Jesus e a Sabedoria do Êxodo: uma releitura de Mateus 11.
Willian V. Orlandi[1]
Resumo
Resumo: O propósito desse artigo é reler Mateus 11.28-30 à luz das categorias bíblico-teológicas mais amplas da Sabedoria e do Êxodo. Esses dois temas estão claramente presentes no texto mateano, mas quando nos aprofundamos nos desenvolvimentos canônicos (e extra-canônicos) desses temas, iremos ter um insight mais preciso das palavras de Jesus nesse texto.
Palavras-chave: Jesus; Mateus; Sabedoria; Êxodo
Abstract: The purpose of this article is to reread Matthew 11:28-30 in light of the broader biblical-theological categories of Wisdom and Exodus. These two themes are clearly present in the Matthean text, but when we delve deeper into the canonical (and extra-canonical) developments of these themes, we will gain a more accurate insight into Jesus' words in this text.
Keywords: Jesus; Matthew; Wisdom; Exodus
Resumo: O propósito desse artigo é reler Mateus 11.28-30 à luz das categorias bíblico-teológicas mais amplas da Sabedoria e do Êxodo. Esses dois temas estão claramente presentes no texto mateano, mas quando nos aprofundamos nos desenvolvimentos canônicos (e extra-canônicos) desses temas, iremos ter um insight mais preciso das palavras de Jesus nesse texto.
Palavras-chave: Jesus; Mateus; Sabedoria; Êxodo
Abstract: The purpose of this article is to reread Matthew 11:28-30 in light of the broader biblical-theological categories of Wisdom and Exodus. These two themes are clearly present in the Matthean text, but when we delve deeper into the canonical (and extra-canonical) developments of these themes, we will gain a more accurate insight into Jesus' words in this text.
Keywords: Jesus; Matthew; Wisdom; Exodus
Artigo
ateus 11.10 cita uma combinação de Ex. 23.20 e Ml. 3.1, para falar de João Batista como aquele que prepararia o caminho de Jesus. Tanto o contexto do êxodo original como o novo êxodo em Malaquias, são normalmente combinados com Isaías 40.3 no qual, o caminho a ser preparado, é o caminho do Novo Êxodo.[22]
Até mesmo o contexto posterior cita o Novo Êxodo de Isaías. É possível que Mateus, ao organizar sua narrativa, tenha aproveitado que seu conteúdo do chamado de Jesus em 11.28-29 tivesse o tema do descanso, e vinculou a isso as discussões de Jesus como Senhor do Sábado (12.1-7) bem como uma cura no Sábado (12. 9-21). Fechando essa seção, temos uma citação de Isaías 42.1–4 (em Mt. 12.18–21). Toda a linguagem de Is. 42 se fundamenta no Êxodo, apontando para o futuro Novo Êxodo. O servo do Senhor, capacitado pelo Espírito, traria justiça às nações (42.1). Ele seria humilde e compassivo (42.2-4) para ser o mediador da Aliança ao povo e luz para as nações, assim como Moisés e Israel em Êxodo (42. 5-7). O novo cântico de 42.10 é análogo ao cântico de triunfo do Êxodo (Ex. 15), pois o Senhor como guerreiro (42.13) lutará pelo seu povo contra seus inimigos, secando os rios (42.15) para guiar o povo por um “caminho” (42.16) que é o caminho da libertação final através do Novo Êxodo.
Portanto, não apenas Mateus como um todo é estruturado pelo tema do Novo Êxodo de Isaías, mas o contexto imediato de Mt. 11.28-10 respira – do começo ao fim – na atmosfera do Novo Êxodo. Nesse cenário, Jesus em sua autoconsciência como o Agente do Novo Êxodo, e Mateus enquanto autor do texto organizando seu material de forma intencional, dificilmente não pensariam em termos como “cansaço e sobrecarga”, “alívio”, “jugo e fardo” e “descanso” nas categorias do Êxodo de Israel e da promessa do Novo Êxodo, especialmente (mas não exclusivamente) formulada por Isaías.
Jugo e descanso: o Êxodo como pano de fundo para o vocabulário de Mateus 11.28-30
As pessoas que carregavam jugos para puxar outras cargas as colocavam no pescoço e nos ombros, com as mãos segurando correntes ou cordas presas a cada extremidade do jugo. Normalmente esperar-se-ia encontrar tal fardo apenas sobre os ombros dos pobres (cf. Testamento de Jó 7.1). Um jugo significava submissão ao governo ou autoridade de outro (por exemplo, Gênesis 27.40; 1 Enoque 103.11; Or. Sib. 3.391–92, 448, 508, 537, 567).[23][24][25]
Muitos textos usam a linguagem da libertação do “jugo” para se referir ao êxodo de Israel do Egito. Na verdade, todo o movimento canônico de Exílio-Êxodo e novo Exílio – Novo Êxodo está carregado com a linguagem do jugo e ser livre dele. Apenas alguns exemplos - de libertação de Israel do Egito (Êxodo) como libertação do “jugo” da escravidão - serão suficientes (com as ênfases já adicionadas):
Lv. 26.13: Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para que não fôsseis seus escravos; quebrei os timões do vosso jugo e vos fiz andar eretos.
Jr 2.20: Ainda que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías.
Os 11.4: Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.
O contexto de Oséias 11 faz o movimento de lembrar do Êxodo, apontar para um novo exílio por causa dos pecados de Israel e profetizar um futuro novo êxodo. Exemplos do futuro exílio (Assírio e Babilônico) usando a linguagem do jugo:
Dt 28.48: Assim, com fome, com sede, com nudez e com falta de tudo, servirás aos inimigos que o Senhor enviará contra ti; sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te haja destruído.
Is. 14.25: Quebrantarei a Assíria na minha terra e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte de Israel, e a sua carga se desvie dos ombros dele.
Is 47.6: Muito me agastei contra o meu povo, profanei a minha herança e a entreguei na tua mão, porém não usaste com ela de misericórdia e até sobre os velhos fizeste mui pesado o teu jugo.
Jr 27.8: Se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o Senhor, até que eu a consuma pela sua mão.
As maldições pactuais de Deuteronômio já prediziam um futuro exílio de Israel (ver Dt. 30) por quebrarem a Aliança. Israel (reino do Norte) e Judá (reino do Sul) foram de fato levados cativos, respectivamente pela Assíria e pela Babilônia.
A linguagem do Novo Êxodo como libertação do jugo:
Is 9.4: Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas;
Is 10.27: Acontecerá, naquele dia, que o peso será tirado do teu ombro, e o seu jugo, do teu pescoço, jugo que será despedaçado por causa da gordura.
Jr 30.8: Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei os teus canzis; e nunca mais estrangeiros farão escravo este povo,
Ez 34.27: As árvores do campo darão o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu quebrar as varas do seu jugo e as livrar das mãos dos que as escravizavam.
Apesar de não ter desenvolvido essa análise, Keener, em seu comentário de Mateus, reconhece (em apenas uma linha) a linguagem do jugo e ser livre dele sendo usada quando o AT fala do Êxodo e do Novo Êxodo. [26]
Por fim, mais um levantamento se faz necessário. Alguns textos usam a linguagem de “descanso” para se referir à futura restauração do exílio que Deus realizaria em favor do seu povo:
Is. 14.3: No dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir
14.7: Já agora descansa e está sossegada toda a terra. Todos exultam de júbilo.
Is. 32.17: O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre.
Isaías 14 fala sobre o cântico de triunfo sobre a Babilônia e a restauração de Israel e Isaías 32 fala do futuro rei justo que, pelo Espírito derramado, traria a nova criação por um novo êxodo. Ex. 33.14 fala sobre Deus estar com Moisés no caminho do deserto em termos de “descanso”.
O exílio é sinônimo de falta de descanso: Judá foi levado ao exílio, afligido e sob grande servidão; habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores o apanharam nas suas angústias (Lm. 1.3).
5. Sabedora no Êxodo e o êxodo da Sabedoria
Se Jesus (e Mateus) estão unindo duas tradições teológicas (Sabedoria e Êxodo), será que encontramos esses temas relacionados no AT ou no judaísmo? A resposta é um óbvio sim. Tanto no AT como no judaísmo, encontramos textos identificando a Sabedoria de Deus com a Palavra de Deus. A libertação de Israel do Egito é selada pela Aliança feita no Sinai, resumida nas duas tábuas da Lei – os 10 mandamentos. Essas tábuas foram colocadas dentro da arca da Aliança, no santo dos santos do Tabernáculo e depois do Templo de Salomão. A longa narrativa que começa na Torá encontra seu clímax no final da primeira parte do Nevi'im (os profetas anteriores), composto por Josué, Juízes, Samuel e Reis. A redenção que começa no Êxodo tem seu ponto alto na construção do templo por Salomão. É no Templo que encontramos a Sabedoria/Palavra de Deus que nos leva à vida (um tema edênico que é muito desenvolvido em Provérbios). Todos os desenvolvimentos canônicos da união desses dois temas estão além do nosso escopo aqui, mas alguns textos serão suficientes para mostrar nosso ponto.
A Sabedoria e o Êxodo pelas lentes de Isaías: o Êxodo e o Novo Êxodo como destruição da sabedoria pagã.
Isaías 19 é uma profecia contra o Egito e é, como esperado, carregado de ecos do Êxodo. Em Is. 19. 11-13 lemos:
11 Na verdade, são néscios os príncipes de Zoã; os sábios conselheiros de Faraó dão conselhos estúpidos; como, pois, direis a Faraó: Sou filho de sábios, filho de antigos reis? 12 Onde estão agora os teus sábios? Anunciem-te agora ou informem-te do que o Senhor dos Exércitos determinou contra o Egito. 13 Loucos se tornaram os príncipes de Zoã, enganados estão os príncipes de Mênfis; fazem errar o Egito os que são a pedra de esquina das suas tribos.
No primeiro Êxodo, os “sábios” do Egito (Ex. 7. 11) conseguiram imitar os sinais de YHWH até a 2ª praga, mas toda a sabedoria do Egito não serviu para reconhecerem YHWH como único Deus, mesmo diante das 10 pragas. Esse tema se fundamenta na história paradigmática de José, na qual, nenhum sábio do Egito soube discernir o sonho de Faraó, mas apenas o jovem israelita (filho de Israel) tinha sabedoria de Deus para tal revelação. José estava preso injustamente e o Egito encontrou sabedoria ao libertá-lo. O Faraó da época de Moisés que, como seu predecessor, não conhecia a história de José, não confiou na Sabedoria/Palavra de YHWH, e encontrou morte no final.
Essa falta de sabedoria para entender o caminho do Êxodo era uma realidade análoga na profecia de Isaías 19. Brevard S. Childs comenta:
Tanto na forma como no conteúdo, uma nova unidade começa nos vv. 11–15 (Is. 19), quando uma provocação é feita contra Faraó e seus conselheiros. Apesar das alardeadas afirmações dos egípcios de serem a fonte da verdadeira sabedoria, o profeta ridiculariza a sua tolice. Yahweh tornou seu conhecimento impotente. Eles cambaleiam como um homem bêbado, chafurdando em sua própria sujeira, uma descrição que lembra o confronto de Isaías com os profetas e sacerdotes embriagados de 28.7ss. Os sábios do Egipto estão confusos porque não compreendem o plano de Deus para o Egipto.[27]
Esse “plano de Deus” para o Egito não envolve apenas seu julgamento, mas também sua salvação. Isaías 19 termina de forma surpreendente, com um Novo Êxodo sendo prometido – não a Israel – mas ao próprio Egito e à Assíria também:
Is. 19. 19 Naquele dia, o Senhor terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao Senhor na sua fronteira. 20 Servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito; ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e defensor que os há de livrar. 21 O Senhor se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão o Senhor naquele dia; sim, eles o adorarão com sacrifícios e ofertas de manjares, e farão votos ao Senhor, e os cumprirão. 22 Ferirá o Senhor os egípcios, ferirá, mas os curará; converter-se-ão ao Senhor, e ele lhes atenderá as orações e os curará.
23 Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios.
24 Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra; 25 porque o Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança.
Da mesma forma, em Isaías, as duas potências que Deus usaria para punir seu povo com o exílio, i.e., a Assíria e a Babilônia, como novos “Egitos”, também confiam em sua própria sabedoria e também perecerão. Sobre a Assíria, no mesmo contexto que vimos acima sobre a libertação do povo de Deus desse Império em termos de libertação de jugo (10.27), temos:
Is 10.13: porquanto o rei disse: Com o poder da minha mão, fiz isto, e com a minha sabedoria, porque sou inteligente; removi os limites dos povos, e roubei os seus tesouros, e como valente abati os que se assentavam em tronos.
O mesmo se é dito sobre a Babilônia:
Is 47.10: Porque confiaste na tua maldade e disseste: Não há quem me veja. A tua sabedoria e a tua ciência, isso te fez desviar, e disseste contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra.
A sabedoria tola do Egito, Assíria e Babilônia não conseguem entender o caminho redentor de YHWH através do Êxodo, e, portanto, nunca pode ser uma sabedoria verdadeira e salvífica. Essa linguagem de destruição da falsa sabedoria é atribuída até mesmo a Israel, quando este é seduzido a confiar no Egito (Is. 30; cf; 31.1-2). Em Is 29.14 lemos:
“... continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá”.
5.2 Sabedoria, Espírito e Êxodo
Na promessa do filho de Davi em Isaías 11.2 lemos:
Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.
O sétuplo Espírito que repousa sobre esse rei, o capacita a reinar com justiça (11. 3-5), inaugurar a nova criação (11. 6-10) através de um novo êxodo (11. 11-16). As únicas outras passagens no AT que conectam Espírito e Sabedoria estão em Êxodo:
Êx 28.3: Falarás também a todos os homens hábeis a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão para consagrá-lo, para que me ministre o ofício sacerdotal.
Êx 31.3: e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício
Êx 36.2: Moisés chamou a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem hábil em cujo coração o Senhor tinha posto sabedoria, isto é, a todo homem cujo coração o impeliu a se chegar à obra para fazê-la.
O resultado do êxodo foi o derramar do Espírito para a construção do Tabernáculo, assim como em Isaías, o Rei davídico – pelo Espírito de sabedoria – conduziria toda a criação à restauração através do êxodo final, fazendo toda a criação ser (novamente) o templo/monte de Deus (Is. 11.9). Essa futura restauração é retomada em Is. 33. No verso 6 lemos: “Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor será o teu tesouro”.[28]
Por último, após anunciar o Novo Êxodo em Is. 40. 1-11, Isaías passa a falar da incomparabilidade de Deus:
Is 40. 13-14: 13 Quem guiou o Espírito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento?
Deus é incomparável porque somente Ele é o Criador, somente Ele realiza o êxodo (original e escatológico) e ambas as obras de criação/providência e salvação, Ele o faz através do Seu Espírito e da sua Sabedoria inigualável.
Dois exemplos na literatura judaica: Sabedoria de Salomão e Sabedoria de Ben Siraque
Na nossa análise da relação entre Sabedoria e Êxodo na literatura judaica do segundo templo, nos limitaremos a 2 livros, que, como vimos, influenciaram Mt. 11.
5.3 Sabedoria de Salomão
Sabedoria de Salomão 10 e 11 recontam a história do povo de Deus desde Adão até Moisés e atribuem à Sabedoria as obras de Deus. A sabedoria libertou Adão da sua transgressão, resgatou o povo de Deus do dilúvio, salvou Ló da destruição de Sodoma, protegeu José e deu-lhe o cetro do Egito, provocou o êxodo, tornou-se uma nuvem durante o dia e uma chama durante a noite para guiar o povo, dividiu as águas do Mar Vermelho e forneceu água de uma rocha. Em 10. 15-19 lemos:
15 Foi a sabedoria quem salvou um povo piedoso,
uma gente irrepreensível.
Ela o livrou da nação que o tratava com crueldade,
16 entrou na alma de um servo do Senhor
e confrontou-se com reis terríveis.
17 A sabedoria recompensou os santos pelo seu trabalho.
Guiou-os por um caminho maravilhoso;
foi para eles sombra durante o dia,
e durante a noite deu-lhes a luz das estrelas.
18 Ela fez com que atravessassem o Mar Vermelho,
guiando-os pelo meio das águas profundas,
19 mas fez com que os inimigos deles se afogassem
e depois atirou-os para o fundo do mar.
O livro ainda se refere a uma espécie de encarnação ou descida desta figura: “Envia-a desde os santos céus, e do trono da tua glória envia-a, para que ela trabalhe ao meu lado, e para que eu aprenda o que é do teu agrado” (9.10). Baruque 3.36–37 fala de uma descida e encarnação semelhante da Sabedoria, pois depois que Deus deu Sabedoria a Israel, “ela apareceu na terra e viveu com a humanidade”.[29]
5.4 Sabedoria de Ben Siraque
Geralmente o termo sábio aparece como um contraste natural com tolo. Não é tão simples para Ben Sira: ele contrasta o coração de uma pessoa sábia (Sir 3.29a) com um coração duro (Sir 3.26a, 27a). Além disso, no contexto de um “coração duro” (lb kbd) ele menciona pecado (3.27b), orgulho (3:28a) e mal (3.28b G). Portanto, parece que “duro” tem um significado negativo qualificado: está associado ao que é oneroso ou “pesado”, que se expressa na fraqueza humana da arrogância.[30]
Nesse livro, o uso das tradições do Êxodo é totalmente orientado para o dom da Lei. Por isso, Moisés é apresentado não como o libertador do povo (como se depreende da narração de Números), mas como o intérprete e mestre da Lei por excelência (cf. 45,17 sobre Aarão). Não por acaso, a Lei, juntamente com a sabedoria e o temor do Senhor, está na base do ensinamento teológico de Ben Sira (cf. 19.20).[31]
Conclusão
Bullinger descreveu nosso texto analisado como a “veia e fonte... do santíssimo evangelho e de todo o mistério de Cristo”, e Lagrange como a “pérola mais preciosa” do Evangelho de Mateus. Por quê? Aqui citamos uma interpretação clássica do nosso texto, feita por Cirilo de Jerusalém (313-386 dC):[32]
Você deve acreditar… no único Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, Deus, gerado de Deus, vida, gerado da vida, luz, gerado da luz. Ele é semelhante em tudo ao Progenitor. Ele não se tornou no tempo, mas nasceu antes de toda a eternidade, eternamente do Pai de uma maneira incompreensível. Ele é a sabedoria de Deus e o poder e a justiça pessoal e essencial. (…) Não lhe falta nada da glória divina. Ele conhece o Gerador como é conhecido pelo Gerador. Para resumir, pense na palavra que está escrita nos evangelhos: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho”.[33]
Estamos diante de uma “alta Cristologia”. Mateus não está meramente provando a divindade de Cristo. Ele está declarando, sem nenhuma dúvida ou receio, que Jesus é a Sabedoria Divina, pré-existente, que, por conhecer o Pai como é conhecido por Ele, O revela a seus pequeninos discípulos. Enquanto Jesus efetua o novo êxodo – a libertação e salvação definitiva - para seu povo, Ele está graciosamente convocando os cansados e sobrecarregados a virem até Ele.
Esse convite de Jesus é simultaneamente um alívio e um perigo. Ele está oferecendo uma sabedoria alternativa, que está escondida dos “sábios” deste mundo (11.25; cf. 1 Coríntios 1.18-31). É uma sabedoria que, se rejeitada, traz um julgamento terrível (11.22–24). É uma sabedoria que requer arrependimento (11.20-21) e uma fé humilde e infantil (11.25; cf. Mateus 18.3-4; 19.14). Exige que nos tornemos radicalmente ensináveis. Esta sabedoria também é perigosa porque se aceitarmos o convite, tudo deverá mudar à medida que abandonarmos uma velha vida e começarmos, através de Jesus, a participar na própria vida do Deus triúno. [34]
O jugo de Jesus não é suave por nos livrar do sofrimento, mas é um convite ao sofrimento. Em um importante artigo, argumentando que a “leveza” do jugo de Jesus não significa “facilidade” (como na tradução inglesa “easy”), mas algo mais próximo de bondade ou benignidade, Clark Bates conclui que[35]
O ζυγός pode doer às vezes. Pode incomodar às vezes. Parece pesado às vezes. Mas o reconhecimento de que vem do χρηστός κυριός permite ao portador continuar a trabalhar, e esse trabalho satisfaz, o que proporciona descanso, ou ‘facilidade’, para a alma.[36]
A Sabedoria encarnada está intensamente chamando pecadores ao novo êxodo. Nossa “releitura” apenas reafirma a leitura tradicional, com mais nuance. O novo êxodo de Jesus nos liberta da escravidão do pecado, da antiga era má (e tudo o que a caracteriza) e nos leva ao descanso da nova criação. Portanto, em Mt. 11.28–30 Jesus convida Israel a descansar, chamando-os a aprender sua sabedoria – especificamente para serem seus discípulos tanto em sua incorporação quanto em sua interpretação da Torá. Devem abraçar os ensinamentos de Jesus e imitá-lo enquanto ele vai para a cruz. Eles só poderão entrar na terra se seguirem Jesus enquanto ele cumpre a Torá e os capacita a fazer o mesmo.[37][38][39]
Apêndice: Diagramação de Mateus 11. 28-30
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ateus 11.10 cita uma combinação de Ex. 23.20 e Ml. 3.1, para falar de João Batista como aquele que prepararia o caminho de Jesus. Tanto o contexto do êxodo original como o novo êxodo em Malaquias, são normalmente combinados com Isaías 40.3 no qual, o caminho a ser preparado, é o caminho do Novo Êxodo.[22]
Até mesmo o contexto posterior cita o Novo Êxodo de Isaías. É possível que Mateus, ao organizar sua narrativa, tenha aproveitado que seu conteúdo do chamado de Jesus em 11.28-29 tivesse o tema do descanso, e vinculou a isso as discussões de Jesus como Senhor do Sábado (12.1-7) bem como uma cura no Sábado (12. 9-21). Fechando essa seção, temos uma citação de Isaías 42.1–4 (em Mt. 12.18–21). Toda a linguagem de Is. 42 se fundamenta no Êxodo, apontando para o futuro Novo Êxodo. O servo do Senhor, capacitado pelo Espírito, traria justiça às nações (42.1). Ele seria humilde e compassivo (42.2-4) para ser o mediador da Aliança ao povo e luz para as nações, assim como Moisés e Israel em Êxodo (42. 5-7). O novo cântico de 42.10 é análogo ao cântico de triunfo do Êxodo (Ex. 15), pois o Senhor como guerreiro (42.13) lutará pelo seu povo contra seus inimigos, secando os rios (42.15) para guiar o povo por um “caminho” (42.16) que é o caminho da libertação final através do Novo Êxodo.
Portanto, não apenas Mateus como um todo é estruturado pelo tema do Novo Êxodo de Isaías, mas o contexto imediato de Mt. 11.28-10 respira – do começo ao fim – na atmosfera do Novo Êxodo. Nesse cenário, Jesus em sua autoconsciência como o Agente do Novo Êxodo, e Mateus enquanto autor do texto organizando seu material de forma intencional, dificilmente não pensariam em termos como “cansaço e sobrecarga”, “alívio”, “jugo e fardo” e “descanso” nas categorias do Êxodo de Israel e da promessa do Novo Êxodo, especialmente (mas não exclusivamente) formulada por Isaías.
Jugo e descanso: o Êxodo como pano de fundo para o vocabulário de Mateus 11.28-30
As pessoas que carregavam jugos para puxar outras cargas as colocavam no pescoço e nos ombros, com as mãos segurando correntes ou cordas presas a cada extremidade do jugo. Normalmente esperar-se-ia encontrar tal fardo apenas sobre os ombros dos pobres (cf. Testamento de Jó 7.1). Um jugo significava submissão ao governo ou autoridade de outro (por exemplo, Gênesis 27.40; 1 Enoque 103.11; Or. Sib. 3.391–92, 448, 508, 537, 567).[23][24][25]
Muitos textos usam a linguagem da libertação do “jugo” para se referir ao êxodo de Israel do Egito. Na verdade, todo o movimento canônico de Exílio-Êxodo e novo Exílio – Novo Êxodo está carregado com a linguagem do jugo e ser livre dele. Apenas alguns exemplos - de libertação de Israel do Egito (Êxodo) como libertação do “jugo” da escravidão - serão suficientes (com as ênfases já adicionadas):
Lv. 26.13: Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para que não fôsseis seus escravos; quebrei os timões do vosso jugo e vos fiz andar eretos.
Jr 2.20: Ainda que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías.
Os 11.4: Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.
O contexto de Oséias 11 faz o movimento de lembrar do Êxodo, apontar para um novo exílio por causa dos pecados de Israel e profetizar um futuro novo êxodo. Exemplos do futuro exílio (Assírio e Babilônico) usando a linguagem do jugo:
Dt 28.48: Assim, com fome, com sede, com nudez e com falta de tudo, servirás aos inimigos que o Senhor enviará contra ti; sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te haja destruído.
Is. 14.25: Quebrantarei a Assíria na minha terra e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte de Israel, e a sua carga se desvie dos ombros dele.
Is 47.6: Muito me agastei contra o meu povo, profanei a minha herança e a entreguei na tua mão, porém não usaste com ela de misericórdia e até sobre os velhos fizeste mui pesado o teu jugo.
Jr 27.8: Se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o Senhor, até que eu a consuma pela sua mão.
As maldições pactuais de Deuteronômio já prediziam um futuro exílio de Israel (ver Dt. 30) por quebrarem a Aliança. Israel (reino do Norte) e Judá (reino do Sul) foram de fato levados cativos, respectivamente pela Assíria e pela Babilônia.
A linguagem do Novo Êxodo como libertação do jugo:
Is 9.4: Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas;
Is 10.27: Acontecerá, naquele dia, que o peso será tirado do teu ombro, e o seu jugo, do teu pescoço, jugo que será despedaçado por causa da gordura.
Jr 30.8: Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei os teus canzis; e nunca mais estrangeiros farão escravo este povo,
Ez 34.27: As árvores do campo darão o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu quebrar as varas do seu jugo e as livrar das mãos dos que as escravizavam.
Apesar de não ter desenvolvido essa análise, Keener, em seu comentário de Mateus, reconhece (em apenas uma linha) a linguagem do jugo e ser livre dele sendo usada quando o AT fala do Êxodo e do Novo Êxodo. [26]
Por fim, mais um levantamento se faz necessário. Alguns textos usam a linguagem de “descanso” para se referir à futura restauração do exílio que Deus realizaria em favor do seu povo:
Is. 14.3: No dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir
14.7: Já agora descansa e está sossegada toda a terra. Todos exultam de júbilo.
Is. 32.17: O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre.
Isaías 14 fala sobre o cântico de triunfo sobre a Babilônia e a restauração de Israel e Isaías 32 fala do futuro rei justo que, pelo Espírito derramado, traria a nova criação por um novo êxodo. Ex. 33.14 fala sobre Deus estar com Moisés no caminho do deserto em termos de “descanso”.
O exílio é sinônimo de falta de descanso: Judá foi levado ao exílio, afligido e sob grande servidão; habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores o apanharam nas suas angústias (Lm. 1.3).
5. Sabedora no Êxodo e o êxodo da Sabedoria
Se Jesus (e Mateus) estão unindo duas tradições teológicas (Sabedoria e Êxodo), será que encontramos esses temas relacionados no AT ou no judaísmo? A resposta é um óbvio sim. Tanto no AT como no judaísmo, encontramos textos identificando a Sabedoria de Deus com a Palavra de Deus. A libertação de Israel do Egito é selada pela Aliança feita no Sinai, resumida nas duas tábuas da Lei – os 10 mandamentos. Essas tábuas foram colocadas dentro da arca da Aliança, no santo dos santos do Tabernáculo e depois do Templo de Salomão. A longa narrativa que começa na Torá encontra seu clímax no final da primeira parte do Nevi'im (os profetas anteriores), composto por Josué, Juízes, Samuel e Reis. A redenção que começa no Êxodo tem seu ponto alto na construção do templo por Salomão. É no Templo que encontramos a Sabedoria/Palavra de Deus que nos leva à vida (um tema edênico que é muito desenvolvido em Provérbios). Todos os desenvolvimentos canônicos da união desses dois temas estão além do nosso escopo aqui, mas alguns textos serão suficientes para mostrar nosso ponto.
A Sabedoria e o Êxodo pelas lentes de Isaías: o Êxodo e o Novo Êxodo como destruição da sabedoria pagã.
Isaías 19 é uma profecia contra o Egito e é, como esperado, carregado de ecos do Êxodo. Em Is. 19. 11-13 lemos:
11 Na verdade, são néscios os príncipes de Zoã; os sábios conselheiros de Faraó dão conselhos estúpidos; como, pois, direis a Faraó: Sou filho de sábios, filho de antigos reis? 12 Onde estão agora os teus sábios? Anunciem-te agora ou informem-te do que o Senhor dos Exércitos determinou contra o Egito. 13 Loucos se tornaram os príncipes de Zoã, enganados estão os príncipes de Mênfis; fazem errar o Egito os que são a pedra de esquina das suas tribos.
No primeiro Êxodo, os “sábios” do Egito (Ex. 7. 11) conseguiram imitar os sinais de YHWH até a 2ª praga, mas toda a sabedoria do Egito não serviu para reconhecerem YHWH como único Deus, mesmo diante das 10 pragas. Esse tema se fundamenta na história paradigmática de José, na qual, nenhum sábio do Egito soube discernir o sonho de Faraó, mas apenas o jovem israelita (filho de Israel) tinha sabedoria de Deus para tal revelação. José estava preso injustamente e o Egito encontrou sabedoria ao libertá-lo. O Faraó da época de Moisés que, como seu predecessor, não conhecia a história de José, não confiou na Sabedoria/Palavra de YHWH, e encontrou morte no final.
Essa falta de sabedoria para entender o caminho do Êxodo era uma realidade análoga na profecia de Isaías 19. Brevard S. Childs comenta:
Tanto na forma como no conteúdo, uma nova unidade começa nos vv. 11–15 (Is. 19), quando uma provocação é feita contra Faraó e seus conselheiros. Apesar das alardeadas afirmações dos egípcios de serem a fonte da verdadeira sabedoria, o profeta ridiculariza a sua tolice. Yahweh tornou seu conhecimento impotente. Eles cambaleiam como um homem bêbado, chafurdando em sua própria sujeira, uma descrição que lembra o confronto de Isaías com os profetas e sacerdotes embriagados de 28.7ss. Os sábios do Egipto estão confusos porque não compreendem o plano de Deus para o Egipto.[27]
Esse “plano de Deus” para o Egito não envolve apenas seu julgamento, mas também sua salvação. Isaías 19 termina de forma surpreendente, com um Novo Êxodo sendo prometido – não a Israel – mas ao próprio Egito e à Assíria também:
Is. 19. 19 Naquele dia, o Senhor terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao Senhor na sua fronteira. 20 Servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito; ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e defensor que os há de livrar. 21 O Senhor se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão o Senhor naquele dia; sim, eles o adorarão com sacrifícios e ofertas de manjares, e farão votos ao Senhor, e os cumprirão. 22 Ferirá o Senhor os egípcios, ferirá, mas os curará; converter-se-ão ao Senhor, e ele lhes atenderá as orações e os curará.
23 Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios.
24 Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra; 25 porque o Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança.
Da mesma forma, em Isaías, as duas potências que Deus usaria para punir seu povo com o exílio, i.e., a Assíria e a Babilônia, como novos “Egitos”, também confiam em sua própria sabedoria e também perecerão. Sobre a Assíria, no mesmo contexto que vimos acima sobre a libertação do povo de Deus desse Império em termos de libertação de jugo (10.27), temos:
Is 10.13: porquanto o rei disse: Com o poder da minha mão, fiz isto, e com a minha sabedoria, porque sou inteligente; removi os limites dos povos, e roubei os seus tesouros, e como valente abati os que se assentavam em tronos.
O mesmo se é dito sobre a Babilônia:
Is 47.10: Porque confiaste na tua maldade e disseste: Não há quem me veja. A tua sabedoria e a tua ciência, isso te fez desviar, e disseste contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra.
A sabedoria tola do Egito, Assíria e Babilônia não conseguem entender o caminho redentor de YHWH através do Êxodo, e, portanto, nunca pode ser uma sabedoria verdadeira e salvífica. Essa linguagem de destruição da falsa sabedoria é atribuída até mesmo a Israel, quando este é seduzido a confiar no Egito (Is. 30; cf; 31.1-2). Em Is 29.14 lemos:
“... continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá”.
5.2 Sabedoria, Espírito e Êxodo
Na promessa do filho de Davi em Isaías 11.2 lemos:
Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.
O sétuplo Espírito que repousa sobre esse rei, o capacita a reinar com justiça (11. 3-5), inaugurar a nova criação (11. 6-10) através de um novo êxodo (11. 11-16). As únicas outras passagens no AT que conectam Espírito e Sabedoria estão em Êxodo:
Êx 28.3: Falarás também a todos os homens hábeis a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão para consagrá-lo, para que me ministre o ofício sacerdotal.
Êx 31.3: e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício
Êx 36.2: Moisés chamou a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem hábil em cujo coração o Senhor tinha posto sabedoria, isto é, a todo homem cujo coração o impeliu a se chegar à obra para fazê-la.
O resultado do êxodo foi o derramar do Espírito para a construção do Tabernáculo, assim como em Isaías, o Rei davídico – pelo Espírito de sabedoria – conduziria toda a criação à restauração através do êxodo final, fazendo toda a criação ser (novamente) o templo/monte de Deus (Is. 11.9). Essa futura restauração é retomada em Is. 33. No verso 6 lemos: “Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor será o teu tesouro”.[28]
Por último, após anunciar o Novo Êxodo em Is. 40. 1-11, Isaías passa a falar da incomparabilidade de Deus:
Is 40. 13-14: 13 Quem guiou o Espírito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento?
Deus é incomparável porque somente Ele é o Criador, somente Ele realiza o êxodo (original e escatológico) e ambas as obras de criação/providência e salvação, Ele o faz através do Seu Espírito e da sua Sabedoria inigualável.
Dois exemplos na literatura judaica: Sabedoria de Salomão e Sabedoria de Ben Siraque
Na nossa análise da relação entre Sabedoria e Êxodo na literatura judaica do segundo templo, nos limitaremos a 2 livros, que, como vimos, influenciaram Mt. 11.
5.3 Sabedoria de Salomão
Sabedoria de Salomão 10 e 11 recontam a história do povo de Deus desde Adão até Moisés e atribuem à Sabedoria as obras de Deus. A sabedoria libertou Adão da sua transgressão, resgatou o povo de Deus do dilúvio, salvou Ló da destruição de Sodoma, protegeu José e deu-lhe o cetro do Egito, provocou o êxodo, tornou-se uma nuvem durante o dia e uma chama durante a noite para guiar o povo, dividiu as águas do Mar Vermelho e forneceu água de uma rocha. Em 10. 15-19 lemos:
15 Foi a sabedoria quem salvou um povo piedoso,
uma gente irrepreensível.
Ela o livrou da nação que o tratava com crueldade,
16 entrou na alma de um servo do Senhor
e confrontou-se com reis terríveis.
17 A sabedoria recompensou os santos pelo seu trabalho.
Guiou-os por um caminho maravilhoso;
foi para eles sombra durante o dia,
e durante a noite deu-lhes a luz das estrelas.
18 Ela fez com que atravessassem o Mar Vermelho,
guiando-os pelo meio das águas profundas,
19 mas fez com que os inimigos deles se afogassem
e depois atirou-os para o fundo do mar.
O livro ainda se refere a uma espécie de encarnação ou descida desta figura: “Envia-a desde os santos céus, e do trono da tua glória envia-a, para que ela trabalhe ao meu lado, e para que eu aprenda o que é do teu agrado” (9.10). Baruque 3.36–37 fala de uma descida e encarnação semelhante da Sabedoria, pois depois que Deus deu Sabedoria a Israel, “ela apareceu na terra e viveu com a humanidade”.[29]
5.4 Sabedoria de Ben Siraque
Geralmente o termo sábio aparece como um contraste natural com tolo. Não é tão simples para Ben Sira: ele contrasta o coração de uma pessoa sábia (Sir 3.29a) com um coração duro (Sir 3.26a, 27a). Além disso, no contexto de um “coração duro” (lb kbd) ele menciona pecado (3.27b), orgulho (3:28a) e mal (3.28b G). Portanto, parece que “duro” tem um significado negativo qualificado: está associado ao que é oneroso ou “pesado”, que se expressa na fraqueza humana da arrogância.[30]
Nesse livro, o uso das tradições do Êxodo é totalmente orientado para o dom da Lei. Por isso, Moisés é apresentado não como o libertador do povo (como se depreende da narração de Números), mas como o intérprete e mestre da Lei por excelência (cf. 45,17 sobre Aarão). Não por acaso, a Lei, juntamente com a sabedoria e o temor do Senhor, está na base do ensinamento teológico de Ben Sira (cf. 19.20).[31]
Conclusão
Bullinger descreveu nosso texto analisado como a “veia e fonte... do santíssimo evangelho e de todo o mistério de Cristo”, e Lagrange como a “pérola mais preciosa” do Evangelho de Mateus. Por quê? Aqui citamos uma interpretação clássica do nosso texto, feita por Cirilo de Jerusalém (313-386 dC):[32]
Você deve acreditar… no único Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, Deus, gerado de Deus, vida, gerado da vida, luz, gerado da luz. Ele é semelhante em tudo ao Progenitor. Ele não se tornou no tempo, mas nasceu antes de toda a eternidade, eternamente do Pai de uma maneira incompreensível. Ele é a sabedoria de Deus e o poder e a justiça pessoal e essencial. (…) Não lhe falta nada da glória divina. Ele conhece o Gerador como é conhecido pelo Gerador. Para resumir, pense na palavra que está escrita nos evangelhos: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho”.[33]
Estamos diante de uma “alta Cristologia”. Mateus não está meramente provando a divindade de Cristo. Ele está declarando, sem nenhuma dúvida ou receio, que Jesus é a Sabedoria Divina, pré-existente, que, por conhecer o Pai como é conhecido por Ele, O revela a seus pequeninos discípulos. Enquanto Jesus efetua o novo êxodo – a libertação e salvação definitiva - para seu povo, Ele está graciosamente convocando os cansados e sobrecarregados a virem até Ele.
Esse convite de Jesus é simultaneamente um alívio e um perigo. Ele está oferecendo uma sabedoria alternativa, que está escondida dos “sábios” deste mundo (11.25; cf. 1 Coríntios 1.18-31). É uma sabedoria que, se rejeitada, traz um julgamento terrível (11.22–24). É uma sabedoria que requer arrependimento (11.20-21) e uma fé humilde e infantil (11.25; cf. Mateus 18.3-4; 19.14). Exige que nos tornemos radicalmente ensináveis. Esta sabedoria também é perigosa porque se aceitarmos o convite, tudo deverá mudar à medida que abandonarmos uma velha vida e começarmos, através de Jesus, a participar na própria vida do Deus triúno. [34]
O jugo de Jesus não é suave por nos livrar do sofrimento, mas é um convite ao sofrimento. Em um importante artigo, argumentando que a “leveza” do jugo de Jesus não significa “facilidade” (como na tradução inglesa “easy”), mas algo mais próximo de bondade ou benignidade, Clark Bates conclui que[35]
O ζυγός pode doer às vezes. Pode incomodar às vezes. Parece pesado às vezes. Mas o reconhecimento de que vem do χρηστός κυριός permite ao portador continuar a trabalhar, e esse trabalho satisfaz, o que proporciona descanso, ou ‘facilidade’, para a alma.[36]
A Sabedoria encarnada está intensamente chamando pecadores ao novo êxodo. Nossa “releitura” apenas reafirma a leitura tradicional, com mais nuance. O novo êxodo de Jesus nos liberta da escravidão do pecado, da antiga era má (e tudo o que a caracteriza) e nos leva ao descanso da nova criação. Portanto, em Mt. 11.28–30 Jesus convida Israel a descansar, chamando-os a aprender sua sabedoria – especificamente para serem seus discípulos tanto em sua incorporação quanto em sua interpretação da Torá. Devem abraçar os ensinamentos de Jesus e imitá-lo enquanto ele vai para a cruz. Eles só poderão entrar na terra se seguirem Jesus enquanto ele cumpre a Torá e os capacita a fazer o mesmo.[37][38][39]
Apêndice: Diagramação de Mateus 11. 28-30
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Notas
[1] Bacharel em Teologia e Licenciado em Letras. Pós-graduado em Psicolinguística e em Teologia do Novo Testamento. Mestrando em Teologia do Novo Testamento no Centro de pós-graduação Jonathan Edwards. É pastor e professor de Teologia. E-mail: willian_vitor15@hotmail.com
[2] ORLANDI, Willian V. Cristo e a Sabedoria: tipologia sapiencial em Colossenses 1.15-20. Revista Teológica Jonathan Edwards I, Nº 2 (2021): 27-44. Para bibliografias representantes desse tema, ver a nota de rodapé do ponto 2 desse artigo.
[3] Ainda que o final de cada discurso seja bem-marcado, o início de cada seção discursiva tem gerado uma grande variedade de propostas.
[4] MORRIS, Leon, The Gospel according to Matthew, The Pillar New Testament Commentary. Grand Rapids, MI; Leicester, England: W.B. Eerdmans; Inter-Varsity Press, 1992, 272.
[5] ORLANDI, Willian V. Cristo e a Sabedoria: tipologia sapiencial em Colossenses 1.15-20 Revista Teológica Jonathan Edwards I, Nº 2 (2021): 27-44; Cf. ORLANDI, Willian V. Cristo e a plenitude templária: uma (re)leitura teológica de Colossenses 1.19. Revista Teológica Jonathan Edwards II, No 2 (2022): 90-106; Ver também FEE, Gordon D. Pauline Christology: An Exegetical-Theological Study. Peabody, MA: Hendrickson, 2008. Especialmente o Appendix A: “Christ and Personified Wisdom,” 595–630; também 102–5, 186–87, 317–25. HAYS, Richard B. “Wisdom according to Paul.” In Where Shall Wisdom Be Found? Wisdom in the Bible, the Church and the Contemporary World, edited by Stephen C. Barton, 111–23. Edinburgh: T&T Clark, 1999.
[6] EBERT, Daniel. “Wisdom in New Testament Christology, with Special Reference to Hebrews 1:1–4.” PhD diss., Trinity Evangelical Divinity School, 1998.
[7] DEUTSCH, Celia, “Wisdom in Matthew: Transformation of a Symbol,” Novum Testamentum 32, 1 (1990): 13–47;
[8] QUARLES, Charles L., A Theology of Matthew: Jesus Revealed as Deliverer, King, and Incarnate Creator, org. Robert A. Peterson, 1st Ed., Explorations in Biblical Theology. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013, 138.
[9] Veja Jó 28; Sab. Sal. 9. Para outros paralelos possíveis, ver DEUTSCH, Celia, Hidden Wisdom and the Easy Yoke: Wisdom, Torah and Discipleship in Matthew 11.25–30. Sheffield, UK: JSOT Press, 1987, 103–30.
[10] QUARLES, Charles L., A Theology of Matthew: Jesus Revealed as Deliverer, King, and Incarnate Creator, org. Robert A. Peterson, 1st Ed., Explorations in Biblical Theology. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013, 139–140.
[11] FRANCE, R. T., Matthew: Evangelist and Teacher, New Testament Profiles. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1989, 304.
[12] SUGGS, M. Jack. Wisdom, Christology, and Law in Matthew's Gospel. Harvard University Press: Cambridge, Massachusetts, 1970, p. 99.
[13] BULTMANN, Rudolf, The History of the Synoptic Tradition, tr. John Marsh. New York: Harper and Row, 1963, p. 159.
[14] MITCHELL, Matthew W., “The Yoke Is Easy, But What of Its Meaning? A Methodological Reflection Masquerading as a Philological Discussion of Matthew 11:30 ,” JBL 135 / 2 ( 2016 ), 321 – 40, está consciente das limitações de seu artigo, apesar de incluir o entendimento dos Pais Apostólicos, Primeiro Clemente e Barnabé. Ele conclui que o jugo que Jesus carrega e convida outros a carregar é um símbolo de servidão e, portanto, nunca é “fácil”. Mas ele não empreendeu uma leitura atenta da “lei” tal como Jesus a interpreta em 5.1-48, e não incluiu literatura sapiencial na sua investigação.
[15] TILLICH, Paul, “The Yoke of Religion,” in, The Shaking of the Foundations (New York: Scribner’s, 1948) 97.
[16] Kant, Religion, 167.
[17] LUZ, Ulrich, Matthew: a commentary, org. Helmut Koester, Hermeneia—a Critical and Historical Commentary on the Bible. Minneapolis, MN: Augsburg, 2001, 173.
[18] S. th. 1/2 q.107, a.4.
[19] NOLLAND, John, The Gospel of Matthew: a commentary on the Greek text, New International Greek Testament Commentary. Grand Rapids, MI; Carlisle: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 2005, 478.
[20] Ibid. nota 110.
[21] ORLANDI, Willian V. A arquitetura do novo Êxodo: a influência de Isaías sobre a estrutura e teologia dos Evangelhos Sinóticos. No prelo, a ser publicado na Revista Teologia Brasileira n. 103.
[22] Para uma análise detalhada dessa interpretação em Marcos, ver WATTS, Rikki E., Isaiah’s New Exodus in Mark, WUNT 2/88. Tübingen: Mohr Siebeck, 1997.
[23] JEREMIAS, J. The Parables of Jesus. 2d rev. ed. New York: Charles Scribner’s Sons. 1972, p. 194.
[24] MARCUS, Jastrow. A Dictionary of the Targumim, the Talmud Babli and Yerushalmi, and the Midrashic Literature. New York: The Judaica Press. 1985, 1:94.
[25] LÓPEZ, Fernández, E.. “El yugo de Jesús (Mt 11,28–30). Historia y sentido de una metáfora.” Studium Ovetense 11: 65–118. (NTA 31:287), 1983.
[26] KEENER, Craig S. The Gospel of Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary. Grand Rapids, MI; Cambridge, U.K.: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 2009, 348.
[27] CHILDS, Brevard S, Isaiah: A Commentary, org. William P. Brown, Carol A. Newsom, e Brent A. Strawn, 1st ed., The Old Testament Library. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2001, 143.
[28] Poderíamos também conectar Isaías 11 com o cap. 9. Na descrição do novo êxodo em Is. 9, o Rei davídico é chamado de “Maravilhoso Conselheiro”, descrição atribuída a Deus em 28.29: “Também isso procede do Senhor dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria”. Mostrando mais uma conexão entre a Sabedoria e o Êxodo final.
[29] QUARLES, Charles L., A Theology of Matthew: Jesus Revealed as Deliverer, King, and Incarnate Creator, org. Robert A. Peterson, 1st Ed., Explorations in Biblical Theology. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013, 141.
[30] REITERER, Friedrich V. The Influence of the Book of Exodus on Ben Sira. in: Jeremy Corley/Vincent Skemp (eds.), Intertextual Studies in Ben Sira and Tobit. Essays in Honor of Alexander A. Di Lella, O.F.M., CBQMS 38, Washington D.C.: Catholic Biblical Association of America, 2005, p. 103.
[31] CALDUCH-BENAGES, Nuria. "The Exodus Traditions in the Book of Ben Sira". For Wisdom's Sake: Collected Essays on the Book of Ben Sira, Berlin, Boston: De Gruyter, 2021, p. 153.
[32] Bullinger, 115; Lagrange, 226.
[33] Cyril of Jerusalem, “The Catechetical Lectures of S. Cyril, Archbishop of Jerusalem”, in S. Cyril of Jerusalem, S. Gregory Nazianzen, org. Philip Schaff e Henry Wace, trad. R. W. Church e Edwin Hamilton Gifford, vol. 7, A Select Library of the Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, Second Series. New York: Christian Literature Company, 1894, 21.
[34] “Finalmente, não devemos subestimar o convite e a profundidade desta sabedoria. Estamos sendo convidados a participar da vida divina do Deus triúno. Somente o Pai conhece o Filho, e somente o Filho conhece o Pai, e qualquer pessoa a quem o Filho escolha revelar o Pai. O Filho está nos convidando para a sabedoria de Deus: o conhecimento íntimo, experiencial e pessoal compartilhado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito. Este é o contexto teológico último do convite de Jesus: “Venham. . . aprendam comigo”, EBERT IV, Daniel J. Wisdom Christology: how Jesus becomes God’s wisdom for us. P&R Publishing Company: Phillipsburg, New Jersey, 2011, p. 40
[35] Análogo a Israel que teve que passar pelo deserto antes de chegar à terra prometida.
[36] BATES, Clark R. “The Paradox of the Easy Yoke: A Survey of χρηστός in Greek Literature and the Interpretational Implications for Matthew 11:30.” The Expository Times 131 (2019): 19 - 9.
[37] Vinde a mim (Δεῦτε πρός με). O advérbio Δεῦτε funcionando como verbo, tem a força sintática de uma interjeição, que são palavras que normalmente enfatizam alguma emoção de quem está falando. Δεῦτε é seguido pela preposição de direção πρός + pronome με, exercendo assim função de um objeto preposicional.
[38] SCHREINER, Patrick, Matthew, Disciple and Scribe: The First Gospel and Its Portrait of Jesus. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2019, p. 172.
[39] Ver Hays, Echoes of Scripture in the Gospels, 154–59, para uma análise mais longa do relacionamento entre o Sir. 51 e Mt. 11.
[1] Bacharel em Teologia e Licenciado em Letras. Pós-graduado em Psicolinguística e em Teologia do Novo Testamento. Mestrando em Teologia do Novo Testamento no Centro de pós-graduação Jonathan Edwards. É pastor e professor de Teologia. E-mail: willian_vitor15@hotmail.com
[2] ORLANDI, Willian V. Cristo e a Sabedoria: tipologia sapiencial em Colossenses 1.15-20. Revista Teológica Jonathan Edwards I, Nº 2 (2021): 27-44. Para bibliografias representantes desse tema, ver a nota de rodapé do ponto 2 desse artigo.
[3] Ainda que o final de cada discurso seja bem-marcado, o início de cada seção discursiva tem gerado uma grande variedade de propostas.
[4] MORRIS, Leon, The Gospel according to Matthew, The Pillar New Testament Commentary. Grand Rapids, MI; Leicester, England: W.B. Eerdmans; Inter-Varsity Press, 1992, 272.
[5] ORLANDI, Willian V. Cristo e a Sabedoria: tipologia sapiencial em Colossenses 1.15-20 Revista Teológica Jonathan Edwards I, Nº 2 (2021): 27-44; Cf. ORLANDI, Willian V. Cristo e a plenitude templária: uma (re)leitura teológica de Colossenses 1.19. Revista Teológica Jonathan Edwards II, No 2 (2022): 90-106; Ver também FEE, Gordon D. Pauline Christology: An Exegetical-Theological Study. Peabody, MA: Hendrickson, 2008. Especialmente o Appendix A: “Christ and Personified Wisdom,” 595–630; também 102–5, 186–87, 317–25. HAYS, Richard B. “Wisdom according to Paul.” In Where Shall Wisdom Be Found? Wisdom in the Bible, the Church and the Contemporary World, edited by Stephen C. Barton, 111–23. Edinburgh: T&T Clark, 1999.
[6] EBERT, Daniel. “Wisdom in New Testament Christology, with Special Reference to Hebrews 1:1–4.” PhD diss., Trinity Evangelical Divinity School, 1998.
[7] DEUTSCH, Celia, “Wisdom in Matthew: Transformation of a Symbol,” Novum Testamentum 32, 1 (1990): 13–47;
[8] QUARLES, Charles L., A Theology of Matthew: Jesus Revealed as Deliverer, King, and Incarnate Creator, org. Robert A. Peterson, 1st Ed., Explorations in Biblical Theology. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013, 138.
[9] Veja Jó 28; Sab. Sal. 9. Para outros paralelos possíveis, ver DEUTSCH, Celia, Hidden Wisdom and the Easy Yoke: Wisdom, Torah and Discipleship in Matthew 11.25–30. Sheffield, UK: JSOT Press, 1987, 103–30.
[10] QUARLES, Charles L., A Theology of Matthew: Jesus Revealed as Deliverer, King, and Incarnate Creator, org. Robert A. Peterson, 1st Ed., Explorations in Biblical Theology. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013, 139–140.
[11] FRANCE, R. T., Matthew: Evangelist and Teacher, New Testament Profiles. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1989, 304.
[12] SUGGS, M. Jack. Wisdom, Christology, and Law in Matthew's Gospel. Harvard University Press: Cambridge, Massachusetts, 1970, p. 99.
[13] BULTMANN, Rudolf, The History of the Synoptic Tradition, tr. John Marsh. New York: Harper and Row, 1963, p. 159.
[14] MITCHELL, Matthew W., “The Yoke Is Easy, But What of Its Meaning? A Methodological Reflection Masquerading as a Philological Discussion of Matthew 11:30 ,” JBL 135 / 2 ( 2016 ), 321 – 40, está consciente das limitações de seu artigo, apesar de incluir o entendimento dos Pais Apostólicos, Primeiro Clemente e Barnabé. Ele conclui que o jugo que Jesus carrega e convida outros a carregar é um símbolo de servidão e, portanto, nunca é “fácil”. Mas ele não empreendeu uma leitura atenta da “lei” tal como Jesus a interpreta em 5.1-48, e não incluiu literatura sapiencial na sua investigação.
[15] TILLICH, Paul, “The Yoke of Religion,” in, The Shaking of the Foundations (New York: Scribner’s, 1948) 97.
[16] Kant, Religion, 167.
[17] LUZ, Ulrich, Matthew: a commentary, org. Helmut Koester, Hermeneia—a Critical and Historical Commentary on the Bible. Minneapolis, MN: Augsburg, 2001, 173.
[18] S. th. 1/2 q.107, a.4.
[19] NOLLAND, John, The Gospel of Matthew: a commentary on the Greek text, New International Greek Testament Commentary. Grand Rapids, MI; Carlisle: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 2005, 478.
[20] Ibid. nota 110.
[21] ORLANDI, Willian V. A arquitetura do novo Êxodo: a influência de Isaías sobre a estrutura e teologia dos Evangelhos Sinóticos. No prelo, a ser publicado na Revista Teologia Brasileira n. 103.
[22] Para uma análise detalhada dessa interpretação em Marcos, ver WATTS, Rikki E., Isaiah’s New Exodus in Mark, WUNT 2/88. Tübingen: Mohr Siebeck, 1997.
[23] JEREMIAS, J. The Parables of Jesus. 2d rev. ed. New York: Charles Scribner’s Sons. 1972, p. 194.
[24] MARCUS, Jastrow. A Dictionary of the Targumim, the Talmud Babli and Yerushalmi, and the Midrashic Literature. New York: The Judaica Press. 1985, 1:94.
[25] LÓPEZ, Fernández, E.. “El yugo de Jesús (Mt 11,28–30). Historia y sentido de una metáfora.” Studium Ovetense 11: 65–118. (NTA 31:287), 1983.
[26] KEENER, Craig S. The Gospel of Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary. Grand Rapids, MI; Cambridge, U.K.: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 2009, 348.
[27] CHILDS, Brevard S, Isaiah: A Commentary, org. William P. Brown, Carol A. Newsom, e Brent A. Strawn, 1st ed., The Old Testament Library. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2001, 143.
[28] Poderíamos também conectar Isaías 11 com o cap. 9. Na descrição do novo êxodo em Is. 9, o Rei davídico é chamado de “Maravilhoso Conselheiro”, descrição atribuída a Deus em 28.29: “Também isso procede do Senhor dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria”. Mostrando mais uma conexão entre a Sabedoria e o Êxodo final.
[29] QUARLES, Charles L., A Theology of Matthew: Jesus Revealed as Deliverer, King, and Incarnate Creator, org. Robert A. Peterson, 1st Ed., Explorations in Biblical Theology. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013, 141.
[30] REITERER, Friedrich V. The Influence of the Book of Exodus on Ben Sira. in: Jeremy Corley/Vincent Skemp (eds.), Intertextual Studies in Ben Sira and Tobit. Essays in Honor of Alexander A. Di Lella, O.F.M., CBQMS 38, Washington D.C.: Catholic Biblical Association of America, 2005, p. 103.
[31] CALDUCH-BENAGES, Nuria. "The Exodus Traditions in the Book of Ben Sira". For Wisdom's Sake: Collected Essays on the Book of Ben Sira, Berlin, Boston: De Gruyter, 2021, p. 153.
[32] Bullinger, 115; Lagrange, 226.
[33] Cyril of Jerusalem, “The Catechetical Lectures of S. Cyril, Archbishop of Jerusalem”, in S. Cyril of Jerusalem, S. Gregory Nazianzen, org. Philip Schaff e Henry Wace, trad. R. W. Church e Edwin Hamilton Gifford, vol. 7, A Select Library of the Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, Second Series. New York: Christian Literature Company, 1894, 21.
[34] “Finalmente, não devemos subestimar o convite e a profundidade desta sabedoria. Estamos sendo convidados a participar da vida divina do Deus triúno. Somente o Pai conhece o Filho, e somente o Filho conhece o Pai, e qualquer pessoa a quem o Filho escolha revelar o Pai. O Filho está nos convidando para a sabedoria de Deus: o conhecimento íntimo, experiencial e pessoal compartilhado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito. Este é o contexto teológico último do convite de Jesus: “Venham. . . aprendam comigo”, EBERT IV, Daniel J. Wisdom Christology: how Jesus becomes God’s wisdom for us. P&R Publishing Company: Phillipsburg, New Jersey, 2011, p. 40
[35] Análogo a Israel que teve que passar pelo deserto antes de chegar à terra prometida.
[36] BATES, Clark R. “The Paradox of the Easy Yoke: A Survey of χρηστός in Greek Literature and the Interpretational Implications for Matthew 11:30.” The Expository Times 131 (2019): 19 - 9.
[37] Vinde a mim (Δεῦτε πρός με). O advérbio Δεῦτε funcionando como verbo, tem a força sintática de uma interjeição, que são palavras que normalmente enfatizam alguma emoção de quem está falando. Δεῦτε é seguido pela preposição de direção πρός + pronome με, exercendo assim função de um objeto preposicional.
[38] SCHREINER, Patrick, Matthew, Disciple and Scribe: The First Gospel and Its Portrait of Jesus. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2019, p. 172.
[39] Ver Hays, Echoes of Scripture in the Gospels, 154–59, para uma análise mais longa do relacionamento entre o Sir. 51 e Mt. 11.
Referências
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