Marcos como Biografia Greco-Romana

Marcos como Biografia Greco-Romana

Mateus Felizardo[1]

Resumo

Resumo: Esta pesquisa pretende apresentar alguns argumentos da posição literária sobre Marcos que tem se tornado comum entre estudiosos do NT, que é conceituar Marcos como gênero biográfico helenístico. Embora popularmente, Marcos e os outros Evangelhos sejam considerados como “Evangelho”, como já foi apresentado por alguns estudiosos, Marcos apresenta característica genéricas de uma biografia greco-romana. Além disso, este artigo apresenta qual a relação de uma biografia antiga com o gênero histórico e como isso se relaciona com Marcos como gênero biográfico.

Palavras-Chave: Marcos; Evangelhos; Biografia; História

Abstract: This research aims to present some arguments for the literary position on Mark that has become common among NT scholars, which is to conceptualize Mark as a Hellenistic biographical genre. Although Mark and the other Gospels are popularly considered as “Gospels,” as has been presented by some scholars, Mark presents generic characteristics of a Greco-Roman biography. In addition, this article presents the relationship between an ancient biography and the historical genre and how this relates to Mark as a biographical genre.

Keywords: Mark; Gospels; Biography; History

Resumo: Esta pesquisa pretende apresentar alguns argumentos da posição literária sobre Marcos que tem se tornado comum entre estudiosos do NT, que é conceituar Marcos como gênero biográfico helenístico. Embora popularmente, Marcos e os outros Evangelhos sejam considerados como “Evangelho”, como já foi apresentado por alguns estudiosos, Marcos apresenta característica genéricas de uma biografia greco-romana. Além disso, este artigo apresenta qual a relação de uma biografia antiga com o gênero histórico e como isso se relaciona com Marcos como gênero biográfico.

Palavras-Chave: Marcos; Evangelhos; Biografia; História

Abstract: This research aims to present some arguments for the literary position on Mark that has become common among NT scholars, which is to conceptualize Mark as a Hellenistic biographical genre. Although Mark and the other Gospels are popularly considered as “Gospels,” as has been presented by some scholars, Mark presents generic characteristics of a Greco-Roman biography. In addition, this article presents the relationship between an ancient biography and the historical genre and how this relates to Mark as a biographical genre.

Keywords: Mark; Gospels; Biography; History

Artigo

1. Introdução

Conhecer o gênero literário de uma obra é fundamental tanto para o ato de ler quanto para o ato de interpretar. Quando falamos de gênero literário isso quer dizer, em outras palavras, o “tipo” de texto. Há muito é conhecido dos intérpretes bíblicos que a Bíblia como um todo (AT e NT) possui vários gêneros/tipos literários (narrativa, lei, poesia, sabedoria, carta, apocalíptico etc.). As classificações nos ajudam a entender como devemos abordar, ler e interpretar esses textos. Até hoje teólogos discutem qual o gênero literário dos Evangelhos. deSilva chama nossa atenção para a seguinte questão: “Se uma pessoa no mundo antigo procurasse uma cópia dos Evangelhos para ler em uma antiga biblioteca para qual sessão da biblioteca ela iria?” Segundo o consenso atual, Marcos foi o primeiro Evangelho a ser escrito. Saber seu gênero literário importa para que entendamos como palavras e atos de Jesus devem ser entendidos.[2][3]

2. Propostas de gênero para marcos

Parte da discussão sobre o que o Evangelho de Marcos é vem de suas primeiras palavras: A frase de abertura é o título da obra e indica que o livro deve ser entendido como um “evangelho” ou apenas indica seu conteúdo? O Evangelho de Marcos possui um gênero literário completamente novo (junto com os outros evangelhos canônicos) ou ele pode ser classificado em um gênero já existente da época do NT? Abaixo veremos algumas visões propostas por estudiosos do NT.[4][5][6]

2.1. Marcos como novo gênero e literatura popular

Alguns estudiosos isolaram os Evangelhos (e isso, obviamente, inclui Marcos), classificando-os como sui generis, um gênero literário distinto de qualquer outro, isto é, algo único. A título de exemplo, Crossan afirma “Cada um deles [Evangelhos] é o que foi por fim chamado – um Evangelho ou Boas Novas”. Para Kümmel eles não pertencem ao gênero de memórias, nas quais histórias e ditos de homens eram compilados, ou ao gênero de histórias milagrosas (aretologia), que contavam grandes feitos de milagreiros, mas são um novo gênero, para o uso comunitário, com o objetivo é fortalecer a fé dos cristãos em sua missão de proclamação e instrução; são escritos popular e não literatura sofisticada. [7][8]

A ideia de que Marcos deve ser visto como um gênero distinto, um “Evangelho” está ligada a crítica da forma. A crítica da forma clássica viu os Evangelhos como a junção de vários tipos literários diferentes (minigêneros) cujo propósito prático era servir ao Sitz im Leben (situação de vida) da igreja. Bultmann chegou a afirmar que Marcos “como a tradição mais antiga consistia em seções individuais e que a conexão deles é de caráter secundário”. A várias formas serviam para propósitos distintos. Por exemplo, narrativas de pronunciamento (histórias polêmicas onde Jesus termina com uma declaração categórica), servem para pregação popular; histórias de milagres têm uma função apologética. Nesse ponto de vista os Evangelhos são folclore cristão oral. [9]

As categorizações acima falham quando percebemos que existem ênfases nos evangelhos que não aparecem na igreja posterior. É verdade, que os Evangelhos são únicos por contar a vida de Jesus, por sua associação aos seus discípulos e por servirem para um grupo religioso particular do primeiro século, os cristãos. Mas vê-los simplesmente como algo completamente novo é insuficiente e não faz jus às pesquisas recentes sobre o gênero dos Evangelhos.[10]

2.2. Marcos como tragédia

A sociedade romana estava imersa na literatura grega. As tragédias gregas, histórias nas quais o protagonista é derrotado, eram bem conhecidas. Alguns estudiosos identificam elementos da tragédia grega em Marcos, como Conflito, protagonista com qualidades elevadas (sejam éticas, capacidades de realizar feitos sobre-humanos, qualidades divinas, de inteligência astuta, perspicácia aguçada), disputa sempre presente com a morte e o sofrimento. Tais elementos foram destacados por Wright Adam em Marcos. Os paralelos feitos por Wright entre o gênero de tragédia e o Evangelho de Marcos são impossíveis de negar. Jesus entra em conflito com os escribas e fariseus e posteriormente com saduceus e o Templo (e.g, Mc 2.1-12, 15-17, 23-28; 11.15-19; 12.18-27), Marcos apresenta Jesus com qualidades elevadas (e.g, 1.9-11, 21-28; 5.1-20; 6.45-52) e, por fim, há uma disputa presente com a morte e o sofrimento. Mas a presença de elementos da tragédia grega não faz de Marcos uma tragédia, assim como a presença de histórias em forma de parábolas, não faz de Marcos uma parábola. Tal definição não explica a presença de material didático no segundo Evangelho e não se enquadra com as palavras de abertura, que associa as boas-novas da igreja, retrospectivamente, com a história de Jesus. Além disso, a forma como os Evangelhos foram escritos, em prosa narrativa, destoa muito das tragédias gregas, que foram escritas em forma poética. [11][12][13][14][15]

2.3. Marcos como comédia

Uma das formas de dramaturgia antiga era a comédia. A produção de comédia latina envolvia traduções, reescritas e adaptações das comédias gregas de autores dos séculos 4 a 3 a.C. Tendo em vista sua presença forte, esse gênero seria uma das opções para a forma do Evangelho de Marcos.[16][17]

Porque Marcos possui tanto morte como ressurreição, Dann Otto sugeriu uma combinação entre tragédia e comédia (tragicomédia). De certa forma podemos afirmar que a ressurreição no final do Evangelho tem uma forma cômica, depois de tamanha tragédia há um final feliz, mas o que foi dito sobre o gênero de tragédias pode ser dito aqui: não é porque há a presença de elemento cômico que o segundo Evangelho pode ser categorizado como comédia ou tragicomédia. Deve-se lembrar também que as a forma literária das peças teatrais, tanto gregas quanto romanas, eram em versos, diferentemente, Marcos não foi escrito em forma de poesia, mas em prosa narrativa. [18]

2.4. Marcos como novela

Outra maneira de compreender Marcos foi classificá-lo como uma novela, não no sentido moderno, mas antigo. Novela ou Romance é uma maneira moderna de se referir a histórias ficcionais que são narrativas de amor helenísticas. Com uma estrutura não-rígida, romances são narrativos, mas não históricos. Ao mesmo tempo que são fabricados, não são mitológicos, uma vez que suas histórias são realistas, no sentido de que são possíveis de acontecer. Foi no século 2 d.C., que os romances começaram a se popularizar. Enquanto textos apócrifos podem revelar um tipo de literatura imaginativa e biográfica novelística, dificilmente Marcos se encaixaria nesse gênero, uma vez que em sua narrativa se encontram diversos personagens conhecidos dos primeiros cristãos, como por exemplo, o próprio Jesus e os apóstolos, bem como Alexandre e Rufo (Mc 15.21).[19][20][21][22]

2.5. Marcos como épico

Um outro tipo literário para os evangelhos seria o épico, gênero consagrado pela Ilíada e a Odisseia de Homero. Tais obras influenciaram o mundo antigo tanto na educação quanto na produção literária. Foram observados ecos e paralelos em Marcos entre Jesus e Odisseu, entre os discípulos e a tripulação de Odisseu, entre as autoridades judaicas e os pretendentes de Penélope. Marcos teria escrito, nas palavras de Dennis MacDonald, “um épico em prosa”. Porém, a maioria dos paralelos parecem acidentais e até mesmo forçados, como o clamor de Jesus de que Deus o abandonou (Mc 15.34) comparado com o reconhecimento de Heitor de que Apolo o abandonou (Homero Il. 22.296-303). Tal paralelo ignora a influência da Bíblia Hebraica que claramente é o paralelo mais próximo.[23][24][25]

2.6. Marcos como midrash haggádico

Basicamente, um midrash é uma interpretação e elaboração de textos do Antigo Testamento. Existem larga comprovação de que os judeus da época do Novo Testamento faziam interpretações de textos da Bíblia Hebraica. Ao recontar a história dos judeus em Antiguidades Judaicas, Josefo faz várias elaborações, bem como também Antiguidades Bíblicas de Pseudo-Filo. Diversos textos da comunidade de Qumran são interpretações de livros da Bíblia Hebraica, aplicando-os a sua própria experiência e comunidade. Algumas midrashicas ampliam, desenvolvem e interpretam não apenas algumas passagens e livros, mas também todo o Antigo Testamento.[26]

A crítica do Midrash compreende que passagens dos Evangelhos são elaborações de passagens do Antigo Testamento. Nesse sentido, os relatos narrativos não são acontecimentos históricos reais (ou são em partes), mas são fruto da interpretação dos cristãos, na tentativa de ligar Jesus com textos das Escrituras. Tomando apenas como exemplo, é quase impossível, não ver a história de Israel por trás da ida de Jesus para o Egito e seu retorno de lá (cf., Mt 2.13-15); ou a história de Moisés na matança dos inocentes (cf., Mt 2.16-18). As citações de textos das Escrituras nessas passagens e em outras foram vistas como uma tentativa dos autores do Novo Testamento de buscar no AT uma base para acontecimentos da vida de Jesus. Crossan, por exemplo, embora acredite que Jesus morreu por crucificação, afirma que os detalhes da narrativa da Paixão são elaborações. Nas palavras dele “O que temos agora nesses detalhados relatos da paixão não é história recordada, mas profecia historicizada”. Robert Price leva a crítica do Midrash ao extremo quando afirma que “a maioria das narrativas evangélicas pode ser adequadamente explicadas por referência a protótipos bíblicos”. Grande parte dos paralelos feitos por Price parecem ser acidentais, que o próprio Price elabora em cima de passagens do AT. Embora algumas passagens dos Evangelhos possam conter midrashs, não parece que os Evangelhos como um todo são paráfrases, interpretações ou elaborações do Antigo Testamento e há uma grande dissimilaridade quando comparados com obras midrashicas judaicas. [27][28]

2.7. Marcos como memória

Desde muito cedo os Evangelhos foram chamados de “memórias dos Apóstolos”, referência também usada em Memorabilia de Xenofonte (431-354 a.C.), sobre a vida de Sócrates, onde Xenofonte exalta seu mestre como um exemplo a ser seguido. Essa designação é coerente com a noção de que os Evangelhos se originam do que os apóstolos, como testemunhas oculares, lembraram de Jesus como pessoa histórica. A consequência óbvia é que tais obras não são fictícias, mas históricas. Isso também coloca os Evangelhos muito mais próximos do gênero biográfico do que dos gêneros abordados acima e pode indicar que a geração de cristãos do segundo século realmente lia os Evangelhos como um tipo de biografia. [29][30][31]

3. Marcos como biografia helenística

Tem surgido cada vez mais um consenso de que os Evangelhos se encaixam no gênero biográfico, não como biografia moderna, mas como biografias greco-romanas. Deve-se reconhecer que o grego βιογραϕία (biographía) é posterior ao período do primeiro século. No mundo antigo o termo usado para esse gênero era Bios, em grego, ou Vita, em latim. Bious (vidas) é a palavra usada por Plutarco para definir seu extenso trabalho biográfico em Vidas Paralelas. Cf. Plutarco Alex. 1.2). É preciso, porém, definir o que é uma biografia, mas deve-se ter cuidado já que Bios é capaz de flexibilidade e adaptação, podendo carregar aspectos de outros gêneros como historiografia, retórica, elogio, filosofia moral, polêmica, novela ou estória. Podemos conceituar uma biografia antiga como um texto narrativo em prosa que conta detalhes seletivos (ou não) da vida de um indivíduo e que pode ser parcial ou completo, começando de seu nascimento até a morte (ou não). [32][33][34][35]

Burridge trouxe grande contribuição sobre o assunto com seu What Are The Gospels? Burridge analisou características genéricas de biografias greco-romanas e viu que os Evangelhos possuem diversas dessas características. Algumas delas são

1. Alocação de espaço: Biografias antigas nem sempre tratavam todos os aspectos da vida de um indivíduo da mesma forma. Marcos, por exemplo, dedica 19,1% do seu Evangelho à narrativa da Paixão. Isso pode ser comparado a Plutarco, que dedicou 17,3% de seu texto à morte de Catão ou a Filóstrato, que dedicou 26% de sua obra à morte de Apolônio de Tiana.

2. Modo de representação: Diferente de algumas propostas de gênero, como tragédia, comédia ou tragicomédia, em forma poética, os Evangelhos não possuem forma poética, mas são narração em prosa contínua.

3. Tamanho: Enquanto obras historiográficas, épicos e tratados filosóficos são enormes, os Evangelhos são de tamanho mediano: Mateus tem 18.305 palavras, Marcos 11.242 de Lucas 19.428. Essa tamanho médio permite que estejam dentro do padrão convencional de Bios.[36]

4. Escala: Os Evangelhos se concentram em Jesus. Os personagens que aparecem são para se relacionar com ele; as controvérsias são sobre ele; mesmo quando personagens conversam entre si, ainda assim o assunto é Jesus.

5. Caracterização: Biografias estavam preocupadas com as virtudes do indivíduo. Plutarco (46-120 d.C.) escrevia a vida de seu biografado, comentava e tirava lições de suas virtudes. Por exemplo, justapondo as vidas de Alexandre Magno e César, Plutarco não pretendeu narrar todas as grandes ações militares de ambos, mas somente as realizações que revelassem o perfil de cada um. Assim também Tácito, em seu De vita Iulii Agricolae, descreve a vida de seu sogro Gneu Júlio Agrícola, como modelo exemplar com base na manifestação de uirtus, qualidade ética composta de um conjunto de virtudes cuja prudência, justiça, coragem e temperança são partes integrantes. Nos Evangelhos não há uma descrição direta sobre o caráter de Jesus nem uma lista formal de suas virtudes. Isso acontece porque biografias antigas constroem o caráter através de ações e palavras. [37][38][39][40]

Embora algumas propostas anteriores tenham sua importância por tentarem encaixar os Evangelhos em seu mundo literário helenístico, as características genéricas acima mostram que eles foram escritos em forma de biografia. E como foi mostrado a biografia helenística fazia parte do mundo dos primeiros cristãos. Ela não apenas serviria para contar a vida de Jesus, como foi a maneira que os autores dos Evangelhos escolheram para assim fazer.

4. Marcos como biografia e história

A história fazia parte da gama de tipos literários tanto entre os gregos quanto entre os romanos. Bios pode ser alocado como um subgênero da história. Autores antigos sabiam muito bem que deveriam diferenciar a escrita de tipo histórica de outros gêneros literários, como gêneros ficcionais, e até definiram qual é o papel da história. Tucídides chama atenção de seus leitores para diferenciarem o que ele escreveu das poesias, prosas composições e fábulas (Tucídides Pel. 1.21). Diferentemente os poetas “adornam e amplificam seus temas” e os cronistas mais antigos que compuseram suas obras mais para agradar aos ouvidos do que para dizer verdade, visto que não podem ser verificadas. E com o passar do tempo se transformara em “fábulas sem crédito”. Para Políbio ao escrever história é necessário honestidade mesmo que as vezes seja necessário aprovar e adornar com elogios os inimigos, quando seus atos o requerem, outras vezes reprovando e censurando companheiros quando seus atos demandarem. “A história privada da verdade é narrativa completamente imprestável [...] Nos relatos históricos, as declarações e opiniões cabíveis devem ser adequadas aos atos, a despeito dos agentes”. Tácito comenta que “o principal dever dos anais é impedir que as virtudes sejam silenciadas”. O orador romano, Cícero, fala sobre a relação entre história e verdade quando afirma que a história “de fato, é a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida, a notícia da antiguidade”. Em Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo remete algumas vezes à tarefa de compor uma história verdadeira (e.g., Josefo Antiguidades Judaicas 8.56). Ele até apela para outros historiadores como testemunhas (Josefo Antiguidades Judaicas 1.107-108). Um de seus objetivos ao escrever história era seu interesse nos fatos históricos (Josefo Antiguidades Judaicas1.3-4). Por fim temos a opinião de Quintiliano, segundo o qual a História é escrita para “narrar e não para comprovar” é composta em vista a memória da posteridade e o renome da habilidade. Colocando de lado as que se usam nos processos, ele reconhece pelo menos três tipos de narração: fábula, argumento e história e faz distinção entre elas. A primeira é empregada nas tragédias e poemas e é distante da veracidade como da aparência da verdade; a segunda é similar a comédia; na história, por outro lado, se faz exposição de fatos que aconteceram. A narração histórica deve estar o máximo possível próximo da verdade.[41][42][43][44][45][46][47][48]

Podemos observar que havia nos historiadores antigos uma consciência do papel da história e que a mesma deveria estar comprometida com a verdade. A História como tipo literário funciona como um macrogênero. A biografia como subgênero da história não deve estar menos comprometida com a verdade. [49]

Dos quatro Evangelhos pelo menos um deles, Lucas, reivindica que seu relato se baseia em eventos históricos averiguados, fornecendo também, ainda que indiretamente, sua avaliação sobre as fontes utilizadas, sejam elas orais ou escritas, para a composição de seu Evangelho (Lc 1.1-4). Lucas escreve como historiador. Como é consenso na academia que Lucas usou Marcos como uma de suas fontes, então a avaliação de Lucas também diz respeito a Marcos. A lógica é clara: embora o testemunho de Lucas não comprove a historicidade de Marcos, pelo menos comprova que Lucas, como historiador, considerava Marcos uma fonte histórica confiável sobre a vida de Jesus.

5. Conclusão

Esta pesquisa mostrou que apesar de que muitos estudiosos tenham apresentado várias propostas sobre o que são os Evangelhos (principalmente Marcos), a proposta que mais se encaixa com a forma que o Evangelho de Marcos apresenta é a biografia. Não como as biografias modernas, mas como as biografias helenísticas. Marcos faz parte do macro gênero literário História e do subgênero literário biografia.[50]

1. Introdução

Conhecer o gênero literário de uma obra é fundamental tanto para o ato de ler quanto para o ato de interpretar. Quando falamos de gênero literário isso quer dizer, em outras palavras, o “tipo” de texto. Há muito é conhecido dos intérpretes bíblicos que a Bíblia como um todo (AT e NT) possui vários gêneros/tipos literários (narrativa, lei, poesia, sabedoria, carta, apocalíptico etc.). As classificações nos ajudam a entender como devemos abordar, ler e interpretar esses textos. Até hoje teólogos discutem qual o gênero literário dos Evangelhos. deSilva chama nossa atenção para a seguinte questão: “Se uma pessoa no mundo antigo procurasse uma cópia dos Evangelhos para ler em uma antiga biblioteca para qual sessão da biblioteca ela iria?” Segundo o consenso atual, Marcos foi o primeiro Evangelho a ser escrito. Saber seu gênero literário importa para que entendamos como palavras e atos de Jesus devem ser entendidos.[2][3]

2. Propostas de gênero para marcos

Parte da discussão sobre o que o Evangelho de Marcos é vem de suas primeiras palavras: A frase de abertura é o título da obra e indica que o livro deve ser entendido como um “evangelho” ou apenas indica seu conteúdo? O Evangelho de Marcos possui um gênero literário completamente novo (junto com os outros evangelhos canônicos) ou ele pode ser classificado em um gênero já existente da época do NT? Abaixo veremos algumas visões propostas por estudiosos do NT.[4][5][6]

2.1. Marcos como novo gênero e literatura popular

Alguns estudiosos isolaram os Evangelhos (e isso, obviamente, inclui Marcos), classificando-os como sui generis, um gênero literário distinto de qualquer outro, isto é, algo único. A título de exemplo, Crossan afirma “Cada um deles [Evangelhos] é o que foi por fim chamado – um Evangelho ou Boas Novas”. Para Kümmel eles não pertencem ao gênero de memórias, nas quais histórias e ditos de homens eram compilados, ou ao gênero de histórias milagrosas (aretologia), que contavam grandes feitos de milagreiros, mas são um novo gênero, para o uso comunitário, com o objetivo é fortalecer a fé dos cristãos em sua missão de proclamação e instrução; são escritos popular e não literatura sofisticada. [7][8]

A ideia de que Marcos deve ser visto como um gênero distinto, um “Evangelho” está ligada a crítica da forma. A crítica da forma clássica viu os Evangelhos como a junção de vários tipos literários diferentes (minigêneros) cujo propósito prático era servir ao Sitz im Leben (situação de vida) da igreja. Bultmann chegou a afirmar que Marcos “como a tradição mais antiga consistia em seções individuais e que a conexão deles é de caráter secundário”. A várias formas serviam para propósitos distintos. Por exemplo, narrativas de pronunciamento (histórias polêmicas onde Jesus termina com uma declaração categórica), servem para pregação popular; histórias de milagres têm uma função apologética. Nesse ponto de vista os Evangelhos são folclore cristão oral. [9]

As categorizações acima falham quando percebemos que existem ênfases nos evangelhos que não aparecem na igreja posterior. É verdade, que os Evangelhos são únicos por contar a vida de Jesus, por sua associação aos seus discípulos e por servirem para um grupo religioso particular do primeiro século, os cristãos. Mas vê-los simplesmente como algo completamente novo é insuficiente e não faz jus às pesquisas recentes sobre o gênero dos Evangelhos.[10]

2.2. Marcos como tragédia

A sociedade romana estava imersa na literatura grega. As tragédias gregas, histórias nas quais o protagonista é derrotado, eram bem conhecidas. Alguns estudiosos identificam elementos da tragédia grega em Marcos, como Conflito, protagonista com qualidades elevadas (sejam éticas, capacidades de realizar feitos sobre-humanos, qualidades divinas, de inteligência astuta, perspicácia aguçada), disputa sempre presente com a morte e o sofrimento. Tais elementos foram destacados por Wright Adam em Marcos. Os paralelos feitos por Wright entre o gênero de tragédia e o Evangelho de Marcos são impossíveis de negar. Jesus entra em conflito com os escribas e fariseus e posteriormente com saduceus e o Templo (e.g, Mc 2.1-12, 15-17, 23-28; 11.15-19; 12.18-27), Marcos apresenta Jesus com qualidades elevadas (e.g, 1.9-11, 21-28; 5.1-20; 6.45-52) e, por fim, há uma disputa presente com a morte e o sofrimento. Mas a presença de elementos da tragédia grega não faz de Marcos uma tragédia, assim como a presença de histórias em forma de parábolas, não faz de Marcos uma parábola. Tal definição não explica a presença de material didático no segundo Evangelho e não se enquadra com as palavras de abertura, que associa as boas-novas da igreja, retrospectivamente, com a história de Jesus. Além disso, a forma como os Evangelhos foram escritos, em prosa narrativa, destoa muito das tragédias gregas, que foram escritas em forma poética. [11][12][13][14][15]

2.3. Marcos como comédia

Uma das formas de dramaturgia antiga era a comédia. A produção de comédia latina envolvia traduções, reescritas e adaptações das comédias gregas de autores dos séculos 4 a 3 a.C. Tendo em vista sua presença forte, esse gênero seria uma das opções para a forma do Evangelho de Marcos.[16][17]

Porque Marcos possui tanto morte como ressurreição, Dann Otto sugeriu uma combinação entre tragédia e comédia (tragicomédia). De certa forma podemos afirmar que a ressurreição no final do Evangelho tem uma forma cômica, depois de tamanha tragédia há um final feliz, mas o que foi dito sobre o gênero de tragédias pode ser dito aqui: não é porque há a presença de elemento cômico que o segundo Evangelho pode ser categorizado como comédia ou tragicomédia. Deve-se lembrar também que as a forma literária das peças teatrais, tanto gregas quanto romanas, eram em versos, diferentemente, Marcos não foi escrito em forma de poesia, mas em prosa narrativa. [18]

2.4. Marcos como novela

Outra maneira de compreender Marcos foi classificá-lo como uma novela, não no sentido moderno, mas antigo. Novela ou Romance é uma maneira moderna de se referir a histórias ficcionais que são narrativas de amor helenísticas. Com uma estrutura não-rígida, romances são narrativos, mas não históricos. Ao mesmo tempo que são fabricados, não são mitológicos, uma vez que suas histórias são realistas, no sentido de que são possíveis de acontecer. Foi no século 2 d.C., que os romances começaram a se popularizar. Enquanto textos apócrifos podem revelar um tipo de literatura imaginativa e biográfica novelística, dificilmente Marcos se encaixaria nesse gênero, uma vez que em sua narrativa se encontram diversos personagens conhecidos dos primeiros cristãos, como por exemplo, o próprio Jesus e os apóstolos, bem como Alexandre e Rufo (Mc 15.21).[19][20][21][22]

2.5. Marcos como épico

Um outro tipo literário para os evangelhos seria o épico, gênero consagrado pela Ilíada e a Odisseia de Homero. Tais obras influenciaram o mundo antigo tanto na educação quanto na produção literária. Foram observados ecos e paralelos em Marcos entre Jesus e Odisseu, entre os discípulos e a tripulação de Odisseu, entre as autoridades judaicas e os pretendentes de Penélope. Marcos teria escrito, nas palavras de Dennis MacDonald, “um épico em prosa”. Porém, a maioria dos paralelos parecem acidentais e até mesmo forçados, como o clamor de Jesus de que Deus o abandonou (Mc 15.34) comparado com o reconhecimento de Heitor de que Apolo o abandonou (Homero Il. 22.296-303). Tal paralelo ignora a influência da Bíblia Hebraica que claramente é o paralelo mais próximo.[23][24][25]

2.6. Marcos como midrash haggádico

Basicamente, um midrash é uma interpretação e elaboração de textos do Antigo Testamento. Existem larga comprovação de que os judeus da época do Novo Testamento faziam interpretações de textos da Bíblia Hebraica. Ao recontar a história dos judeus em Antiguidades Judaicas, Josefo faz várias elaborações, bem como também Antiguidades Bíblicas de Pseudo-Filo. Diversos textos da comunidade de Qumran são interpretações de livros da Bíblia Hebraica, aplicando-os a sua própria experiência e comunidade. Algumas midrashicas ampliam, desenvolvem e interpretam não apenas algumas passagens e livros, mas também todo o Antigo Testamento.[26]

A crítica do Midrash compreende que passagens dos Evangelhos são elaborações de passagens do Antigo Testamento. Nesse sentido, os relatos narrativos não são acontecimentos históricos reais (ou são em partes), mas são fruto da interpretação dos cristãos, na tentativa de ligar Jesus com textos das Escrituras. Tomando apenas como exemplo, é quase impossível, não ver a história de Israel por trás da ida de Jesus para o Egito e seu retorno de lá (cf., Mt 2.13-15); ou a história de Moisés na matança dos inocentes (cf., Mt 2.16-18). As citações de textos das Escrituras nessas passagens e em outras foram vistas como uma tentativa dos autores do Novo Testamento de buscar no AT uma base para acontecimentos da vida de Jesus. Crossan, por exemplo, embora acredite que Jesus morreu por crucificação, afirma que os detalhes da narrativa da Paixão são elaborações. Nas palavras dele “O que temos agora nesses detalhados relatos da paixão não é história recordada, mas profecia historicizada”. Robert Price leva a crítica do Midrash ao extremo quando afirma que “a maioria das narrativas evangélicas pode ser adequadamente explicadas por referência a protótipos bíblicos”. Grande parte dos paralelos feitos por Price parecem ser acidentais, que o próprio Price elabora em cima de passagens do AT. Embora algumas passagens dos Evangelhos possam conter midrashs, não parece que os Evangelhos como um todo são paráfrases, interpretações ou elaborações do Antigo Testamento e há uma grande dissimilaridade quando comparados com obras midrashicas judaicas. [27][28]

2.7. Marcos como memória

Desde muito cedo os Evangelhos foram chamados de “memórias dos Apóstolos”, referência também usada em Memorabilia de Xenofonte (431-354 a.C.), sobre a vida de Sócrates, onde Xenofonte exalta seu mestre como um exemplo a ser seguido. Essa designação é coerente com a noção de que os Evangelhos se originam do que os apóstolos, como testemunhas oculares, lembraram de Jesus como pessoa histórica. A consequência óbvia é que tais obras não são fictícias, mas históricas. Isso também coloca os Evangelhos muito mais próximos do gênero biográfico do que dos gêneros abordados acima e pode indicar que a geração de cristãos do segundo século realmente lia os Evangelhos como um tipo de biografia. [29][30][31]

3. Marcos como biografia helenística

Tem surgido cada vez mais um consenso de que os Evangelhos se encaixam no gênero biográfico, não como biografia moderna, mas como biografias greco-romanas. Deve-se reconhecer que o grego βιογραϕία (biographía) é posterior ao período do primeiro século. No mundo antigo o termo usado para esse gênero era Bios, em grego, ou Vita, em latim. Bious (vidas) é a palavra usada por Plutarco para definir seu extenso trabalho biográfico em Vidas Paralelas. Cf. Plutarco Alex. 1.2). É preciso, porém, definir o que é uma biografia, mas deve-se ter cuidado já que Bios é capaz de flexibilidade e adaptação, podendo carregar aspectos de outros gêneros como historiografia, retórica, elogio, filosofia moral, polêmica, novela ou estória. Podemos conceituar uma biografia antiga como um texto narrativo em prosa que conta detalhes seletivos (ou não) da vida de um indivíduo e que pode ser parcial ou completo, começando de seu nascimento até a morte (ou não). [32][33][34][35]

Burridge trouxe grande contribuição sobre o assunto com seu What Are The Gospels? Burridge analisou características genéricas de biografias greco-romanas e viu que os Evangelhos possuem diversas dessas características. Algumas delas são

1. Alocação de espaço: Biografias antigas nem sempre tratavam todos os aspectos da vida de um indivíduo da mesma forma. Marcos, por exemplo, dedica 19,1% do seu Evangelho à narrativa da Paixão. Isso pode ser comparado a Plutarco, que dedicou 17,3% de seu texto à morte de Catão ou a Filóstrato, que dedicou 26% de sua obra à morte de Apolônio de Tiana.

2. Modo de representação: Diferente de algumas propostas de gênero, como tragédia, comédia ou tragicomédia, em forma poética, os Evangelhos não possuem forma poética, mas são narração em prosa contínua.

3. Tamanho: Enquanto obras historiográficas, épicos e tratados filosóficos são enormes, os Evangelhos são de tamanho mediano: Mateus tem 18.305 palavras, Marcos 11.242 de Lucas 19.428. Essa tamanho médio permite que estejam dentro do padrão convencional de Bios.[36]

4. Escala: Os Evangelhos se concentram em Jesus. Os personagens que aparecem são para se relacionar com ele; as controvérsias são sobre ele; mesmo quando personagens conversam entre si, ainda assim o assunto é Jesus.

5. Caracterização: Biografias estavam preocupadas com as virtudes do indivíduo. Plutarco (46-120 d.C.) escrevia a vida de seu biografado, comentava e tirava lições de suas virtudes. Por exemplo, justapondo as vidas de Alexandre Magno e César, Plutarco não pretendeu narrar todas as grandes ações militares de ambos, mas somente as realizações que revelassem o perfil de cada um. Assim também Tácito, em seu De vita Iulii Agricolae, descreve a vida de seu sogro Gneu Júlio Agrícola, como modelo exemplar com base na manifestação de uirtus, qualidade ética composta de um conjunto de virtudes cuja prudência, justiça, coragem e temperança são partes integrantes. Nos Evangelhos não há uma descrição direta sobre o caráter de Jesus nem uma lista formal de suas virtudes. Isso acontece porque biografias antigas constroem o caráter através de ações e palavras. [37][38][39][40]

Embora algumas propostas anteriores tenham sua importância por tentarem encaixar os Evangelhos em seu mundo literário helenístico, as características genéricas acima mostram que eles foram escritos em forma de biografia. E como foi mostrado a biografia helenística fazia parte do mundo dos primeiros cristãos. Ela não apenas serviria para contar a vida de Jesus, como foi a maneira que os autores dos Evangelhos escolheram para assim fazer.

4. Marcos como biografia e história

A história fazia parte da gama de tipos literários tanto entre os gregos quanto entre os romanos. Bios pode ser alocado como um subgênero da história. Autores antigos sabiam muito bem que deveriam diferenciar a escrita de tipo histórica de outros gêneros literários, como gêneros ficcionais, e até definiram qual é o papel da história. Tucídides chama atenção de seus leitores para diferenciarem o que ele escreveu das poesias, prosas composições e fábulas (Tucídides Pel. 1.21). Diferentemente os poetas “adornam e amplificam seus temas” e os cronistas mais antigos que compuseram suas obras mais para agradar aos ouvidos do que para dizer verdade, visto que não podem ser verificadas. E com o passar do tempo se transformara em “fábulas sem crédito”. Para Políbio ao escrever história é necessário honestidade mesmo que as vezes seja necessário aprovar e adornar com elogios os inimigos, quando seus atos o requerem, outras vezes reprovando e censurando companheiros quando seus atos demandarem. “A história privada da verdade é narrativa completamente imprestável [...] Nos relatos históricos, as declarações e opiniões cabíveis devem ser adequadas aos atos, a despeito dos agentes”. Tácito comenta que “o principal dever dos anais é impedir que as virtudes sejam silenciadas”. O orador romano, Cícero, fala sobre a relação entre história e verdade quando afirma que a história “de fato, é a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida, a notícia da antiguidade”. Em Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo remete algumas vezes à tarefa de compor uma história verdadeira (e.g., Josefo Antiguidades Judaicas 8.56). Ele até apela para outros historiadores como testemunhas (Josefo Antiguidades Judaicas 1.107-108). Um de seus objetivos ao escrever história era seu interesse nos fatos históricos (Josefo Antiguidades Judaicas1.3-4). Por fim temos a opinião de Quintiliano, segundo o qual a História é escrita para “narrar e não para comprovar” é composta em vista a memória da posteridade e o renome da habilidade. Colocando de lado as que se usam nos processos, ele reconhece pelo menos três tipos de narração: fábula, argumento e história e faz distinção entre elas. A primeira é empregada nas tragédias e poemas e é distante da veracidade como da aparência da verdade; a segunda é similar a comédia; na história, por outro lado, se faz exposição de fatos que aconteceram. A narração histórica deve estar o máximo possível próximo da verdade.[41][42][43][44][45][46][47][48]

Podemos observar que havia nos historiadores antigos uma consciência do papel da história e que a mesma deveria estar comprometida com a verdade. A História como tipo literário funciona como um macrogênero. A biografia como subgênero da história não deve estar menos comprometida com a verdade. [49]

Dos quatro Evangelhos pelo menos um deles, Lucas, reivindica que seu relato se baseia em eventos históricos averiguados, fornecendo também, ainda que indiretamente, sua avaliação sobre as fontes utilizadas, sejam elas orais ou escritas, para a composição de seu Evangelho (Lc 1.1-4). Lucas escreve como historiador. Como é consenso na academia que Lucas usou Marcos como uma de suas fontes, então a avaliação de Lucas também diz respeito a Marcos. A lógica é clara: embora o testemunho de Lucas não comprove a historicidade de Marcos, pelo menos comprova que Lucas, como historiador, considerava Marcos uma fonte histórica confiável sobre a vida de Jesus.

5. Conclusão

Esta pesquisa mostrou que apesar de que muitos estudiosos tenham apresentado várias propostas sobre o que são os Evangelhos (principalmente Marcos), a proposta que mais se encaixa com a forma que o Evangelho de Marcos apresenta é a biografia. Não como as biografias modernas, mas como as biografias helenísticas. Marcos faz parte do macro gênero literário História e do subgênero literário biografia.[50]

Notas

[1] Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição (JMC); Mestrando em Estudos Bíblicos e Teológico do Novo Testamento pelo Seminário Teológico Jonathan Edwards.

[2] MCKNIGHT. GUPTA, Estudos do Novo Testamento, pp. 128-144.

[3] DESILVA, An Introduction to the New Testament, p. 118.

[4] “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo Filho de Deus” (Mc 1.1).

[5] E.g., COLE, R. Alan, Mark: Tyndale New Testament Commentary, 1989. Alguns intérpretes dessa posição são citados em GUELICH, Robert A, Mark 1.8:26, p. 7.

[6] SCHNABEL, Mark: An Introduction and Commentary, InterVarsity Press, 2017. Para Stein a frase inicial não é o título da obra, mas introduz, ainda que indiretamente, o leitor à obra toda (STEIN, Marcos: comentário exegético, p. 49). Ao que parece as primeiras palavras de Marcos não dizem nada sobre o tipo ou forma do texto que Marcos escreveu. Elas são mais bem entendidas como descrevendo como a mensagem cristã se originou (COLLINS; ATTRIDGE, Mark, p. 130) e o seu conteúdo. Assim o genitivo nas palavras iniciais (“evangelho de”) pode ser um genitivo plenário (subjetivo e objetivo), no sentido de que as boas-novas estão ligadas a Jesus (FRANCE, The Gospel of Mark, p. 53; GUELISH, Mark, p. 9; BOCK, Mark, p. 108).

[7] Veja CROSSAN, The Historical Jesus, posição 439-449; Id., Jesus: Uma Biografia Revolucionária, p. 17. Mas “Evangelho” tinha mais a ver com o conteúdo do que com a forma. Cf. GUELICH, Mark 1-8:26, p. xxii.

[8] KÜMMEL, Introduction, p. 37. Para Boring, Marcos criou uma nova forma literária para expressar um novo conteúdo. Cf., BORING, Mark, pp. 6-9.

[9] BULTMANN, Tradition, p. 338; COLLINS; ATTRIDGE, Mark, p. 19.

[10] Blomberg dá o exemplo da maneira característica de Jesus referir a si mesmo como “o filho do homem” em BLOMBERG, Introdução aos Evangelhos, p. 115.

[11] BILEZIKIAN, The Liberated Gospel, p. 20.

[12] Veja WRIGHT, The Gospel of Mark as Tragedy, pp. 83-85. Exemplos de tragédia grega são Hipólito de Eurípides e Édipo Tiranus de Sófocles. Na peça de Eurípides Hipólito, notável por sua beleza e castidade, é acusado injustamente de traição contra seu pai, Teseu, e morre depois que seu próprio pai fez preces a Poseidon contra Hipólito. Na peça de Sófocles Édipo, por ocasião do destino, sem saber, mata o seu próprio pai e se casa com sua própria mãe. Ao tomar conhecimento da tragédia Jocasta, sua mãe, se suicida e Édipo cega os próprios olhos. Cf. Sófocles Édipo Tiranus 366-367, 775, 813-824, 995-998, 1235-1251, 1251-1279.

[13] WRIGHT, The Gospel of Mark as Tragedy, pp. 83-85, 93-99, 103-107,115-119.

[14] Cf., BIRD, The Gospel of the Lord, pp. 234-235. Kindle.

[15] WITHERINGTON III, The Gospel of Mark: A Socio-Rhetorical Commentary, p. 3.

[16] Exemplos de comédias romanos são Os Adelfos de Terêncio e Anfitrião de Plauto.

[17] AFRO, Públio Terêncio, Os Adelfos, Trad.: Rodrigo Tadeu Gonçalves, Belo Horizonte: Autêntica, 2020, p. 12.

[18] VIA, Kerygma and Comedy in the New Testament, pp. 98-103.

[19] As semelhanças foram destacadas por Mary Tolbert em TOLBERT, Sowing The Gospel, pp. 65-70. Como exemplo de um romance biográfico, em oposição ao erótico, ela cita Ciropédica de Xenofonte. Outros exemplos são Callirhoe de Chariton, Clitofonte e Leucippe de Aquiles Tácio, Daphnis e Cloé de Longo e Conto Efésio de Xenofonte de Éfeso.

[20] AUNE (Ed.), Greco-Roman Literature and the New Testament, SBL, pp. 127, 133; para novelas como ficção veja MORGAN; STONEMAN (Ed.), Greek Fiction: The Greek Novel in Context, pp. 3-4, 7; HOLZBERG, The Ancient Novel, p. 20; BAUCKHAM, O Mundo Cristão, p. 835.

[21] Cf. KEENER, Jesus, p. 78.

[22] E.g, O Protoevangelho de Tiago e Os Atos Apócrifos. Cf. BAUCKHAM, O Mundo Cristão, pp. 822-823, 835-838; veja tb., Keener, Jesus, 78.

[23] Cf. Quintiliano Inst. Or. 1.8.5; 10.1.46; Virgílio, Eneida, edição bilíngue, trad.: Carlos Alberto Nunes; apres.: João Angelo Oliva Neto, pp. 13-14.

[24] Marcos teria se inspirado na Odisseia e imitado os livros 22 e 24 de Ilíada para contar a morte e sepultamento de Jesus. Veja MACDONALD, The Homeric Epics and the Gospel of Mark, pp. 2-3.

[25] MacDonald faz vários outros paralelos principalmente entre Marcos e a Odisséia. Ele vê em Marcos 11.1-11, onde Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento, a influência de Odisseu entrando na cidade atrás de uma mula (Homero Od. 6.252-261). Diferente de Mateus e João, Marcos não faz uma elaboração dessa passagem, mas o paralelo com a Bíblia Hebraica é bem mais próximo do que com o épico homérico.

[26] E.g., 1QapGen; 4Q166-7; 4Q14; 4Q169; 1QpHab etc.

[27] CROSSAN, Jesus: uma biografia revolucionária, p. 155.

[28] Robert M. Price, “Jesus at The Vanishing Point”, em BEILBY; EDDY, The Historical Jesus: Five Views, p. 68. Price extrapola a ponto de tentar explicar quase todas as passagens dos Evangelhos como passagens do Antigo Testamento reescritas. Ibid., pp. 68-75. Veja BLOMBERG, A Confiabilidade Histórica dos Evangelhos, pp. 84-96.

[29] Veja Eusébio Hist. Ec. 3.39.15; Justino Ap. 66.3; Diál. Trif. 101.3; 102.5; 103.6.

[30] DESILVA, An Introduction to the New Testament, p. 146.

[31] Semelhante a tese de Dunn em Jesus Recordado.

[32] E.g., TALBERT, What is a Gospel? The Genre of the Canonical Gospels, Fortress Press, 1977; AUNE, The New Testament in Its Literary Environment, The Westminster Press, 1987; BURRIDGE, What Are The Gospels? A Comparison with Graeco-Roman Biography, B. Eerdmans Publishing, 2004; FREYNE, Jesus, Um Judeu da Galileia: Nova leitura da história de Jesus, São Paulo: Paulus, 2014; BIRD, The Gospel of the Lord: How the Early Church Wrote the Story of Jesus. Wm. B. Eerdmans Publishing Co, 2014; LICONA, Why Are There Differences In The Gospels? What We Can Learn From Ancient Biography, Oxford University Press, 2017; DESILVA, An Introduction to the New Testament: context, methods e ministy formation, IVP Academic, 2018; KEENER, Christobiography: memory, history, and the reliability of the Gospels. B. Eerdmans Publishing, 2019; DUNN, Jesus Recordado, Trad.: Eliel Vieira. Contagem, MG; Biblioteca Teológica; São Paulo: Paulus, 2022; WRIGHT, O Novo Testamento e o Povo de Deus: Origens Cristãs e a Questão de Deus, Trad.: Elissamai Bauleo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2022; Bond, Biography em CROSSLEY; KEITH (Ed), The Next Quest Fort The Historical Jesus, B. Eerdmans Publishing, 2024.

[33] Temmerman chama nossa atenção para a primeira vez que o termo βιογραϕία (biografia) aparece. Isto se dá no século VI em fragmentos da Vida de Isidoro de Alexandria onde a escrita (graphein) de uma história de sua vida (bios). Writing (About) Ancient Lives: scholarship, definitions, and concepts em TEMMERMAN (Org.), The Oxford Handbook of Ancient Biography, p. 7.

[34] BURRIDGE, What Are The Gospels?, pp. 65-66, 77.

[35] Esse conceito é uma modificação minha da definição encontrada em Writing (About) Ancient Lives: scholarship, definitions, and concepts in The Oxford Handbook of Ancient Biography, p. 11. Temmerman afirma o seguinte: “Uma vez que a biografia em seu sentido mais amplo é realmente apenas um relato extenso e escrito da vida (ou partes dela) de um dado (real ou fictício) indivíduo (ou grupo de indivíduos), não possui características formais específicas que nos permitam construir um conjunto sólido de critérios”. (Temmernam, The Oxford Handbook of Ancient Biography , p11).

[36] À título de exemplo, Heródoto tem 189.489 palavras, Tucídides 153.260, Pausânias 224.602; Ilíada tem 115.478 palavras; A República de Platão tem 89.358 palavras, Leis tem 106.297.

[37] DA SILVA, A Escrita Biográfica na Antiguidade: uma tradição incerta, p. 75.

[38] LEME, Considerações sobre o Gênero Biográfico em “A Vida dos Doze Césares”, de Caio Suetônio (século II. d.C.), p. 9. “Portanto, Plutarco avalia a conduta ética dos homens tendo por base a análise do comportamento e das ações por eles desenvolvidas. Nesse sentido o autor estabelece uma estrutura básica, porém flexível, para sua narrativa: a família e infância do personagem; a educação que recebeu: ocasião em que se apontam os elementos que guiaram sua formação intelectual e ética; as ações que, empreendidas, demonstram a constituição de seu caráter; e, por fim, sua velhice e morte, momento no qual se pode realmente avaliar, do ponto de vista moral, o conjunto da vida”. Ibid. p. 9.

[39] DE LIMA, Tácito e a De Vita Agricolae: as virtudes de um general exemplar, pp. 385-401.

[40] Plutarco Alex. 1.2-3. Sobre as características gerais de biografias greco-romanas e os Evangelhos veja Burridge, What Are The Gospels?, pp. 105-211.

[41] Embora Plutarco faça distinção entre “bioi” e “istoría”, ele não quer dizer que bioi não é relato histórico. Istoría está preocupada com ações famosas, feitos ilustres dos homens e com grandes eventos como batalhas. Bioi está preocupada com o caráter dos homens que pode ser revelado em coisas pequenas (Plutarco Alex. 1.2-3).

[42] Tucidides Pel. 1.21.

[43] Políbio Hist. 1.2. Políbio tem uma visão da história que é pragmática. Pode ser que pragmatikos refira-se ao “político e prático”, assim história pragmática teria a ver com questões políticas atuais e instrução dos leitores. DE SANT’ANNA, Políbio e os princípios da investigação histórica: algumas considerações, p. 145.

[44] Políbio Hist. 1.14.

[45] Tácito An. 3.65.

[46] Cícero Orat. 2.36

[47] Quintiliano Inst. Orat. 10.1.31.

[48] Quintiliano Inst. Orat. 2.4.2.

[49] Keener descreve a opinião de classicistas que frequentemente colocam a biografia antiga como um gênero relacionado à história antiga, ou seja, como uma subdivisão ligada ao fato histórico e não à ficção literária. KEENER, Assumptions in Historical-Jesus Research: Using Ancient Biographies and Disciples’ Traditioning as a Control, pp. 33-35. Becker faz uma ótima descrição dos pressupostos históricos-literários da historiografia greco-helenístico, romana e judaica e o lugar dos primeiros textos cristãos, especialmente os Evangelhos, na história literária da historiografia helenística. Veja em Becker, Historiographical Literature in the New Testament Period (1st and 2nd centuries CE) em HOLMÉN; PORTER (Ed), Handbook for Study of Historical Jesus, pp. 1787-1817.

[50] Dunn destaca que o objetivo comum das biografias antigas era apresentar exemplos para seus leitores imitarem. Além de fornecer informações sobre o biografado, preservavam sua memória, defendiam e promoviam sua reputação. Os evangelhos estão nessa categoria e são propagandistas. DUNN, Jesus Recordado, pp. 254-255; Da mesma forma Freyne afirma o seguinte sobre os Evangelhos: [...] “discussões mais recentes situaram esses primeiros escritos cristãos no contexto mais amplo do gênero biográfico-encomiástico da Antiguidade greco-romana, que traz em seu bojo tanto uma intenção histórica quanto propagandística”. Cf., FREYNE, Jesus, Um Judeu da Galileia: Nova leitura da história de Jesus, p. 16; Para Wright os Evangelhos “São na verdade, biografias de estilo judaico, projetadas para mostrar a essência da história de Israel, representada em uma única vida”. Cf., WRIGHT, O Novo Testamento e o Povo de Deus, p. 531.

[1] Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição (JMC); Mestrando em Estudos Bíblicos e Teológico do Novo Testamento pelo Seminário Teológico Jonathan Edwards.

[2] MCKNIGHT. GUPTA, Estudos do Novo Testamento, pp. 128-144.

[3] DESILVA, An Introduction to the New Testament, p. 118.

[4] “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo Filho de Deus” (Mc 1.1).

[5] E.g., COLE, R. Alan, Mark: Tyndale New Testament Commentary, 1989. Alguns intérpretes dessa posição são citados em GUELICH, Robert A, Mark 1.8:26, p. 7.

[6] SCHNABEL, Mark: An Introduction and Commentary, InterVarsity Press, 2017. Para Stein a frase inicial não é o título da obra, mas introduz, ainda que indiretamente, o leitor à obra toda (STEIN, Marcos: comentário exegético, p. 49). Ao que parece as primeiras palavras de Marcos não dizem nada sobre o tipo ou forma do texto que Marcos escreveu. Elas são mais bem entendidas como descrevendo como a mensagem cristã se originou (COLLINS; ATTRIDGE, Mark, p. 130) e o seu conteúdo. Assim o genitivo nas palavras iniciais (“evangelho de”) pode ser um genitivo plenário (subjetivo e objetivo), no sentido de que as boas-novas estão ligadas a Jesus (FRANCE, The Gospel of Mark, p. 53; GUELISH, Mark, p. 9; BOCK, Mark, p. 108).

[7] Veja CROSSAN, The Historical Jesus, posição 439-449; Id., Jesus: Uma Biografia Revolucionária, p. 17. Mas “Evangelho” tinha mais a ver com o conteúdo do que com a forma. Cf. GUELICH, Mark 1-8:26, p. xxii.

[8] KÜMMEL, Introduction, p. 37. Para Boring, Marcos criou uma nova forma literária para expressar um novo conteúdo. Cf., BORING, Mark, pp. 6-9.

[9] BULTMANN, Tradition, p. 338; COLLINS; ATTRIDGE, Mark, p. 19.

[10] Blomberg dá o exemplo da maneira característica de Jesus referir a si mesmo como “o filho do homem” em BLOMBERG, Introdução aos Evangelhos, p. 115.

[11] BILEZIKIAN, The Liberated Gospel, p. 20.

[12] Veja WRIGHT, The Gospel of Mark as Tragedy, pp. 83-85. Exemplos de tragédia grega são Hipólito de Eurípides e Édipo Tiranus de Sófocles. Na peça de Eurípides Hipólito, notável por sua beleza e castidade, é acusado injustamente de traição contra seu pai, Teseu, e morre depois que seu próprio pai fez preces a Poseidon contra Hipólito. Na peça de Sófocles Édipo, por ocasião do destino, sem saber, mata o seu próprio pai e se casa com sua própria mãe. Ao tomar conhecimento da tragédia Jocasta, sua mãe, se suicida e Édipo cega os próprios olhos. Cf. Sófocles Édipo Tiranus 366-367, 775, 813-824, 995-998, 1235-1251, 1251-1279.

[13] WRIGHT, The Gospel of Mark as Tragedy, pp. 83-85, 93-99, 103-107,115-119.

[14] Cf., BIRD, The Gospel of the Lord, pp. 234-235. Kindle.

[15] WITHERINGTON III, The Gospel of Mark: A Socio-Rhetorical Commentary, p. 3.

[16] Exemplos de comédias romanos são Os Adelfos de Terêncio e Anfitrião de Plauto.

[17] AFRO, Públio Terêncio, Os Adelfos, Trad.: Rodrigo Tadeu Gonçalves, Belo Horizonte: Autêntica, 2020, p. 12.

[18] VIA, Kerygma and Comedy in the New Testament, pp. 98-103.

[19] As semelhanças foram destacadas por Mary Tolbert em TOLBERT, Sowing The Gospel, pp. 65-70. Como exemplo de um romance biográfico, em oposição ao erótico, ela cita Ciropédica de Xenofonte. Outros exemplos são Callirhoe de Chariton, Clitofonte e Leucippe de Aquiles Tácio, Daphnis e Cloé de Longo e Conto Efésio de Xenofonte de Éfeso.

[20] AUNE (Ed.), Greco-Roman Literature and the New Testament, SBL, pp. 127, 133; para novelas como ficção veja MORGAN; STONEMAN (Ed.), Greek Fiction: The Greek Novel in Context, pp. 3-4, 7; HOLZBERG, The Ancient Novel, p. 20; BAUCKHAM, O Mundo Cristão, p. 835.

[21] Cf. KEENER, Jesus, p. 78.

[22] E.g, O Protoevangelho de Tiago e Os Atos Apócrifos. Cf. BAUCKHAM, O Mundo Cristão, pp. 822-823, 835-838; veja tb., Keener, Jesus, 78.

[23] Cf. Quintiliano Inst. Or. 1.8.5; 10.1.46; Virgílio, Eneida, edição bilíngue, trad.: Carlos Alberto Nunes; apres.: João Angelo Oliva Neto, pp. 13-14.

[24] Marcos teria se inspirado na Odisseia e imitado os livros 22 e 24 de Ilíada para contar a morte e sepultamento de Jesus. Veja MACDONALD, The Homeric Epics and the Gospel of Mark, pp. 2-3.

[25] MacDonald faz vários outros paralelos principalmente entre Marcos e a Odisséia. Ele vê em Marcos 11.1-11, onde Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento, a influência de Odisseu entrando na cidade atrás de uma mula (Homero Od. 6.252-261). Diferente de Mateus e João, Marcos não faz uma elaboração dessa passagem, mas o paralelo com a Bíblia Hebraica é bem mais próximo do que com o épico homérico.

[26] E.g., 1QapGen; 4Q166-7; 4Q14; 4Q169; 1QpHab etc.

[27] CROSSAN, Jesus: uma biografia revolucionária, p. 155.

[28] Robert M. Price, “Jesus at The Vanishing Point”, em BEILBY; EDDY, The Historical Jesus: Five Views, p. 68. Price extrapola a ponto de tentar explicar quase todas as passagens dos Evangelhos como passagens do Antigo Testamento reescritas. Ibid., pp. 68-75. Veja BLOMBERG, A Confiabilidade Histórica dos Evangelhos, pp. 84-96.

[29] Veja Eusébio Hist. Ec. 3.39.15; Justino Ap. 66.3; Diál. Trif. 101.3; 102.5; 103.6.

[30] DESILVA, An Introduction to the New Testament, p. 146.

[31] Semelhante a tese de Dunn em Jesus Recordado.

[32] E.g., TALBERT, What is a Gospel? The Genre of the Canonical Gospels, Fortress Press, 1977; AUNE, The New Testament in Its Literary Environment, The Westminster Press, 1987; BURRIDGE, What Are The Gospels? A Comparison with Graeco-Roman Biography, B. Eerdmans Publishing, 2004; FREYNE, Jesus, Um Judeu da Galileia: Nova leitura da história de Jesus, São Paulo: Paulus, 2014; BIRD, The Gospel of the Lord: How the Early Church Wrote the Story of Jesus. Wm. B. Eerdmans Publishing Co, 2014; LICONA, Why Are There Differences In The Gospels? What We Can Learn From Ancient Biography, Oxford University Press, 2017; DESILVA, An Introduction to the New Testament: context, methods e ministy formation, IVP Academic, 2018; KEENER, Christobiography: memory, history, and the reliability of the Gospels. B. Eerdmans Publishing, 2019; DUNN, Jesus Recordado, Trad.: Eliel Vieira. Contagem, MG; Biblioteca Teológica; São Paulo: Paulus, 2022; WRIGHT, O Novo Testamento e o Povo de Deus: Origens Cristãs e a Questão de Deus, Trad.: Elissamai Bauleo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2022; Bond, Biography em CROSSLEY; KEITH (Ed), The Next Quest Fort The Historical Jesus, B. Eerdmans Publishing, 2024.

[33] Temmerman chama nossa atenção para a primeira vez que o termo βιογραϕία (biografia) aparece. Isto se dá no século VI em fragmentos da Vida de Isidoro de Alexandria onde a escrita (graphein) de uma história de sua vida (bios). Writing (About) Ancient Lives: scholarship, definitions, and concepts em TEMMERMAN (Org.), The Oxford Handbook of Ancient Biography, p. 7.

[34] BURRIDGE, What Are The Gospels?, pp. 65-66, 77.

[35] Esse conceito é uma modificação minha da definição encontrada em Writing (About) Ancient Lives: scholarship, definitions, and concepts in The Oxford Handbook of Ancient Biography, p. 11. Temmerman afirma o seguinte: “Uma vez que a biografia em seu sentido mais amplo é realmente apenas um relato extenso e escrito da vida (ou partes dela) de um dado (real ou fictício) indivíduo (ou grupo de indivíduos), não possui características formais específicas que nos permitam construir um conjunto sólido de critérios”. (Temmernam, The Oxford Handbook of Ancient Biography , p11).

[36] À título de exemplo, Heródoto tem 189.489 palavras, Tucídides 153.260, Pausânias 224.602; Ilíada tem 115.478 palavras; A República de Platão tem 89.358 palavras, Leis tem 106.297.

[37] DA SILVA, A Escrita Biográfica na Antiguidade: uma tradição incerta, p. 75.

[38] LEME, Considerações sobre o Gênero Biográfico em “A Vida dos Doze Césares”, de Caio Suetônio (século II. d.C.), p. 9. “Portanto, Plutarco avalia a conduta ética dos homens tendo por base a análise do comportamento e das ações por eles desenvolvidas. Nesse sentido o autor estabelece uma estrutura básica, porém flexível, para sua narrativa: a família e infância do personagem; a educação que recebeu: ocasião em que se apontam os elementos que guiaram sua formação intelectual e ética; as ações que, empreendidas, demonstram a constituição de seu caráter; e, por fim, sua velhice e morte, momento no qual se pode realmente avaliar, do ponto de vista moral, o conjunto da vida”. Ibid. p. 9.

[39] DE LIMA, Tácito e a De Vita Agricolae: as virtudes de um general exemplar, pp. 385-401.

[40] Plutarco Alex. 1.2-3. Sobre as características gerais de biografias greco-romanas e os Evangelhos veja Burridge, What Are The Gospels?, pp. 105-211.

[41] Embora Plutarco faça distinção entre “bioi” e “istoría”, ele não quer dizer que bioi não é relato histórico. Istoría está preocupada com ações famosas, feitos ilustres dos homens e com grandes eventos como batalhas. Bioi está preocupada com o caráter dos homens que pode ser revelado em coisas pequenas (Plutarco Alex. 1.2-3).

[42] Tucidides Pel. 1.21.

[43] Políbio Hist. 1.2. Políbio tem uma visão da história que é pragmática. Pode ser que pragmatikos refira-se ao “político e prático”, assim história pragmática teria a ver com questões políticas atuais e instrução dos leitores. DE SANT’ANNA, Políbio e os princípios da investigação histórica: algumas considerações, p. 145.

[44] Políbio Hist. 1.14.

[45] Tácito An. 3.65.

[46] Cícero Orat. 2.36

[47] Quintiliano Inst. Orat. 10.1.31.

[48] Quintiliano Inst. Orat. 2.4.2.

[49] Keener descreve a opinião de classicistas que frequentemente colocam a biografia antiga como um gênero relacionado à história antiga, ou seja, como uma subdivisão ligada ao fato histórico e não à ficção literária. KEENER, Assumptions in Historical-Jesus Research: Using Ancient Biographies and Disciples’ Traditioning as a Control, pp. 33-35. Becker faz uma ótima descrição dos pressupostos históricos-literários da historiografia greco-helenístico, romana e judaica e o lugar dos primeiros textos cristãos, especialmente os Evangelhos, na história literária da historiografia helenística. Veja em Becker, Historiographical Literature in the New Testament Period (1st and 2nd centuries CE) em HOLMÉN; PORTER (Ed), Handbook for Study of Historical Jesus, pp. 1787-1817.

[50] Dunn destaca que o objetivo comum das biografias antigas era apresentar exemplos para seus leitores imitarem. Além de fornecer informações sobre o biografado, preservavam sua memória, defendiam e promoviam sua reputação. Os evangelhos estão nessa categoria e são propagandistas. DUNN, Jesus Recordado, pp. 254-255; Da mesma forma Freyne afirma o seguinte sobre os Evangelhos: [...] “discussões mais recentes situaram esses primeiros escritos cristãos no contexto mais amplo do gênero biográfico-encomiástico da Antiguidade greco-romana, que traz em seu bojo tanto uma intenção histórica quanto propagandística”. Cf., FREYNE, Jesus, Um Judeu da Galileia: Nova leitura da história de Jesus, p. 16; Para Wright os Evangelhos “São na verdade, biografias de estilo judaico, projetadas para mostrar a essência da história de Israel, representada em uma única vida”. Cf., WRIGHT, O Novo Testamento e o Povo de Deus, p. 531.

Referências

Fontes Primárias




Judaicas

Genesis Apócrifo (1QapGen)

Comentários Sobre Oséias (4Q166-7)

Comentário Sobre Miquéias (4Q14)

Comentário Sobre Naum (4Q169)

Comentário Sobre Habacuque (1QpHab)

Flávio Josefo

Antiguidades Judaicas

Cristãs

Eusébio de Cesaréia

História Eclesiástica

Justino

1Apologia

Diálogo com Trifão




Greco-Romanas

Cícero

De Oratore

Eurípides

Hipólito

Homero

Ilíada

Odisséia

Plutarco

Vida de Alexandre

Políbio

Histórias

Sófocles

Édipo Tiranus

Quintiliano

Instituição Oratória

Tácito

Anais

Tucídides

História da Guerra do Peloponeso

Xenofonte

Memorabilia




Fontes Secundárias

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WITHERINGTON III, The Gospel of Mark: A Socio-Rhetorical Commentary, Wm. B. Eerdmans Publishing Co, 2001.

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