A Ética Cristã: o caminho para a superação dos conflitos na sociedade

A Ética Cristã: o caminho para a superação dos conflitos na sociedade

Guilherme Aguiar Magalhães[1]

Resumo

Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar a ética, sobretudo pelo viés dos pressupostos dos textos bíblicos, como o caminho para a superação dos conflitos na sociedade, pois percebe-se que este viés tem como proposta além de uma vida espiritual, promover também o bem nas relações sociais. Conforme a perspectiva do materialismo histórico, acredita-se que os conflitos sociais na sociedade surgem a partir das relações econômicas. Desse modo, por exemplo, a escravidão como fruto das relações econômicas e sociais esteve presente em quase todos os períodos da história. Diante dessa problemática, ou seja, a escravidão de seres humanos, que em muitos contextos históricos fez parte da estrutura social e cultural de vários povos, entende-se, contudo, que tal prática deve ser condenada e extinta das sociedades. Ainda hoje, infelizmente, existe situações análogas à escravidão. A partir de uma síntese do Antigo e Novo Testamentos, observa-se que a ética cristã alicerçada nos pressupostos bíblicos contribuiu ao orientar os seus adeptos para uma igualdade diante da desigualdade construída socialmente.

Palavras-chave: Sociedade. Conflitos. Escravidão. Ética Cristã.

Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar a ética, sobretudo pelo viés dos pressupostos dos textos bíblicos, como o caminho para a superação dos conflitos na sociedade, pois percebe-se que este viés tem como proposta além de uma vida espiritual, promover também o bem nas relações sociais. Conforme a perspectiva do materialismo histórico, acredita-se que os conflitos sociais na sociedade surgem a partir das relações econômicas. Desse modo, por exemplo, a escravidão como fruto das relações econômicas e sociais esteve presente em quase todos os períodos da história. Diante dessa problemática, ou seja, a escravidão de seres humanos, que em muitos contextos históricos fez parte da estrutura social e cultural de vários povos, entende-se, contudo, que tal prática deve ser condenada e extinta das sociedades. Ainda hoje, infelizmente, existe situações análogas à escravidão. A partir de uma síntese do Antigo e Novo Testamentos, observa-se que a ética cristã alicerçada nos pressupostos bíblicos contribuiu ao orientar os seus adeptos para uma igualdade diante da desigualdade construída socialmente.

Palavras-chave: Sociedade. Conflitos. Escravidão. Ética Cristã.

Artigo

1. Introdução

Ao refletir-se sobre a temática, isto é, a ética cristã como o caminho para a superação dos conflitos na sociedade, temos como posposta no momento verificar como a Bíblia enfrentou a problemática da escravidão. Tem-se a consciência de que o livro Sagrado trata a priori da instrução espiritual. No entanto, verificar-se-á que fornece também instruções que constituem uma base ética para atuação dos que creem neste livro no seu convívio social.

Com base nos pressupostos do materialismo histórico, reflete-se a origem dos conflitos na sociedade. Sabe-se que as relações sociais são fruto de uma relação dialética com o modo de produção. Analisa-se no tocante aos conflitos sociais, sobretudo, a escravidão de seres humanos que esteve presente ao longo da história, fazendo parte da estrutura social e cultural de vários povos.

Diante desse conflito social, ou seja, a escravidão, encontra-se nas Escrituras Sagradas (Antigo e Novo Testamentos) a base ética que orienta a como lidar com essa prática deplorável. Entende-se que a ética cristã não propõe uma revolução social contra um sistema político estabelecido, porém sua mensagem de salvação centrada no amor e na misericórdia de Deus forjará um novo homem e uma nova mulher que, alicerçados pelos princípios da narrativa Bíblica, conforme consta neste artigo, atuará contribuindo e promovendo o bem na sociedade.

Assim, dentro do contexto histórico e cultural em que se insere a narrativa Bíblica, tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos, objetiva-se construir uma síntese dos dois textos onde se verifica num primeiro momento uma aceitação temporária, contudo, com restrições e uma possiblidade real da liberdade e reintegração na sociedade e, por fim, com a clara condenação do sistema escravagista.

2. Desenvolvimento

O artigo tem como arcabouço teórico a perspectiva de análise da história do materialismo histórico, que na teoria da história é um dos paradigmas para os historiadores (as) na interpretação dos fatos sociais. Conforme José D’Assunção Barros: [2][3]

O Materialismo Histórico começou a se organizar em torno da possibilidade de construir uma História que contribuísse para impulsionar o desenvolvimento humano como um todo, contra o pano de fundo dos interesses das elites e dos poderes dominantes. No limite, este paradigma acena com a possibilidade de que a História seja posta a serviço dos movimentos sociais, das classes socialmente revolucionárias, dos oprimidos pela própria história, da desalienação do ser humano em múltiplos sentidos, dando-lhe a perceber as forças invisíveis que o estariam aprisionando e determinando, em última instância, seu próprio destino. Por isso, podemos dizer que o Materialismo Histórico é um paradigma particularmente revolucionário, sentido mais tradicional dessa expressão. (BARROS, CONTEÚDO III, 2011, p.11).

Para o materialismo histórico, a sociedade organiza sua estrutura sobre o modo de produção que envolve a infraestrutura e a superestrutura que se movem numa relação dialética, pois para os fundadores da corrente não era concebível a ideia de um determinismo econômico mecânico e vulgar. Além disso, segundo Engels “a produção e a reprodução da vida” era o elemento determinante, mas não o único. [4][5][6]

Dessa forma, o modo de produção que é o modelo econômico estabelece a relação social e os conflitos dessa sociedade. Diante da perspectiva histórica de uma transformação das relações econômicas e sociais na sociedade, que, segundo Karl Marx e Friedrich Engels, declararam no manifesto comunista de 1848:

A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de uma corporação e o aprendiz, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em oposição, travaram uma luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre com uma transformação revolucionária. (MARX, 2005, p. 40).

Percebe-se que ao longo da história uma das arenas de luta desse conflito entre as classes deu-se no desenvolvimento de várias formas de governo, a saber: Monarquia, Democracia, República, Marxismo, Totalitarismo, Nazismo, Fascismo, Autoritarismo e Anarquismo, que com os seus respectivos programas tendem a atingir um grupo na sociedade e melhorar as condições dos seus adeptos e por outro lado oprimir aqueles que são considerados opositores de tais formas de governo. Desse modo, entende-se que os conflitos entre as classes passam por uma transformação na história e neste processo novas classes e novos conflitos surgem.[7]

A escravidão de seres humanos foi uma prática abominável que as sociedades em suas relações econômicas e sociais, infelizmente, permitiram que estivesse presente em quase todos os períodos da história. Como, por exemplo, na Idade Antiga entre alguns povos da Mesopotâmia, no Egito, na Grécia e em Roma. Na Idade Média, a servidão e/ou corveia dos camponeses. Já na Idade Moderna a escravidão de povos africanos e na Idade Contemporânea, isto é, a atual, tem-se situações análogas à escravidão.

Diante dessa problemática, ou seja, os conflitos que surgem numa sociedade com o aval de suas relações sociais mesmo que seja temporário, pois movimentos contrários podem surgir e questionar as relações a priori estabelecidas. Além disso, pensa-se na ética cristã como o caminho para superar os conflitos na sociedade. [8]

No que concerne ao termo ética, é necessário ressaltar sua origem em uma palavra grega (ethos), que conforme os dicionários de língua grega significa lugar de habitação, costume, caráter e hábitos. Para J.Murray (2006, p. 464) a ética se refere, portanto, à maneira de vida ou de conduta. A ética bíblica diz respeito à maneira de vida que a Bíblia prescreve e aprova. [9][10]

Desse modo, é válido pensar que para viver-se numa morada comum é imprescindível um manual de regras e/ou leis que instrui os habitantes a viverem nesse ambiente como uma comunidade tecendo laços de relacionamentos e não numa zona de guerra, como inimigos. Para os cristãos (as) a Bíblia (Antigo e Novo Testamentos) revela a vontade de Deus, instruindo como devem andar, isto é, as Escrituras Sagradas além de ensinar os mandamentos de Deus no tocante a uma vida espiritual para aqueles e aquelas que creem, também constituem o alicerce de uma base moral e ética para os mesmos.

No Antigo Testamento, no livro de Êxodo 20.1-17, um dos cinco livros da Torah, encontram-se narrados Os Dez mandamentos ou Decálogo. Essas leis e/ou instruções de Deus para o seu povo são a base do relacionamento com Deus e com o próximo. Nos dez mandamentos, quatro referem-se ao relacionamento do crente com Deus, isto é, aquele (a) que crê e obedece e seis referem-se ao relacionamento deste com o seu próximo na comunidade.[11]

Dessa forma, para Ed Hindson e Gary Yates, no tocante aos quatro mandamentos, a saber:

Não terás outros deuses diante de mim; Não farás para ti imagem de escultura; Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão; Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Deus condena o politeísmo, a idolatria, a profanação e o secularismo. (HINDSON; YATES, 2014, p. 72).

Já em relação aos seis mandamentos os autores declaram:

Honra teu pai e tua mãe; Não matarás; Não adulterarás; Não furtarás; Não dirás falso testemunho contra o teu próximo; Não cobiçarás. Aqui, Deus, condena a rebelião, o assassinato, o adultério, o roubo, a mentira e o materialismo. (HINDSON; YATES, 2014, p. 72).

Já no Novo Testamento, no Evangelho de Mateus no capítulo 22.37- 40, Jesus Cristo resume o decálogo em dois mandamentos, a saber: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

Percebe-se, assim, que a instrução de Deus no livro Sagrado atinge o convívio na sociedade de forma a promover o bem. Pois, conforme 2Timóteo no capítulo 3.16-17: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Assim, o autor da carta a Timóteo, o apóstolo Paulo, declara em 1Coríntios 15.33 “a não corromper os bons costumes”, o que no texto do Novo Testamento em grego significa ethos, isto é, bons costumes em um lugar de habitação. No entanto, para viver nos pressupostos da ética cristã, ou seja, no padrão de conduta fixado nas Escrituras, entende-se que o indivíduo tenha sido redimido, ou seja, salvo, resgatado, perdoado e reconciliado com Deus mediante a fé em Jesus Cristo. E desse modo, passa a viver, agora, dentro desses preceitos.[12][13]

Como no período histórico do Antigo e Novo Testamentos, a prática da escravidão era vigente, e, conforme visto, a escravidão foi fruto das relações econômicas e sociais, ou seja, algo essencialmente humano. A seguir, analisa-se como a Bíblia trata dessa temática diante desse conflito social.

Antes apresenta-se um breve relato do povo de Israel do Antigo Testamento. Pelo relato Bíblico Deus escolhe Abrão/Abraão para a partir dele formar um povo que se estabeleceria numa terra prometida. Após várias gerações e muitas histórias, a saber, com Abraão, Isaque, Jacó-Israel (os patriarcas) a nação do povo israelita se multiplica, mesmo vivendo um longo período como escravos no Egito. Segundo Abba Eban:[14]

A narrativa Bíblia irrompe em vívido movimento e colorido ao retratar a família israelita desenvolvendo-se como nação em solo estrangeiro. Conta como a comunidade tribal fundada por Abraão e lacerada pelo ódio. José, devido ao ciúme de seus irmãos mais velhos, é removido para o Egito. Seus irmãos são, por sua vez, impelidos para o sul pela fome em Canaã. A esse tempo, sem que soubessem, José chegara a posição elevada a serviço do monarca egípcio. Ele armazenara a produção excedente de sete anos de abundância com precaução contra os sete anos de fome que seguiria. Após uma dramática reunião com seus irmãos, José manda-os de volta a Canaã, pedindo-lhes retornarem com seu idoso pai Jacó. Os irmãos se estabelecem em Goshem, a leste do delta do Nilo. Séculos se passarão antes que seus descendentes vejam novamente a terra de seus pais e sua própria herança prometida. No início de sua estada no Egito são homens livres, seguros na paz de uma vida agrícola em zona irrigada, longe das aflitivas secas de Canaã. Ao fim são escravos oprimidos fugindo da tirania e perseguição. (EBAN, 1973, p. 17).

Quando os filhos de Israel, isto é, Jacó e todos seus filhos com suas famílias emigram para o Egito devido ao cargo que José ocupava na terra dos faraós, eles permanecem como homens livres. No entanto, após a morte de José e com a chegada de um novo Faraó que não conhecera a José e sua história, tem-se um temor diante da multiplicação desse povo e assim começa o período de 400 anos de escravidão dos filhos de Israel no Egito. [15]

Após a saída dos filhos de Israel do Egito e mais um breve período até fixarem-se na terra prometida, ou seja, na Palestina, e, em contado com outros povos do Antigo Oriente Médio onde existia a escravidão que no mundo antigo, grosso modo, entende-se que surgiu a partir dos prisioneiros de guerras e entre indivíduos que não conseguiam pagar suas dívidas. Diante desse contexto histórico e cultural, o povo de Israel, apesar de não haver nos textos do Antigo Testamento nenhum relato que condene claramente a escravidão, não obstante, observa-se uma série de orientações e cuidados que no período histórico era algo ímpar em vista de outros povos.[16][17]

Como, por exemplo, o escravo hebreu tinha que ser liberto no sétimo ano, ou seja, a escravidão não era perpétua (Êxodo 21.1-11); e recebia provisão do seu ex-dono para conseguir se reintegrar à sociedade. Mas, se o escravo quisesse permanecer em sua condição, pois de certa forma ele teria o cuidado e o sustento do seu senhor, seria por sua vontade própria (Deuteronômio 15.12-18). Além disso, o povo hebreu é instruído acerca de como tratar as prisioneiras de guerra (Deuteronômio 21.10-14); não oprimir o estrangeiro que se encontra em sua terra (Êxodo 22.21/Deuteronômio 24.14-22); e acolher o escravo estrangeiro que porventura tenha fugido (Deuteronômio 23.15-16). Deveriam, pois, lembrar do período em que foram escravos no Egito e assim tratar dessa realidade orientados por essas condições.

Já no Novo Testamento, tendo como contexto a escravidão do mundo greco-romano, verifica-se a partir da Carta do apóstolo Paulo a Filemom a temática sendo tratada novamente no texto Bíblico. Paulo, o autor da carta, é um dos apóstolos de Jesus Cristo. Paulo exerceu uma atividade intensa como missionário levando a mensagem do Evangelho. Paulo fundou várias igrejas nas regiões em volta do mar mediterrâneo e por fim chegou a Roma, a capital do Império Romano, onde foi preso e morto.

A carta tem como objetivo principal tratar da situação de Onésimo, um escravo que havia fugido do seu senhor, Filemom, um cristão que Paulo conhecia, pois Paulo havia apresentado a mensagem do Evangelho para Filemom. Como a escravidão fazia parte da estrutura social da época, entende-se que todos que tinham escravos estavam de acordo com o modo pensante da sociedade, inclusive Filemom que havia se convertido. [18]

Paulo dirige a carta não somente para Filemom, mas para a igreja que se reunia em sua casa. Desse modo, Paulo, apresenta uma perspectiva de como a igreja, isto é, os cristãos (as) deveriam agir, ou seja, a conduta ética deles diante dessa problemática. No que tange a condição dos escravos no império romano:[19]

A escravidão, era parte do mundo antigo. Toda sociedade estava edificada sobre ela. No império romano havia mais de sessenta milhões de escravos no primeiro século. A sociedade vivia sob forte tensão e medo de uma rebelião desses escravos, por serem eles maioria absoluta. Por essa razão, sobretudo, os escravos eram extremamente oprimidos. Como uma ferramenta viva, um escravo não tinha direitos legais, apenas deveres. Ele não era dono de sua liberdade, nem mesmo de seu corpo. Era apenas um instrumento de trabalho. Pela mínima ofensa eles podiam ser açoitados, mutilados, crucificados ou entregue às feras. (LOPES, 2009, p. 130, 131 e 140).

Como o objetivo do Evangelho, isto é, a Boa-Nova da salvação, não trata a priori de um programa político-social, os cristãos não devem, por exemplo, aceitar serem cooptados por partidos, sejam de direita ou esquerda. Assim, não se encontra nas Escrituras um programa sistemático a respeito da superação da escravidão. [20]

Contudo, a partir do exemplo de como Jesus Cristo venceu os conflitos sociais, Paulo concentra em sua carta a Filemom para tratar sobre a temática da escravidão, na pessoa de Onésimo, seus argumentos alicerçados no amor, no perdão e na reconciliação. [21][22]

Assim, Paulo discorre em sua carta dizendo para Filemom e a Igreja; em nome do amor (versículo 9), solicito-te em favor do meu filho Onésimo, que gerei entre algemas (versículo 10), a fim de que o recebas para sempre, não como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão (versículo 16). Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo (versículo 17), eu te escrevo, sabendo que farás mais do que estou pedindo (versículo 21).

O apóstolo Paulo encontrava-se numa situação extremamente delicada, pois a escravidão era aceita pela sociedade vigente, inclusive legalmente. Como a pauta do Evangelho não trata de promover uma revolução social contra um sistema estabelecido, mas sim uma transformação espiritual que obviamente reflete-se em uma conduta ética na sociedade, promovendo o bem na morada comum.

Desse modo, Paulo escreve ciente de que a prática da escravidão deveria ser condenada, não por imposição, força ou contra as leis, mas pela consciência do ser humano de que somos iguais em Cristo Jesus. Assim, Paulo, instrui a Filemom e toda a Igreja a praticar o amor para com o próximo, superando o rancor, o débito e as injustiças que socialmente são estabelecidas, em prol do perdão e da misericórdia.[23]

Segundo a tradição da Igreja, Onésimo, foi Bispo de Éfeso (BRUCE, 2012, p. 1427). Para Hernandes Dias Lopes (2009, p. 140) o cristianismo venceu a escravidão não pela revolução das armas, mas pelo poder do amor. Já Israel Belo de Azevedo (2006, p. 19), declara que o apóstolo Paulo considerava Onésimo como seu coração e o convite à igualdade é uma negação do sistema escravagista, baseado na desigualdade natural.

Em outros momentos, o apóstolo Paulo, incentivou àqueles que pudessem a conquistar sua alforria (1Coríntios 7.21), criticou os raptadores de homens, isto é, os que estavam envolvidos no comércio ilegal de escravos (1Timóteo 1.10), e por fim, declarou que em Cristo todos são iguais (Gálatas 3.28; Colossenses 3.11).

3. Considerações finais

Ao tratar da temática da ética cristã como o caminho para a superação dos conflitos na sociedade, sobretudo no tocante a escravidão, pois considera-se ser uma prática abominável que infelizmente esteve presente em quase todos os períodos da história, e, assim, dentro do contexto histórico do Antigo e Novo testamentos. Entende-se que, pela perspectiva do materialismo histórico, a prática da escravidão foi fruto de um processo das relações econômicas e sociais.

Nas Escrituras Sagradas encontram-se instruções para o relacionamento dos indivíduos com Deus e com o próximo. No que se refere ao convívio social, a ética cristã guia-se pelo amor e pela compaixão para com o outro com o objetivo de promover o bem na sociedade. Diante de um contexto histórico onde a escravidão fazia parte da estrutura social e cultural, percebe-se no texto Bíblico o caminho para lidar e superar essa problemática de um conflito social entre as classes.

Com base nas narrativas do Antigo Testamento viu-se uma série de orientações e cuidados que no período histórico era algo ímpar em vista de outros povos. Já no Novo Testamento tendo como exemplo, Jesus Cristo, o apóstolo Paulo em sua carta a Filemom, aborda a questão da escravidão. Assim, os cristãos (as) com base nas orientações de Paulo recebem as instruções de como deveriam agir na sociedade em relação a escravidão

Por fim, entende-se, que os pressupostos bíblicos contribuíram para uma igualdade diante da desigualdade construída socialmente. É bom lembrar que a ética cristã não fornece base para a superação dos conflitos sociais por meio das armas, da violência e da perseguição, mas, a luz da ética cristã é que todos em Cristo Jesus somos iguais. Desse modo, conclui-se que em nome do amor e por amor, o modelo escravagista foi claramente condenado, tanto entre os cristãos quanto os não cristãos, uma vez que os cristãos devem ser “luz do mundo e sal da terra”.

1. Introdução

Ao refletir-se sobre a temática, isto é, a ética cristã como o caminho para a superação dos conflitos na sociedade, temos como posposta no momento verificar como a Bíblia enfrentou a problemática da escravidão. Tem-se a consciência de que o livro Sagrado trata a priori da instrução espiritual. No entanto, verificar-se-á que fornece também instruções que constituem uma base ética para atuação dos que creem neste livro no seu convívio social.

Com base nos pressupostos do materialismo histórico, reflete-se a origem dos conflitos na sociedade. Sabe-se que as relações sociais são fruto de uma relação dialética com o modo de produção. Analisa-se no tocante aos conflitos sociais, sobretudo, a escravidão de seres humanos que esteve presente ao longo da história, fazendo parte da estrutura social e cultural de vários povos.

Diante desse conflito social, ou seja, a escravidão, encontra-se nas Escrituras Sagradas (Antigo e Novo Testamentos) a base ética que orienta a como lidar com essa prática deplorável. Entende-se que a ética cristã não propõe uma revolução social contra um sistema político estabelecido, porém sua mensagem de salvação centrada no amor e na misericórdia de Deus forjará um novo homem e uma nova mulher que, alicerçados pelos princípios da narrativa Bíblica, conforme consta neste artigo, atuará contribuindo e promovendo o bem na sociedade.

Assim, dentro do contexto histórico e cultural em que se insere a narrativa Bíblica, tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos, objetiva-se construir uma síntese dos dois textos onde se verifica num primeiro momento uma aceitação temporária, contudo, com restrições e uma possiblidade real da liberdade e reintegração na sociedade e, por fim, com a clara condenação do sistema escravagista.

2. Desenvolvimento

O artigo tem como arcabouço teórico a perspectiva de análise da história do materialismo histórico, que na teoria da história é um dos paradigmas para os historiadores (as) na interpretação dos fatos sociais. Conforme José D’Assunção Barros: [2][3]

O Materialismo Histórico começou a se organizar em torno da possibilidade de construir uma História que contribuísse para impulsionar o desenvolvimento humano como um todo, contra o pano de fundo dos interesses das elites e dos poderes dominantes. No limite, este paradigma acena com a possibilidade de que a História seja posta a serviço dos movimentos sociais, das classes socialmente revolucionárias, dos oprimidos pela própria história, da desalienação do ser humano em múltiplos sentidos, dando-lhe a perceber as forças invisíveis que o estariam aprisionando e determinando, em última instância, seu próprio destino. Por isso, podemos dizer que o Materialismo Histórico é um paradigma particularmente revolucionário, sentido mais tradicional dessa expressão. (BARROS, CONTEÚDO III, 2011, p.11).

Para o materialismo histórico, a sociedade organiza sua estrutura sobre o modo de produção que envolve a infraestrutura e a superestrutura que se movem numa relação dialética, pois para os fundadores da corrente não era concebível a ideia de um determinismo econômico mecânico e vulgar. Além disso, segundo Engels “a produção e a reprodução da vida” era o elemento determinante, mas não o único. [4][5][6]

Dessa forma, o modo de produção que é o modelo econômico estabelece a relação social e os conflitos dessa sociedade. Diante da perspectiva histórica de uma transformação das relações econômicas e sociais na sociedade, que, segundo Karl Marx e Friedrich Engels, declararam no manifesto comunista de 1848:

A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de uma corporação e o aprendiz, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em oposição, travaram uma luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre com uma transformação revolucionária. (MARX, 2005, p. 40).

Percebe-se que ao longo da história uma das arenas de luta desse conflito entre as classes deu-se no desenvolvimento de várias formas de governo, a saber: Monarquia, Democracia, República, Marxismo, Totalitarismo, Nazismo, Fascismo, Autoritarismo e Anarquismo, que com os seus respectivos programas tendem a atingir um grupo na sociedade e melhorar as condições dos seus adeptos e por outro lado oprimir aqueles que são considerados opositores de tais formas de governo. Desse modo, entende-se que os conflitos entre as classes passam por uma transformação na história e neste processo novas classes e novos conflitos surgem.[7]

A escravidão de seres humanos foi uma prática abominável que as sociedades em suas relações econômicas e sociais, infelizmente, permitiram que estivesse presente em quase todos os períodos da história. Como, por exemplo, na Idade Antiga entre alguns povos da Mesopotâmia, no Egito, na Grécia e em Roma. Na Idade Média, a servidão e/ou corveia dos camponeses. Já na Idade Moderna a escravidão de povos africanos e na Idade Contemporânea, isto é, a atual, tem-se situações análogas à escravidão.

Diante dessa problemática, ou seja, os conflitos que surgem numa sociedade com o aval de suas relações sociais mesmo que seja temporário, pois movimentos contrários podem surgir e questionar as relações a priori estabelecidas. Além disso, pensa-se na ética cristã como o caminho para superar os conflitos na sociedade. [8]

No que concerne ao termo ética, é necessário ressaltar sua origem em uma palavra grega (ethos), que conforme os dicionários de língua grega significa lugar de habitação, costume, caráter e hábitos. Para J.Murray (2006, p. 464) a ética se refere, portanto, à maneira de vida ou de conduta. A ética bíblica diz respeito à maneira de vida que a Bíblia prescreve e aprova. [9][10]

Desse modo, é válido pensar que para viver-se numa morada comum é imprescindível um manual de regras e/ou leis que instrui os habitantes a viverem nesse ambiente como uma comunidade tecendo laços de relacionamentos e não numa zona de guerra, como inimigos. Para os cristãos (as) a Bíblia (Antigo e Novo Testamentos) revela a vontade de Deus, instruindo como devem andar, isto é, as Escrituras Sagradas além de ensinar os mandamentos de Deus no tocante a uma vida espiritual para aqueles e aquelas que creem, também constituem o alicerce de uma base moral e ética para os mesmos.

No Antigo Testamento, no livro de Êxodo 20.1-17, um dos cinco livros da Torah, encontram-se narrados Os Dez mandamentos ou Decálogo. Essas leis e/ou instruções de Deus para o seu povo são a base do relacionamento com Deus e com o próximo. Nos dez mandamentos, quatro referem-se ao relacionamento do crente com Deus, isto é, aquele (a) que crê e obedece e seis referem-se ao relacionamento deste com o seu próximo na comunidade.[11]

Dessa forma, para Ed Hindson e Gary Yates, no tocante aos quatro mandamentos, a saber:

Não terás outros deuses diante de mim; Não farás para ti imagem de escultura; Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão; Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Deus condena o politeísmo, a idolatria, a profanação e o secularismo. (HINDSON; YATES, 2014, p. 72).

Já em relação aos seis mandamentos os autores declaram:

Honra teu pai e tua mãe; Não matarás; Não adulterarás; Não furtarás; Não dirás falso testemunho contra o teu próximo; Não cobiçarás. Aqui, Deus, condena a rebelião, o assassinato, o adultério, o roubo, a mentira e o materialismo. (HINDSON; YATES, 2014, p. 72).

Já no Novo Testamento, no Evangelho de Mateus no capítulo 22.37- 40, Jesus Cristo resume o decálogo em dois mandamentos, a saber: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

Percebe-se, assim, que a instrução de Deus no livro Sagrado atinge o convívio na sociedade de forma a promover o bem. Pois, conforme 2Timóteo no capítulo 3.16-17: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Assim, o autor da carta a Timóteo, o apóstolo Paulo, declara em 1Coríntios 15.33 “a não corromper os bons costumes”, o que no texto do Novo Testamento em grego significa ethos, isto é, bons costumes em um lugar de habitação. No entanto, para viver nos pressupostos da ética cristã, ou seja, no padrão de conduta fixado nas Escrituras, entende-se que o indivíduo tenha sido redimido, ou seja, salvo, resgatado, perdoado e reconciliado com Deus mediante a fé em Jesus Cristo. E desse modo, passa a viver, agora, dentro desses preceitos.[12][13]

Como no período histórico do Antigo e Novo Testamentos, a prática da escravidão era vigente, e, conforme visto, a escravidão foi fruto das relações econômicas e sociais, ou seja, algo essencialmente humano. A seguir, analisa-se como a Bíblia trata dessa temática diante desse conflito social.

Antes apresenta-se um breve relato do povo de Israel do Antigo Testamento. Pelo relato Bíblico Deus escolhe Abrão/Abraão para a partir dele formar um povo que se estabeleceria numa terra prometida. Após várias gerações e muitas histórias, a saber, com Abraão, Isaque, Jacó-Israel (os patriarcas) a nação do povo israelita se multiplica, mesmo vivendo um longo período como escravos no Egito. Segundo Abba Eban:[14]

A narrativa Bíblia irrompe em vívido movimento e colorido ao retratar a família israelita desenvolvendo-se como nação em solo estrangeiro. Conta como a comunidade tribal fundada por Abraão e lacerada pelo ódio. José, devido ao ciúme de seus irmãos mais velhos, é removido para o Egito. Seus irmãos são, por sua vez, impelidos para o sul pela fome em Canaã. A esse tempo, sem que soubessem, José chegara a posição elevada a serviço do monarca egípcio. Ele armazenara a produção excedente de sete anos de abundância com precaução contra os sete anos de fome que seguiria. Após uma dramática reunião com seus irmãos, José manda-os de volta a Canaã, pedindo-lhes retornarem com seu idoso pai Jacó. Os irmãos se estabelecem em Goshem, a leste do delta do Nilo. Séculos se passarão antes que seus descendentes vejam novamente a terra de seus pais e sua própria herança prometida. No início de sua estada no Egito são homens livres, seguros na paz de uma vida agrícola em zona irrigada, longe das aflitivas secas de Canaã. Ao fim são escravos oprimidos fugindo da tirania e perseguição. (EBAN, 1973, p. 17).

Quando os filhos de Israel, isto é, Jacó e todos seus filhos com suas famílias emigram para o Egito devido ao cargo que José ocupava na terra dos faraós, eles permanecem como homens livres. No entanto, após a morte de José e com a chegada de um novo Faraó que não conhecera a José e sua história, tem-se um temor diante da multiplicação desse povo e assim começa o período de 400 anos de escravidão dos filhos de Israel no Egito. [15]

Após a saída dos filhos de Israel do Egito e mais um breve período até fixarem-se na terra prometida, ou seja, na Palestina, e, em contado com outros povos do Antigo Oriente Médio onde existia a escravidão que no mundo antigo, grosso modo, entende-se que surgiu a partir dos prisioneiros de guerras e entre indivíduos que não conseguiam pagar suas dívidas. Diante desse contexto histórico e cultural, o povo de Israel, apesar de não haver nos textos do Antigo Testamento nenhum relato que condene claramente a escravidão, não obstante, observa-se uma série de orientações e cuidados que no período histórico era algo ímpar em vista de outros povos.[16][17]

Como, por exemplo, o escravo hebreu tinha que ser liberto no sétimo ano, ou seja, a escravidão não era perpétua (Êxodo 21.1-11); e recebia provisão do seu ex-dono para conseguir se reintegrar à sociedade. Mas, se o escravo quisesse permanecer em sua condição, pois de certa forma ele teria o cuidado e o sustento do seu senhor, seria por sua vontade própria (Deuteronômio 15.12-18). Além disso, o povo hebreu é instruído acerca de como tratar as prisioneiras de guerra (Deuteronômio 21.10-14); não oprimir o estrangeiro que se encontra em sua terra (Êxodo 22.21/Deuteronômio 24.14-22); e acolher o escravo estrangeiro que porventura tenha fugido (Deuteronômio 23.15-16). Deveriam, pois, lembrar do período em que foram escravos no Egito e assim tratar dessa realidade orientados por essas condições.

Já no Novo Testamento, tendo como contexto a escravidão do mundo greco-romano, verifica-se a partir da Carta do apóstolo Paulo a Filemom a temática sendo tratada novamente no texto Bíblico. Paulo, o autor da carta, é um dos apóstolos de Jesus Cristo. Paulo exerceu uma atividade intensa como missionário levando a mensagem do Evangelho. Paulo fundou várias igrejas nas regiões em volta do mar mediterrâneo e por fim chegou a Roma, a capital do Império Romano, onde foi preso e morto.

A carta tem como objetivo principal tratar da situação de Onésimo, um escravo que havia fugido do seu senhor, Filemom, um cristão que Paulo conhecia, pois Paulo havia apresentado a mensagem do Evangelho para Filemom. Como a escravidão fazia parte da estrutura social da época, entende-se que todos que tinham escravos estavam de acordo com o modo pensante da sociedade, inclusive Filemom que havia se convertido. [18]

Paulo dirige a carta não somente para Filemom, mas para a igreja que se reunia em sua casa. Desse modo, Paulo, apresenta uma perspectiva de como a igreja, isto é, os cristãos (as) deveriam agir, ou seja, a conduta ética deles diante dessa problemática. No que tange a condição dos escravos no império romano:[19]

A escravidão, era parte do mundo antigo. Toda sociedade estava edificada sobre ela. No império romano havia mais de sessenta milhões de escravos no primeiro século. A sociedade vivia sob forte tensão e medo de uma rebelião desses escravos, por serem eles maioria absoluta. Por essa razão, sobretudo, os escravos eram extremamente oprimidos. Como uma ferramenta viva, um escravo não tinha direitos legais, apenas deveres. Ele não era dono de sua liberdade, nem mesmo de seu corpo. Era apenas um instrumento de trabalho. Pela mínima ofensa eles podiam ser açoitados, mutilados, crucificados ou entregue às feras. (LOPES, 2009, p. 130, 131 e 140).

Como o objetivo do Evangelho, isto é, a Boa-Nova da salvação, não trata a priori de um programa político-social, os cristãos não devem, por exemplo, aceitar serem cooptados por partidos, sejam de direita ou esquerda. Assim, não se encontra nas Escrituras um programa sistemático a respeito da superação da escravidão. [20]

Contudo, a partir do exemplo de como Jesus Cristo venceu os conflitos sociais, Paulo concentra em sua carta a Filemom para tratar sobre a temática da escravidão, na pessoa de Onésimo, seus argumentos alicerçados no amor, no perdão e na reconciliação. [21][22]

Assim, Paulo discorre em sua carta dizendo para Filemom e a Igreja; em nome do amor (versículo 9), solicito-te em favor do meu filho Onésimo, que gerei entre algemas (versículo 10), a fim de que o recebas para sempre, não como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão (versículo 16). Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo (versículo 17), eu te escrevo, sabendo que farás mais do que estou pedindo (versículo 21).

O apóstolo Paulo encontrava-se numa situação extremamente delicada, pois a escravidão era aceita pela sociedade vigente, inclusive legalmente. Como a pauta do Evangelho não trata de promover uma revolução social contra um sistema estabelecido, mas sim uma transformação espiritual que obviamente reflete-se em uma conduta ética na sociedade, promovendo o bem na morada comum.

Desse modo, Paulo escreve ciente de que a prática da escravidão deveria ser condenada, não por imposição, força ou contra as leis, mas pela consciência do ser humano de que somos iguais em Cristo Jesus. Assim, Paulo, instrui a Filemom e toda a Igreja a praticar o amor para com o próximo, superando o rancor, o débito e as injustiças que socialmente são estabelecidas, em prol do perdão e da misericórdia.[23]

Segundo a tradição da Igreja, Onésimo, foi Bispo de Éfeso (BRUCE, 2012, p. 1427). Para Hernandes Dias Lopes (2009, p. 140) o cristianismo venceu a escravidão não pela revolução das armas, mas pelo poder do amor. Já Israel Belo de Azevedo (2006, p. 19), declara que o apóstolo Paulo considerava Onésimo como seu coração e o convite à igualdade é uma negação do sistema escravagista, baseado na desigualdade natural.

Em outros momentos, o apóstolo Paulo, incentivou àqueles que pudessem a conquistar sua alforria (1Coríntios 7.21), criticou os raptadores de homens, isto é, os que estavam envolvidos no comércio ilegal de escravos (1Timóteo 1.10), e por fim, declarou que em Cristo todos são iguais (Gálatas 3.28; Colossenses 3.11).

3. Considerações finais

Ao tratar da temática da ética cristã como o caminho para a superação dos conflitos na sociedade, sobretudo no tocante a escravidão, pois considera-se ser uma prática abominável que infelizmente esteve presente em quase todos os períodos da história, e, assim, dentro do contexto histórico do Antigo e Novo testamentos. Entende-se que, pela perspectiva do materialismo histórico, a prática da escravidão foi fruto de um processo das relações econômicas e sociais.

Nas Escrituras Sagradas encontram-se instruções para o relacionamento dos indivíduos com Deus e com o próximo. No que se refere ao convívio social, a ética cristã guia-se pelo amor e pela compaixão para com o outro com o objetivo de promover o bem na sociedade. Diante de um contexto histórico onde a escravidão fazia parte da estrutura social e cultural, percebe-se no texto Bíblico o caminho para lidar e superar essa problemática de um conflito social entre as classes.

Com base nas narrativas do Antigo Testamento viu-se uma série de orientações e cuidados que no período histórico era algo ímpar em vista de outros povos. Já no Novo Testamento tendo como exemplo, Jesus Cristo, o apóstolo Paulo em sua carta a Filemom, aborda a questão da escravidão. Assim, os cristãos (as) com base nas orientações de Paulo recebem as instruções de como deveriam agir na sociedade em relação a escravidão

Por fim, entende-se, que os pressupostos bíblicos contribuíram para uma igualdade diante da desigualdade construída socialmente. É bom lembrar que a ética cristã não fornece base para a superação dos conflitos sociais por meio das armas, da violência e da perseguição, mas, a luz da ética cristã é que todos em Cristo Jesus somos iguais. Desse modo, conclui-se que em nome do amor e por amor, o modelo escravagista foi claramente condenado, tanto entre os cristãos quanto os não cristãos, uma vez que os cristãos devem ser “luz do mundo e sal da terra”.

Notas

[1] Bacharel em Teologia (UMESP) e Licenciado em História (UGB); Especialista (lato sensu) em Bíblia (Faculdades EST), em Ciência da Religião (UCAM) e em História do Brasil (UGB). Com Mestrado (livre) em Ministério (EETAD). E-mail: guilherme.teologia@yahoo.com

[2] O método foi desenvolvido tanto por Engels quanto por Marx. No livro Do socialismo utópico ao socialismo científico Engels começou a desenvolver a concepção do método. Por ou lado, no prefácio à contribuição da economia política encontramos uma breve definição de Marx onde ele afirma “que a estrutura econômica da sociedade, constituída de suas relações de produção, é a verdadeira base da sociedade: é o alicerce sobre qual se ergue a superestrutura jurídica e política e ao qual correspondem forma definidas de consciência social”. Endente-se que o materialismo histórico enquanto método foi sendo desenvolvido em suas obras. Juntos em A Ideologia Alemã continuaram a desenvolver o método e por fim no livro; O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte. Marx trata sobre a posição de classe. BOTTOMORE, Tom (org.). Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, p. 259, 260 261 e 262.

[3] Segundo o professor José D’Assunção Barros dentre os grandes paradigmas historiográficos tem-se: o Positivismo, o Historicismo e o Materialismo Histórico. BARROS, José D’ Assunção. Teoria da história: Conteúdo I. Princípios e conceitos fundamentais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

[4] A base econômica na sociedade, ou seja, o modo de produção vigente. Atualmente o capitalismo refere-se ao atual modelo econômico.

[5] O campo político, jurídico e ideológico na sociedade. Como por exemplo: temos os aparelhos repressivos, a saber, exército, polícia, prisões e os aparelhos ideológicos, isto é, os meios de comunicação, escola, partidos, sindicatos e igrejas.

[6] Citação retirada de uma carta de Engels para Bloch. FERREIRA, Delson. Manual de Sociologia. Dos Clássicos à Sociedade da Informação. São Paulo: Editora Atlas, 2003, p. 56.

[7] MACHADO, Ayeska. Teoria Política. Minas Gerais: Grupo Prominas.

[8] No momento tem-se como proposta apenas a apresentação da ética com base nos princípios Bíblicos.

[9] Os dicionários pesquisados foram: HAUBECK, Wilfrid; SIEBENTHAL, Heinrich Von. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego: Mateus – Apocalipse. São Paulo: Hagnos, 2009, p. 1038. RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003, p. 217. BÍBLIA, Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Almeida Revista e Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil. Bangu, Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 2226.

[10] Organizado por: DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2006.

[11] Neste momento, isto é, quando a Lei foi dada era para os hebreus e/ou israelitas. O termo hebreu abrange todos os descendentes de Abraão e o termo israelita os descendentes de Jacó, um dos filhos de Isaque, o filho da promessa de Deus para Abraão. Assim, todo israelita é hebreu, pois Jacó descende da linhagem de Abraão, mas nem todo hebreu é israelita, pois Abraão teve mais descendentes além de Isaque. Gênesis 16.15-16; Gênesis 25.1-6.

[12] BÍBLIA, Novo Testamento interlinear grego-português. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004, p. 658.

[13] Recomenda-se a leitura: Êxodo 24.12; João14.15; Romanos 6.1-10; 2Coríntios 5.16-17; Colossenses 3.1-4.

[14] Gênesis 12.1-3.

[15] Recomenda-se a leitura: Em Gênesis nos capítulos 37, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 50 e Êxodo1.1-22.

[16] Neste intervalo que recebem o decálogo.

[17] Livro de Êxodo até o livro de Josué.

[18] Recomenda-se a leitura da carta: Filemom 1.1-25.

[19] A ética cristã recomenda a praticar o amor para com o próximo: Mateus 5.38-40; Mateus 22.34-40; Romanos 12.21/13.10; 1Coríntios 13.1-13; 1 João. 4.7 (versículo 19-21).

[20] Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. (Romanos 1.16).

[21] Como exemplo, no Evangelho de João 4.1-29. No diálogo que Jesus Cristo estabelece com a mulher samaritana, Ele, venceu os conflitos de gênero, pois era um homem conversando com uma mulher em público que na cultura judaica não era permitido; político, devido a divisão de Israel em Reino do Norte e Reino do Sul. A Samaria localizava-se no Norte e Judá no Sul e o religioso, pois os samaritanos deixaram de adorar somente a Deus. Entre outros exemplos, tem-se o encontro de Jesus com Zaqueu, um cobrador de impostos a serviço do império romano, que ao ser transformado pela mensagem da salvação de Jesus se compromete a não mais explorar por meio da corrupção o povo (Lucas 19.1-10). E por fim, a parábola do credor incompassivo, onde, Jesus ensina que quem recebeu misericórdia de Deus precisa agir tendo misericórdia para com o teu próximo (Mateus18.23-35).

[22] Além do apóstolo Paulo, o pastor anglicano John Wesley (1703 -1791) e um dos fundadores do movimento metodista que deu origem a Igreja Metodista, abordou a temática da escravidão na Inglaterra.

[23] Viver no amor de Deus conduz os cristãos (as) a terem como pauta de conduta os mandamentos de Deus. Desse modo, os preceitos bíblicos orientam a ética cristã. Recomenda-se a leitura: Êxodo 24.12; João 14.23 -24; João 15.10-12 e Mateus 22.37-40.

[1] Bacharel em Teologia (UMESP) e Licenciado em História (UGB); Especialista (lato sensu) em Bíblia (Faculdades EST), em Ciência da Religião (UCAM) e em História do Brasil (UGB). Com Mestrado (livre) em Ministério (EETAD). E-mail: guilherme.teologia@yahoo.com

[2] O método foi desenvolvido tanto por Engels quanto por Marx. No livro Do socialismo utópico ao socialismo científico Engels começou a desenvolver a concepção do método. Por ou lado, no prefácio à contribuição da economia política encontramos uma breve definição de Marx onde ele afirma “que a estrutura econômica da sociedade, constituída de suas relações de produção, é a verdadeira base da sociedade: é o alicerce sobre qual se ergue a superestrutura jurídica e política e ao qual correspondem forma definidas de consciência social”. Endente-se que o materialismo histórico enquanto método foi sendo desenvolvido em suas obras. Juntos em A Ideologia Alemã continuaram a desenvolver o método e por fim no livro; O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte. Marx trata sobre a posição de classe. BOTTOMORE, Tom (org.). Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, p. 259, 260 261 e 262.

[3] Segundo o professor José D’Assunção Barros dentre os grandes paradigmas historiográficos tem-se: o Positivismo, o Historicismo e o Materialismo Histórico. BARROS, José D’ Assunção. Teoria da história: Conteúdo I. Princípios e conceitos fundamentais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

[4] A base econômica na sociedade, ou seja, o modo de produção vigente. Atualmente o capitalismo refere-se ao atual modelo econômico.

[5] O campo político, jurídico e ideológico na sociedade. Como por exemplo: temos os aparelhos repressivos, a saber, exército, polícia, prisões e os aparelhos ideológicos, isto é, os meios de comunicação, escola, partidos, sindicatos e igrejas.

[6] Citação retirada de uma carta de Engels para Bloch. FERREIRA, Delson. Manual de Sociologia. Dos Clássicos à Sociedade da Informação. São Paulo: Editora Atlas, 2003, p. 56.

[7] MACHADO, Ayeska. Teoria Política. Minas Gerais: Grupo Prominas.

[8] No momento tem-se como proposta apenas a apresentação da ética com base nos princípios Bíblicos.

[9] Os dicionários pesquisados foram: HAUBECK, Wilfrid; SIEBENTHAL, Heinrich Von. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego: Mateus – Apocalipse. São Paulo: Hagnos, 2009, p. 1038. RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003, p. 217. BÍBLIA, Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Almeida Revista e Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil. Bangu, Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 2226.

[10] Organizado por: DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2006.

[11] Neste momento, isto é, quando a Lei foi dada era para os hebreus e/ou israelitas. O termo hebreu abrange todos os descendentes de Abraão e o termo israelita os descendentes de Jacó, um dos filhos de Isaque, o filho da promessa de Deus para Abraão. Assim, todo israelita é hebreu, pois Jacó descende da linhagem de Abraão, mas nem todo hebreu é israelita, pois Abraão teve mais descendentes além de Isaque. Gênesis 16.15-16; Gênesis 25.1-6.

[12] BÍBLIA, Novo Testamento interlinear grego-português. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004, p. 658.

[13] Recomenda-se a leitura: Êxodo 24.12; João14.15; Romanos 6.1-10; 2Coríntios 5.16-17; Colossenses 3.1-4.

[14] Gênesis 12.1-3.

[15] Recomenda-se a leitura: Em Gênesis nos capítulos 37, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 50 e Êxodo1.1-22.

[16] Neste intervalo que recebem o decálogo.

[17] Livro de Êxodo até o livro de Josué.

[18] Recomenda-se a leitura da carta: Filemom 1.1-25.

[19] A ética cristã recomenda a praticar o amor para com o próximo: Mateus 5.38-40; Mateus 22.34-40; Romanos 12.21/13.10; 1Coríntios 13.1-13; 1 João. 4.7 (versículo 19-21).

[20] Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. (Romanos 1.16).

[21] Como exemplo, no Evangelho de João 4.1-29. No diálogo que Jesus Cristo estabelece com a mulher samaritana, Ele, venceu os conflitos de gênero, pois era um homem conversando com uma mulher em público que na cultura judaica não era permitido; político, devido a divisão de Israel em Reino do Norte e Reino do Sul. A Samaria localizava-se no Norte e Judá no Sul e o religioso, pois os samaritanos deixaram de adorar somente a Deus. Entre outros exemplos, tem-se o encontro de Jesus com Zaqueu, um cobrador de impostos a serviço do império romano, que ao ser transformado pela mensagem da salvação de Jesus se compromete a não mais explorar por meio da corrupção o povo (Lucas 19.1-10). E por fim, a parábola do credor incompassivo, onde, Jesus ensina que quem recebeu misericórdia de Deus precisa agir tendo misericórdia para com o teu próximo (Mateus18.23-35).

[22] Além do apóstolo Paulo, o pastor anglicano John Wesley (1703 -1791) e um dos fundadores do movimento metodista que deu origem a Igreja Metodista, abordou a temática da escravidão na Inglaterra.

[23] Viver no amor de Deus conduz os cristãos (as) a terem como pauta de conduta os mandamentos de Deus. Desse modo, os preceitos bíblicos orientam a ética cristã. Recomenda-se a leitura: Êxodo 24.12; João 14.23 -24; João 15.10-12 e Mateus 22.37-40.

Referências

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