual do tento que é fato de uma leitura alegórica pode ser desprezado? A intenção do autor pode ser jogada fora? E os leitores com seus respectivos contextos devem ser abandonados? A resposta é um sonoro não para cada uma dessas perguntas. Do ponto de vista holístico, a nossa leitura bíblica deve buscar o sentido espiritual, literal e contextual das Escrituras. O leitor responsável está a meio caminho entre a conformidade e a criatividade, nem repetindo servilmente nem inventando livremente.[13][14]

Umberto Eco distingue decisivamente entre textos “abertos” e “fechados”. Textos “fechados” são aqueles em que a resposta do leitor é predeterminada antecipadamente em termos de receber os “pensamentos” ou mensagem do autor de uma única maneira “corretamente”. Na vida cotidiana, um farmacêutico não “interpreta” a receita médica de um médico como ele ou ela gosta, mas fornece ao paciente o que a receita exige. As instruções de um kit ou manual de um carro são um texto “fechado”. “A água atingiu três pés” é preciso e inequívoco. Mas “A água atingiu o nível de perigo” pode permitir uma pequena discussão na definição de “perigo”. Que grau de risco está envolvido? O texto está quase fechado, mas também parcialmente “aberto”. Aplicando isso ao nosso estudo, devemos entender que de algum modo o texto bíblico não é um texto ultra fechado e nem um texto em que podemos interpretar ao nosso próprio modo. Logo, há espaço para interpretação e sendo assim há espaço para o leitor. Em uma obra Thiselton concorda com Eco afirmando que os teóricos da resposta do leitor têm razão quando estamos considerando o que Lotman (1977) e Umberto Eco (1979, pp. 4-33; 1984, pp. 68-86) chamam de textos “abertos”. Estas são muitas vezes, mas nem sempre, parábolas, poesia, textos hinários ou salmos, e às vezes partes da literatura da sabedoria. Lotman e Eco os chamam de textos “produtivos”, porque podem servir para provocar, seduzir e provocar o leitor a pensar ativamente. [15][16]

A nossa proposta então é que de fato nos importa saber de que modo o texto aberto (ou semi-aberto) das escrituras continua a falar aos leitores contemporâneos, mesmo que em um primeiro momento seja importante olhar para o que Paulo disse, devemos dar um passo a uma segunda fase para construirmos o sentido do texto hoje. Para Westphal podemos chamar a segunda hermenêutica de “aplicação”. Aqui a questão não é mais o que Isaías, Mateus ou Paulo estavam tentando dizer aos seus contemporâneos, mas o que Deus está nos dizendo agora através das palavras que eles escreveram.[17]

Thiselton define de forma precisa o que estamos propondo:

As teorias de resposta do leitor chamam a atenção para o papel ativo das comunidades de leitores na construção do que conta para elas como “o que o texto significa”. Do ponto de vista da interpretação bíblica, uma contribuição potencialmente positiva é oferecida por qualquer modelo hermenêutico teórico que coloque ênfase no papel dos leitores como participativos e ativos. Alguns teóricos da resposta do leitor, mais notavelmente Wolfgang Iser, se baseiam em uma teoria da percepção para estabelecer o papel dos leitores no preenchimento ou conclusão de um significado textual que, de outra forma, permaneceria apenas potencial em vez de real. Em termos teológicos, tal teoria parece estar coerente com as expectativas de que a leitura do texto bíblico não deve constituir um exercício para espectadores passivos, mas um processo agitado, ativo e criativo.[18]

Um importante proponente da teoria da resposta do leitor, Robert Flower afirma que embora talvez de fato “leitores fazem sentido”, tais slogans simplificam demais. Dizer que o leitor é tudo, do jeito que alguns críticos de resposta ao leitor fazem, é enganoso. Praticamente falando, o texto é importante, o leitor é importante e a comunidade interpretativa que fornece o contexto no qual o texto e o leitor interagem é importante. No entanto, os leitores e a leitura foram menosprezados, e o equilíbrio deve ser corrigido. Osborne afirma de modo semelhante quando cita Raymond Brown que a igreja fala ao seu próprio tempo, mas o significado literal deve estar em diálogo constante como um controle sobre exageros.[19][20]

Sendo assim, o uso da resposta do leitor que estamos propondo não é aquele exagerado que coloca no leitor todo papel de construção de sentido, mas aquele que vê a história do texto em diálogo com a história do leitor. Olhando para o evangelho de Marcos, Dean Deppe afirma que a camada histórica literal é básica e tem prioridade, mas Marcos emprega a tradição de Jesus para falar com as necessidades de sua comunidade também. Essa abordagem de duas camadas para o evangelho explica o simbolismo redacional empregado no livro.[21]

Grant Osborne, especialista em Evangelhos, afirma que diz aos seus alunos que eles precisam realizar uma “identificação do leitor” com os leitores originais para estudar o significado de uma história para o nosso dia. Ou seja, eles perguntam o que Marcos ou Lucas estão dizendo a seus leitores originais para fazer com a história e depois se alinham com essa ação e perguntam como ela se aplica aos nossos dias.[22]

João Leonel afirma sobre a Estética da Recepção que é muito semelhante a teoria da resposta do leitor que ao utilizar a estética da recepção, pode encontrar um caminho para que textos bíblicos com séculos e mesmo milênios de existência, que falaram para ouvintes de séculos atrás e em contextos diferenciados daqueles em que vivemos, sejam atualizados e se revistam de uma capacidade renovada de motivar, questionar, mover leitores. Esse é um “efeito” esperado em textos, principalmente os bíblicos.[23][24]

Para ilustrar utilizamos o gráfico de Thiselton sobre o modo de leitura bíblica daqueles que seguem um modo moderado da hermenêutica da resposta do leitor:[25]

Autor => Texto < = > Leitor.

Portanto, olharemos para o contexto de Marcos, para o texto de Marcos e então vamos procurar de que modo o leitor moderno é convidado a responder ao texto.

3. A Ausência de uma Comunidade Específica como Destinatária

Para defender a ausência de uma comunidade específica vamos apresentar a tese de Richard Bauckham sobre a ausência de uma comunidade específica como destinatária dos Evangelhos, um breve resumo do seu trabalho "For whom were Gospels written?” (University of Pretoria, 1999, p. 865-882.) já nos ajuda a compreender o que estamos propondo.[26]

Na introdução, Bauckham explora duas questões-chave relacionadas à escrita dos Evangelhos. Primeiro, se os Evangelhos foram escritos para cristãos ou não-cristãos, com foco na audiência cristã predominante. Segundo, se foram destinados a uma audiência cristã específica ou a uma audiência cristã geral. Bauckham destaca que a primeira pergunta foi ocasionalmente debatida, enquanto a segunda, curiosamente, nunca foi discutida, apesar de ter implicações significativas na pesquisa dos Evangelhos. Ele argumenta que a visão predominante de que cada evangelista escreveu seu Evangelho para uma comunidade específica merece ser questionada, propondo uma visão alternativa de que os evangelistas podem ter imaginado uma audiência mais ampla, compreendendo várias igrejas. Bauckham destaca a importância de iniciar uma discussão sobre essa questão e reconhece que desafiar o consenso acadêmico é uma tarefa difícil, mas que ele busca pelo menos abrir o debate. Ele inicia seu argumento preliminar argumentando que, dado que Mateus e Lucas tinham acesso ao Evangelho de Marcos e sabiam que já estava circulando em várias igrejas, é mais provável que eles também tenham imaginado uma audiência ampla para seus próprios Evangelhos. Bauckham sugere que a visão de uma audiência restrita em suas próprias comunidades não deve ser tomada como óbvia e autoevidente.

No primeiro ponto do artigo Bauckham argumenta que a visão de que cada evangelista escreveu para sua própria comunidade é uma ideia antiga na pesquisa britânica e se tornou influente quando alguns críticos da redação passaram a ler os Evangelhos como dirigidos às circunstâncias específicas de cada comunidade. Ele observa que essa visão confunde as questões de contexto de escrita e audiência.

Bauckham também argumenta que o trabalho dedicado à reconstrução das comunidades dos Evangelhos e à interpretação de seus textos à luz dessas comunidades não fornece evidência sólida para a visão predominante. Ele destaca que muitos argumentos nesse sentido se baseiam na suposição de que todas as indicações textuais do caráter e das circunstâncias da audiência devem se aplicar a toda a audiência implícita, o que ele considera inadequado. Portanto, ele sugere que uma estratégia de leitura baseada na suposição oposta poderia ser igualmente ou até mais bem-sucedida.

O segundo ponto de Bauckham, ele argumenta que a abordagem de ler os Evangelhos como se fossem cartas apostólicas dirigidas a comunidades específicas é inadequada. Ele contrasta os Evangelhos com as epístolas paulinas, enfatizando que os Evangelhos têm um gênero diferente e que a escrita deles não é motivada pela necessidade de se comunicar com uma comunidade local específica, como no caso das cartas. Bauckham questiona por que um evangelista escreveria um Evangelho quando poderia ensinar oralmente sua comunidade, e sugere que a principal função da escrita era a capacidade de alcançar leitores distantes e desconhecidos, o que se encaixa melhor com a ideia de uma audiência cristã geral. Ele argumenta que a literatura religiosa judaica da época, que serviu como modelo para os evangelistas, circulava entre as comunidades da diáspora e, portanto, o Evangelho teria sido escrito com a intenção de circular amplamente entre os cristãos de língua grega em todos os lugares.

Bauckham argumenta que o movimento cristão primitivo era uma rede de comunidades em comunicação constante, o que torna improvável a ideia de que os Evangelhos foram escritos exclusivamente para uma única comunidade. Ele aponta várias evidências, como a alta mobilidade e comunicação no mundo romano do primeiro século, a mobilidade dos líderes cristãos, a prática de enviar cartas de uma igreja para outra e o conflito e diversidade no cristianismo primitivo, para apoiar sua visão. Portanto, ele desafia a visão de que os Evangelhos tinham como público-alvo apenas uma comunidade específica e argumenta que a ideia de escrever um Evangelho exclusivamente para uma única comunidade é improvável.

Por fim, Bauckham conclui destacando vários pontos hermenêuticos. Primeiro, ele argumenta que a tentativa de atribuir um papel hermenêutico-chave às comunidades mateanas, marcanas, lucanas e joaninas na interpretação dos Evangelhos está equivocada, pois os Evangelhos não se dirigem a essas comunidades em particular. Portanto, essas comunidades não têm relevância hermenêutica e não podemos reconstruir detalhadamente sua identidade.

Segundo, ele enfatiza que seu argumento não descontextualiza os Evangelhos, pois eles ainda estão enraizados no contexto mais amplo do movimento cristão primitivo no Império Romano do final do primeiro século. Isso não os torna obras literárias autônomas, mas contextualiza-os de maneira apropriada.

Terceiro, Bauckham observa que seu argumento suaviza o caminho hermenêutico, reduzindo a ênfase na relevância hermenêutica das comunidades específicas para a interpretação dos Evangelhos. Ele aponta que, historicamente, os leitores não perceberam a relevância hermenêutica da “comunidade mateana”.

A tese proposta por Bauckham é importante para nossa observação do evangelho de Marcos principalmente porque a partir da sua tese ele critica o desejo equivocado de buscar especificidade histórica em excesso na interpretação dos textos, argumentando que os textos variam na medida em que são específicos ao contexto. Para Bauckham em seu artigo os Evangelhos são textos relativamente abertos, e a interpretação não deve ser excessivamente condicionada pela busca de detalhes específicos do contexto original das comunidades.[27]

Portanto, a tese de Bauckham demonstra que os evangelhos foram escritos para mais de uma comunidade, ou foram escritos para circular entre diferentes comunidades. Sendo assim, mesmo que possa ser um salto hermenêutico a partir do que Bauckham afirma, nós como comunidades cristãs podemos ler o texto de Marcos da mesma forma que os primeiros leitores, isto é, podemos ler o evangelho de Marcos como um texto relativamente aberto e a interpretação não necessita excessivamente de um conhecimento das comunidades originais, em vez disso o evangelho fala a nossa comunidade, o evangelho fala a igreja (ou a igrejas).

4. Perguntas de Jesus como portas para o diálogo

Os dois pontos apresentados anteriormente podem ser definidos da seguinte maneira: o evangelho de Marcos não possui uma comunidade específica e o leitor é convidado a responder ao texto, neste relacionamento entre o texto em seu contexto e o leitor surge a resposta à pergunta: o que o texto nos diz hoje?

Marcos não escreve apenas para contar uma história, ele escreve para que os leitores tenham uma mudança. O conhecimento literário não é uma questão de factualidade desinteressada. A maioria dos autores não escreve simplesmente para transmitir informações, mas para afetar seus leitores de alguma outra maneira. Michael Bird e N. T. Wright afirmam:[28]

Marcos tem uma utilidade evangelística óbvia. O leitor não pode escapar da pergunta assombrosa: ‘Quem é Jesus?’ (Veja Mc 2.7; 4.41; 6.2; 8.27, 29; 14.60). Os títulos que Marcos usa para Jesus (filho de Deus, Messias, filho do Homem, filho de Davi e senhor) dão parte da resposta, mas é a história que ele conta, do reino-trabalho de Jesus e sua conclusão chocante, que aponta para a verdadeira resposta. Jesus, insiste Marcos, é o Servo-Rei-Rei de Israel, incorporando a própria presença do Deus de Israel. Ele adverte sobre o julgamento vindouro, mesmo enquanto abre o convite do reino. Ele mesmo confronta o leitor, ambos com ‘Quem você diz que eu sou?’ (Mc 8.29) e ‘Venha, siga-me!’ (Mc 1.17; 2.14; 8.34; 10.21).

Portanto, Bird e Wright de algum modo também concorda que Marcos chama o leitor a ter uma resposta diante do texto. Ben Witherington III comentando sobre Mc 12.9 afirma que é intrigante ver o que Mateus e Lucas fazem com o final da parábola em vv. 7-8. Eles expulsam o filho da vinha e depois matam, em vez do contrário, como em Marcos. Isso provavelmente reflete uma reorganização cristã da história para se adequar aos fatos sobre a crucificação de Jesus fora de Jerusalém. Isso, por sua vez, fala a favor da primitividade da história em sua forma marcana. Witherington mostra que o versículo 9 de Mc 12 serve como uma questão retórica, convidando o público a contemplar como o proprietário responderá aos abusos chocantes de seus servos e filhos. Mas a pergunta então é respondida diretamente pelo próprio Jesus.[29]

Rhoads afirma que dentro desta breve história, os personagens fazem um número extraordinário de perguntas, na maioria das vezes retóricas, ou seja, perguntas para as quais não se espera resposta ou apenas uma resposta pode ser considerada correta. Como o modo interrogativo intensifica os conflitos entre os personagens, o leitor se absorve na narrativa, aguardando respostas às perguntas e resoluções dos conflitos. As perguntas também revelam o caráter dos personagens.[30]

O argumento de Rhoads sobre as perguntas em Marcos é que as perguntas criam tensão, revelam personagens e envolvem os leitores, levando-os a pensar nas respostas. Jesus usa tais perguntas para expressar surpresa e frustração com seus discípulos e desafiar as autoridades, aumentando sua autoridade. As perguntas dos discípulos mostram sua falta de compreensão e fé. As autoridades usam perguntas para testar Jesus e expressar hostilidade. Perguntas retóricas são usadas dramaticamente na narrativa.[31]

Deste modo, as perguntas, especialmente aquelas que não esperam respostas, fazem com que os leitores se envolvam na história, estimulando-os a refletir sobre as respostas por conta própria ou a ficar curiosos sobre como serão respondidas ao longo da narrativa. Portanto, ao olharmos para o evangelho de Marcos como um evangelho escrito para diversas comunidades e o leitor como alguém que participa na construção de significado, as perguntas feitas por Jesus dentro do evangelho de Marcos convidam o leitor a respondê-las para que o texto tenha sentido para o leitor do século XXI.

5. Exemplo de Diálogo entre o Leitor e as Perguntas de Jesus

No evangelho de Marcos Jesus faz 21 perguntas, quando o leitor se depara com essas perguntas ele deve procurar respondê-las de uma maneira apropriada em seu contexto moderno. Para exemplificarmos o modo como o leitor pode criar sentido ao texto nós utilizaremos Marcos 10. Em Marcos 10.1-31 aproximadamente a primeira metade de Marcos 10 trata de questões familiares, incluindo casamento, divórcio, filhos e o efeito do discipulado nas obrigações familiares e posses familiares também. O efeito líquido de todos os ensinamentos de Jesus sobre esses assuntos é deixar claro que o custo do discipulado e da vida pelos princípios do domínio é alto, de fato muito alto para alguns (como o jovem rico) aceitarem. Nesse contexto aparece duas perguntas de Jesus, no versículo 3 ele pergunta: “o que Moisés disse na Lei a respeito do divorcio?” , essa pergunta de Jesus. Faz o leitor refletir sobre a Lei, ainda que os fariseus respondem a pergunta no versículo 4, o leitor está vendo que o contexto que Jesus fala isso é a tentativa de pegar Jesus em uma armadilha (versículo 2), portanto, a pergunta de Jesus no modo como Marcos conta a história faz com que o leitor pare, pense e responda Jesus sobre a pergunta, para depois seguir sua leitura. A questão é que o leitor não pode responder à sua maneira o que Jesus pergunta, se observamos com atenção, os próprios fariseus respondem de forma equivocada o que Jesus pergunta. Os verbos nesta troca de abertura são interessantes. Jesus pergunta sobre mandamentos (εντελλόμαι), mas eles respondem em termos de permissão (επίτρεπω). Isso reflete a natureza equívoca da base legal do divórcio em Dt 24.1-4. Essa passagem não é ‘mandamento especificamente, ou mesmo permitindo, o divórcio, mas regula (o v. 4) a situação que resulta após um divórcio ter acontecido e ter sido devidamente certificado: v. 1-3 consistem apenas em cláusulas condicionais que estabelecem o cenário para o qual o v. 4 fornece uma decisão legal (que o marido que se divorciou de sua esposa não pode se casar novamente com ela). Jesus então explica e dá o entendimento correto a pergunta que Ele fez. A pergunta de Jesus era sobre o que Moisés ordenou, e eles tentaram respondê-lo, naturalmente, a partir do material legal dos livros de Moisés. Mas o Pentateuco contém mais do que os próprios códigos da lei, e Jesus agora vai mostrar como ‘Moisés’ (neste sentido mais amplo) oferece uma perspectiva muito diferente, que se encaixa melhor na categoria de ‘mandamento’ do que o texto legal tradicional que eles citaram. Nós leitores do século XXI somos convidados a responder: “O que Moisés diz sobre o divórcio?”, mas ao responder somos levados a resposta de Jesus para averiguar nossas respostas.[32][33][34][35]

Mais à frente no versículo 18, Jesus faz uma outra pergunta: “Por que me chamas de bom?”, este versículo aparentemente levanta uma objeção à maneira como o homem se dirigiu a Jesus, mas o ponto não é seguido, e somos deixados para adivinhar qual foi a objeção. Talvez Jesus suspeite de lisonja no discurso fulsome, e esticando o significado de αγαθός ao ponto da perfeição questiona sua adequação a qualquer homem. Marcos como vimos acima é escrito para algumas igrejas em contextos diferentes, essas igrejas e nós leitores modernos, não podemos ser leitores passivos. Quando Jesus pergunta, nós somos convidados a responder. Talvez estejamos destinados a pensar que esse homem acreditava que ele e Jesus eram bons homens por causa de suas ações, e notar como Jesus responde em termos de ações. Como diz Hurtado, o v. 18 é uma repreensão à ideia de que os seres humanos podem ser chamados de bons por causa de suas ações, ou que o bem final na vida (vida eterna) pode ser feito. Sendo assim, a pergunta de Jesus vem a nós: “por que chamamos de bom?”, e quando respondemos o texto leva-nos a refletir se nossa resposta está de acordo com a repreensão feita por Jesus, ou seja, nossa resposta demonstra a diferença existente entre nós e Jesus?[36][37]

A pergunta do versículo 36 é a mesma do 51, por isso analisa-as juntas, observemos a pergunta do versículo 38: “[vocês] são capazes de beber do cálice que beberei? São capazes de ser batizados com batismo que serei batizado?” No versículo 39, as duas imagens são paradoxalmente aplicadas a Tiago e João. Eles indicam que os irmãos participarão dos sofrimentos de Jesus (cf. 1 Pe 4:13). Deve haver uma solidariedade entre o Filho do Homem e seus discípulos, e isso é expresso não apenas por sua aceitação grata de sua proteção e favor, mas também por seguir seu exemplo de humildade e serviço, se necessário na medida da morte. A descrição do discipulado implícito está em conformidade com o Mc 8:34–38. A referência, no entanto, não é exclusiva nem necessariamente ao martírio, pois a imagem do batismo não é encontrada nesse sentido na literatura cristã até a virada do século II.87 Em vez disso, Jesus profetiza que os filhos de Zebedeu, como ele, suportarão grande tribulação e sofrimento pelo evangelho (cf. At 12:2; Ap 1:9). [38]

Perrin afirma que sobre a audiência de Marcos é suficiente destilar apenas um pequeno conjunto de pontos acordados: a audiência de Marcos era composta por cristãos judeus e gentios submetidos por coação envolvendo perseguição externa (de ambos os quadrantes judeus e romanos) e tensões internas resultantes de tal perseguição (Donahue, 17-26; Roskam, 72-74; Winn, 173-77). Portanto, a pergunta de Jesus aos discípulos é feita aos leitores imediatos que estavam sofrendo, e também é feita a nós no século XXI: “somos capazes de sofrer com Cristo?” Sua resposta pode variar, mas ao responder e voltar ao texto Jesus mostra que de fato se estivermos unidos com Ele, beberemos o cálice e passaremos pelo batismo. [39]

A pergunta que nos resta observar é: “o que queres que lhes faça?”. Essa pergunta aparece no versículo 36 e 51, a pergunta é destinada a discípulos e a um mendigo cego. Perguntar a um cego o que ele quer pode parecer uma pergunta sem sentido, porém Garland faz observações importantes nessas perguntas iguais no capítulo 10 de Marcos:

Os fariseus queriam ser mais espertos que ele e prendê-lo (10:2). O homem rico queria segurança eterna a um custo mínimo (10:17). Tiago e João queriam ser os principais funcionários da burocracia do reino (10:35–36). Um mendigo cego pode querer apenas dinheiro, mas Bartimeu quer ver novamente. “O que você quer que eu faça por você?” É a pergunta mais importante que Deus já nos fez, e aquela para a qual mais frequentemente damos a resposta errada. Pedimos todas as coisas erradas na vida. Pode-se pensar em muitos exemplos, mas Marcos fornece dois notáveis. Herodes faz a sua enteada dançante essencialmente a mesma pergunta: “Pergunte-me o que você quiser” (6:22). Sua resposta: “A cabeça de João Batista.” Pilatos faz a mesma pergunta à multidão (15:9, 12). A resposta deles: “Barsabás” e “Crucifique-o!” Nossa resposta a esta pergunta revela se queremos a morte ou a vida, se queremos ser curados de nossa cegueira ou se queremos usar egoisticamente Deus para cumprir nossas ordens e cumprir nossos próprios desejos.[40]

Ou seja, a Jesus pergunta aos seus seguidores hoje: o que vocês querem? Com certeza as respostas serão completamente variadas, todavia todas elas são levadas a serem confrontadas com o texto para que o texto defina se nós entendemos ou não o tom da pergunta de Jesus. Indo a prática, alguns podem responder que querem coisas materiais supérfluas e então são confrontadas como os discípulos. Outros querem uma condição melhor para seguir Jesus, então eles ouvirão: vai sua fé o curou. Poderíamos listar inúmeras respostas que podemos dar a essa pergunta de Jesus, construindo assim um significado moderno ao texto antigo, porém não podemos esquecer de que o significado que criamos hoje em nosso contexto deve ser confrontado com o horizonte do autor e do texto.

Considerações finais

Com a análise apresentada neste artigo, torna-se evidente que as perguntas contidas no Evangelho de Marcos não apenas podem, mas devem ser consideradas pelo leitor contemporâneo. Essa interação entre as perguntas e o leitor moderno resulta na produção de respostas que infundem um novo significado no texto. No entanto, é crucial para o leitor responsável realizar uma comparação meticulosa entre o significado contemporâneo e o sentido original do texto em seu contexto histórico. Esse processo circular, é a chamada Teoria da Resposta do Leitor, ainda que seja uma forma moderada da teoria.

Assim, chegamos a algumas conclusões fundamentais:

1. O Evangelho de Marcos, assim como os outros, é um evangelho sem uma comunidade específica claramente identificada, o que implica que seus leitores são diversos e não limitados a um grupo específico.

2. Os leitores, mencionados anteriormente, são convocados a estabelecer uma relação íntima com o texto, e Marcos utiliza as perguntas de Jesus como um meio eficaz para promover essa conexão.

3. Embora as respostas às perguntas de Jesus possam variar entre os leitores, a compreensão precisa do contexto do texto é crucial para determinar o acerto ou erro do sentido atribuído a essas respostas.

4. Ler o Evangelho de Marcos não se limita a adquirir conhecimento sobre a história de Jesus; pelo contrário, é uma atividade que nos coloca diante dos desafiadores questionamentos de Jesus, chamando-nos a responder ao Mestre de maneira significativa e pessoal.

Em suma, este estudo enfatiza a importância da interação dinâmica entre as perguntas de Jesus e o leitor moderno, revelando como essa relação enriquece nossa compreensão do Evangelho de Marcos e nos desafia a uma profunda reflexão espiritual e pessoal.

Notas

[1] Mestrando em Estudo Bíblicos do Novo testamento (STJE), Especialista em Teologia do Novo testamento (STJE), Bacharel em Teologia (UNIGRAN). Pastor na ICPI em Florianópolis-SC. E- mail: otonielbarbosa52@gmail.com

[2] Deppe, Dean. The Theological Intentions of Mark’s Literary Devices. Eugene: Wipf and Stock Publishers, 2015. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/882453/the-theological-intentions-of-marks-literary-devices-markan-intercalations-frames-allusionary-repetitions-narrative-surprises-and-three-types-of-mirroring-pdf).

[3] Wright, N. and Bird, M. The New Testament in Its World. Grand Rapids: Zondervan Academic, 2019. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/1193147/the-new-testament-in-its-world-an-introduction-to-the-history-literature-and-theology-of-the-first-christians-pdf).

[4] Cranfield, C.E.B. The gospel according to Saint Mark: an introduction and commentary. Cambridge: Cambridge University Press, 1959.

[5] Leonel, J. (2012). Estética da recepção como exemplo de contribuição da teoria literária para a teologia exegética. TEOLITERARIA - Revista De Literaturas E Teologias, 2(4), 100–122. Para Leonel a teoria da resposta do leitor é Reader Response, versão de língua inglesa muito próxima ou mesmo idêntica à estética da recepção e mais conhecida pelos exegetas.

[6] Menzies, G.W. Echoing Hirsch: Do Readers Find or Construct Meaning? Em: Acher, K. e Oliverio, L. Constructive Pneumatological Hermeneutics in Pentecostal Christianity. New York: Christianity and Renewal, 2016, p.84.

[7] Thiselton, A. Thiselton on Hermeneutics. 1ed. Taylor and Francis. Grand Rapids: Eerdmans, 2017. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/1487264/thiselton-on-hermeneutics-the-collected-works-and-new-essays-of-anthony-thiselton-pdf).

[8] Porter, Stanley e Robinson, Jason. Hermenêutica: uma introdução à teoria da interpretação. Eusébio: Peregrino, 2019, p.88.

[9] Keener, Craig. A hermenêutica do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2018 p.257.

[10] Ibid. p.259

[11] Vanhoozer, Kevin. Há um significado neste texto? São Paulo: Editora Vida, 2005, p.425.

[12] Blomberg, Craig; Hubbard, Robert e Klein, William. Introdução a interpretação bíblica. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017, p.336

[13] Fernandes, Gutierres e Terra, Kenner. Autoridade Bíblica e experiência no Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020, p.153

[14] Vanhoozer, Kevin. Há um significado neste texto? São Paulo: Editora Vida, 2005, p.462

[15] Thiselton apresenta essa distinção de Eco em Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2009. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf) (não paginado).

[16] Thiselton, A. Can the Bible Mean Whatever We Want It to Mean? University of Chester Press, 2013. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/2723827/can-the-bible-mean-whatever-we-want-it-to-mean-pdf). (Não paginado).

[17] Merold Westphal em: Porter, S. and Stovell, B. Biblical Hermeneutics. Westmont: InterVarsity Press, 2012. Disponível em: https://www.perlego.com/book/971034/biblical-hermeneutics-five-views-pdf Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2009. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf

[18] Thiselton, A. Thiselton on Hermeneutics. 1ed. Taylor and Francis. Grand Rapids: Eerdmans, 2017. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/1487264/thiselton-on-hermeneutics-the-collected-works-and-new-essays-of-anthony-thiselton-pdf).

[19] Flower, Robert. Let the reader understand: reader-response criticism and the Gospel of Mark. Minneapolis: Fortress Press, 1991, p.26

[20] Osborne, G. The Hermeneutical Spiral. Westmont: InterVarsity Press, 2010. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3270146/the-hermeneutical-spiral-a-comprehensive-introduction-to-biblical-interpretation-pdf).

[21] Deppe, Dean. The Theological Intentions of Mark’s Literary Devices. Eugene: Wipf and Stock Publishers, 2015. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/882453/the-theological-intentions-of-marks-literary-devices-markan-intercalations-frames-allusionary-repetitions-narrative-surprises-and-three-types-of-mirroring-pdf).

[22] Osborne, G. The Hermeneutical Spiral. Westmont: InterVarsity Press, 2010. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3270146/the-hermeneutical-spiral-a-comprehensive-introduction-to-biblical-interpretation-pdf).

[23] Leonel, J. (2012). Estética da recepção como exemplo de contribuição da teoria literária para a teologia exegética. TEOLITERARIA - Revista De Literaturas E Teologias, 2(4), 100–122.

[24] Veja o que fala Antonio Paula Benatte (em “os pentecostais e a Bíblia no Brasil: Aproximações mediante a estética da recepção”. Revista Rever V.12 n.1) “A estética da recepção desloca, assim, a historicidade dos modos de produção do texto para os modos de sua recepção, não para invalidar o primeiro enfoque, mas para complementá-lo, fazendo, assim, da literatura e da história da literatura, uma imagem mais complexa. Não se trata, portanto, de uma primazia hermenêutica da recepção sobre a produção, mas do reconhecimento de que produtores, receptores e diversos mediadores são partes ativas na produção e significação dos textos. Para essa corrente teórica, é necessário levar em conta as disposições receptivas que correspondem a diferentes horizontes de expectativas de leitores e ouvintes individuais em contextos comunitários historicamente situados. É a prática de leitura que realiza e atualiza o texto, dotando-o de sentidos concretos e produzindo efeitos específicos e contingentes”. Com essa definição podemos ver a semelhança entre estética da recepção e teoria da resposta do Leitor.

[25] Figura 3 em Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2009. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf).

[26] Este artigo é uma versão resumida do argumento apresentado com mais detalhes no capítulo I de "Richard Bauckham (ed), The Gospels for all Christians: Rethinking the Gospel audiences." Grand Rapids: Eerdmans/Edinburgh: T & T Clark, 1997.

[27] Ele inclusive cita Umberto Eco neste trecho do Artigo.

[28] Vanhoozer, Kevin. Há um significado neste texto? São Paulo: Editora Vida, 2005, p. 424.

[29] Witherington, Ben. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2001. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3537426/the-gospel-of-mark-a-sociorhetorical-commentary-pdf).

[30] Rhoads, David e Michie, Donald. Mark as story. Minneapolis: Fortress Press, 1982, p.49.

[31] IBID, p.49-50.

[32] Mc 2.8-9; 2.25; 3.33; 4.40; 5.30,39; 8.12,17,36-37; 9.16,33; 10.3,18,36,38,51; 12.9,15;14.6,36. Listamos como perguntas aquelas frases de Jesus onde aparece a expressão τίς, pode haver outras perguntas que não contém a partícula interrogativa.

[33] Witherington, Ben. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2001. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3537426/the-gospel-of-mark-a-sociorhetorical-commentary-pdf).

[34] France, R.T. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publisher, 2002, p.533.

[35] Ibid

[36] Ibid

[37] Witherington, Ben. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2001. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3537426/the-gospel-of-mark-a-sociorhetorical-commentary-pdf).

[38] Lane, William. The Gospel of Mark. Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1974. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015732/the-gospel-of-mark-pdf.

[39] Em Green, Joel, Jeannine Brown, and Nicholas Perrin. Dictionary of Jesus and the Gospels (2nd Edn). Westmont IVP, 2020. https://www.perlego.com/book/1470255/dictionary-of-jesus-and-the-gospels-2nd-edn-a-compendium-of-contemporary-biblical-scholarship-pdf.

[40] Garland, David. Mark. Grand Rapids: Zondervan Academic, 2011. Disponível em: https://www.perlego.com/book/560456/mark-pdf.

[1] Mestrando em Estudo Bíblicos do Novo testamento (STJE), Especialista em Teologia do Novo testamento (STJE), Bacharel em Teologia (UNIGRAN). Pastor na ICPI em Florianópolis-SC. E- mail: otonielbarbosa52@gmail.com

[2] Deppe, Dean. The Theological Intentions of Mark’s Literary Devices. Eugene: Wipf and Stock Publishers, 2015. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/882453/the-theological-intentions-of-marks-literary-devices-markan-intercalations-frames-allusionary-repetitions-narrative-surprises-and-three-types-of-mirroring-pdf).

[3] Wright, N. and Bird, M. The New Testament in Its World. Grand Rapids: Zondervan Academic, 2019. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/1193147/the-new-testament-in-its-world-an-introduction-to-the-history-literature-and-theology-of-the-first-christians-pdf).

[4] Cranfield, C.E.B. The gospel according to Saint Mark: an introduction and commentary. Cambridge: Cambridge University Press, 1959.

[5] Leonel, J. (2012). Estética da recepção como exemplo de contribuição da teoria literária para a teologia exegética. TEOLITERARIA - Revista De Literaturas E Teologias, 2(4), 100–122. Para Leonel a teoria da resposta do leitor é Reader Response, versão de língua inglesa muito próxima ou mesmo idêntica à estética da recepção e mais conhecida pelos exegetas.

[6] Menzies, G.W. Echoing Hirsch: Do Readers Find or Construct Meaning? Em: Acher, K. e Oliverio, L. Constructive Pneumatological Hermeneutics in Pentecostal Christianity. New York: Christianity and Renewal, 2016, p.84.

[7] Thiselton, A. Thiselton on Hermeneutics. 1ed. Taylor and Francis. Grand Rapids: Eerdmans, 2017. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/1487264/thiselton-on-hermeneutics-the-collected-works-and-new-essays-of-anthony-thiselton-pdf).

[8] Porter, Stanley e Robinson, Jason. Hermenêutica: uma introdução à teoria da interpretação. Eusébio: Peregrino, 2019, p.88.

[9] Keener, Craig. A hermenêutica do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2018 p.257.

[10] Ibid. p.259

[11] Vanhoozer, Kevin. Há um significado neste texto? São Paulo: Editora Vida, 2005, p.425.

[12] Blomberg, Craig; Hubbard, Robert e Klein, William. Introdução a interpretação bíblica. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017, p.336

[13] Fernandes, Gutierres e Terra, Kenner. Autoridade Bíblica e experiência no Espírito. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020, p.153

[14] Vanhoozer, Kevin. Há um significado neste texto? São Paulo: Editora Vida, 2005, p.462

[15] Thiselton apresenta essa distinção de Eco em Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2009. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf) (não paginado).

[16] Thiselton, A. Can the Bible Mean Whatever We Want It to Mean? University of Chester Press, 2013. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/2723827/can-the-bible-mean-whatever-we-want-it-to-mean-pdf). (Não paginado).

[17] Merold Westphal em: Porter, S. and Stovell, B. Biblical Hermeneutics. Westmont: InterVarsity Press, 2012. Disponível em: https://www.perlego.com/book/971034/biblical-hermeneutics-five-views-pdf Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2009. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf

[18] Thiselton, A. Thiselton on Hermeneutics. 1ed. Taylor and Francis. Grand Rapids: Eerdmans, 2017. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/1487264/thiselton-on-hermeneutics-the-collected-works-and-new-essays-of-anthony-thiselton-pdf).

[19] Flower, Robert. Let the reader understand: reader-response criticism and the Gospel of Mark. Minneapolis: Fortress Press, 1991, p.26

[20] Osborne, G. The Hermeneutical Spiral. Westmont: InterVarsity Press, 2010. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3270146/the-hermeneutical-spiral-a-comprehensive-introduction-to-biblical-interpretation-pdf).

[21] Deppe, Dean. The Theological Intentions of Mark’s Literary Devices. Eugene: Wipf and Stock Publishers, 2015. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/882453/the-theological-intentions-of-marks-literary-devices-markan-intercalations-frames-allusionary-repetitions-narrative-surprises-and-three-types-of-mirroring-pdf).

[22] Osborne, G. The Hermeneutical Spiral. Westmont: InterVarsity Press, 2010. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3270146/the-hermeneutical-spiral-a-comprehensive-introduction-to-biblical-interpretation-pdf).

[23] Leonel, J. (2012). Estética da recepção como exemplo de contribuição da teoria literária para a teologia exegética. TEOLITERARIA - Revista De Literaturas E Teologias, 2(4), 100–122.

[24] Veja o que fala Antonio Paula Benatte (em “os pentecostais e a Bíblia no Brasil: Aproximações mediante a estética da recepção”. Revista Rever V.12 n.1) “A estética da recepção desloca, assim, a historicidade dos modos de produção do texto para os modos de sua recepção, não para invalidar o primeiro enfoque, mas para complementá-lo, fazendo, assim, da literatura e da história da literatura, uma imagem mais complexa. Não se trata, portanto, de uma primazia hermenêutica da recepção sobre a produção, mas do reconhecimento de que produtores, receptores e diversos mediadores são partes ativas na produção e significação dos textos. Para essa corrente teórica, é necessário levar em conta as disposições receptivas que correspondem a diferentes horizontes de expectativas de leitores e ouvintes individuais em contextos comunitários historicamente situados. É a prática de leitura que realiza e atualiza o texto, dotando-o de sentidos concretos e produzindo efeitos específicos e contingentes”. Com essa definição podemos ver a semelhança entre estética da recepção e teoria da resposta do Leitor.

[25] Figura 3 em Thiselton, A. Hermeneutics. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2009. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/2015770/hermeneutics-an-introduction-pdf).

[26] Este artigo é uma versão resumida do argumento apresentado com mais detalhes no capítulo I de "Richard Bauckham (ed), The Gospels for all Christians: Rethinking the Gospel audiences." Grand Rapids: Eerdmans/Edinburgh: T & T Clark, 1997.

[27] Ele inclusive cita Umberto Eco neste trecho do Artigo.

[28] Vanhoozer, Kevin. Há um significado neste texto? São Paulo: Editora Vida, 2005, p. 424.

[29] Witherington, Ben. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2001. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3537426/the-gospel-of-mark-a-sociorhetorical-commentary-pdf).

[30] Rhoads, David e Michie, Donald. Mark as story. Minneapolis: Fortress Press, 1982, p.49.

[31] IBID, p.49-50.

[32] Mc 2.8-9; 2.25; 3.33; 4.40; 5.30,39; 8.12,17,36-37; 9.16,33; 10.3,18,36,38,51; 12.9,15;14.6,36. Listamos como perguntas aquelas frases de Jesus onde aparece a expressão τίς, pode haver outras perguntas que não contém a partícula interrogativa.

[33] Witherington, Ben. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2001. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3537426/the-gospel-of-mark-a-sociorhetorical-commentary-pdf).

[34] France, R.T. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publisher, 2002, p.533.

[35] Ibid

[36] Ibid

[37] Witherington, Ben. The Gospel of Mark. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co, 2001. Disponível em: (https://www.perlego.com/book/3537426/the-gospel-of-mark-a-sociorhetorical-commentary-pdf).

[38] Lane, William. The Gospel of Mark. Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1974. Disponível em: https://www.perlego.com/book/2015732/the-gospel-of-mark-pdf.

[39] Em Green, Joel, Jeannine Brown, and Nicholas Perrin. Dictionary of Jesus and the Gospels (2nd Edn). Westmont IVP, 2020. https://www.perlego.com/book/1470255/dictionary-of-jesus-and-the-gospels-2nd-edn-a-compendium-of-contemporary-biblical-scholarship-pdf.

[40] Garland, David. Mark. Grand Rapids: Zondervan Academic, 2011. Disponível em: https://www.perlego.com/book/560456/mark-pdf.

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